Macroeconomia e mercado

Notícias

Trator de cana também fica isento de registro

Decisão foi tomada pelos senadores, mas ainda falta passar pela Câmara.

Os tratores destinados a puxar ou arrastar maquinaria de qualquer natureza, ou a executar trabalhos agrícolas no setor sucroenergético, estão livres de ter registro como ocorre com os veículos de passeio e utilitários.

A decisão de anular a exigência, prevista na Resolução 429/2012, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), foi tomada pelo plenário do Senado na última terça-feira (10).

Estudos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostram que a medida, caso fosse mantida, elevaria os custos dos produtores rurais.

O Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) é bastante claro quanto a seu escopo: “o trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código” (artigo 1º).

O interior de fazendas e outras áreas privadas destinadas à produção agropecuária não estão abrangidos no conceito de vias terrestres abertas à circulação, logo não são regidas pelo Código de Trânsito.

O projeto seguiu para exame na Câmara dos Deputados. (Jornal Cana 13/03/2015)

 

Grupo Batatais prevê queda de 3,5% no processamento em 2015/16 de cana

O Grupo Batatais, com unidades no município homônimo na região de Ribeirão Preto e em Lins (SP), espera processar 6,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2015/2016, cuja moagem começou esta semana. O volume, se obtido, será 3,5% menor que o de 6,371 milhões de toneladas de cana moído na safra anterior. Segundo o sócio da companhia Bernardo Biagi, a estiagem no primeiro semestre do ano passado e em janeiro deste ano é responsável pela perda inicial estimada para a safra atual.

"Se dividirmos em três partes, neste ano a safra colhida no primeiro terço tem uma previsão ruim. Se o clima correr bem poderemos ter uma compensação no final do período", disse Biagi. Segundo ele, com o preço do açúcar baixo e com as medidas tomadas pelo governo federal para incentivar o etanol, a safra 2015/2016 deve ser mais alcooleira. A companhia espera que 58% da matéria-prima processada seja destinada ao etanol e 42% ao açúcar, ante 54% e 46%, respectivamente, no período anterior.

Com um mix maior, a produção de etanol será de 298 milhões de litros nas usinas do Grupo Batatais, praticamente a mesma da safra passada, finalizada e 301 milhões de litros. Já a produção de açúcar deve ser penalizada com a quebra na safra de cana e pelos preços menos remuneradores e recuará 14%, de 7,7 milhões para 6,6 milhões de sacas entre as safras. O Açúcar Total Recuperável (ATR) nas duas usinas deve ficar em ano 134 quilos por tonelada processada, ante 138 kg/tonelada em 2014/2015.

A quebra prevista no processamento de cana será praticamente restrita à unidade Batatais, que deve processar 3,9 milhões de toneladas de cana em 2015/2016 ante 4,1 milhões na safra passada, baixa de 5%. Já a moagem na unidade de Lins deve recuar 1% e ficar em 2,25 milhões de toneladas. A usina Batatais tem 99% de plantio e colheita mecanizados, índice que chega a 100% na unidade de Lins. (Agência Estado 13/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Dólar volta a ganhar forças no exterior. Após respiro e correção de ontem, a moeda americana volta a se fortalecer e ganha forças não só frente a emergentes, mas também frente a moedas de países desenvolvidos. Na expectativa de números positivos de hoje nos Estados Unidos, os juros da Treasuries também sobem. Por lá, os preços aos produtores devem ter deixado de recuar em fevereiro; e a confiança dos consumidores, referente a março, deve continuar em patamares bem elevados. Ontem, lembramos: bolsas nos EUA terminaram em alta.

Na Europa, as bolsas tiveram um início de sessão positiva, mas oscilam próximas à estabilidade, ao redor das 8h10, horário de Brasília. No mês, as bolsas da região acumulam desempenhos distintos: enquanto o DAX, da Alemanha, acumula ganhos acima de 3%, o IBEX 35, da Espanha, recua mais de 1%. O euro mais depreciado vai beneficiando a economia alemã. Hoje, a moeda do bloco voltou a perder forças, e opera ao redor de US$1,05. Os juros dos títulos soberanos, por outro lado, já não recuam como nos últimos dias. Na agenda macro, nada muito relevante.

