Macroeconomia e mercado

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Preço do ATR paulista subiu 0,65% em fevereiro

Quilo de ATR da cana fechou o mês de fevereiro em R$ 0,4680.

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR), registrou elevação mensal de 0,65% no preço do quilo de ATR em fevereiro.

O índice, que avaliou 13 produtos agropecuários, apresentou alta em apenas sete produtos, com ovos liderando a valorização (31,97%), seguido pela banana nanica (9,64%), laranja para mesa (6,14%), laranja para indústria (2,11%), algodão (0,76%), cana (0,65%) e o feijão (0,14%).

A remuneração pelo quilo de ATR da cana fechou o mês de fevereiro em R$ 0,4680, ante o valor de R$ 0,4650 pago em janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a alta no valor de ATR é de 3,45%.

O  IqPR fechou o mês com variação positiva de 0,91%. (Jornal Cana 16/03/2015)

 

Projeto prevê investimento da Cesp em cogeração

Companhia controlada pelo governo estadual pode ampliar a oferta em até o triplo de sua oferta atual.

Está em fase de formatação projeto que altera o estatuto social da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), controlada pelo governo estadual, para que a empresa passe a investir em geração de eletricidade a partir da biomassa. Conforme apurado pelo JornalCana, esse projeto deve ficar pronto ainda nesta semana.

O objetivo é permitir à Cesp ampliar sua oferta de eletricidade. Hoje, a companhia tem potência instalada de 6,6 mil megawatts (MW) e, com a geração por biomassa, pode aumentar essa potência em até o triplo, caso toda a capacidade de cogeração pela biomassa de cana-de-açúcar do país (13 mil MW) fosse adotada.

Pelo esboço do projeto, a Cesp atuaria de forma semelhante a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), que investe na implantação de térmica (em greenfield ou retrofit) e durante período de 20 anos fica com todo ou parte do faturamento da eletricidade comercializada. Depois desse prazo, o sistema fica para a companhia na qual a térmica foi implantada. (Jornal Cana 16/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados Hoje

As manifestações populares de ontem aqui no Brasil são destaque nos jornais. Em suma, a crise política deve continuar contribuindo para manter dólar e juros futuros pressionados. A percepção de risco segue elevada. Em bolsa, é dia de vencimento de opções sobre ações, e noticiário corporativo é agitado. Na agenda macro: IBC-Br de janeiro veio abaixo do esperado; e no Boletim Focus, o mercado projeta mais IPCA e menos PIB tanto para este quanto para o próximo ano.

No exterior, o destaque da semana será a reunião de política monetária do Fed. O dólar opera em baixa nesta manhã, devolvendo parte dos ganhos da última sexta, mas sem perspectiva de alívios à frente. A mudança de tom do Fed deve contribuir para manter a moeda americana fortalecida. Para hoje: atenção aos dados da indústria americana, referentes a fevereiro e março.

Na Europa, as bolsas operam em alta. Destaque para o índice DAX, da Alemanha, operando acima de 12 mil pontos. Continuamos vendo bolsas fortes na região, nas máximas dos últimos sete anos. Na agenda macro, pouca coisa para hoje. Também vale destacar a bolsa na China: o Shanghai Compositeterminou fechou com ganhos de mais de 2%, com o primeiro-ministro sinalizando que pode adotar novos estímulos à economia.

As commodities seguem em viés de baixa, com especial destaque para a queda do petróleo. O WTI, por exemplo, opera ao redor de US$44/barril, acumulando quedas que superam os 17% no ano. A produção americana da commodity segue firme, e volta a pressionar os preços com mais força, após algumas semanas de alívio.

 

Carta do Dia

Brasil: manifestações populares devem manter a percepção de risco em alta. Como reagirá o governo? Continuará apostando nos ajustes fiscais de Levy ou tentará melhorar aprovação junto à sociedade de alguma forma populista? Esperamos uma semana ainda com foco nas questões políticas. Por enquanto, sem atuações do banco central, continuamos vendo pressões altistas sobre dólar e juros futuros.

