Macroeconomia e mercado

Notícias

Rússia avalia cortar impostos de importação de açúcar bruto, diz agência

A Rússia avalia cortar impostos de importação de açúcar bruto, hortaliças e frutas, disse a agência de notícias Tass nesta sexta-feira, citando o diretor do Serviço Federal Antimonopólio, Igor Artemyev.

O executivo disse que não descarta impor tarifas de exportação para centeio, cevada e milho, acrescentou a agência. (Jornal Cana 20/02/2015)

 

Sistema avalia quanto custa recuperar passivo ambiental

O produtor de cana também está sujeito a multas e penas se infringir o Código Florestal Federal. Mas produtores ligados a sindicatos associados à Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (FAESP) têm à disposição uma ferramenta de apoio nessa complicada operação.

O sistema foi tema de palestra em recente evento em Campinas, com a presença de técnicos e políticos ligados às discussões sobre regras do Código Florestal.

Conforme exposto no evento, o sistema auxiliará os sindicatos a calcular a existência ou não de passivo ambiental de cada propriedade e o custo de sua recuperação. (Jornal Cana 20/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Oscilações mais modestas no exterior, em dia de novas negociações entre Grécia e seus credores. À tarde, ministros das Finanças da Europa se reúnem novamente, e podem evitar o chamado “Grexit”. Em outras palavras, outra chance para evitar a saída da Grécia da zona do euro. Lembramos: ontem, os alemães rejeitaram a carta de Atenas enviada ao Eurogroup que solicitava extensão do socorro financeiro, e as incertezas voltaram. As bolsas abriram em leve queda hoje, e mantêm tom mais negativo. O euro volta a se enfraquecer diante do dólar.

Na Ásia, a bolsa japonesa renovou a máxima de quinze anos, diante da queda do petróleo e da depreciação do iene – quadro favorável para suas empresas exportadoras. Ontem, relatório de estoques de petróleo nos EUA mostrou recorde de alta da commodity, contribuindo para a queda de suas cotações. O Brent segue acumulando leve alta em 2015, mas recua ao redor de 3,5% com relação à última terça-feira, 17, no seu pico do ano.

No Brasil, poucas novidades do lado macro. Destaque apenas para a reunião trimestral com investidores em São Paulo que contará o Awazu Pereira, do BC. O evento será fechado à imprensa, mas rumores podem mexer com os mercados. Ontem, em reunião no Rio, convidados traçaram cenário pessimista ao diretor do BC. Atenção: Awazu, nos recentes eventos públicos, tentou se mostrar mais “duro” no combate à inflação, agora à frente da diretoria de Política Econômica, no lugar de Carlos Hamilton.

Em suma, acreditamos que as tendências recentes devem continuar nos mercados, com dólar e juros futuros em alta. Poucas oscilações no exterior, e noticiário e agenda macro esvaziadas por aqui não contribuem para reverter tais movimentos.

Brasil: Noticiário fraco e agenda macro esvaziada. Atenções voltadas ao cenário externo. Por aqui, destaque para a matéria do Valor que prevê comunicação ainda confusa do banco central nos próximos meses e estudo da PUC-Rio que defende que prorrogação das atuações no mercado cambial não foi relevante para atenuar volatilidade cambial e depreciação da moeda.

Comunicação confusa do BC deve continuar nos próximos meses

Em coluna de hoje do Valor, Alex Ribeiro comenta a recente comunicação do banco central. Confusa, é claro. Comparações: se até meados de 2014 a instituição parecia seguir os princípios de “forward guidance” do professor Michael Woodford – tentando sinalizar aos investidores um plano de voo bem definido –, agora está mais parecido com o presidente do BC do Canadá, Stephen Poloz, ao “dividir com o mercado as incertezas que veem pelo caminho”. Aqui no Brasil: à frente, temos incertezas de sobra. Estão não só as inflacionárias, mas também a mudança de composição dos diretores do BC. Segundo Ribeiro, “é pouco provável que as mensagens fiquem mais claras nos próximos meses”. 

BC não evita volatilidade com atuação no mercado cambial

Segundo estudo da PUC-Rio, comentado no Valor de hoje, o programa de leilões cambiais do BC, quando renovado, não trouxe redução da volatilidade nem conteve depreciação da moeda. O estudo “joga lenha na fogueira do debate sobre a conveniência de estender pela 4ª vez o programa do BC”, diz o Valor. O programa atual vai até dia 31 de março e já injetou o equivalente a US$112 bi no mercado em swaps cambiais. Acreditamos que diante do atual ciclo de alta de juros – e após renovações recentes –, o mais provável é que o BC vá, aos poucos diminuindo a intensidade das intervenções. Dificilmente continuará como está.

