Macroeconomia e mercado

Notícias

Pilha de tratores

A Sotreq, maior revendedora da Caterpillar no Brasil, estaria negociando a compra da paranaense Pesa. A empresa reúne 14 concessionárias no Sul, exatamente a única região do país em que a Sotreq não está presente.

Procuradas, as duas empresas negaram a operação. É para isso que torce a própria Caterpillar, enfraquecida pela concentração em sua rede de revendas. (Jornal Relatório Reservado 09/03/2015)

 

Efeitos do petróleo barato

A súbita e inesperada queda dos preços do petróleo pela metade desde o meio do ano passado abalou o mundo. Alguns impactos foram imediatos e muito visíveis. Outros não. Os mais diretos não apareceram apenas nos noticiários: milhares de pessoas os sentiram em seus bolsos e em sua qualidade de vida, alguns para bem e outros para mal. Nos países que dependem das exportações de petróleo para manter à tona sua economia, a população sofre com os duros cortes nos orçamentos governamentais, a desvalorização de sua moeda e, em geral, uma situação econômica difícil. Venezuela, Irã, Nigéria e Rússia, são os mais afetados.

Em conjunto, os países exportadores de petróleo deixaram de arrecadar US$ 2 trilhões em receitas por ano. Em compensação, os consumidores de petróleo se beneficiaram significativamente: para cada americano, por exemplo, a queda dos preços significou uma economia equivalente a um aumento salarial de 4,5%. A inflação mundial média também caiu, a agricultura se beneficiou e muitas economias foram estimuladas pelos preços mais baixos da commodity.

E agora começam a aflorar os surpreendentes efeitos indiretos do petróleo barato. Eles são muitos, e se evidenciam cada vez mais, mas há três que são particularmente interessantes: primeiro, o estimulo a eliminar ou reduzir subsídios que são muito desiguais; segundo, o impacto sobre os mercados financeiros mundiais; e terceiro, a pressão sobre os produtores de energias renováveis – de fontes como a solar, eólica, etc. – para que baixem seus custos e possam competir com maior êxito com o carvão, o gás e o petróleo.

Subsídios. Muitos governos mantêm artificialmente baixos os preços do combustível e da eletricidade e compensam parcialmente os produtores com subsídios que saem do tesouro nacional. Isso custa US$ 450 bilhões por ano. Estudos do Banco Mundial comprovam que esta política exacerba a desigualdade já que este gasto público beneficia mais os que mais ganham. No Oriente Médio, por exemplo, descobriu-se que entre 60% e 80% desses subsídios beneficiam os 20% mais ricos da população e que ao grupo de menor renda chegam apenas 10% dos subsídios energéticos.

O ideal é eliminar esses subsídios gerais desiguais e substituí-los por ajudas que cheguem diretamente à população mais pobre. Obviamente isso é mais fácil de propor do que fazer: os governos temem a reação das classes médias e altas ao aumento do que pagam pela gasolina ou pela eletricidade. Agora, porém, graças à queda dos preços, os governos estão se atrevendo a fazê-lo: da Índia ao Marrocos e da Malásia ao Kuwait, as administrações, mais do que nunca, estão reformando suas políticas de subsídios à energia. A queda dos preços mundiais do petróleo amortece o impacto da redução dos subsídios.

Mercado financeiro mundial. Quando os preços do petróleo estão altos, os países exportadores acumulam enormes quantidades de dinheiro. Muitos deles criaram fundos soberanos de investimento para colocar nos mercados mundiais esses excedentes financeiros, comprando ações e bônus. O fundo de investimento soberano da Noruega, por exemplo, tem ativos no valor de US$ 893 bilhões e é dono de 1,3% de todas as ações e bônus negociados no mercado mundial. Os demais fundos desse tipo acumularam ativos avaliados em US$ 7 trilhões.

Quando a receita petrolífera cai, muitos desses países se veem obrigados a parar de investir e a utilizar esses fundos para cobrir as brechas entre suas receitas e os gastos públicos. Para isso, eles têm que colocar à venda quantidades enormes de ações, bônus e outros valores. Isso pode gerar mudanças críticas na propriedade de muitas empresas importantes que agora serão colocadas à venda. Veremos muitas surpresas nesse campo.