Boletim Focus: mercado espera mais IPCA e menos PIB em 2015 e 2016

Projeções para 2015: IPCA é revisado para cima (agora 7,93%, contra 7,77% há uma semana), com maior pressão de preços administrados (12,00% contra 11,18%); enquanto o PIB é revisado para baixo (-0,78%, contra -0,66%). Diante das pressões recentes, o câmbio para o fim do ano, e o médio também, foram revisados para cima: de R$2,95 para R$3,06 e de R$2,88 para R$3,03, respectivamente. A Selic segue projetada em 13,00% no final do ano, mas acreditamos que ela deva subir ainda mais, como temos comentado nos nossos relatórios recentes. Para 2016: o ponto principal foi a alta do IPCA esperado. Agora está em 5,60%, contra 5,51% há uma semana. O crescimento do PIB foi revisado para baixo: agora 1,30%, contra 1,40% há uma semana.

IBC-Br de janeiro: marginalmente abaixo do esperado

O índice de atividade do banco central, referente ao mês de janeiro, registrou queda de 0,1% na comparação com dezembro. No último mês, foi registrada queda de 0,6%. Segundo pesquisa do Valor, esperava-se alta de 0,1%. Na comparação com janeiro de 2014, o IBC-Br registrou queda de 1,8%, contra expectativa de queda de 1,3%. Lembramos: na última semana, o varejo surpreendeu positivamente, mas não alteramos a nossa expectativa de piora nos próximos meses.

Governo descarta intervenção no mercado cambial

Após ter saído nota da Agência Estado, na última sexta-feira à tarde, sugerindo que o banco central poderia intervir para evitar excesso de valorização da moeda americana e volatilidade no câmbio, matéria do Estadão neste domingo afirma que a equipe econômica considera o ajuste no câmbio saudável. “A estratégia da nova equipe econômica é de menor intervenção no câmbio – menos administrado –, quadro diferente da política adotada no primeiro mandato”. A matéria descarta o uso das reservas internacionais para conter os movimentos recentes, e afirma que “Uma intervenção mais efetiva para conter a disparada é vista como pouco efetiva, diante do quadro global de alta do dólar”.

Manifestações de 15 de março, e reação do Planalto

As manifestações são destaque nos jornais, aqui e no exterior. Não vamos nos estender no tema, ainda que tenha nos surpreendido o tamanho e a difusão ao redor do país. Para abril, outra manifestação já começa a ser organizada. Como reagiu o Planalto? Bem, José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral, deram coletiva na sequência. Segundo eles, nos próximos dias, projetos “anticorrupção” serão enviados ao Congresso. O mais provável é que o governo tente melhorar a relação com o Congresso, e o PMDB tende a continuar ganhando espaço. Como anda a aprovação do governo? Datafolha e Ibope fazem pesquisa nesta semana, e resultados devem sair nos próximos dias.

Sugestão de leitura I: Estelionato eleitoral

Em artigo interessante deste domingo, na Folha, o economista Samuel Pessoa compara aquilo que poderia ser chamado de estelionato eleitoral, no governo FHC, em 98/99, e no governo Dilma, 13/14. São importantes as diferenças de ambos os casos, mas o importante, neste momento, é que “O segundo mandato da presidente Dilma está e ficará até o seu final maculado pelo estelionato eleitoral. Estelionato profundo […]”. 

Sugestão de leitura II: Ajuste precisa acontecer

Em entrevista deste domingo no Estadão, o economista Alexandre Schwartsman critica Dilma, dado que ela estaria “confortavelmente escondida atrás do Joaquim”. E fez referência ao recente pronunciamento da presidente: “O problema é que ela não assume os erros. Fez um discurso pedindo paciência, jogando a culpa no resto do mundo. É obvio que a culpa não é do resto do mundo”. Sobre a meta de superávit para este ano, Schwartsman acredita que ao invés dos 1,2% do PIB prometidos, teremos algo em torno de 0,7%. Sobre o rebaixamento: “É uma certeza que vamos ser rebaixados. Mas não é uma certeza de que vamos perder o grau de investimento. É uma probabilidade considerável”. Aqui, ressaltamos: estas considerações finais são exatamente aquilo que temos ressaltado nos nossos relatórios e falas recentes. 