No Brasil, protestos nas ruas, hoje e domingo, mantêm o clima tenso por aqui. Medidas de ajuste fiscal devem passar por negociações no Congresso na próxima semana e, com isso, continua a preocupação com relação ao apoio a Joaquim Levy. No atual contexto, não vemos tréguas para a alta do dólar nos próximos dias, muito pelo contrário. Hoje, o cenário externo volta a contribuir para isso e, por aqui, noticiário não mudou muito. Os juros futuros na BM&F devem seguir este movimento de alta, diante da percepção de risco ainda em elevação.

Na agenda macro: em janeiro, as vendas no varejo acabaram surpreendendo de forma positiva. Esperava-se uma queda em janeiro, diante de fundamentos deteriorados.

Brasil

Noticiário doméstico acompanha desdobramentos políticos, e manifestações populares que estão marcadas para hoje e domingo. Atrito entre Levy e Renan Calheiros (PMDB-AL), na noite da última quarta-feira, teria contado até com a ameaça de o próprio Levy pedir demissão. No Valor: comenta-se que o banco central ainda acredita em levar a inflação a 4,5% em 2016, apesar de não prever recuo da inflação ainda neste ano. Na agenda macro: as vendas no varejo recuaram em janeiro.

Vendas no varejo surpreendem positivamente

Os números ficaram acima do esperado pelos analistas. Em janeiro, as vendas no varejo (restrito) avançaram 0,8%, após queda de 2,6% em dezembro e expectativa de queda de 0,4%, segundo pesquisa do Valor. Considerando o conceito ampliado – incluindo grupos de “Veículos e motos, partes e peças” e “Materiais de construção” –, as vendas no varejo avançaram 0,6%, após queda de 3,6% em dezembro e expectativa de queda de 1,7%, segundo pesquisa daBloomberg. Em suma, o varejo de janeiro veio melhor do que o esperado. Ainda assim, acreditamos que o desaquecimento no mercado de trabalho (que já estamos observando em alguns números), a desaceleração da renda do consumidor e o crédito mais restrito contribuirão de forma negativa para o consumo nos próximos meses.

Governo prepara fase de concessões

Já havíamos comentado ontem que o governo estudava entrar numa nova fase do “ajuste”. No Valor de hoje, destaque para a matéria que comenta que o governo fará um esforço para produzir boas notícias. Até abril, serão divulgados estudos para avaliar o interesse em concessões de aeroportos, hidrovias e dragagem em Santos, Paranaguá e Rio Grande. Em relação às obras do PAC: Nelson Barbosa, do Planejamento, sinalizou que o programa perderá fôlego neste ano. Nada muito novo. O programa continuará, mas o foco será terminar as obras em andamento e pagar o que já foi feito.

Banco central: segue acreditando na meta de 4,5% em 2016, e não pretende adotar meta ajustada

Ainda que o BC tenha “jogado a toalha” no que diz respeito à esperança de redução da inflação já neste ano, segue acreditando que a meta de 4,5% ao ano será atingida em 2016. Na ata da última reunião de política monetária, divulgada ontem, isso ficou claro. O mercado, por outro lado, ainda projeta um IPCA de 5,5% no próximo ano.

E em 2015? Se a inflação ficar acima do “tolerável” – 6,5% ao ano –, Tombini deverá se explicar, em carta. Tudo bem, não parece preocupar tanto ao BC. O foco agora está em 2016, e é por isso que adotar uma espécie de meta ajustada, como chegaram a sugerir alguns analistas do mercado, não está nos planos do BC. Isso poderia minar as expectativas de inflação à frente, que ainda parecem controladas. Em matéria do Valor, Claudia Safatle comenta o tema.

Banco Central: intervenções no mercado cambial

No dia 24 deste mês, Tombini deve anunciar decisão do BC sobre o futuro das intervenções no mercado cambial, em Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Segundo o Valor, o BC deve anunciar a rolagem integral da posição de swaps cambiais, mantendo inalterado por algum tempo o estoque de operações, hoje ao redor de US$112 bi. Este montante poderia ficar inalterado por vários anos.

