Macroeconomia e mercado

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Ruette pode colocar suas duas usinas à venda e dar fim à recuperação judicial

Depois de duas semanas de embate com credores, surpreendidos pelo pedido de recuperação judicial do grupo Antonio Ruette Agroindustrial, pode ser que o processo na Vara de Monte Azul Paulista (SP) seja extinto.

Um acordo extrajudicial deve fazer com quer o grupo retire o pedido de proteção contra credores, conforme a apuração do Jornal Valor Econômico.

A negociação da sucroalcooleira com bancos e fundos credores foi informada ao jornal pelo advogado Joel Thomaz Bastos do escritório Dias Carneiro Advogados (DCA), que representa o grupo no processo de recuperação.

O acordo, que pode ser assinado ainda hoje, inclui a suspensão da contestação da dívida pelo prazo de 90 dias (renováveis pelo mesmo período) para que seja negociada a venda das duas usinas do grupo, sem as terras.

Com um valor de mercado estimado em R$ 600 milhões, a vendas das unidades industriais, segundo o jornal, cobriria a dívida bancária. Os cerca de 2 mil hectares de terras cultivadas com cana-de-açúcar são avaliados em aproximadamente R$ 120 milhões.

A dívida alegada no processo é de R$ 820,6 milhões.

Especialistas que entendem que a venda dos ativos é a melhor solução, pois o surpreendente pedido de recuperação judicial teria “fechado todas as portas dos bancos para a companhia mesmo que não siga adiante”, afirmou o jornal.

A lista de credores é composta por mais de 25 bancos e fundos, parte deles apresentou à Justiça contestações sobre a necessidade de recuperação judicial do grupo, visto que há menos de um mês a empresa havia obtido um empréstimo, após comprovar liquidez por balanços auditados.

Segundo o Valor, o acordo começou a ser alinhavado após a perícia sobre os documentos fiscais e comerciais da empresa, solicitada pelo juiz responsável pelo caso, ter demonstrado cabível o pedido recuperação judicial.

Usinas

As usinas do grupos estão localizadas em Paraíso, unidade Monterey, e em Ubarana, unidade Ruette, e contam com capacidade combinada para processar 4 milhões de toneladas de cana por safra.

Segundo informações apresentadas pela empresa no final de 2014, as instalações podem gerar 180 mil toneladas de açúcar e 200 milhões de litros de etanol por safra. A cogeração tem 28 MW de potência instalada, capaz de exportar 50 GWh. (Valor Econômico 10/03/2015)

 

Estados Unidos anuncia pacote de US$6 milhões para combustíveis alternativos

Montante será aplicado em 11 projetos para o desenvolvimento de mercado.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou no início desta semana, dia 9, a criação de um pacote, no valor de US$ 6 milhões, para impulsionar o crescimento de mercado dos combustíveis alternativos.

O pacote será destinado a 11 projetos que têm como principal objetivo fortalecer a inserção destes produtos no mercado norte-americano. Em cada projeto um tópico diferente será desenvolvido, como incrementar a experiência dos compradores de tais combustíveis e fornecer treinamentos neste segmento para empresas ligadas ao setor. (Jornal Cana 10/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Dólar volta a ganhar forças no exterior

Em mais um dia de agenda macro esvaziada nos Estados Unidos, a moeda americana volta a seguir tendência de fortalecimento contra os seus principais pares. Apesar das poucas novidades em termos de dados, destacamos o discurso de Richard Fisher, um dos presidentes regionais do Fed, sugerindo o início da alta de juros por lá. Com relação aos mercados acionários, índices futuros sinalizam abertura fraca; e os juros das Treasuries seguem sendo pressionados para baixo.

Na Europa, as bolsas operam em baixa, às 8h30, horário de Brasília.

Conversas entre Grécia e credores não parecem ter avançado muito, e o país é acusado de perder tempo. Soma-se a isso a ameaça de um ministro grego de abrir as fronteiras do país para que imigrantes do Oriente Médio possam ter acesso à Europa. No mercado de juros, o mesmo de ontem: os juros dos títulos soberanos são pressionados para baixo, com a exceção dos gregos. No mercado de câmbio, o euro volta a se enfraquecer diante do dólar – segue a tendência natural, em meio às políticas expansionistas do BC europeu.

