Macroeconomia e mercado

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“Visão sistêmica ajuda alavancar resultados nas usinas”, revela especialista

O momento é extremamente delicado para o setor bioenergético, especialmente, sob o ponto de vista financeiro.

Para a maior parte das empresas, o saneamento passa pela união de todos os stakeholders envolvidos, especialmente acionistas, credores, fornecedores, clientes e funcionários.

Por isso, trabalhar em todas as funções administrativas, com uma visão sistêmica, holística e sinergética, é essencial para alavancar resultados e superar o momento.

A opinião é do consultor da área de gestão econômico-financeira do segmento, Marcos Tulio Bullio, um dos gestores da Organize.

De acordo com ele, a visão sistêmica proporciona a oportunidade de analisar holisticamente o impacto das decisões tomadas e das ações realizadas pelos gestores de cada um dos subsistemas (agrícola, industrial, comercial, etc.) que compõem a empresa.

“As empresas existentes hoje no mercado atuam em apenas uma parte específica do negócio. Existem empresas que atuam na negociação com bancos e credores dentro de um processo de reestruturação econômica.

Mas não há nenhuma expertise na organização, planejamento, direção e controle das atividades agrícolas, por exemplo.

Nesse ponto está a principal vantagem competitiva da Organize, ao possuir empresas e profissionais que atuam em todas as atividades do bionegócio”, diz. Bullio afirma que a Organize surgiu a partir da observação da realidade do mercado de prestação de serviços, onde se nota a carência de empresas que realmente atendam, de uma forma sistêmica, a necessidade atual das empresas do setor bioenergético.

“A Organize surge para suprir a falta de profissionais de todas as áreas envolvidas no negócio em uma única empresa, com experiência e capacidade comprovadas para gerar os resultados que as usinas e outros agronegócios tanto necessitam para sair dessa crise já instalada. Nenhuma empresa construirá um plano vitorioso, bem como, não o executará nem o controlará adequada e corretamente, se não estiver devidamente organizada para tal”, revela Bullio.

O consultor explica que atualmente é preciso construir e manter elos econômicos fortes entre todos os stakeholders.

“E para isso, a nova empresa já possui muita experiência acumulada na organização, no planejamento e controle econômico-financeiro de empresas do setor.

Mas, também tem muita experiência na realização e direção das atividades-fim da unidade de negócio, bem como na negociação com todos os agentes envolvidos.

E faltava isso no mercado”, finaliza. (Atualize 04/03/2015)

 

Convênio sobre palha na Raízen está no Diário Oficial

Fundação do BNDES aportará 90% do valor do investimento.

Em sua edição desta terça-feira (03/03), o Diário Oficial do Estado de São Paulo publica o Extrato do Convênio do Processo 14.1.733.11.9, sobre o projeto Tecnologia para o aproveitamento de palha da cana-de-açúcar no tripé geração de energia, produção de etanol de segunda geração e produtividade da cultura canavieira.

A concedente é a Raízen Energia S/A, enquanto a convenente é a Universidade de São Paulo (USP), com a Ilab Solutions Projetos e Suporte como interveniente.

O suporte financeiro do projeto, orçado em R$ 5,8 milhões, terá R$ 5,2 milhões aportados pelo Fundo Tecnológico do BNDES-Funtec (90% do valor total do projeto), enquanto a Raízen investirá R$ 580 mil (10% do projeto). (Jornal Cana 04/03/2015)

 

Tonelada de açúcar deve ir a US$ 39 na Austrália

Alta prevista se dá por conta do excelente teor de sacarose da cana.

Diante a grande oferta mundial de açúcar, a previsão inicial, entre os produtores da Austrália, é a de que a tonelada fique em médios US$ 36 neste 2015.

Já a boa qualidade do teor de sacarose, somada à desvalorização do dólar australiano, faz a associação de pesquisa Abares, do governo da Austrália, estimar que a tonelada chegue a US$ 39 ao longo do ano.

Em comunicado, a Abares avalia que até a safra 2019/20 a área cultivada com cana-de-açúcar na Austrália deverá alcançar 409 mil hectares. Na safra 2013/14, essa área era de 380 mil hectares.

Já a produção de açúcar na Austrália, conforme a Abares, chegará a 5,3 milhões de toneladas na safra 19/20. (Jornal Cana 04/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Renan Calheiros (PMDB-AL) recusa Medida Provisória sobre revisões nas desonerações da folha de pagamento das empresas

A crise política se acentua, o governo se mostra frágil e, com isso, o ajuste fiscal é colocado em xeque. O tema é destaque nos jornais e mantém a percepção de risco em alta. Mais: é assim que damos as boas vindas à agência de classificação de risco, Standard & Poor’s. Ao longo do dia, integrantes da equipe econômica terão reuniões com a agência.

