Macroeconomia e mercado

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PSDB entra com decreto contra aumento do PIS/Cofins na gasolina

A liderança do PSDB no Senado está entrando com um projeto de decreto legislativo sustando os efeitos do decreto presidencial 8.395, que aumentou o PIS e a Cofins sobre a gasolina. A oposição argumenta que essa elevação dos dois impostos é uma forma de burlar a noventena que tem que ser respeitada para o aumento da Cide.

"Como o governo tirou a Cide da gasolina, agora para elevar tem que respeitar 90 dias. Isso é uma obrigação constitucional. Para burlar isso, o governo elevou PIS e Cofins para ter a arrecadação que quer a mais até a entrada em vigor da nova CIDE. Mas isso é uma forma de burlar a norma constitucional" afirmou o senador Cassio Cunha Lima, líder do partido.

Ele disse que o aumento na bomba está chegando a R$ 0,30 por litro. O aumento faz parte do ajuste fiscal que o governo está começando a fazer para reduzir o enorme rombo nas contas públicas. A Cide foi retirada como forma de subsidiar o uso da gasolina e conter artificialmente a inflação. (O Globo 10/02/2015)

 

Mesmo em entressafra, preços do açúcar seguem em queda

Em plena entressafra de cana-de-açúcar, os preços do açúcar cristal praticados no mercado spot paulista registram queda.

Neste início fevereiro (de 2 a 9), seguindo o cenário baixista de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, recuou 1,29%, indo para R$ 50,01/saca de 50 kg na segunda-feira, 09.

Conforme levantamentos do Cepea, diminuiu o número de negócios, mas os volumes captados foram maiores em relação à semana anterior. Além disso, a oferta de açúcar apresentada pelas usinas tem sido maior que a demanda no spot paulista e o mercado internacional também está em baixa. (Cepea / ESALQ 10/02/2015)

 

Liquidez do etanol recua, mas cotações se mantêm firmes

O mercado paulista de etanol esteve um pouco menos movimentado na última semana, mas os preços continuaram firmes.

Abastecidos, compradores adotaram postura mais retraída; algumas distribuidoras ainda carregavam o produto adquirido na semana anterior. Mesmo assim, as usinas mantiveram firmes os valores pedidos no spot.

Segundo agentes consultados pelo Cepea, a expectativa é que o consumo volte a se aquecer com a proximidade do recesso prolongado de Carnaval.

Entre 2 e 6 de fevereiro, o Indicador semanal CEPEA/ESALQ do hidratado referente ao estado de São Paulo foi de R$ 1,4150/litro (sem impostos), alta de 2% em relação ao anterior. Quanto ao anidro, o Indicador semanal foi de R$ 1,5016/l, alta de 1% sobre o anterior.

Já o Indicador diário do hidratado posto Paulínia ESALQ/BM&FBovespa fechou a R$ 1.337,50/m3 na segunda-feira, 9, recuo de 1% frente à segunda anterior. (Cepea / ESALQ 10/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados Hoje

No exterior: inflação na China recua; e Grécia segue no radar.

As bolsas na Ásia terminaram em direções mistas, com destaque para a alta do índice chinês. Por lá, estímulos do governo seguem sendo prováveis nos próximos meses. Registre-se: a inflação ao consumidor de janeiro registrou alta aquém da esperada e atingiu o menor nível em cinco anos. Na Europa, investidores monitoram desdobramentos entre Grécia e seus credores. Por enquanto, nada muito novo. Mas vale ressaltar: os investidores não parecem precificar a possível saída da Grécia da zona do euro. As bolsas, após um início mais fraco, vão se recuperando e, às 8h22, horário de Brasília, operam majoritariamente em alta. Na agenda macro: produção industrial de França e Itália veio acima do esperado em janeiro.

Nos EUA, o dólar volta a ganhar forças, e investidores esperam a divulgação de maior otimismo das pequenas empresas. O índice NFIB já está em níveis recordes, e deve continuar apontando para uma economia mais forte. Os juros das treasuries voltam a subir.