Sol e vento. As energias renováveis e menos contaminantes competiam em desvantagem com o carvão e os hidrocarbonetos. Simplesmente é mais caro usar o vento e o sol para produzir energia do que usar carvão ou petróleo. E isso é ruim, com certeza, para o meio ambiente.

Recentemente, baixaram os custos de produção das energias renováveis, embora elas ainda continuem sendo mais caras. Agora, porém, a queda do preço do petróleo fará com que, para sobreviver, a indústria de energia solar ou eólica se veja forçada a avançar ainda mais na redução de seus custos.

Assim, quando o preço dos hidrocarbonetos tornar a subir – o que ocorrerá mais cedo ou mais tarde – as energias renováveis e menos contaminantes terão custos e preços que lhes permitirão competir melhor do que nunca com o carvão e o petróleo. E isso é uma boa notícia. (Jornal Cana 09/03/2015)

 

EUA miram negócios agrícolas com Cuba

Cerca de 90 representantes do agronegócio americano tiveram reuniões técnicas na ilha de Fidel.

A partir do programa de reaproximação com Cuba, firmado recentemente entre os governos dos Estados Unidos e o cubano, uma comissão de 90 representantes de instituições e órgãos americanos ligados a agricultura acaba de ficar em estada na ilha.

Eles participaram de encontros com lideranças locais, com representantes do governo e com fazendeiros. O objetivo é traçar um raio-X da agricultura cubana e, assim, prospectar negócios agrícolas que possa ser expandidos a partir de Cuba para os Estados Unidos. (Jornal Cana 09/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados Hoje

Momento político segue delicado no Brasil. O pronunciamento de ontem à noite em rede nacional não foi bem recebido pelos brasileiros, e evidencia atual crise política. Além disso, a maioria dos políticos na lista daqueles que serão investigados na Operação Lava-Jato é da base aliada do governo. Agrava-se a relação entre o Congresso e o Planalto. Por último: o PMDB acusou o governo de ter influenciado o trabalho do Procurador Geral da República. O clima não está nada bom.

Diante deste noticiário, continuamos vendo espaço para um aumento da percepção de risco. Não só parece ter aumentado a dificuldade de aprovação de medidas de ajuste fiscal no Congresso, como podem começar a ser votados projetos contrários aos interesses do governo. Em suma, vemos pressões de alta em dólar e curva de juros, ainda.

No exterior: bolsas na Ásia fecham em direções mistas e, na Europa, os principais mercados operam em baixa, ao redor das 7h50, horário de Brasília. Diante de preocupações com Grécia e dados fortes nos EUA, não têm sido um início de semana favorável para as bolsas de emergentes.

Em dia de poucos dados na agenda, investidores estarão atentos à reunião entre ministros das Finanças da zona do euro, para retomar negociações envolvendo a dívida grega. Também para hoje: o BC europeu inicia a compra de títulos soberanos, contemplada na chamada “expansão quantitativa”. Neste contexto, os juros dos títulos soberanos são pressionados para baixo, com a exceção dos títulos gregos.

Nos EUA, os índices futuros sinalizam abertura fraca das bolsas. O dólar index recua frente a seus principais pares, mas acumula valorização de mais de 8% no ano. Alguns analistas começam a sugerir que o “boas notícias são más notícias” está de volta. Ou seja, diante de números fortes do mercado americano, as bolsas são pressionadas para baixo, dada a proximidade do aperto monetário por lá.

Pronunciamento de Dilma evidencia a atual crise política

O pronunciamento em rede nacional, utilizando como pano de fundo o Dia Internacional da Mulher, acabou evidenciando a atual crise política. É destaque nos jornais de hoje, e não passaram despercebidos no exterior os panelaços e vaias em diversas cidades do país ao longo do discurso. Em suma, Dilma pediu paciência e compreensão aos brasileiros, e voltou a culpar a crise internacional e a seca. Chegou até a falar da mídia, responsabilizando-a pela difusão de notícias confusas e incompletas. No Estadão, mais sobre o tema.

