Macroeconomia e mercado

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Hassad Food, do Catar, avalia ativos nos setores de açúcar e aves no Brasil

A Hassad Food, braço de agricultura do fundo soberano do Catar, disse que está avaliando possíveis compras de ativos nos setores de açúcar e aves no Brasil, à medida que problemas nessas indústrias no país têm criado oportunidades.

"Temos muitas coisas a caminho e o Brasil definitivamente é parte disso, não apenas no setor de açúcar, mas também no de aves", disse o vice-presidente para o desenvolvimento de negócios da Hassad Food, Youssef Hegazy, nesta quarta-feira.

Usinas de cana no Brasil, maior produtor mundial de açúcar, têm lutado há anos com os baixos preços do açúcar e do etanol, levando um crescente número de usinas a recuperação judicial enquanto reestruturam suas dívidas com credores.

"Percebemos que há problemas estruturais em ambas as indústrias no Brasil, como dívida alta", disse Hegazy à Reuters em uma conferência em Dubai.

Hegazy não precisou quais são os ativos nos quais a companhia está interessada, e disse que as discussões ainda estão em um estágio inicial.

"Tivemos conversas no passado e chegamos a estágios mais avançados, mas nada se materializou na época, então estamos em um estágio inicial", disse. (Reuters 25/02/2015)

 

GasBrasiliano quer aliar uso de gás natural ao bagaço de cana

Distribuidora de gás natural da Petrobras mapeou 167 usinas de açúcar e etanol e já fez contatos com grandes grupos como São Martinho e Renuka para o uso do gás

A GasBrasiliano, distribuidora de gás natural da Petrobras, mapeou 167 usinas de açúcar e etanol na sua área de concessão na tentativa de quebrar um dos maiores dos paradigmas do setor energético: aliar uso do gás ao bagaço de cana nas unidades termoelétricas.

Segundo o diretor-presidente da GasBrasiliano, Walter Fernando Piazza Júnior, o uso do gás consorciado com a biomassa para o aumento da eficiência energética já ocorre com sucesso em grandes clientes do agronegócio da companhia - como as produtoras de suco de laranja Cutrale e Louis Dreyfus Commodities (LDC).

"O bagaço é úmido, tem uma eficiência energética baixa e ainda vai para as caldeiras com muitos contaminantes. Além de melhorar a eficiência energética, ao ser queimado junto, o gás natural pode ser utilizado em outras fases do processo, como para secar o próprio bagaço", explicou Piazza, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

De acordo com o executivo, a GasBrasiliano já fez contatos com grandes grupos sucroalcooleiros - como o São Martinho e o Renuka - para o uso do gás natural nas usinas térmicas a biomassa e ainda parcerias em pesquisas. "É possível dobrar a eficiência das usinas", afirmou, citando testes já feitos.

As pesquisas devem consumir R$ 5 milhões em três anos e incluem ainda a rota inversa, ou seja, o uso, pela GasBrasiliano, do biogás natural produzido por usinas de cana. Esse biogás seria obtido, de acordo com Piazza, a partir da fermentação da vinhaça, subproduto da produção de açúcar e etanol, e ainda da chamada cana energia, variedade produzida com alto teor de biomassa muito utilizada na cogeração.

Indústrias

Além das usinas de cana, a GasBrasiliano tenta ampliar o uso de gás natural em clientes industriais na área de concessão - nas regiões Central, Norte, Nordeste e Oeste de São Paulo - principalmente produtores de vidro e cerâmica, cuja dependência de energia é alta.

"São empresas cuja energia representa até 25% do custo de fabricação e algumas delas têm projetos para a produção de energia elétrica em turbinas a gás, tamanha a preocupação com a alta do preço do insumo", explicou.

A GasBrasiliano pretende investir R$ 28 milhões na ampliação de sua rede de distribuição e fornecimento de gás em 2015, ante R$ 14,5 milhões no ano passado. Além das indústrias, que consomem 96% do volume de 900 mil metros cúbicos diários do gás fornecido pela companhia, a GasBrasiliano pretende construir 40 quilômetros de redes e ainda priorizar no atendimento residencial e comercial Ribeirão Preto (SP), maior município atendido pela empresa. (Agência Estado 25/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Moody’s rebaixa nota da Petrobras. Não chega a ser uma surpresa, mas volta à cena o temor de rebaixamento do rating soberano. Dilma e equipe econômica se reúnem hoje para decidir estratégia daqui em diante. Neste contexto, o dólar e os juros futuros devem ser pressionados para cima, diante da maior percepção de risco. O noticiário, após trégua de ontem, volta a ficar negativo. Na agenda macro: confiança dos consumidores atinge mínima histórica.