No Brasil: luz amarela para os ajustes fiscais. Enquanto Dilma se mobiliza para reverter queda de aprovação (que ficou evidente na última pesquisa Datafolha); parlamentares dos partidos que apoiam o governo no Congresso devem tentar barrar ou atenuar impacto das propostas de ajuste fiscal propostas pela equipe econômica. O noticiário não contribui para reverter tendência de alta do dólar e juros futuros.

Em bolsa: BB Seguridade divulgou números fortes, e notícias envolvendo Petrobras são positivas, diante da perspectiva de divulgação de balanço auditado. Ainda assim, desafios continuam. Em relação a outros ativos: commodities operam em queda hoje, e minério de ferro pode continuar a recuar com a proximidade do feriado na China.

Carta do Dia

Brasil: o noticiário segue contribuindo para aumentar incertezas em torno dos ajustes fiscais. O governo tem menos força para levar adiante as recentes medidas anunciadas, Datafolha recente corroborou essa percepção, e quadro internacional – com tensões envolvendo a Grécia – não deve dar trégua. A inclinação da curva de juros tende a aumentar, e o dólar tende a continuar em alta. Do lado macro, nenhum dado que nos chame a atenção.

Pacote de R$10 bi para 2015 deve vir até março, segundo o ministro Manoel Dias

Somado às propostas de ajuste nos benefícios trabalhistas que visam proporcionar ao redor de R$18 bi neste ano ao governo, um pacote que inclui fiscalização mais rígida, e também corte de gastos, está sendo preparado pelo governo. Segundo Dias, cerca de R$2,7 bi seriam arrecadados com a maior fiscalização eletrônica, coibindo fraude nas contribuições como o FGTS, por exemplo; outros R$2,6 bi viriam da formalização de 500 mil trabalhadores empregados no mercado informal; e R$2 bi seriam reduzidos das despesas com saúde do trabalho. No Estadão, mais detalhes sobre o tema.

Enquanto isso, aliados do governo tentam barrar ou atenuar propostas de ajuste fiscal

Não será fácil aprovar as mudanças nos benefícios trabalhistas. Segundo matéria da Folha, Dilma, Levy e equipe enfrentarão resistência até mesmo dentro do PT para levar adiante as medidas que visam arrecadar R$18 bi para este ano. Na tarde de ontem, deputados e senadores propuseram 620 sugestões de mudanças nas duas medidas provisórias que compõe o pacote, e ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso. 

E Dilma quer vir a público, falar que combaterá corrupção e que voltará com o “Café com a Presidente”

Segundo matéria do jornal O Globo, Dilma pretende melhorar a sua comunicação com a sociedade, quer propor medidas positivas, a retomar agenda de viagens pelas regiões onde ela ganhou a eleição. Em reunião com seu núcleo político no dia de ontem, Dilma admitiu que está isolada. Após o carnaval, deve apoiar a Petrobras em público, e anunciar plano de combate à corrupção, prometido em campanha. Um último ponto: para aqueles que também estão se sentindo à deriva, o programa semanal de rádio, “Café com a Presidente”, voltará. 

Balança comercial: fevereiro começa com déficit

Na 1ª semana de fevereiro, o saldo comercial com o resto do mundo registrou déficit de US$25 mi, com exportações somando US$3,68 bi e importações US$3,70 bi. Enquanto a média diária das exportações atingiu US$ 735,6 mi (queda de 7,7% A/A), a média diária das importações atingiu US$ 740,6 mi (queda de 18% A/A). Para o mês, o déficit deve aumentar, mas tende a ficar pouco abaixo do déficit de fevereiro de 2014, de US$2,13 bi.

Na reunião do G-20: Brasil promete fomentar investimentos & maiores economias do mundo apoiam políticas de estímulo

Segundo o Estadão, em reuniões fechadas, o Brasil, através do seu banco central, tenta melhorar a sua imagem e já fala em anúncios que seriam feitos até abril para incentivar investimentos por aqui. Outros países, incluindo a Turquia, também estariam discursando na mesma linha.