Brasil

Investidores seguem preocupados com o quadro político. Já podemos ver seus efeitos: o veto de Dilma ao reajuste de 6,5% da tabela de IR à Pessoa Física pode ser revisto. Planalto precisa negociar com o Congresso.

A agenda macro, assim como lá fora, segue tranquila e sem grandes destaques. Destaque apenas para a 1ª prévia do IGP-M de março, com alta de 0,74%, ante 0,09% em igual medição de fevereiro e acima dos esperados 0,62%, segundo a Bloomberg.

Em suma, apesar de ser possível alguma correção nos mercados de câmbio e juros no início da sessão – após altas fortes recentes –, ainda acreditamos que as pressões altistas tendem a continuar. Com relação ao Real, o cenário externo de hoje tende a contribuir para a manutenção da depreciação. 

Brasil

Quadro político segue complicado, e já vemos reflexos da fragilidade do governo nas negociações com o Congresso. Continuamos vendo pressões de alta sobre dólar e juros futuros por aqui. Em suma, são diversos os fatores que contribuem para isso. Por exemplo: o dólar mais forte no exterior, com dados fortes dos EUA e proximidade de início de alta de juros; manifestações populares aqui; negociações complicadas com o Congresso; repercussões da Operação Lava-Jato; e chegada de membros da agência de classificação de risco Fitch na próxima semana.

Em momento político complicado, Dilma revê veto à correção de 6,5% na tabela de IR à PF

O Planalto, em situação política delicada, estaria disposto a revisar o veto presidencial à correção de 6,5% na tabela de Imposto de Renda à Pessoa Física. Renan Calheiros (PMDB-AL) colocaria o veto na pauta de votação ainda nesta semana. Em suma: “Dilma vetou a lei e até agora não botou nada no lugar”, afirma Raymundo Costa, do Valor. Ao invés dos 6,5%, Dilma defendia o reajuste de apenas 4,5%. A diferença, na prática, geraria ao governo R$2,2 bilhões neste ano, segundo estimativas. Ou seja, vemos que o enfraquecimento do governo gera, de fato, um custo aos ajustes fiscais.

Outro revés possível: Tesouro pode ter que aportar R$16 bi ao FAT

Caso o governo não consiga a aprovação do Congresso da medida provisória que restringe o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial, o Tesouro Nacional terá que injetar mais de R$16 bilhões no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Para a Moody’s, corrupção da Petrobras enfraquece setores da economia brasileira

Em relatório divulgado ontem, Marianna Waltz afirma que o escândalo de corrupção enfraquecerá diversos setores da economia, não só o de petróleo, mas também o de construção e infraestrutura, imobiliário e de todos aqueles que fazem parte da cadeia de produção dos primeiros. No entanto, ao menos em parte, o suporte do governo conseguirá conter o impacto negativo sobre o crédito. Com relação aos bancos, a agência espera lucros menores nos bancos mais expostos, especialmente os públicos. Estas considerações sobre o setor financeiro, em especial, foram responsáveis pela queda das ações dos bancos ontem. Mas a agência ressalta: “as implicações imediatas para a nota de crédito soberana são limitadas. A Moody’s não espera que o suporte do governo à Petrobras levará a dívida do país a exceder os 70% do PIB, em nenhum dos cenários. As implicações para a nota de crédito dependerão principalmente da credibilidade das políticas do governo com relação ao fiscal”, em tradução livre. Matéria do Valor também comenta o relatório da Moody’s.

Governo estuda 10 medidas para evitar racionamento de energia neste ano

Segundo o Valor de hoje, o governo não trabalha com a hipótese de racionamento de energia neste ano. E seriam 10 as medidas em estudo no momento que evitariam um desfecho como este. Elas vão desde o acionamento de termelétricas à importação de energia da Argentina.

