Macroeconomia e mercado

Notícias

É hora de grupos estrangeiros investirem em usinas de açúcar?

Sim e não, afirma Samuel Levy, diretor da Suporte & Resistência.

As dívidas dolarizadas das usinas e de empresas do setor sucroenergético avançam com a desvalorização do real e as tornam objetos de compra de grupos estrangeiros?

Sim e não, segundo Samuel Levy, diretor geral da Suporte & Resistência, consultoria especializada no setor sucroenergético.

Conforme ele, de fato as empresas com dívidas em dólares ficam mais vulneráveis, com preços atrativos pela moeda americana.

“Certamente é uma temporada de pechinchas”, resume ele.

Levy, no entanto, diz não saber se os grupos estrangeiros estejam interessados em adquirir o controle de unidades de açúcar e de etanol no Brasil.

“A situação [econômica e política] do Brasil está muito complicada para atrair investimento estrangeiro não só para o setor sucroenergético, mas os demais setores”, diz.

“Os estrangeiros já se queimaram ao investir no setor”, emenda. “George Soros e Bill Clinton, entre outros, vieram para o Brasil aplicar no setor diante um entusiasmo grande promovido pelo então presidente Luiz lnácio Lula da Silva.”

“Mas depois o governo deu uma banana para o setor, ao congelar o preço da gasolina.”

Em sua opinião, atualmente o Brasil “não tem credibilidade para atrair investimentos externos.” (Jornal Cana 17/03/2015)

 

Dólar alto favorece venda de usina sucroenergética

Endividamento dolarizado cresceu 17,8% apenas nos últimos três meses.

A valorização do dólar diante o real encarece os custos de passivos das usinas e destilarias do setor sucroenergético, já que muitas têm dívidas na moeda americana.

Em 15 de dezembro, o dólar valia R$ 2,735, contra R$ 3,22 às 14h desta segunda-feira (16/03). É uma alta de 17,8% em apenas três meses.

De forma geral, os 17,8% também foram embutidos na dívida dolarizada da empresa.

Diante a situação, é possível que mais unidades sejam colocadas à venda no Brasil. Pelo menos 20 delas estão atualmente disponíveis para venda, embora outras aceitariam propostas de possíveis compradores.

“O câmbio valorizado aumenta o passivo das usinas em dólar, crescendo suas dívidas, e isso aumenta a disposição dos atuais acionistas em vendê-las”, diz o economista Fabiano Guimarães, delegado do Conselho Regional de Economistas (Corecon) da regional de Ribeirão Preto. (Jornal Cana 17/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Mais um dia de correções no mercado de moedas. No exterior, o euro volta a se fortalecer frente ao dólar. A moeda americana, às vésperas do término da reunião do Fed, registra o segundo dia de queda frente a seus principais pares. Os dados divulgados ontem nos EUA não contribuíram em nada para reverter este movimento. Em suma, apesar da correção recente, acreditamos que, em breve, o dólar retomará tendência de alta e a tão esperada mudança no comunicado do Fed, amanhã, será evento-chave para isso.

As bolsas recuam na Europa, depois de uma sessão mista na Ásia. Enquanto o DAX, da Alemanha, devolve parte dos ganhos de ontem; o Shanghai Composite, da China, volta a subir diante da possibilidade de novos estímulos por lá. Nos EUA, índices futuros apontam abertura fraca para hoje, às 8h, horário de Brasília, após terem terminado em alta no dia de ontem. Em suma, hoje tende a ser um dia menos favorável em bolsa, com investidores mais cautelosos e à espera da reunião do Fed.

Petróleo segue em baixa

A commodity segue recuando e o WTI já opera ao redor de US$43/barril, acumulando queda de 19% no ano. O quadro também é negativo para outras commodities. 

No Brasil

Dilma reconhece que pode ter cometido “erro de dosagem” e Fitch pode anunciar revisão do rating soberano nas próximas semanas. Em discurso de ontem, Dilma fala em “humildade”, mas sugere firmeza nas ações. Reconheceu que pode ter cometido “erro de dosagem” nos estímulos à economia. O governo tenta se articular melhor, e Levy e Barbosa seguem no radar. Enquanto isso, agência de classificação de risco, Fitch, cita manifestações recentes e queda das commodities há poucas semanas de emitir revisão da nota de crédito brasileira.

O quadro já não é tão favorável hoje como era ontem para os ativos brasileiros. Correções no mercado cambial e de juros devem ficar para trás. Em bolsa: Petrobras sai do índice de sustentabilidade do Dow Jones por corrupção, e jornais começam a abrir o plano de desinvestimentos da empresa.

Brasil

Após correções de ontem nos mercados de câmbio e juros, acreditamos que as pressões de alta podem voltar. O noticiário é intenso: Dilma concedeu entrevista ontem, falou em reforma ministerial e mostra a necessidade de maior diálogo no Congresso, mantendo a defesa aos ajustes fiscais. Em meio à tentativa de articulação política melhor, a Fitch fala que em breve pode anunciar revisão da nota brasileira. No curto prazo, ainda vemos pressões sobre os ativos brasileiros. No exterior, o quadro não é tão favorável como o de ontem: à espera do Fed, amanhã, bolsas operam com viés negativo e commodities seguem em queda.