É isso mesmo: Coutinho fica no BNDES

Luciano Coutinho aceitou o convite de Dilma para continuar na presidência do BNDES. Com Aldemir Bendine agora na Petrobras (era cotado para ir ao BNDES), Coutinho seguirá no comando do banco estatal – cargo que acumula desde 2007. Mas atenção: a participação do banco na economia tende a mudar daqui em diante, após mudança de equipe econômica. Fica Coutinho, mas deve começar a mudar o BNDES.

Fluxo cambial: saldo da 2ª semana de fevereiro, entre os dias 9 a 13, foi negativo em US$ 376 milhões

O fluxo financeiro ficou negativo em US$ 480 milhões, e o comercial positivo em US$ 104 milhões. Vale destacar que esta foi a 2ª semana do ano em que foi registrada uma saída de dólares do país. Com esse resultado, no mês de fevereiro, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 447 milhões, com financeiro negativo em US$ 481 milhões e comercial positivo em US$ 928 milhões. No acumulado do ano, o país registou entrada de divisas no valor de US$ 4,350 bilhões, refletindo principalmente o saldo financeiro positivo de US$ 3,637 bilhões. No mesmo período do ano passado, o fluxo cambial era menos positivo, em US$ 1,928 bilhão.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa teve ontem um dia de volume reduzido (R$4,691 bi) e poucas oscilações. Terminou próximo à estabilidade (alta de 0,03%), aos 51,294 mil pontos. Mas vale registrar: Vale PNA e Petrobras PN terminaram em baixas razoáveis (-2,50% e -3,65%, respectivamente). A primeira, apesar da divulgação de produção recorde de minério de ferro, é penalizada diante da queda da commodity. Já a segunda é pressionada pela queda do petróleo, e pela perspectiva de reavaliação da nota de crédito pelas agências de risco. A Moody’s já sinalizou que revisará a nota da estatal no final do mês. Enquanto isso, o dólar teve mais um dia de alta (+1,2%), e os juros futuros foram pressionados para cima.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um dia com fechamento praticamente estável, mas ainda acima da LTB que vem desde setembro. Em um futuro recuo é importante que o nível de 50.000 não seja perdido como suporte para que a tendência de alta continue confiável. Próxima resistência só em 56.000. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: todos de olho na reunião de Bruxelas. Grécia e credores internacionais são o destaque do exterior, e o fator mais importante para mexer com os mercados. Acreditamos que acordo deve ser feito, a saída da Grécia é cenário menos provável, e os gregos tendem a ceder mais do que os alemães.

Europa I: nova reunião, nova esperança de acordo entre Grécia e seus credores

De forma resumida: o governo grego solicitou, em carta, a extensão do chamado “Master Financial Assitance Facility Agreement” por seis meses para, então, de forma conjunta com seus credores, determinar os rumos do acordo e suas condicionalidades. Foi um passo na direção certa, e foram positivas ontem as primeiras reações à solicitação. Viu-se a possibilidade de algum entendimento que mantenha o programa vivo, e mais ajustado ao perfil do novo partido, mais à esquerda, que venceu as eleições gregas em dezembro.

Ainda ontem, porém, o ministro alemão da Economia disse que a proposta grega sequer merece ser discutida, e não tem chance de funcionar. Segundo Martin Jäger, porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, a carta de Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, foi vaga e deixou ainda muitas questões em aberto. Segundo o próprio Schäuble, “A carta de Atenas não é uma proposta substantiva para uma solução”. Jogo duro. Recentemente, Schäuble acusou Varoufakis, especialista em teoria dos jogos, de estar jogando póquer. Ontem mesmo, o governo alemão classificou a carta de Atenas como um “cavalo de Troia”.

Em suma, na opinião dos alemães, há pouco comprometimento dos gregos com as reformas; mas os gregos elegeram novo governo para deixar de cumpri-las. A opção de estender o socorro de 172 bilhões de euros parece ter ficado mais distante, o governo e bancos gregos vão ficando sem caixa, e a reunião marcada para hoje, às 16h, horário de Brasília, em Bruxelas, está no radar dos investidores. É esse tema que está movendo o mercado de títulos não só da Grécia como também de europeus como Itália, Espanha e Portugal.

Europa II: documento do BC europeu comentou reunião de política monetária

Em documento inédito, o banco central europeu (BCE) comentou decisão histórica de janeiro, quando lançou a chamada expansão quantitativa (QE, na sigla em inglês). O BCE mostrou as discussões dos dirigentes prévias ao anúncio do tão aguardado pacote de estímulos.

Destacou-se que diante da queda da inflação e o efeito menor do que o esperado dos programas de estímulo anunciados em junho e setembro do ano passado, a maioria dos dirigentes considerou adequado o anuncio em janeiro do QE. Registre-se: da mesma forma que Draghi, presidente da instituição, já havia comentado na sua coletiva de imprensa no pós-reunião do BCE, a decisão não foi unanime. Alguns membros defenderam uma postura mais paciente. Um estilo “wait-and-see” (esperar para ver), segundo a nota.