Hoje é dia de COPOM

Esperamos, em linha com o mercado, uma elevação da Selic em 0,50 pontos percentuais. Com isso, a taxa básica de juros iria a 12,75% ao ano. A questão agora é saber dos próximos passos. Acreditamos que o BC deixará a porta aberta para a reunião de abril.

Na agenda econômica

Produção industrial cresceu 2% em janeiro, na comparação com dezembro. O mercado esperava um pouco menos. Na comparação anual, a produção recuou 5,2%.

Na agenda micro: dia de agenda cheia de divulgações. Após o mercado, destaque para Suzano, Embraer, Odontoprev, Suzano e Valid – papéis das carteiras recomendadas. No pré-mercado, Gerdau divulga seus números.

No exterior, o dólar volta a ganhar forças

Dados do mercado de trabalho americano sairão hoje, e não nos surpreenderá se o número ficar acima do consenso de mercado. Espera-se uma criação de 219 mil vagas formais em fevereiro. Os índices futuros, às 8h40, horário de Brasília, sinalizavam abertura em baixa das bolsas por lá.

Na Europa, as bolsas operam em terreno negativo, enquanto o euro se deprecia frente ao dólar. Será dia de reunião de política monetária, em mês que marca o início da expansão quantitativa (QE, na sigla em inglês). Os dados da agenda macro de hoje nos lembram de que o ritmo de atividade na zona do euro ganhou forças no 1º tri deste ano.

Brasil

Percepção de risco segue em alta, especialmente por conta da recusa de Renan Calheiros em levar adiante os ajustes fiscais. Em meio a desentendimentos com a base aliada, é assim que o governo dá as boas vindas à agência de classificação de risco S&P.

Crise política: Renan Calheiros, irritado, coloca em risco o ajuste fiscal

Segundo matéria de ontem à tarde da Folha, o presidente do Senado, Renan Calheiros, vai devolver à Presidência a Medida Provisória 669 que revê desonerações da folha de pagamento para vários setores da economia. Segundo a matéria, além do menor espaço no governo, Renan estaria irritado com a possibilidade de ter seu nome incluído na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como um dos investigados da Operação Lava Jato. Em suma, agrava-se a crise política, em momento: chega delicado para o país. Lembramos hoje ao país comitiva da agência de classificação de risco, Standard & Poor’s.

Executivo reage de forma rápida: já enviou ao Congresso projeto de lei

Segundo matéria do Valor, o Executivo já reagiu e enviou, com urgência constitucional, um projeto de lei com o mesmo teor das medidas propostas na Medida Provisória 669 que Calheiros recusou. No melhor dos casos, levará 45 dias para a aprovação na Câmara e mais 45 dias para o Senado.

Levy segue firme: governo vai propor “freio” aos Estados e municípios

O governo vai impor mais limites à liberação de garantias de empréstimo (especialmente os externos) aos governos regionais. Assim, deve ser reduzida a margem de manobra destes para que as contas sejam colocadas em dia. Registre-se: do superávit primário para este ano (R$66,3 bi), R$10 bi são esperados dos governos regionais. Tais restrições devem ficar claras somente no relatório de gestão fiscal do Tesouro Nacional do 1º quadrimestre.

É dia de COPOM: em linha com o consenso, esperamos que a Selic suba 0,50 pontos percentuais

Hoje, após o fechamento de mercado, o BC divulgará a decisão sobre a Selic. Esperamos que a taxa básica de juros vá de 12,25% para 12,75% ao ano. A questão é: qual serão os próximos passos? A próxima reunião do COPOM será nos dias 28 e 29 de abril, e o nosso cenário-base contempla uma redução do ritmo de ajuste, para 0,25 pontos percentuais, terminado em 13% ao ano. De qualquer forma, o BC não deve dar muitas pistas. Apenas no final do mês, após divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, é que serão dadas mais pistas sobre a possível redução do ritmo de ajuste nos juros. Até lá, esperamos um BC “neutro”, para não dizer “confuso”.

Produção industrial: avança mais do que o esperado em janeiro

A produção cresceu 2% na comparação com dezembro, pouco acima dos 1,1% esperados pelo mercado, segundo pesquisa do Valor. Vale lembrar: em dezembro e novembro, a produção recuou 3,2% e 1,1%, respectivamente. Na comparação com janeiro do ano passado, a produção recuou 5,2%.

