Macroeconomia e mercado

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Desequilíbrio impede avanço do setor, diz Abag

Luiz Carvalho, presidente da entidade, traça um resumo da situação.

Em entrevista para a revista FarmForum, da Case IH, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o Caio, é taxativo: “o setor [sucroenergético] só vai à frente quando o bem de capital, a produção agrícola, a indústria, distribuição de serviços, tudo esteja de alguma forma em equilíbrio. Nós estamos vivendo um certo desequilíbrio, que começou com a estagnação do setor a partir da crise de 2008/2009, e se acentuou nos últimos anos com a política interna de congelamento de preços de gasolina da Petrobras.”

 “A soma dessas duas coisas, mais o clima adverso nos últimos anos, acabou estagnando a oferta e trazendo um endividamento muito forte ao mercado”, diz ela na entrevista. “Se você fizer um raio-X do setor, vai ver um endividamento muito alto na cadeia produtiva, um elo de ganho de capital indo muito mal, muitas unidades fechadas com tecnologia nacional de ponta e outras em recuperação judicial, caracterizando uma dificuldade de recuperação.”

“Essa é a imagem de hoje”, afirma. “As discussões que estão ocorrendo com o novo governo na recuperação da política tributária, principalmente da Cide, já são uma primeira brisa favorável ao setor produtivo. Por isso é importante manter a expectativa otimista de crescimento a médio e longo prazo.”. (Jornal Cana 26/02/2015)

 

Programa sem juros para trator tem verba de sobra

Fornecedor de cana com renda bruta anual de R$ 800 mil também pode comprar pelo programa.

Fornecedores de cana-de-açúcar com renda bruta anual de R$ 800 mil também podem se beneficiar do programa Pró-Trator, que tem juro zero para compra de tratores de até 120 cavalos.

O programa, válido no Estado de São Paulo, não é novidade. Mas o que chama a atenção é que, conforme gerentes de concessionárias de fabricantes ouvidos pelo JornalCana, o Pró-Trator tem recursos financeiros disponíveis para negócios.

É que programas de financiamento, como o Moderfrota, com recursos financeiros federais, estão com risco de o dinheiro acabar. E não se sabe se haverá reforço de verba.

Já o Pró-Trator não oferece risco de fim de recursos. Pelo menos por ora. (Jornal Cana 26/02/2015)

 

IGP-M desacelera alta a 0,27% em fevereiro, diz FGV

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) avançou 0,27% em fevereiro, após subir 0,76% em janeiro, com leve queda dos preços no atacado e desaceleração da alta no varejo.

O resultado ficou um pouco abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, cuja mediana apontava alta mensal de 0,29%.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou nesta quinta-feira que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60 por cento do índice geral, teve variação negativa de 0,09 por cento em fevereiro, após avanço de 0,56 por cento no mês anterior.

No IPA, os preços agropecuários registraram queda de 0,06%, após alta de 1,35%. (Reuters 26/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Dólar segue mais fraco no exterior, e juros dos títulos soberanos também recuam

Em especial, investidores seguem precificando a falta de “pressa” do Fed para subir juros nos EUA; e efeitos positivos do recém-lançado pacote de estímulos do BC europeu. Em especial, moedas de emergentes mostram força hoje diante do dólar.

Alívio com relação às negociações da Grécia com seus credores também contribui, ao menos por enquanto, para a menor percepção de risco no exterior. Destaque: na Europa, os juros dos títulos soberanos recuam forte hoje. Bolsas por lá apresentam viés de alta, em dia mais positivo para ativos de risco como um todo no exterior.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com destaque para o índice acionário chinês

Investidores precificam novos estímulos do governo, e tanto as empresas do setor industrial quanto as do setor financeiros foram impulsionadas.

Nos EUA, é dia de agenda macro carregada

Em janeiro, a inflação deve ter registrado forte recuo, pressionada pelos preços de alimentos e energia. Não deve surpreender se, na comparação anual, for registrada deflação por lá. Apesar de esperada, não contribuirá em nada para reverter dólar e juros em baixa hoje.