Balança comercial: 1ª semana de março registra superávit de US$50 milhões

Resultado de exportações de US$3,93 bi e importações de US$3,98 bi, a balança comercial fechou com leve superávit neste início de mês. No acumulado do ano, registra déficit de US$6,065 bi, pouco melhor do que o déficit de US$6,088 bi do mesmo período do ano passado. Considerando a média diária deste início de março, e comparando-a com a média diária de março do ano passado, temos que as exportações registraram queda de 12,1% e as importações queda de 10,0%. Para o final do mês, esperamos um superávit ao redor de US$500 milhões – diminuindo, em parte, o déficit do ano. Atenção: segundo o Boletim Focus, o mercado espera superávit de US$4 bi para 2015.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Diante de preocupações com o quadro político por aqui – que já vimos que começa a afetar os planos econômicos –, o dólar foi impulsionado no dia de ontem, e terminou em alta de 2,35%, cotado a R$3,1277. No mercado de juros, pressões altistas fortes, diante dos mesmos temores. Foram, em suma, movimentos na contramão daqueles observados no exterior. Lá, o dólar operava em baixa, ou estável, e os juros dos títulos soberanos na Europa e EUA eram pressionados para baixo. De volta ao Brasil: Ibovespa terminou em baixa de 1,6%, com volume negociado de R$6,137 bi, pressionado por ações do setor financeiro.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Hoje tivemos outro dia de queda, com isso foi perdido o suporte de 50.000 e a média de 21 dias virou para baixo. A tendência passou a ser baixista com novo suporte em 48.200. Se voltarmos a subir teremos resistência em 51.900. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: dólar ganha forças, em dia de poucos dados na agenda macro. Conversas entre Grécia e credores são ainda inconclusivas, e deixam investidores cautelosos. Nos mercados de câmbio e juros, reações às políticas expansionistas do BC europeu.

EUA: para Fisher, Fed não deveria postergar início da elevação dos juros

Para o presidente do Federal Reserve de Dallas, Richard Fisher, o Fed não deveria demorar em começar a subir os juros. Fisher se aposenta no dia 19 de março, não participará da reunião de política monetária dos dias 17 e 18 deste mês, mas aproveitou seu último discurso para ressaltar os números robustos do mercado de trabalho americano. Da chamada “linha dura” do Fed, Fisher tem sido ferrenho opositor às políticas expansionistas do BC americano.

China: inflação acelera em fevereiro

Após alta de 0,8% A/A em janeiro, a inflação ao consumidor registrou alta de 1,4% em fevereiro, acima dos esperados 1,0% pelo mercado. Ainda assim, a aceleração dos preços dos alimentos, principal fator por trás da aceleração dos preços (+2,4% A/A, após +1,1% A/A) –, tende a ser passageira, e a inflação segue em viés de baixa nos próximos meses. Espera-se que ela recue abaixo dos 1,0%. No 2º semestre do ano, após ganhos de renda para os consumidores diante dos preços de commodities ainda em queda, a inflação pode começar a subir novamente.

França & Itália: produção industrial surpreende positivamente no primeiro, e negativamente no segundo

A produção industrial da França registrou alta de 0,4% em janeiro na comparação com dezembro, surpreendendo os analistas, que esperavam uma queda de 0,4% no indicador. Além disso, a produção industrial do mês de dezembro foi revisada para alta mensal de 1,4%, de avanço de 1,5% na primeira estimativa. Já a produção industrial da Itália teve queda de 0,7% em janeiro na comparação com dezembro e recuo de 2,2% na comparação anual, abaixo da expectativa dos analistas, que previam alta de 0,2% tanto na leitura mensal quanto no confronto anual.

Grécia: segundo credores, o país precisa “parar de perder tempo”

Para o presidente do grupo de ministros das Finanças, Jeroen Dijsselbloem, o país deve “parar de perder tempo” – em referência às medidas de reformas que devem ser propostas e colocadas em prática para que as negociações com os credores avancem. Segundo Dijsselbloem, a parcela de 7,2 bi de euros do programa de ajuda financeira suspensa por divergências entre os credores poderão ser liberados em partes, desde que haja um acordo sobre todas as medidas e progressos tangíveis na implantação.