Também com relação ao G-20: segundo o Valor, as maiores economias do mundo devem publicar documento oficial amanhã, apoiando políticas de estímulo, como a que foi recentemente implementada pelo BC europeu. Vale lembrar: nas últimas semanas, temos destacado a divergência entre a política monetária aqui no Brasil – ainda contracionista – e na maior parte do resto do mundo, mais expansionista.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O Ibovespa, na contramão dos mercados globais, terminou em alta (+1,21%, aos 49,382 mil pontos), com volume financeiro de R$7,59 bi, incluindo o R$1,57 bi do exercício de opções sobre ações. As siderúrgicas foram o destaque positivo, após queda das importações chinesas reacenderem expectativas de mais estímulos por lá. O dólar operou mais estável, enquanto os juros futuros na BM&F foram pressionados para cima, diante das dificuldades políticas que o governo terá em aprovar medidas de ajuste daqui em diante.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos um bom dia de alta, com isso nos aproximamos da forte resistência em 49.900, se ela for rompida nessa terça-feira ou nos próximos dias abriremos espaço para amis altas. Se voltarmos a cair teremos suporte apenas em 46.900. Por enquanto a tendência segue indefinida no curto prazo. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: em dia de agenda macro relativamente tranquila nos EUA, investidores seguem atentos à Grécia. O tom das negociações oscila, mas não podemos descartar que o país não possa sair da zona do euro. Assim como aconteceu no passado com Irlanda e Chipre, o BC europeu pode endurecer as condições de empréstimo do BC do país aos seus bancos, tentando forçar o governo a entrar em acordo. Por enquanto, ainda que as bolsas da Europa apresentem desempenho inferior aos seus pares americanos, vemos com cautela os próximos movimentos em bolsa. Investidores ainda parecem contar com a melhor saída.

Grécia: deixará políticas “fracassadas”; discussões endurecem e saída da zona do euro não é improvável

O ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, em discurso ao Parlamento, pediu aos parceiros europeus que deixem de exigir o cumprimento de “políticas fracassadas”. Segundo ele, "Nós vamos apresentar nossa proposta e seguir adiante com reformas profundas em cooperação com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)", mas ressaltou: "A essa lista, vamos acrescentar cerca de 70% das reformas e compromissos que estão no atual programa de resgate. Os 30% restantes serão suspensos ou descartados". Veja aqui no Estadão.

Vale destacar: no final do mês vence prazo para pagamento de compromissos, e o país precisa negociar com a troica – BC europeu, FMI e Comissão Europeia – alguma solução. Alex Tsipras, primeiro-ministro grego, afirmou no domingo, no Parlamento, que o seu governo não buscará a extensão do programa de auxílio econômico vinculado às políticas de austeridade. Merkel, da Alemanha, disse que o atual acordo “é a base de quaisquer discussões que teremos”. Ontem, na Áustria, Tsipras se mostrou menos radical: “Não creio que exista uma razão séria para não haver acordo”. 

Em suma, ainda vemos com cautela a situação na Europa. Não nos parece precificada nos mercados a possível saída da Grécia da zona do euro, e ainda podemos ver volatilidade elevada à frente. Depois um mês de ganhos em bolsa, os índices europeus mostram desempenho bem aquém dos seus pares americanos.

China: inflação recua em janeiro

A inflação ao consumidor, na comparação anual, passou de 1,5% em dezembro para 0,8% em janeiro, abaixo do 1% esperado pelo mercado, segundo pesquisa da Bloomberg. Já a inflação ao produtor, mais impactada pela queda das commodities, passou de deflação de 3,3% em dezembro para deflação de 4,3% em janeiro, abaixo dos esperados -3,8%. Olhando adiante, esperamos que a queda dos preços não continue, e acreditamos que este será o ponto mais baixo da inflação ao longo dos próximos meses. Vale ressaltar: devido ao Ano Novo chinês – que neste ano será em fevereiro, e não em janeiro como em 2014 –, os preços, principalmente de alimentos, podem gerar distorções nas análises. Em geral, o feriado pressiona os preços para cima.