A bolsa brasileira tende a recuar, pressionada pelos papéis da estatal e o cenário externo mais negativo para ativos de risco como um todo. Na agenda micro: Vivo divulgou números acima do esperado ontem à noite.

No exterior, o dólar recua após investidores considerarem fala de Yellen mais “branda”. Em discurso de ontem no Senado, a presidente do Fed parece preparar o mercado para o início do aperto monetário. De qualquer forma, o mercado entendeu que não há pressa para elevar os juros. O Fed tenta se mostrar mais dependente dos próximos dados.

Para hoje: discurso de Yellen no Comitê de Finanças da Câmara será o grande destaque. Além disso, o relatório de estoques de petróleo nos EUA será divulgado, e tende a pressionar para baixo as cotações da commodity. Os índices futuros sinalizam abertura em baixa das bolsas, após Dow Jones e S&P 500 terem atingido novos recordes de alta na última sessão.

Na Ásia, as bolsas terminaram em direções. Atenção: a China voltou de feriado de Ano Novo. A bolsa por lá fechou em baixa, mas saíram melhores notícias do lado macro: o setor industrial avançou em fevereiro. Commodities, no entanto, operam sem direção muito clara.

Na Europa, as bolsas operam em baixa, ao redor das 8h, horário de Brasília. Nada muito relevante na agenda macro.  Destaca-se nos jornais que as negociações entre Grécia e credores não terminaram, contribuindo para o tom de cautela nos mercados acionários. 

Brasil

Petrobras no radar. Veja mais na sessão de empresas. Do lado macro, voltam à cena os temores de rebaixamento do rating soberano. A percepção de risco aumenta e dólar e juros futuros não terão trégua. O componente de expectativas é importante. Será difícil, neste contexto, evitar tendências somente com as promessas de Levy.

Moody’s corta rating da Petrobras, e Levy não consegue reverter decisão.

Rating do Brasil será contaminado?

A Moody’s anunciou ontem o corte do rating da estatal. Para mais detalhes, veja mais na sessão de Empresas. No Estadão, matéria também comenta o assunto. Registramos: não chega a ser uma surpresa a revisão da Moody’s, dado que ela já havia anunciado que até o final do mês revisaria a nota da estatal. Agora, classificada como “grau especulativo”, a Petrobras se juntou ao grupo que conta também com a petrolífera argentina YPF.

Levy ofereceu “carta de conforto” à Moody’s, mas não adiantou. Segundo o Estadão, o ministro, quando soube do anúncio de rebaixamento, teria entrado em contato para garantir que o governo socorreria a empresa caso fosse necessário. Não adiantaram também as conversas com dirigentes da agência em NY, na semana passada.

A questão para pensar é: a piora dos ratings das empresas brasileiras contaminará o rating soberano? Do ponto de visto “macro”, esta é a pergunta mais relevante. Em nossa opinião, isto e bem possível. Talvez esta também seja a preocupação de Levy. O Estadão comenta que Dilma e equipe econômica se reúnem hoje para definir estratégia de trabalho daqui em diante.

Como mostramos no último semanal, o mercado já precifica um risco mais elevado para o país, mesmo considerando países com a mesma nota de crédito, segundo a Moody’s. Mauro Leos, analista sênior de crédito soberano da agência, disse há uma semana que “há uma ‘interconectividade’ alta da petroleira com a economia”. Conter a depreciação do real e a alta dos juros futuros mais longos será mais difícil nos próximos dias.

Confiança em baixa: consumidores; indústria e setor de construção

Saiu hoje às 8h a confiança dos consumidores em fevereiro. Segundo a FGV, houve queda de 4,9% na comparação com janeiro, e tanto a avaliação das condições atuais quanto o índice de expectativas para os próximos meses pioraram (-7,0% e -4,2%, respectivamente). O Valor destaca que atingimos o mínimo histórico da confiança. Também em janeiro havíamos visto quedas, tanto no índice “cheio”, quanto nos dois subcomponentes. Olhando o gráfico, vemos que desde 2012 a tendência é de piora, com aceleração da contração desde o ano passado.

Lembramos: na segunda-feira, números preliminares da confiança da indústria em fevereiro mostraram contração. Na sexta-feira, eles devem ser confirmados. Mais: o setor de construção também registrou queda da confiança no mês, segundo dados da FGV divulgados ontem. O índice “cheio” recuou 6,9% contra janeiro, com quedas de 9,7% da avaliação atual e 4,6% das expectativas. O gráfico é assustador: desde 2010 a tendência é de piora.