Lava-Jato tumultuará o Congresso: cenário ruim para Dilma

A lista do procurador da República, Rodrigo Janot, colocou o governo em situação complicada. Dos 50 nomes a serem investigados, 47 são integrantes da base de apoio. Desta forma, deve dificultar a aprovação de medidas importantes, e continua o noticiário negativo. Para o jornal norte-americano, “The New York Times”, a “Lista do STF sai em mau momento da economia brasileira”. O Valor destacou, no sábado, a visão dos estrangeiros.

Segundo Barbosa, do Planejamento, depreciação do real será bom para a economia

Na sexta-feira, o ministro do Planejamento, em evento público, falou sobre a taxa cambial. Segundo ele, não há “nenhum descontrole” nos movimentos recentes. Além disso, acredita que apesar das pressões inflacionárias, a depreciação cambial será benéfica para a economia. Em suma, acreditamos que a fala de Barbosa – em linha com as recentes falas do ministro Levy –, aumenta a probabilidade de que o banco central deixe de atuar no mercado cambial a partir de abril, através das operações de swap cambiais. Mais: dificilmente o BC aumente o ritmo de rolagem do vencimento de abril. Ou seja, não vemos como crescente a tentativa de conter a queda do real neste momento.

Fiscal: estuda-se limitar uso de crédito de PIS/Cofins pelas exportadoras

O ministério da Fazenda estuda limitar o uso de créditos do PIS/Cofins pelas empresas exportadoras, a companhias que exportem 80% da sua produção. Atualmente, as empresas que têm mais de 50% da produção dirigida ao mercado externo não recolhem os tributos.  De acordo com o Valor, os técnicos da Fazenda também debate como tratar o setor agrícola, que hoje tem direito a um crédito presumido nas operações internas.

Boletim Focus: pela 10ª semana seguida, espera-se mais IPCA e menos PIB para 2015

Para 2015, o mercado espera agora mais IPCA (7,77%, contra 7,47% há uma semana), diante da alta de preços administrados (11,18%, contra 11%); e menos PIB (-0,66%, contra -0,58%), puxada pela produção industrial mais fraca (-1,38%, contra -0,72%). Para 2016, espera-se agora um IPCA de 5,51%, e um crescimento do PIB de 1,40%. Com relação à Selic, o mercado continua esperando 13% no final deste ano.

IPCA de fevereiro registrou alta acima da esperada

O IPCA de fevereiro registrou alta de 1,22% em fevereiro, após 1,24% em janeiro – número acima da expectativa do mercado (1,08%, segundo a Bloomberg). Com esse resultado, no acumulado 12 meses, o indicador acumula alta de 7,70%, após 7,14% até janeiro. Destaque para a aceleração dos preços administrados, acumulando alta de 9,64% - maior alta nesse tipo de comparação desde outubro de 2005. Ao mesmo tempo, apesar da fraqueza da economia, os preços livres não desaceleram. O grupo de “Serviços” acumula alta de 8,64%.

Com relação aos itens separados, os destaques foram: a alta no preço da gasolina (item que está incluído no grupo de “Transportes”); energia elétrica (“Habitação”) e cursos regulares (“Educação”). Por outro lado, “Alimentação e Bebidas” desacelerou, com a menor taxa de variação dos preços dos legumes, cereais, leites e carnes.

Para o IPCA de março, a nossa expectativa é de alta de 1,35%, motivada pelo aumento da energia elétrica em virtude da revisão tarifária extraordinária e, também, da elevação dos valores das bandeiras tarifárias.

IPC-S acelera na 1ª quadri de março

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) registrou alta de 1,36% na primeira quadrissemana de março, ante 0,97% na leitura imediatamente anterior. Das oito classes analisadas, quatro apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: Habitação (0,90% para 1,75%), Alimentação (0,77% para 1,11%), Educação, Leitura e Recreação (-0,02% para 0,42%) e Vestuário (0,11% para 0,20%).

