Macroeconomia e mercado

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Nova mistura de anidro amplia a inflação, diz o governo

Esse seria o real motivo de os 27% do etanol não serem oficialmente autorizados.

A nova mistura de etanol anidro à gasolina, que inicialmente sairia dos atuais 25% para 27,5% e agora está em 27%, segue à espera de aprovação pela presidenta Dilma Rousseff. O entrave, agora, ganha ares econômicos: a chefe do Executivo federal reluta em assinar a autorização da mistura porque ela turbinaria a inflação.

É o que apurou o Jornal Cana junto a fonte do setor sucroenergético com trânsito no Palácio do Planalto. O argumento oficial é o de que as Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), oficialmente anunciadas a partir de 1º de fevereiro último, fariam tanto a gasolina quanto o etanol puxarem o índice inflacionário para cima.

No entender da fonte ouvida pelo Jornal Cana, o governo bate na tecla errada: embora anunciada em fevereiro, a Cide só entra em vigor dentro de 90 dias, ou seja, em maio.

Enquanto durar estes noventas dias, o governo aplica PIS/Cofins maior sobre os combustíveis, para compensar o período de entrada em vigor da nova Cide. E o aumento desses tributos nada têm a ver com aumento inflacionário. (Jornal Cana 03/03/2015)

 

Produção de açúcar na Índia cresce 14% na safra 2014/15

A produção de açúcar na Índia aumentou 14% no período de outubro a fevereiro ante igual intervalo da temporada anterior, para 19 milhões de toneladas, informou nesta terça-feira, 3, a Associação das Usinas de Açúcar do país (Isma, na sigla em inglês). O intervalo compreende os cinco primeiros meses da safra 2014/15.

Em fevereiro, o governo aprovou um subsídio de 4 mil rupias (US$ 65) por tonelada para a exportação de 1,4 milhão de toneladas de açúcar bruto, com o objetivo de ajudar o setor a reduzir o excedente do produto.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, atrás apenas do Brasil. Em 2014/15, o país asiático deve produzir 25 milhões de toneladas do alimento. Por outro lado, chuvas fortes em algumas regiões do país geram preocupações com outras lavouras de inverno.

A consultoria meteorológica Skymet afirmou que, se as chuvas continuarem nas próximas semanas, podem danificar de 20% a 40% das safras de inverno do país, como o trigo. Analistas avaliam que ainda é cedo para determinar a extensão dos danos.

Segundo Indu Sharma, diretor do Instituto Indiano de Pesquisa em Trigo e Cevada, as perdas podem ser recuperadas se o clima ficar seco nas próximas semanas. Também nesta terça-feira, uma associação de indústrias de óleos vegetais da Índia afirmou que a demanda do país por óleos comestíveis deve aumentar para 19 milhões de toneladas neste ano.

Em 2014, as importações de óleos vegetais alcançaram o recorde de 12 milhões de toneladas, sendo que as compras de óleo de palma responderam por 68% do volume total. (Dow Jones 03/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Petrobras anuncia plano para desinvestir até US$13,7 bilhões em dois anos

Na agenda de divulgações corporativas, um dia sem muitos destaques por aqui. Com relação à agenda macro brasileira: Fenabrave divulga a venda de veículos referente a fevereiro.  

Como um todo, o noticiário segue destacando a fragilidade política do atual governo:

Registre-se: ausência de ontem de Renan Calheiros no jantar promovido com líderes do PMDB pelo Palácio do Planalto é símbolo disso. Incertezas políticas tornam difícil a reversão das pressões de alta sobre o dólar e a curva de juros. Ainda no noticiário político: lista de Janot, segundo o Valor, deve sair ainda hoje.

No exterior: em dia de poucos dados na agenda internacional; as bolsas na Europa operam em queda, e índices futuros nos EUA apontam abertura fraca por lá:

Nos EUA, ontem foi um dia recordes para os mercados acionários. Destaque para o Nasdaq, após romper marca de 5 mil pontos que desde março de 2000 não era superada.

Apesar do dólar index mais estável hoje no exterior, destacamos a valorização do dólar australiano, após manutenção das taxas de juros pelo seu BC; e depreciação do euro, antecipando a injeção de liquidez do BC europeu a partir deste mês. A reunião de política monetária na Europa será nesta quinta-feira, dia 5.