No Brasil, a percepção de risco em alta ainda deve manter pressionado o dólar e a curva de juros

No noticiário, ainda repercutem as preocupações com a Petrobras e o “efeito contágio”. Ainda vemos dificuldades de negociação do governo com as centrais sindicais. Levy tem razão: importam muito as expectativas, mas, por enquanto, pouco mudou. Na agenda macro, números de janeiro: desemprego deve ter registrado alta; e resultado primário do Governo Central deve ter ficado ao próximo a R$20,3 bi.

 

Brasil

Incertezas permanecem, e tendências no mercado de câmbio e juros devem continuar. No noticiário, ainda vemos dificuldades de negociação do governo com as centrais sindicais.

Dilma diz que governo faz “como as donas de casa”, e Levy, em jantar com o PSD, segue em campanha

Dilma começa a aparecer aos brasileiros, após queda de aprovação que pesquisa Datafolha recente mostrou. Após entregar 920 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida na Bahia, a presidente prepara os brasileiros para novos aumentos de impostos. Segundo ela: “Eu faço ajuste no meu governo como uma dona de casa faz na casa dela”. Simples assim.

Levy, em jantar com o PSD, segue em campanha. Segundo o presidente do partido, Guilherme Campos, “A conclusão que tirei das falas é que a consequência da não aprovação do pacote econômico é muito mais grave do que as mudanças que estão sendo propostas”. Levy tenta mostrar que o importante é mostrar que o governo está empenhado em mudar, mais do que o resultado em si.

Dilma deve baixar decreto em breve, diz o Valor

Segundo o Valor, a presidente Dilma Rousseff vai baixar um decreto fixando os limites financeiros para cada ministério no primeiro quadrimestre deste ano. Esta nova medida complementa o decreto do inicio do ano que fixou os empenhos dos ministérios em 1/18 das dotações previstas na proposta orçamentária de 2015. De acordo com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governo vai utilizar o montante de gastos realizados em 2013, como parâmetro para a definição dos gastos discricionários deste ano.

Enquanto isso, negociações com as centrais sindicais seguem difíceis...

Ministros Nelson Barbosa, Manoel Dias e Carlos Gabas não chegaram a acordo com as centrais sindicais. Foi proposto que ao invés dos ajustes no seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte, fossem feitos ajustes no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e os tributos sobre grandes fortunas. Sem chance: o governo não se mostrou disposto a recuar. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, afirmou: “Na nossa avaliação, há a necessidade de revogação porque atinge principalmente trabalhadores que ganham menos e são mais jovens”; e “Se fosse hoje, o pacote não passaria no Congresso”.

Sobre Petrobras & risco soberano: rating do Brasil já contemple eventual ajuda financeira, diz Moody’s

A Moody’s ressaltou que o atual rating de crédito atribuído ao Brasil já contempla um possível apoio financeiro do governo à Petrobras. Ontem, esta possibilidade – caso não estivesse sendo contemplada no atual rating do país –, poderia ser mais um motivo para apostar num futuro corte da nota brasileira. Pela Moody’s, ainda precisaríamos de dois cortes para perdeu o “grau de investimento”.

Mas atenção: Mauro Leos, da agência de classificação de risco, alerta que em nenhum cenário da agência o nível da dívida do Brasil excede 70% do PIB. Mais: a Moody’s, segundo Leos, segue confiante que o governo terá um plano crível para alcançar os ajustes fiscais. O grifo é nosso, e vai de encontro ao discurso de Levy: o importante neste momento são as expectativas.

Levy não teria oferecido o Tesouro para bancar dívidas da Petrobras

Segundo matéria do Valor, fonte do governo negou que o ministro tenha encaminhado uma “carta de conforto” á agência com garantias de que o Tesouro assumiria dívidas da empresa, caso fosse acionada a antecipação pelos investidores.

