Macroeconomia e mercado

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Etanol celulósico pode reestruturar setor, mas ainda esbarra nos custos

Apesar do fechamento de usinas e da crise que assombra o segmento sucroenergético, os investidores estão apostando pesado no etanol de segunda geração feito a partir da biomassa da cana.

A grande dificuldade por enquanto, ainda é o custo de produção, mas especialistas de mercado acreditam que o combustível poderá ser uma das alternativas para reestruturação do setor sucroenergético.

São quase R$ 3 bilhões para projetos de etanol avançado, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em conjunto com o Plano de Apoio a Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAIIS) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) comprovam que a participação de fontes renováveis na demanda da matriz energética brasileira foi estimada em 42,4% em 2012, com 15,4% proveniente de cana-de-açúcar.

Essa demanda para 2021 deve chegar a 21,2% e para suprir essa necessidade, a EPE estima que o setor precise produzir 1,1 bilhão de toneladas de cana.

Para o economista José Nilton Polo, apesar das vantagens de utilizar o subproduto da cana, com produção em 12 meses, o custo ainda é um grande empecilho.

“Em relação ao etanol convencional, cujo custo de produção está em torno de R$ 1,11 por litro, o custo por litro do etanol 2G fica em R$ 1,73, com o dólar cotado a R$ 2,6623, da base de 30 de janeiro”,ressalta.

Mesmo diante dessas questões, o economista enxerga vantagens estratégicas para o setor sucroenergético a partir dessa tecnologia.

“Hoje, as usinas trabalham por oito meses e interrompem a produção nas entressafras. A tecnologia do 2G permite extrair etanol de qualquer vegetal, outras culturas, como o sorgo e o eucalipto, e podem ser processados durante as entressafras reduzindo seus custos fixos. Produzir etanol de forma eficiente será primordial para as usinas do setor sucroenergético se manterem competitivas. Mas se tudo correr bem com essa tecnologia, o Brasil estará perto de encontrar uma solução para o impasse que se encontra na área do etanol”, diz.

Ele informa que há expectativa que os custos de processamento do etanol 2G caiam ainda mais até 2016, pois as empresas terão uma maior expertise na produção em escala. “Ainda deve-se observar que, o Capex irá diminuir com as segundas plantas que deverão entrar no mercado, com escala maior de produção”, revela.

Produção de etanol 2G custa o triplo da convencional

Colocando na ponta do lápis, o custo de produção ainda é o grande problema para o avanço do etanol celulósico no país.

Cálculos de uma fonte de mercado garantem que o investimento na construção de uma usina de etanol 2G (base 2,5 milhões de toneladas processadas) gira em torno de US$ 165,00 por tonelada, com rendimento entre 5 e 6 litros por tonelada de bagaço.

Já no processo convencional do etanol de primeira geração, o custo está cerca de US$ 55 dólares por tonelada, com rendimento de 75 litros por tonelada.

“Com o tempo esse custo se diluirá pois será produzido o ano todo, mas a o grande empecilho ainda é a questão do alto preço da enzima importada para extrair o etanol”.

“Mas quando às usinas estiverem produzindo o etanol 2G em escala; as pequenas unidades que estiverem processando somente o etanol convencional; não terão margens suficientes para concorrer com aquelas que produzem por 12 meses; diluindo seus custos fixos”, ressalta o economista José Nilton Polo.

Segundo ele, parece estar ocorrendo um ajuste de expectativas sobre os prazos de desenvolvimento do etanol celulósico pelo mundo e um desânimo em relação às perspectivas de curto e médio prazo.

“O desenvolvimento das primeiras usinas tem demorado mais que o esperado, assim como a utilização das capacidades instaladas. O preço do barril do petróleo precisaria chegar a UU$ 140,00 para que o etanol de segunda geração pudesse ser economicamente viável, sem qualquer subsídio”.

Apesar das incertezas, as vantagens ainda são grandes em relação a outros combustíveis. Esse biocombustível, além de maximizar a produção, foi avaliado pelo Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb), e considerado dez vezes mais “limpo” do que o etanol de cana convencional produzido no Brasil.

Através de processos bioquímicos / biofísicos que degradam a celulose contida na biomassa, é possível obter etanol com as mesmas características do seu antecessor.

Pesquisadores comprovam que essa tecnologia permite um aumento na produção de até 40% sem a necessidade de ampliar a área plantada com canavial.