Dilma admite que modelo econômico anterior está esgotado

A presidente Dilma Rousseff admitiu ontem que o modelo econômico adotado no seu primeiro mandatado está esgotado, e reafirmou a necessidade do reajuste das contas públicas. Para a presidente, neste momento, o governo deve utilizar outros instrumentos para não gerar desemprego e baixo crescimento.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa terminou praticamente estável nesta quinta-feira (-0,05%, aos 48,880 mil pontos com volume negociado de R$6,613 bi). No entanto, foi um dia de volatilidade, diante de um cenário externo mais favorável para ativos de risco no exterior, num primeiro momento, e noticiário interno ainda desafiador. O dólar, por sua vez, firmou-se em alta e avançou 1,04%, cotado a R$3,1608. A percepção de risco segue alta, e os juros futuros na BM&F também foram pressionados para cima. Na agenda macro: destaque para a divulgação da ata do Copom. Entendemos que o BC, no atual contexto, não conseguirá reduzir o ritmo de aperto, e deve elevar a Selic em mais 0,50 p.p. na reunião de abril.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Hoje começamos o dia até de maneira positiva, mas aos poucos perdemos força e o fechamento foi levemente negativo, a longa sombra formada mostra entrada de força vendedora. A tendência segue sendo baixista com suporte importante em 48.200, se ele for perdido termos novo suporte forte em 46.900. Se voltarmos a subir a resistência fica em 51.900 [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: continuamos vendo os efeitos das políticas monetárias divergentes. Enquanto seguem as discussões em torno do início do aperto de juros nos EUA, os BCs da China, Índia, Coréia do Sul, Tailândia e Rússia cortaram juros para animar suas economias. No mercado de moedas: voltam as tendências de médio prazo, com dólar mais forte outra vez. No mercado de juros: pressões de alta nos juros americanos.

EUA: vendas no varejo vieram abaixo do esperado

Mais uma vez, o frio intenso do inverno parece ser responsável por dados mais fracos da economia americana. Na comparação com janeiro, as vendas no varejo recuaram 0,6% em fevereiro, após queda de 0,8% em janeiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, as vendas cresceram 1,2%, após 3,3% em janeiro. O núcleo – medida que exclui automóveis – contraiu 0,1% frente a janeiro, após ter recuado 1,1% no último mês.

Investidores, com isso, antecipam um crescimento mais modesto neste 1º trimestre do ano por lá. O PIB, em termos anualizados, deve crescer ao redor de 2%. Chama a atenção o fato do maior poder de compra dos americanos – diante da queda dos preços da gasolina, e mercado de trabalho mais forte – ainda não tenha se traduzido em avanço do consumo. Uma questão de tempo, em nossa opinião. De qualquer forma, os números mais fracos de ontem acabaram impulsionando as bolsas lá fora.

Rússia: corte de juros para 14%, em linha com o esperado

Após período mais estável do rublo, o BC cortou a taxa de juros em 1 ponto percentual, de 15% para 14% ao ano. Segundo o BC, os riscos de desaceleração econômica se tornaram mais fortes. Registre-se: este é o segundo corte de juros, após a inesperada (e expressiva) elevação dos juros em dezembro do ano passado, visando conter a depreciação da moeda. Em janeiro, já haviam sido cortados 2 pontos percentuais, de forma inesperada. Além disso, a taxa de recompra passou de 16% para 15% e a taxa de depósitos diminuiu de 14% para 13%.

Grécia: 2ª parte do empréstimo com FMI deve ser pago

Segundo o porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, o país pagará a 2ª parte do empréstimo com o FMI que tem vencimento previsto para este mês. Hoje, vence parcela de 340 milhões de euros. A 1ª parte do empréstimo, de 310 milhões de euros, foi paga há uma semana.

Japão: ministro defende política expansionista do BC

O ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, em defesa ao programa de relaxamento monetário adotado pelo Bando do Japão (BoJ), afirmou que a desvalorização do iene em relação ao dólar é positiva para a economia japonesa. Segundo Aso, um iene mais fraco, o recuo do preço do petróleo e taxa de juros mais baixa, são fatores positivos para a atividade econômica do país.

Japão: produção industrial fica abaixo do esperado

A produção industrial do Japão registrou alta de 3,7% em janeiro no confronto mensal, abaixo da estimativa preliminar que apontava para alta de 4,0%. Segundo o Ministério de Finanças do país, os estoques da indústria japonesa recuaram 0,4% em janeiro, contra a queda de 0,6% na mediação anterior. Já os embarques subiram 5,6%, em vez dos 5,8% observados inicialmente.