Brasil

Noticiário segue ressaltando fragilidade política do atual governo. Com relação aos dados, pouca coisa para destacar. Um dos pontos recentes mais relevantes segue sendo a sinalização do banco central de que rolará de forma parcial o vencimento de swaps cambiais de abril, mantendo a pressão altista sobre a moeda americana.

Agências de classificação de risco vêm aí

Fitch e Standard & Poor’s (S&P) virão ao Brasil em breve para conversar com a equipe econômica e, assim, revisar a nota de crédito do país. Segundo o Broadcast, representantes da S&P chegarão nesta semana, permanecerão em Brasília entre os dias 4 e 5, e depois passarão por São Paulo e Rio de Janeiro. Representantes da Fitch, por outro lado, virão ao país entre os dias 16 e 20.

Petistas são contra ajuste fiscal proposto por Dilma

Segundo matéria do jornal O Globo de ontem, a maioria petista no Congresso é contra o ajuste fiscal proposto por Dilma. Para quem tiver interesse, infográfico interessante mostra mais dados sobre o levantamento recente. Segundo O Globo, “29 dos 59 parlamentares petistas ouvidos disseram que acompanharão a orientação do governo na votação do ajuste, mas 20 afirmaram que não aceitarão, e dez responderam que só serão a favor do ajuste se forem feitas alterações nos textos das medidas provisórias”. Sinais de um governo fragilizado.

E, para tentar convencer os petistas, o governo estuda taxar grandes fortunas e herança

Saiu ontem matéria na Folha de São Paulo comentando o assunto. Técnicos da Fazenda estariam estudando medidas para taxar lucros e dividendos, incluindo remessas para o exterior, e criar impostos sobre heranças e grandes fortunas. Também estaria na mira adotar IR sobre aplicações hoje isentas, como LCIs e LCAs, afirma a matéria. Aparentemente, parece uma discussão para acalmar os petistas que são contrários aos ajustes que já foram anunciados.

O economista Mansueto Almeida afirmou em seu blog

“O que acho de tudo isso? Um debate para acalmar muita gente do PT que está tomando antidepressivo porque a realidade do governo do PT não mais corresponde à realidade”. Termina da seguinte forma: “se preparem para muita confusão. Depois de mais de cinco anos de aumento da divida para subsidiar os mais ricos via bancos públicos, o governo agora quer o dinheiro de volta. Teria sido mais fácil não ter começado a farra lá atrás. A minha aposta é que essa agenda não irá prosperar e o governo levará um grande puxão de orelha do PMDB”.

Balança comercial registra déficit de US$2,842 bilhões em fevereiro

Foi manchete: foi o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Mdic, em 1995. Ficou acima da mediana das expectativas do mercado, de US$2,4 bi. Só na 4ª semana do mês o déficit foi de US$1,063 bi. No acumulado do ano, a balança comercial registra déficit de US$6,016 bi, número ligeiramente menor do que o saldo acumulado no mesmo período em 2014. As razões para o resultado fraco de fevereiro?  Greve dos caminhoneiros e dos preços mais baixos das principais commodities exportadas. À medida que as embarcações de soja forem sendo normalizadas, as exportações tendem a melhorar na margem. Na comparação anual, por outro lado, devem continuar os números fracos em razão da queda dos preços.

BC no mercado cambial: estoque de swap cambial deve ficar estável em março

Já comentamos ontem, mas voltamos a destacar: diante da rolagem menor do vencimento de abril (US$9,964 bi), dado que a instituição deve ofertar 7,4 mil contratos nos leilões de rolagem até o final do mês, o estoque de swap cambial deve oscilar muito no mês. O total a ser resgatado (quase US$2,2 bi) corresponde exatamente ao que será emitido pelo BC em seus leilões diários.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa começou março em queda. Fechou em baixa de 1,09%, em dia de poucas notícias relevantes e cenário externo menos favorável do que imaginávamos no início do pregão. No mercado de juros e câmbio, os movimentos ficaram em linha com a perspectiva de riscos à frente. A moeda americana fechou em alta de 1,37%, em R$2,8944. Incertezas políticas; “desentendimento” entre Levy e Dilma; e a sinalização de rolagem parcial do vencimento de US$9,9 bilhões em contratos de swap cambial de abril por parte do BC foram os fatores mais importantes para explicar a manutenção da tendência de alta do dólar.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nesta segunda-feira tivemos mais um dia de recuo, mas a tendência segue sendo altista, logo abaixo temos forte zona de suporte dada por uma LTA curta, uma longa LTB rompida, a mm21 e o importante nível de 50.000, se esse patamar de preços for perdido a situação ficará menos positiva.