Em três anos, essa questão de processo deverá ficar cinco vezes mais barata, segundo uma pesquisa orientada por José Geraldo Pradella do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) de Campinas (SP). Ele testa o uso de fórmulas matemáticas capazes de otimizar a produção da fonte de energia, tornando-a mais atrativa economicamente.

“Vamos aguardar e torcer para que os pesquisadores consigam superar os desafios”, finaliza Polo. (Atualize 27/02/2015)

 

Tecnologia para reuso da vinhaça da indústria

Produto inédito nasceu de pesquisa realizada na Unesp de São José do Rio Preto.

Visando o desenvolvimento de um processo inovador para a conservação da vinhaça sucroalcooleira, pesquisa realizada na Unesp de São José do Rio Preto gera um ecomaterial rico em carbono, nutrientes e água clarificada para reuso. O estudo foi realizado por Laís G. Fregolente no Programa de Pós-Graduação em Química, tendo como orientadora a professora Marcia C. Bisinoti, do Laboratório de Estudos em Ciências Ambientais e, coorientador, o professor Odair P. Ferreira, do Laboratório de Materiais Funcionais Avançados (LaMFA – UFC).

O processo consiste na carbonização hidrotérmica da vinhaça, com controle da temperatura, tempo de reação e acidez, transformando a matéria orgânica em um material sólido, rico em carbono e nutrientes, com uso potencial como fertilizantes de uso geral e de entrega controlada, e também para fertilização de diversas culturas agrícolas. A água clarificada gerada pelo material tem potencial de reutilização no processo industrial. O novo processo proposto faz-se alternativo à aplicação atual da vinhaça em fertirrigação.

Além dos avanços para o desenvolvimento sucroalcooleiro, a pesquisa resultou em um pedido de patente junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) com o número BR 10 2015 003018-5.

Os Laboratórios envolvidos continuam realizando estudos direcionados ao detalhamento e escalonamento da tecnologia, assim como aplicações adicionais para os produtos gerados. (Jornal Cana 27/02/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados no exterior apresentam desempenho misto

Na Ásia, bolsa de Xangai sobe; o Nikkei, no Japão, fecha estável; enquanto Hang Seng, em Hong Kong, fecha em queda. Na Europa, os mercados operam em baixa; enquanto os índices futuros dos EUA sinalizam abertura em baixa também por lá.

Sobre a agenda macro

Na Europa, saiu a inflação preliminar de fevereiro da Espanha (-1,5% A/A, após -1,3% e acima dos -1,1% esperados), e deve sair ainda pela manhã a inflação da Alemanha. Nos EUA, nova leitura do PIB do 4º tri deve revisar para baixo o crescimento; e sairá o PMI de Chicago e a confiança medida pela Univ. de Michigan. Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, faz discurso à tarde no Fórum de Política Monetária.

Sobre commodities

Petróleo sobe em meio às especulações de recuperação da demanda ao longo do ano. O Brent caminha para forte alta mensal. Atenção: há um mês, o barril era cotado ao redor de US$48, agora, está em US$61. Isso tem ajudado a conter a queda das expectativas de inflação em alguns países, incluindo os EUA. O cobre também sobe forte no mês (mais de 8%), e volta a subir hoje na expectativa de dados da China que sairão ao longo do final de semana.

Brasil

Governo tenta avançar no ajuste fiscal

Ontem, Fazenda publicou decreto que deve cortar R$57 bi nas despesas discricionárias dos ministérios deste ano. Hoje, Medida Provisória (669) dá continuidade às revisões da equipe econômica, alterando desonerações da folha de pagamento que só no ano passado subtraíram R$21,6 bi da arrecadação de impostos.

Ainda assim, em dia de divulgação do resultado primário do setor público consolidado, e ainda percepção de risco elevada com relação ao Brasil, é difícil esperar tréguas nas pressões altistas sobre dólar e curva de juros. À tarde, reunião da Aneel deve reajustar para cima preços de energia – fator que tende a pressionar ainda mais a curva de juros.

Brasil

Governo tenta avançar com os ajustes fiscais. Medida Provisória de hoje revisa desonerações na folha de pagamento; e decreto divulgado ontem restringe despesas discricionárias dos ministérios neste ano. Deve vir mais em breve. Segundo auxiliar de Dilma, o ajuste fiscal será “de chorar”. Ainda assim, a percepção de risco segue em alta. O noticiário negativo é difícil de reverter. Basta ver a capa da revista britânica “The Economist” divulgada ontem...