Setor externo: transações correntes registra déficit de US$10,65 bi em janeiro

O déficit em transações correntes (TC) atingiu US$ 10,65 bilhões em janeiro; pouco abaixo da mediana das estimativas de mercado (US$ 10,9 bilhões, segundo a Agência Estado). No 12-meses, o déficit em conta corrente totalizou US$ 90,4 bilhões até janeiro, contabilizando 4,17% do PIB, contra 4,19% há um mês. Para fevereiro, é provável que vejamos um recuo muito marginal no 12-meses.

Importante: o financiamento do déficit em TC é majoritariamente via ingressos para investimentos em carteira, somando expressivos US$9,688 bi em janeiro, após US$9,54 bi que saíram em dezembro. São recursos voláteis e, portanto, mostram nossa vulnerabilidade. Registre-se: números parciais de fevereiro indicam entrada de recursos tanto em renda fixa quanto em ações. Por outro lado, segue minoritário o financiamento das transações correntes via investimento estrangeiro direto, recursos mais estáveis. O IED foi de US$3,968 bi em janeiro.

À frente: o banco central espera que o saldo em TC seja deficitário em US$ 6,4 bi em fevereiro. Para 2015, ele manteve sua projeção de déficit de US$ 83,5 bi.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça-feira, depois de três dias de indecisão, tivemos um dia bem positivo com fechamento perto da máxima. Essa movimentação deixa a situação mais positiva e reafirma a tendência de alta. Em um próximo recuo é importante que o suporte em 50.000 seja respeitado para que a tendência altista siga confiável. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: ativos de risco com viés negativo, à espera do discurso de Yellen no Comitê de Finanças da Câmara. Dólar em baixa lá fora, com investidores acreditando que o Fed não terá pressa para subir juros, apesar de Yellen ir preparando o mercado para esse início de aperto. A comunicação parece ter surtido o efeito desejado.

EUA: Yellen prepara mercado para início do aperto monetário, mas mostra que não tem pressa para subir juros

Foi assim como o mercado interpretou o discurso da presidente do Fed no Senado, ontem. De forma resumida, Yellen mostra algo que já havíamos ressaltado sobre os recentes documentos do BC americano: mudar a comunicação – retirando a expressão “paciente” em referência à postura do Fed –, não implica, de forma automática, na elevação dos juros em breve. Ou seja, Yellen prepara o mercado para a mudança na comunicação, já antecipa alterações nas expressões que vinham sendo utilizadas para sinalizar os próximos passos de política monetária, mas deixa claro que isso não significa que daqui a uma, duas ou três reuniões os juros começarão a subir. A partir de agora, o Fed se torna ainda mais dependente dos dados.

China: setor industrial mostra avanços em fevereiro

O PMI (índice gerente de compras) do setor industrial, medido pelo HSBC, registrou leve alta em fevereiro, apesar da expectativa do mercado de piora do indicador. O PMI passou de 49,7 para 50,1, contra os 49,5 esperados. Em suma, os números preliminares mostram uma leve melhora do setor, impulsionados pela demanda doméstica. As pressões de baixa sobre a inflação também arrefeceram. Mas atenção: a apreciação da moeda local, vis-à-vis os seus principais pares, prejudica os componentes ligados à demanda externa. O índice que avalia os novos pedidos de exportação recuou forte em fevereiro, e atingiu o menor nível em 20 meses.

China: estímulos à frente?

Para evitar a piora do setor imobiliário, o governo pode adotar novos estímulos em breve. As condições monetárias estão mais apertadas na comparação com os últimos meses, e muitos economistas continuam ressaltando que é alta a probabilidade de novos estímulos por lá.

Já foram anunciados: o Conselho de Estado da China anunciou mais medidas de alívio fiscal para pequenas empresas. Segundo o documento, isenções no imposto de renda serão expandidas para empresas que pagam menos de 200 mil yuans com o tributo. Anteriormente, o alívio só era dado para companhias que pagavam até 100 mil yuan em imposto de renda anual. Além disso, a taxa de premio de seguro desemprego cairá de 3% para 2%, visando uma economia de mais de 40 bilhões de yuans anualmente para empresas e empregados. Segundo o governo chinês, o objetivo da medida é manter o crescimento econômico dentro de um intervalo razoável, estimulando a inovação e o crescimento.

Grécia & FMI: Lagarde critica promessas de reformas

Os comentários de ontem de Lagarde serviram para lembrar os investidores de que ainda há muito para negociar. A questão da Grécia não está resolvida e ontem pela manhã já salientávamos isso, a despeito da boa reação dos mercados acionários à extensão do socorro financeiro por quatro meses.