Cenário externo

Dia de poucos dados no exterior. Na semana, investidores já se preparam para a reunião de política na Europa, nesta quinta-feira. Começará o chamado “QE” neste mês: o euro deve seguir em baixa, enquanto a liquidez abundante tende a continuar favorecendo as bolsas da região.

Zona do Euro: preços ao produtor recuam pelo 4º mês seguido

Em janeiro, os preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) registraram quedas de 0,9% M/M e 3,4% A/A, após baixas de 1,0% M/M e 2,6% A/A. Os recuos, em ambas as comparações, ficaram acima do esperado pelos analistas. O jornal britânico Financial Times afirma: “E enquanto preços mais baixos deixam os consumidores mais felizes, os ‘policymakers’ estão profundamente preocupados com a deflação persistente”. Algumas matérias comparam a situação atual com o caso japonês. Em suma: começou a expansão quantitativa (QE, na sigla em inglês) neste mês, mas seguem as preocupações com a queda dos preços.

EUA: apesar dos dados mistos, as bolsas subiram

Na agenda macro de ontem: sinais de estabilidade do setor industrial em fevereiro; renda das famílias forte, mas consumo nem tanto; e o deflator do consumo (PCE, na sigla em inglês) – que é a medida de inflação preferida do Fed – também mostrando sinais de estabilidade. 

Sobre os dados da indústria americana: exterior pesa

O índice ISM da indústria foi para 52,9 em fevereiro, de 53,5 em janeiro; pouco abaixo da expectativa de 53 pontos. Esta foi a 4ª queda seguida. Em suma, podemos dizer que o cenário externo continua contribuindo de forma negativa para o setor. Dos componentes secundários, o mais fraco segue sendo o relativo às novas encomendas do exterior (agora em 48,5, após 49,5 de janeiro). A seguir, mostramos a evolução do índice ISM relativo à indústria e ao setor de serviços.

Sobre os dados das famílias: renda cresce, mas consumo ainda não reage

Os gastos menores com energia abriram espaço para uma elevação da renda das famílias. A renda cresceu 0,3% em janeiro, na comparação com dezembro (após 0,3% em dezembro, e pouco abaixo dos 0,4% esperados). O consumo pessoal, por outro lado, ainda não reagiu: registrou contração de 0,2% no mesmo tipo de comparação, após queda de 0,3% em dezembro e expectativa de queda de 0,1% em janeiro, apenas. Em suma, ainda vemos no atual cenário espaço para um avanço mais forte do consumo das famílias. Isto, consequentemente, tende a pressionar a inflação no médio prazo.

Sobre os números de inflação: PCE “cheio” recua, mas núcleo segue estável

O índice “cheio” – medida que não desconsidera nenhum setor, registrou queda de 0,5% com relação a dezembro, e alta de 0,2% frente a janeiro de 2014. Já o “núcleo” (ou “Core”, em inglês) – índice que desconsidera setores mais voláteis, registrou alta de 0,1% na comparação mensal, e manteve o ritmo de 1,3% na comparação anual. Este último número é o que mais merece atenção, dado que é acompanhado de perto pelo BC americano e nos ajuda a prever os próximos passos da instituição.

Austrália: BC mantém juros

O Banco de Reserva da Austrália (RBA) decidiu manter a taxa básica de juros do país na mínima histórica, em 2,25% ao ano, contrariando a expectativa dos economistas, que esperavam corte na taxa de juros, já nesta reunião. Vale destacar que a autoridade monetária australiana mostrou preocupação com um possível superaquecimento do mercado imobiliário no país. No entanto, o RBA deixou aberta a possibilidade de novas reduções dos juros ainda este ano, caso a desaceleração da economia chinesa afete a Austrália de maneira mais acentuada.