Ajuste I

Revisões nas desonerações da folha de pagamentos serão anunciadas ainda hoje

Em linha com o esperado, o governo federal publicou hoje no Diário Oficial da União a Medida Provisória (MP) 669 para dar continuidade aos ajustes ficais. A MP revisa as desonerações na folha de pagamento concedidas a setores produtivos. Estes benefícios começaram a ser concedidos por Dilma em 2011. Segundo o Estadão, “a partir de junho as empresas passarão a recolher 4,5% e 2,5% do faturamento em substituição ao recolhimento sobre a contribuição previdenciária e não mais 2% e 1% dentro do pacote de desoneração da folha de pagamento”. Além disso, a MP modificou regras tributárias relacionadas ao setor de bebidas e à isenção de tributos sobre bens e mercadorias importados para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

Mais: em breve, devem vir reajustes nos subsídios do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Reintegra. 

Ajuste II

Decreto publicado ontem pela Fazenda prevê corte de R$57 bi em gastos

O Ministério da Fazenda fez corte de R$57 bi, equivalente a 20,3% das despesas discricionárias previstas na proposta orçamentária de 2015. Segundo o decreto publicado ontem, o máximo de gastos até abril que os ministérios têm para custeio e investimentos, incluindo o PAC, é de R$75,155 bi. Mantido o ritmo até o final do ano, seriam R$57,5 bi a menos do que havia sido previsto pela proposta orçamentária, atualmente em análise pelo Congresso. Mais: em linha com o corte de outros investimentos, foi suspenso o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito subsidiada para os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida.

Percepção de risco em alta: “The Economist” coloca o Brasil

Saiu ontem, mas para quem não viu, merece algum destaque. No Estadão saiu matéria comentando a publicação britânica. Segundo ela, o país está no atoleiro. O Estadão resume: “Escapar deste lodaçal será difícil mesmo com uma liderança política forte”. E Dilma está longe de se mostrar politicamente forte.

Confiança da indústria recua em fevereiro

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 3,45 em fevereiro na comparação com janeiro, passando de 85,9 para 83 pontos, se mantendo em patamar extremamente baixo em termos históricos. A queda do indicador foi impulsionada pela piora das expectativas em relação aos próximos meses: o Índice de Expectativas (IE) recuou 4,9%, ficando em 81,9 pontos, mesmo patamar de setembro passado, e o menor desde abril de 2009 (80,9). O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 2,1%, para 84,0 pontos, retornando ao patamar de dezembro.

Sobre a taxa de desemprego: a deterioração começou

A taxa de desemprego do mês de janeiro ficou em 5,3%, contra 4,3% no mês de dezembro, acima da expectativa do mercado.  No mês passado, a alta na taxa de desocupação foi resultado da queda da população ocupada (-0,46%), refletindo o fechamento de vagas na indústria e no setor de construção. Já a população economicamente ativa ficou praticamente estável em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nesse cenário, devido à desaceleração econômica, mantemos a expectativa de maior deterioração do mercado de trabalho, com a queda da população ocupada atingindo também os setores de serviços e comércio, ao mesmo tempo em que a população economicamente ativa deve se manter estável ou até mesmo voltar a aumentar moderadamente.

Sobre o resultado primário do Governo Central: superávit de R$10,4 bilhões em janeiro

O número ficou um pouco abaixo da expectativa dos economistas, de R$ 12 bilhões, e abaixo do resultado de janeiro de 2014 de R$ 13 bilhões. Ainda assim, vale ressaltar: mostra que o governo vai cortando investimentos para tentar alcançar a meta prometida para este ano, e vão sendo corrigidas as “pedaladas” do passado. Leva algum tempo.

O resultado aquém do esperado pelo mercado e pelo governo é reflexo, principalmente, da fraca arrecadação e do crescimento nas despesas previdenciárias. Vale destacar que as despesas do Tesouro ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo período do ano passado, com a alta de outras despesas de custeio sendo compensada pela queda nas outras despesas com capitais, refletindo principalmente a redução das despesas com o PAC. Os investimentos caíram expressivos 35,44% em termos reais.