Preços administrados devem seguir em alta: Aneel define amanhã novo valor para bandeiras tarifárias

A Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definirá nesta sexta-feira o novo valor das bandeiras tarifárias. De acordo com comunicado divulgado pela própria Aneel, a agencia “realiza na próxima sexta-feira (27/2/15), às 14h30; Reunião Extraordinária para divulgar o resultado da Audiência Pública nº 3/2015 que trata da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para o ano de 2015, o resultado da Audiência Pública nº 6/2015 que trata do aprimoramento do Sistema de Bandeiras Tarifárias e o resultado da Audiência Pública nº 7/2015 que visa o aprimoramento da metodologia a ser aplicada na Revisão Tarifária Extraordinária (RTE) das distribuidoras de energia elétrica”.

Sobre a arrecadação do governo: meta de superávit fica mais difícil

Os números de arrecadação nos lembram da tarefa nada fácil que Levy e sua equipe têm pela frente. A arrecadação federal atingiu R$ 125,28 bilhões em janeiro, levemente acima da expectativa dos economistas, de R$ 123 bilhões. No entanto, o resultado de janeiro representa uma queda real de 5,44% ante o mesmo mês do ano passado, e é o pior para o mês desde 2012. Vale destacar que esta queda da arrecadação é resultado, principalmente, da desaceleração da economia. Nesse cenário, nossa expectativa é de que mesmo com o aumento de impostos anunciado pela nova equipe econômica, a arrecadação não deve registrar forte alta este ano.

Sobre o mercado de crédito: desaceleração deve continuar

O mercado de crédito deu sinas de desaceleração no inicio de 2015. Parte desta queda no ritmo de crescimento nas operações é reflexo de fatores sazonais, como a menor demanda por crédito das empresas no primeiro mês do ano. No entanto, nossa expectativa é de que esta tendência de desaceleração continue ao longo do ano, resultado da queda da confiança de empresários e consumidores, da desaceleração da economia e da alta no custo médio das operações.

Segundo o BC, o crédito total do sistema financeiro nacional atingiu R$ 3,013 bilhões em janeiro, subindo 11,0% na comparação com janeiro de 2014. Em dezembro, o crédito, no mesmo tipo de comparação, havia subido 11,3%. Com isso, o crédito como percentual do PIB recuou de 58,9% para 58,5% no mês. E a participação dos bancos públicos passou de 53,8% para 54,2% do total.

Famílias: o saldo de crédito subiu 13,2% A/A, após 13,4% em dezembro. Tanto os recursos livres quanto os direcionados desaceleraram. A inadimplência da carteira de crédito subiu para 3,8%, de 3,7%. Empresas: também desacelerou em janeiro, de 9,5% para 9,2%, puxada pela queda do crédito direcionado. A inadimplência também subiu, de 1,9% para 2,0%.

Os dados divulgados ontem pelo BC mostram que os spreads bancários nas operações de crédito livre foram de 27,5 pontos percentuais no mês passado – maior valor desde março de 2012 quando estava em 27,9, período em que a presidente Dilma determinou que os bancos públicos diminuíssem os spreads.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa terminou estável, aos 51,811 mil pontos, com volume de R$8,821 bi. Destes, R$2,5 bi correspondem à operação de permuta de papéis da MMX por cotas do Fundo de Investimento em participações (FIP) Porto Sudeste. Em bolsa, o destaque foram os papéis da Petrobras: terminaram em queda pouco menor que 5%, mas chegaram a cair mais de 8% ao longo do pregão. Em meio a um clima de aversão a risco, após rebaixamento do rating da estatal, o dólar e os juros futuros na BM&F foram pressionados para cima. Curioso: a moeda americana operava na contramão no exterior, perdendo forças frente a seus principais pares.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quarta-feira o dia começou de forma bem negativa, mas aos poucos o mercado foi ganhando força e o fechamento acabou sendo levemente negativo. A longa sombra inferior mostra entrada de força compradora. A tendência segue sendo altista com suporte importante em 50.000, para a continuação da tendência é importante que em um próximo recuo esse nível seja respeitado. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo

Quadro positivo para ativos de risco. Na China, voltam as expectativas de novos estímulos. Commodities reagem de forma positiva. Na Europa, confiança na Alemanha subiu e variação no desemprego surpreendeu positivamente. Nos EUA, inflação deve mostrar queda neste início de ano, enquanto as encomendas à indústria devem mostrar recuperação na margem. O dólar segue em baixa, enquanto as principais moedas se valorizam.

Europa: confiança em alta

O índice de sentimento econômico da zona do euro subiu para 102,1 em fevereiro, de 101,4 em janeiro, acima da previsão dos analistas, de avanço para 102,0. A confiança do setor industrial apresentou ligeira melhora neste mês, com avanço para -4,7, de -4,8 em janeiro. A previsão, no entanto, era de aumento a -4,5. A confiança do consumidor subiu para -6,7 em fevereiro, de -8,5 em janeiro, vindo em linha com as expectativas.

Alemanha: confiança em alta

O índice de confiança do consumidor da Alemanha subiu para 9,7 na pesquisa de março do instituo Gfk de 9,3 em fevereiro, acima da expectativa dos economistas, de 9,5. Este resultado é o maior desde outubro de 2001, quando o indicador atingiu 11,0 pontos.

Alemanha: desempregados diminuem em janeiro

A taxa de desemprego ajustada na Alemanha ficou em 6,5% em fevereiro, igual à de janeiro e em linha com a previsão dos economistas. O número de desempregados no país caiu 20 mil em fevereiro, contra a queda de 10 mil em janeiro. Em termos não ajustados, o número total de desempregados na Alemanha caiu para 3,017 milhões em fevereiro, de 3,032 milhões em janeiro, enquanto a taxa de desemprego recuou para 6,9%, de 7,0%.

Espanha: crescimento em linha com o esperado

O PIB da Espanha registrou crescimento de 0,7% no quarto trimestre do ano passado em relação ao terceiro trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na comparação anual, a economia espanhola apresentou expansão de 2,0%. Ambos os resultados ficaram em linha com as estimativas preliminares do governo.

EUA: venda de moradias novas segue bem

As vendas recuaram 1% M/M em janeiro, ao somar o volume anualizado de 481 mil unidades. Em linhas gerais, as vendas ficaram muito próximas às de dezembro (482 mil unidades/ano). Ao invés de recuaram 2,3% M/M na margem, elas contraíram meros 0,2%, após alta fortíssima em dezembro (+8,1% M/M). O quadro para o setor segue favorável, diante da melhora no mercado de trabalho, por exemplo.

Japão: membros do BC em direções opostas, mas bolsa quebra novo recorde de alta

Os membros do BC japonês seguem, aparentemente, pensando de formas diferentes. Após Haruhiko Kuroda, presidente da instituição, ter defendido na semana passada que não hesitaria em adotar novas medidas de estímulo, Koji Ishida fez discurso mais moderado sobre política monetária. Ishida foi contrário às medidas de estímulo adotadas em outubro do ano passado.

Por enquanto, a bolsa segue em alta por lá. O Nikkei atingiu novo recorde de alta na última sessão, impulsionada pelo maior interesse de um fundo de pensão japonês por ações e pelo forte avanço do petróleo. Segundo notícia da Dow Jones Newswires, “Um fundo de pensão japonês conhecido como KKR informou que vai aumentar sua exposição a ações do país, de 8% para 25%, e, ao mesmo tempo, reduzi-la para bônus, de 74% para 35%, o que favoreceu a mão compradora nos negócios em Tóquio hoje. O KKR tem 7,6 trilhões de ienes em ativos sob sua administração”.