Além disso, foram amplamente discutidos na reunião quais ativos entrariam no programa, e o valor das compras mensais. Foi levantada a possibilidade de compra de bônus corporativos, mas optou-se pela aquisição de títulos públicos, apenas. Sobre o montante das compras: foi considerada a compra mensal de bônus no valor de 50 bilhões de euros, entre março 2015 e o final de 2016, mas com o objetivo de intensificar o efeito do programa, optou-se pela compra mensal de 60 bilhões de euros, entre março de 2015 e setembro de 2016.

Europa III: ritmo de atividade melhora em fevereiro

Segundo números preliminares, a economia da zona do euro avançou na comparação com janeiro. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), considerando tanto o setor industrial quanto o de serviços, mostrou que o bloco como um todo avançou (o índice passou de 52,6 em janeiro para 53,5 em fevereiro). O 1º tri de 2015 deve continuar mostrando crescimento do PIB.

EUA: dados mistos

Do lado positivo, ontem foi divulgado que os novos pedidos de auxílio desemprego ficaram pouco abaixo do esperado na última semana (283 mil contra 290 mil). Do lado mais negativo, os indicadores antecedentes de janeiro avançaram menos do que o esperado (0,2%, contra os 0,3% esperados e os 0,4% registrados em dezembro); e a Sondagem Industrial do Fed da Filadélfia mostrou quadro de crescimento mais moderado, segundo dados de fevereiro. Foi a 3ª queda mensal deste indicador.

Empresas

Noticiário corporativo suave, com muitas empresas já em período de silêncio.

Petrobras: A Petrobras, em resposta a matéria divulgada no jornal O Estado de S. Paulo, confirmou que possui contencioso com o Estado de São Paulo referente a ICMS-Importação e que o valor compreende a R$ 2,04 bilhões. A matéria divulgada na coluna Direto da Fonte em 12 de fevereiro publicou que o valor estimado seria de R$ 10 bilhões. Adicionalmente, a companhia informou que o ICMS-Importação correspondente às operações tem sido recolhido regularmente, dentro dos prazos legais, para o Mato Grosso do Sul, pois é nesse Estado que está o estabelecimento importador de gás da Bolívia.

Segundo matéria veiculada pela Upstream, a Queiroz Galvão e a Iesa abandonaram um projeto de 1,5 bilhões de dólares com a Petrobras. O consórcio QGI formado pelas 2 companhias decidiu em 13 de fevereiro deixar o trabalho em 2 plataformas FPSO para a Petrobras por não concordar com ajustes no projeto. O QGI teria pedido 300 milhões de dólares adicionais para os ajustes, que não foram aprovados pela Petrobras.

Por fim, hoje deverá ocorrer a primeira audiência do caso da ação coletiva aberta por investidores contra a Petrobras nos Estados Unidos a partir das 17h. O investidor líder da ação coletiva, que será definido hoje, vai representar na Corte todos os demais investidores. O fundo de pensão dos funcionários públicos de Ohio tem a intenção de ser o representante.

Siderúrgicas: Ontem saíram os dados de produção e consumo de aço da IABR. Os números evidenciam o cenário desafiador e de baixa demanda do mercado interno. A produção brasileira de aço bruto em janeiro de 2015 foi de 3,0 milhões de toneladas (+7,7% A/A). Em relação aos laminados, a produção de janeiro, de 2,1 milhões de toneladas (+0,9% A/A). As vendas internas foram de 1,6 milhão de toneladas de produtos (-8,5% A/A).

Apesar das condições adversas do mercado internacional, as exportações de produtos siderúrgicos em janeiro de 2015 atingiram 1,1 milhão de toneladas no valor de 681 milhões de dólares (+32,9% em volume e de +11,3% em valor devido). O crescimento se deve entre outros fatores, ao religamento de um alto forno cuja produção foi direcionada à exportação.

O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi fraco em janeiro, de 2,0 milhões de toneladas (-4,0% A/A). No que se refere às importações, o volume foi de 381 mil toneladas (US$ 384 milhões) (+22,5% A/A).

Mantemos cautela em relação à Usiminas e CSN que ainda devem sentir os efeitos da desaceleração econômica local em curso. No setor, preferimos exposição à Gerdau pela diversificação geográfica e maior exposição ao mercado norte americano.

Usiminas: Ás 12h, a Usiminas realizará teleconferência para comentar o balanço do quarto trimestre de 2014, divulgado na última quarta-feira após ter sido adiado por cinco dias. O balanço estava programado para ser divulgado na última sexta-feira mas de acordo com a Agência Estado foi cancelado pelo desacordo dos dois principais acionistas, Nippon Steel e Ternium sobre os benefícios pagos a três executivos. Em reunião da semana passada, a falta de acordo ficou por conta mais especificamente do relatório da administração, em que constava, na versão apresentada, registros dos pagamentos de benefícios aos três executivos destituídos pela companhia em setembro passado. Na noite de terça-feira, no entanto, após acordo em relação a esse tema entre os dois acionistas, o conselho aprovou a divulgação.