De olho na semana: ata do COPOM é o destaque

A agenda macro da semana terá como destaque a divulgação da ata do COPOM, na quarta-feira. Será importante para entender as discussões de política monetária da última semana. Ao longo da semana, também teremos alguns indicadores antecedentes da produção industrial, como o fluxo pedagiado de veículos e a expedição de papel ondulado. Por último, na sexta, o IBGE divulga as vendas no varejo de janeiro. Em suma, com a exceção da ata, será um semana relativamente tranquila de dados. O quadro político tende a ser ainda mais relevante.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Na última sexta-feira, a bolsa terminou em queda de 0,76%, acompanhando bolsas americanas. Destacamos a pressão negativa de bancos, como Itaú e Bradesco. Diante dados muito positivos sobre o mercado de trabalho americano; inflação acima da esperada e quadro político muito conturbado, juros futuros e dólar foram pressionados para cima. No dia, o dólar comercial registrou alta de 1,53%, cotado a R$3,05.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa sexta-feira tivemos mais um dia de baixa com fechamento testando o suporte de 50.000, se esse nível for perdido a situação volta a ficar menos positiva, se ele for respeitado e voltarmos a subir teremos resistência em 51.900. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: ativos de risco começam a semana majoritariamente em baixa, com preocupações com Grécia e ainda refletindo dados melhores nos EUA. Lembramos: na última sexta, Relatório de Empregos acabou sugerindo a investidores que o Fed está mais próximo de subir juros. Em relação às moedas: um dia de correções. Dólar opera em baixa, euro e libra se fortalecem. Com relação às commodities: a maioria registra alguma pressão altista, também corrigindo quedas recentes.

China: exportações cresce mais do que o esperado no início de 2015

Apesar da volatilidade devida ao feriado de Ano Novo, da apreciação da moeda e da fraqueza de algumas economias ao redor do mundo, as exportações chinesas tiveram um bom começo de ano. Em fevereiro, na comparação anual, as exportações crescem 48,3%, após recuarem 3,2% em janeiro – número que superou o teto das expectativas consultadas pela Bloomberg. Por outro lado, as importações continuaram fracas, registrando queda de 20,5%, após queda de 19,7% em janeiro. Para março, acreditamos que as exportações recuarão e as importações não serão tão fracas como tem sido.

Grécia: negociações com relação à dívida voltam à cena

Será um dia importante em Bruxelas. Ministros das Finanças da zona do euro se reúnem para decidir se irão reter novas parcelas de auxílio aos gregos. Em entrevistas no final de semana, ministros gregos das Finanças e da Defesa disseram que se os credores fizerem exigências inaceitáveis o povo grego irá decidir os próximos passos. Ou seja, o governo pode convocar novas eleições ou um referendo caso as propostas gregas sejam rejeitadas. Está em jogo a ajuda de cerca de 7 bilhões de euros. Percepção de risco aumenta por lá o prova disso é que, na contramão dos juros dos títulos soberanos da região, os da Grécia sobem hoje.

Turquia: redução de juros

O Banco Central da Turquia reduziu a taxa de juros para depósito de uma semana em dólares, de 7,5% para 4,5%, e para depósito de uma semana em euros de 6,5%, para 2,5%, em meio à tendência global de redução dos juros. Mais um banco central nesta direção.

EUA: mercado de trabalho segue muito forte

Em fevereiro, foram criadas 295 mil empregos, acima dos 235 mil esperados e também acima das 239 mil vagas de janeiro. O número do primeiro mês do ano foi revisado para baixo, de 257 para 239 mil, mas pouco importa. A média móvel de 3 meses agora está em 288 mil. Diante do aumento de ocupados de 96 mil, e de uma queda da força de trabalho de 178 mil, a taxa de desemprego recuou para 5,5%, de 5,7% em janeiro e abaixo dos esperados 5,6%. Ou seja, já estamos no nível considerado como de “longo prazo” pelo Fed. Segundo as últimas projeções do BC americano, entre 5,2-5,5% seria o nível condizente com um mercado de trabalho a pleno vapor. Ainda não tão forte assim, os salários-hora cresceram, em termos anuais, em 2%.