Fenabrave: venda de veículos despenca nas comparações anuais

Na comparação com fevereiro do ano passado, as vendas totais de veículos recuaram 26,6%, após terem caído 18,5% em janeiro. Um início bem negativo para as vendas de veículos. No último mês, foram pouco mais de 285 mil unidades. Se considerarmos automóveis e comerciais leves, a queda é de 27,3%. Com relação aos caminhões, a queda é de expressivos 51,7%.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Dólar continua em alta. A moeda avançou 1,11% ontem, fechando em R$2,9264, diante de um noticiário recheado de incertezas políticas. Segue assim, e basta ver os comentários de hoje sobre o líder do Senado, Renan Calheiros. No mercado de juros, na comparação com um mês atrás, a parte longa da curva segue pressionada para cima. Sobre a bolsa: Ibovespa terminou em alta de 0,56%, com volume de R$5,3348 bi, impulsionada pelos papéis da Petrobras, após notícia de desinvestimento de quase US$14 bi nos próximos dois anos.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos um dia positivo depois de vários de queda, a tendência segue sendo altista com suporte bem importante em 50.000, para a continuação da tendência de alta é importante que esse nível não seja perdido em um próximo recuo. Agora foi formada uma resistência em 51.900, se ela for rompida abriremos espaço para mais altas com nova resistência apenas em 56.000. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: dólar opera em alta, diante da expectativa de dados fortes no mercado de trabalho americano, e bancos centrais mais expansionistas lá fora. Hoje, o destaque foi o BC da Índia, ao cortar juros e surpreender os investidores. Com relação às bolsas: após forte alta em fevereiro, vemos alguma correção de curto prazo nos mercados da Europa e EUA, mas não alteramos a nossa visão mais positiva.

Europa: dia de política monetária. Novas projeções serão divulgadas por lá

Atenção especial às novas projeções dos dirigentes do BC europeu. Em linhas gerais, esperamos que o PIB seja revisado para cima, e a inflação para baixo. Sobre crescimento: o BC europeu, diante dos dados de atividade que têm surpreendido de forma positiva, deve reconhecer os avanços da região. Como virão as revisões dos dirigentes? Em dezembro, esperava-se crescimento de 1,0% em 2015 e 1,5% em 2016. Amanhã, pela primeira vez, teremos projeções para 2017. Com relação à inflação, as revisões devem ser baixistas. A ata da última reunião, do dia 22 de janeiro, alertou: desde então, diante da queda dos preços do petróleo, a inflação “cheia” deve ser impactada em 2015 de forma negativa, e deve continuar em terreno negativo ao longo do ano inteiro. Em dezembro, projetava-se alta de 0,7% em 2015 e 1,3% em 2016.

Zona do euro: atividade não voltou a surpreender para cima, mas segue bem

Segundo dados da Markit, o setor de serviços segue sinalizando expansão à frente. O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) foi para 53,7 em fevereiro, de 53,9 em janeiro, e pouco abaixo dos 53,9 esperados. Ok, não surpreendeu positivamente, mas a percepção é de que as economias da região vão ganhando forças. Com isso, o PMI composto – que também engloba o setor industrial – foi para 53,3, de 52,6. Foi a 3ª melhora seguida, e o índice está nas máximas dos últimos sete meses, puxado pelas 4 maiores economias da região.

Segundo Chris Williamson, economista-chefe da Markit, “O quadro melhorou para todos os países. Preocupações com o ‘Grexit’ e o contágio a outros países diminuíram, o euro mais fraco deve contribuir para impulsionar as exportações e, talvez o mais importante, o início da expansão quantitativa pelo BC europeu irá estimular a economia ao longo do ano”, em tradução livre.

Índia: Rajan corta juros e surpreende investidores

O presidente do BC da Índia, Raghuram Rajan, surpreendeu investidores ao cortar a taxa de juros (a chamada “repo rate”, em inglês) em 0,25 pontos percentuais, para 7,5%. Argumenta-se que a queda da inflação está sendo mais rápida do que era esperado, e o orçamento para este ano – divulgado no último sábado – incluiu “importantes e valiosas reformas estruturais”. Lembramos: no último mês, revisou-se o crescimento do PIB em 2014, de 4,7% para expressivos 6,9%. Quais os reflexos nos mercados? Bem, bolsa sobe e moeda se deprecia frente ao dólar.

Curioso: as perspectivas de crescimento têm melhorado por lá, e muitos já consideram que a comparação com o Brasil se inverteu. Agora somos nós quem deve aprender com eles. Comentário desta semana do economista Mansueto Almeida, em seu blog, compara os dois países.

China: setor de serviços avança em fevereiro

Segundo dados do HSBC/Markit, divulgados ontem à noite, o setor de serviços chinês registrou melhora em fevereiro. Segundo Annabel Fiddes, economista da Markit, “a taxa de crescimento segue modesta”, mas “a economia chinesa está numa trajetória de crescimento mais estável” (tradução livre). Em suma: o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) foi para 52,0 de 51,8 em janeiro. Assim, o PMI composto também avançou: de 51,0 em janeiro para 51,8 em fevereiro.