Empresas

BB Seguridade: A BB Seguridade, empresa integrante da carteira Top Picks, entregou um resultado sólido no quarto trimestre e no ano de 2014. A holding, que controla os negócios de seguros do Banco do Brasil, divulgou receita de R$ 1,14 bilhão (+26,2% A/A) no 4T14. O lucro líquido ajustado foi de R$ 906,1 milhões (+10,2% T/T e +28,1% A/A) e superou marginalmente as estimativas otimistas do mercado de R$ 894 milhões. O robusto crescimento deve-se pelo; (i) aumento de 27,9% da receita de comissões; (ii) crescimento de 18,1% do resultado de equivalência proveniente do segmento de vida, habitacional e rural (BB Mapfre SH1); (iii) crescimento de 88,9% do resultado financeiro; (iv) evolução de 20,7% do resultado de equivalência proveniente do segmento de previdência; (v) aumento de 27,8% nas receitas de investimentos provenientes do segmento de patrimônio. Em suma, o forte crescimento advém do avanço do lucro líquido de todas as coligadas no período, com destaque para os segmentos de previdência e de capitalização.

Em 2014, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) ficou em de 49,8%, (+11,4 p.p. A/A). No quarto trimestre, o indicador foi de 66,0% (+5,1 p.p. T/T e 10,2 p.p. A/A). O patrimônio líquido da BB Seguridade somava R$ 7,9 bilhões (+9,3% T/T e +14,2% A/A). Os números apresentados pela companhia são robustos e nos levam a manter uma postura otimista com os ativos da companhia.

Adicionalmente, a empresa aprovou pagamento de dividendos de R$ 0,78/ação. Data “ex” 12 de fevereiro e paga em 26 de fevereiro.

Itausa: A empresa realizará um aumento do capital social no valor de R$ 300 milhões mediante emissão de 17,2 milhões de ações ordinárias sem valor nominal e 27,5 milhões de ações preferenciais ao preço de R$ 6,70. Haverá uma subscrição com início no próximo dia 24 de fevereiro a 25 de março.

Petrobras: O conjunto de notícias envolvendo a Petrobras é bastante favorável nessa manhã. Uma série de passos podem ser tomados no curto prazo e beneficiar uma recuperação das ações da companhia, até o governo já espera isso. De acordo com fontes, o ministro Joaquim Levy está ajudando a encontrar uma solução para o balanço da Petrobras, quantificando os valores relacionados às fraudes contábeis. De acordo com o jornal Valor Econômico, já existe uma solução técnica para ajustar o balanço da Petrobras e os auditores e reguladores não devem se opor a essa solução. Os ativos passarão por uma reavaliação e será realizado o procedimento de imparment. Levando em consideração as potenciais sinergias entre os ativos da companhia e uma taxa de desconto específica, a baixa contábil pode cair para um montante entre R$ 10 e R$ 20 bilhões. A grande questão está girando em torno do tamanho da taxa de desconto que impacta diretamente na avaliação dos ativos. Segundo cálculos do mercado, a taxa de desconto pode variar entre 12% (potencialmente usados pela Deloitte e BNP Paribas na avaliação das baixas contábeis mostradas na teleconferência de resultados do 3T14) e 6,5% (valor que o governo gostaria de usar, mas considerado baixo por consultores). O jornal Valor divulgou que se a taxa de desconto utilizada na baixa contábil inicial de R$ 88 bilhões fosse de 8,5% o montante já cairia pela metade.

Na Bloomberg, outra matéria cita que a companhia pode renovar por mais 2 anos o contrato de auditoria da PricewaterhouseCoopers (PwC). O conselho de administração se reunirá no fim do mês (27 de fevereiro) para discutir o tema.

Outras matérias na Folha e no Globo também soam bem. De acordo com a Folha, o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine deve conversar esta semana com investidores para tentar acalmá-los sobre a crise na companhia. A expectativa é que até o dia 13 de fevereiro ocorra uma teleconferência. Para o Governo a recuperação das ações da estatal deve ocorrer em um mês, que é o prazo estimado para que Bendine conquiste confiança do mercado. Por fim, de acordo com O Globo, os ex-ministros, Guido Mantega e Miriam Belchior devem deixar conselho da Petrobras logo. Essa intenção é compartilhada pelo Planalto. Até já se fala em Miriam Belchior na presidência da Caixa.