Marcelo Saintive, secretário do Tesouro, reconheceu que o superávit “não era o esperado”, mas chegou perto. As despesas do PAC e as discricionárias serão reprogramadas (segundo ele, melhor reprogramar do que não pagar). Será publicado hoje o decreto de programação financeira para o quadrimestre. Em janeiro teve gasto de R$ 1,2 bi com o CDE, restos a pagar de 2014, não haverá mais aporte do Tesouro à ponta.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um dia bem parecido com o anterior, o começo foi negativo, mas ao longo do dia o mercado foi se recuperando e acabamos fechando com leve queda. Essa longa sombra inferior formada mostra entrada de força compradora. A tendência segue sendo altista com suporte importante em 50.000.

Cenário externo

Ativos de risco em direções mistas, sem grandes catalisadores dos movimentos. A agenda de dados é intensa, somada ao discurso de Fischer, do Fed, que também pode mexer como os mercados. Fevereiro termina com forte alta das bolsas no exterior, e riscos de curto prazo menores: temporada de resultados nos EUA contribuiu para o S&P 500; FTSE 300 opera próximo às máximas de sete anos e o Nikkei, do Japão, nas máximas de 15 anos. Em relação às moedas: oscilações mais moderadas, mas seguem fazendo sentido as tendências de dólar mais forte e euro e iene mais fracos.

Sobre a inflação americana: índice “cheio” recua, mas núcleo sobe

O índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA recuou 0,7% em janeiro na comparação com dezembro, ligeiramente abaixo da expectativa dos economistas, de queda de 0,6%. Destaque para o recuo de 18,7% M/M no preço da gasolina – a maior queda dentre as sete quedas consecutivas. Com a exceção do efeito da gasolina, o indicador teve alta mensal de 0,1% em janeiro.  Os preços dos alimentos ficaram estáveis no mês passado, com o custo de alimentação fora de casa recuando (-0,2%) pela primeira vez desde maio de 2013.

Na comparação anual, o CPI teve queda de 0,1% em janeiro, em linha com as expectativas, mas marcando o primeiro recuo desde outubro de 2009. Destaque, mais uma vez, para a queda do preço da gasolina (-35,4%) e da energia (-19,6%), enquanto os alimentos tiveram alta de 3,2%.

E o núcleo do CPI? A medida de inflação que desconsidera setores mais voláteis e é, de fato, a que mais importa para o Fed – registrou alta de 0,2% em janeiro no confronto mensal, ligeiramente acima da previsão dos analistas, de alta de 0,1%. O custo de habitação cresceu 0,3%, os cuidados pessoais tiveram alta de 0,6%, vestuário cresceu 0,3% e recreação, 0,2%.  Por outro lado, alguns itens registraram pequenas quedas, como móveis, novos veículos, bebidas alcoólicas, tabaco e passagens aéreas.   Na comparação anual, o núcleo cresceu 1,6%, em linha com as estimativas, com destaque para o crescimento de 2,9% no custo com habitação.

Japão: inflação desacelera em janeiro, Kuroda volta a discursar

Na comparação anual, a inflação ao consumidor registrou alta de 2,4%, igual à inflação de dezembro e em linha com as expectativas. No entanto, excluindo os perecíveis (medida secundária de preços que é utilizada por lá), a inflação subiu 2,2%, abaixo dos 2,5% de dezembro e da expectativa de 2,3% dos analistas. Se subtrairmos a distorção que provou a alta de impostos sobre consumo em abril do ano passado, a inflação estaria próxima a 0,2%. Matéria do jornal Financial Times, alerta: “Japão flerta com o retorno à deflação”. As perspectivas são que queda dos preços à frente.

Neste contexto, o presidente do BC japonês, Haruhiko Kuroda, voltou a enfatizar que pode adotar novos estímulos. "O BoJ não vai hesitar em tomar medidas adicionais para atingir a meta de inflação de 2,0% ao ano caso isso se mostre necessário", declarou. Kuroda também afirmou que os fortes níveis de velocidade e impulso do mercado financeiro japonês são necessários para combater a mentalidade deflacionária do país. A bolsa vai quebrando máximas dos últimos 15 anos, isso não sinaliza que o mercado de ações japonês esteja superaquecido, embora continue atento à esta possibilidade.

Alemanha: Câmara baixa do parlamento aprova extensão do resgate grego

Era previsto que isto aconteceria e não causaria maiores tumultos, mas corrobora para diminuir a percepção de risco no curto prazo. Conhecido como Bundestag, a câmara baixa aprovou a extensão por quatro meses do socorro à Grécia hoje: foram 542 votos a favor, 32 contra, e 13 abstenções.