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Na última sexta-feira, a bolsa brasileira terminou em baixa de 0,58%, aos 48,595 mil pontos. Foi a 2ª semana seguida de perdas, com pressões negativas de bancos e Petrobras. Em suma, terminou a semana também pressionada pela queda das ações americanas. Por lá, Dow Jones e S&P 500 também fecharam em queda, diante da valorização do dólar que pode prejudicar as empresas. De volta ao cenário local: o dólar subiu 2,81% na sexta, terminando cotado em R$3,2496. Na agenda macro: as vendas no varejo avançaram em janeiro – resultado melhor do que o esperado pelo mercado.

Agenda macro da semana: aqui e no exterior

O dólar tende a continuar em alta nos próximos dias, e o cenário externo tende a contribuir para isso. Nos EUA, além da reunião do FOMC – que deve mostrar uma mudança da comunicação do BC americano, mais pró-elevação dos juros –, teremos a divulgação de números fortes no setor industrial em fevereiro e março. Por aqui, atenções estarão voltadas às negociações no Congresso. A agência de classificação de risco, Fitch, estará no Brasil e o possível rebaixamento do rating brasileiro voltará à tona. Na agenda macro, o IBC-Br de hoje mostrou que o ritmo de atividade segue bem fraco, mas isso não se traduz num alívio inflacionário, ainda. O BC não mostra intenções de intervir no câmbio, e acreditamos que ele se mostrará mais duro no combate à inflação, em comparação com aquilo que ainda é previsto no Boletim Focus.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa na sexta feira

Hoje começamos o dia de maneira bem negativa perdendo, no intraday, o suporte de 48.200, mas aos poucos o mercado foi se recuperando e acabamos fechando acima do suporte e formando uma longa sombra inferior, que indica entrada de pressão compradora. Se o nível de 48.200 for perdido teremos novo suporte, bem forte, em 46.900. Se voltarmos a subir a resistência fica em 51.900. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: semana de reunião de política monetária nos EUA. Outros bancos centrais ao redor do mundo concentrarão as atenções dos investidores, como os de Japão, Suíça, Noruega, Indonésia, Turquia, Chile e Colômbia, mas o destaque estará em solo americano. Na quarta-feira, Janet Yellen, presidente do Fed, dará coletiva de imprensa, e teremos a atualização das projeções dos membros da instituição. Espera-se que fique ainda mais clara a divergência de política monetária entre EUA e os demais BCs do mundo.

China: primeiro-ministro sinaliza que novos estímulos podem vir

Ontem, o primeiro-ministro Li Keqiang sinalizou que o governo pode adotar novos estímulos em breve, evitando uma desaceleração maior. Apesar de ter reduzido a meta de crescimento de “cerca de” 7,5% para “cerca de” 7,0% ao ano, disse que não será trivial atingir este número. Segundo ele, “Se a velocidade do nosso crescimento ficar próxima do patamar mais baixo, de modo a afetar o emprego e a renda, estamos preparados para acelerar regulações macroeconômicas para encorajar a confiança do mercado”. Na última sessão, o índice acionário, Shanghai Composite, fechou em alta de 2,27%, acumulando ganhos de 4,28% no ano.

Índia: um ponto brilhante num horizonte nublado

A diretora-gerente do Fundo Monetária Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que a economia da Índia é um ponto brilhante em um horizonte mundial nublado, e, até 2019, deverá dobrar de tamanho, superando a soma das economias de Brasil, Rússia e Indonésia. Segundo Lagarde, o FMI espera que a Índia cresça 7,2% no ano fiscal de 2014, que acaba neste mês, e acelere para alta de 7,5% no ano fiscal de 2015, que começa em abril, levando o país ao crescimento mais acentuado do mundo.

Rússia: à espera da contração

Segundo estimativas do Banco Central da Rússia, o PIB do país no primeiro trimestre deste ano encolheu 0,7% na comparação com igual período de 2014. Para o segundo trimestre a autoridade monetária prevê crescimento anual de até 0,6%, no entanto, poderá revisar para baixo a sua previsão à medida que mais indicadores oficiais forem publicados. Com relação a todo o ano de 2015, o BC estima queda de 4,0% da economia russa, enquanto o mercado espera uma contração de mais de 5% este ano.