Dilma, em reação às manifestações, fala em “humildade” e articula mudança ministerial

Em entrevista de ontem, a presidente defendeu o diálogo com o Congresso, falou por diversas vezes em ter “humildade”, necessária para poder dialogar com a sociedade e, ainda mais importante, defendeu os ajustes fiscais. Chegou a se perguntar: “Cometemos erros de dosagem? É possível que tenhamos cometido algum”. Mais: “Querem confissão de erro? Cometemos um erro no Fies”.

Em suma, foi positivo ver a defesa dos ajustes num contexto como o atual. E vemos que o governo tenta melhorar a governabilidade após as manifestações. Para recompor a maioria do governo no Congresso, Dilma conversa com Lula, e a presidente deve mexer nos ministérios. Mercadante, por exemplo, poderia ir para a Educação, cedendo lugar a Jaques Wagner.

Fitch pode anunciar revisão do rating brasileiro em poucas semanas

A agência de classificação de riscos, Fitch, se reunirá amanhã, dia 18, com o ministro Joaquim Levy. Segundo Tony Stringer, diretor-gerente de soberanos e supranacionais globais da agência, o “Brasil está sob pressão em termos globais, juntamente com a deterioração dos preços das commodities”. Somam-se a isso as recentes manifestações populares. Atualmente, segundo a Fitch, o Brasil tem nota BBB – dois níveis acima do grau de investimento.

Levy buscou apoio de empresários, ontem, em SP

Em encontro fechado com empresários na Fiesp, Levy teria defendido a urgência e a necessidade dos ajustes fiscais. Segundo Levy: “Como disse Roubini, quem não quer ajuste é suicida ou quer jogar a bomba para outro” – em referência à recente entrevista recente do economista Nouriel Roubini, da Universidade de NY, à Folha de S. Paulo.

IBC-Br de janeiro fica abaixo do esperado

O IBC-Br – índice de atividade do banco central que funciona como proxy para o crescimento do PIB – registrou queda de 0,1% em janeiro, na comparação com o mês de dezembro. Esperava-se, no entanto, avanço de 0,1%. Em relação a janeiro do ano anterior, registrou queda de 1,8%, contra expectativa de queda de 1,3%. Vale destacar: os principais indicadores coincidentes, produção industrial e vendas no varejo, haviam apresentado resultados positivos no mês de janeiro, com crescimento mensal de 2,0% e 0,6%, respectivamente. O setor de serviços mostra desaceleração. Para o mês de fevereiro, o cenário continua sendo desfavorável. Esperamos que o IBC-Br continue com a tendência negativa, corroborando a nossa previsão de queda do PIB no 1º trimestre de 2015, na comparação com o último de 2014.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Dólar termina em queda, com alívio do exterior, cotado a R$3,2448. Os juros futuros, na BM&F, também registraram um alívio, em linha com o comportamento da moeda. Também foi um dia de correções na bolsa: Ibovespa terminou em alta de 0,52%, mas depois de um início positivo, foi perdendo forças ao longo do dia. O índice terminou ao redor de 48,848 mil pontos, com volume negociado de R$7,725 bi, influenciados pelo vencimento de opções sobre ações, que totalizou R$2,113 bi. Em suma, atenções dos investidores já estão voltadas para a reunião de amanhã, nos EUA: o Fed se reúne para decidir sobre política monetária, e todos querem ouvir Janet Yellen, presidente da instituição. O dólar tende a retomar forças, diante da expectativa de mudança de comunicado do Fed.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos mais um dia de indecisão ainda respeitando o suporte em 48.200, se esse nível for perdido abriremos espaço para queda até 46.900. A tendência segue sendo de baixa, se voltarmos a subir teremos resistência em 51.900. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo todos de olho no Fed. Começa hoje a reunião do BC americano e, amanhã, teremos a coletiva de imprensa com Janet Yellen, presidente da instituição. Espera-se mudança na comunicação com o mercado, e o dólar, após duas sessões de correções, tende a retomar forças novamente. Lá fora, vemos alguma correção no mercado de juros também: enquanto os dos títulos europeus sobem, em geral; os dos títulos americanos cedem. Uma questão de tempo para que isso se reverta.

Alemanha: expectativas melhoram, mas persistem as preocupações com a Grécia

Os números de confiança divulgados hoje cedo mostraram uma melhora no mês de março. O índice que mede o sentimento dos investidores, segundo o instituto ZEW, passou de 53,0 em fevereiro para 54,0 em março – abaixo dos esperados 59,4 e, também, aquém dos ganhos mensais recentes. O índice que avalia a situação atual da economia também avançou: foi para 55,1, de 45,5, superando expectativas de 52,0 e atingindo o maior patamar dos últimos 8 meses. Seja como for, é claro que o euro mais depreciado tende a continuar estimulando a economia alemã (que deve crescer ao redor de 1,5% neste ano), mas continuamos vendo algumas preocupações com relação às negociações da dívida grega.

Grécia: Tsipras descarta retorno à “austeridade”, e ministro alemão fala em “destruição de confiança”

O noticiário não está muito positivo por lá. Enquanto o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, falou ontem que o país não aceitará retomar a agenda de medidas de austeridade, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, afirmou que o novo governo do país destruiu toda a confiança que havia sido reconstruída no passado. Não é por acaso que os juros dos títulos na Grécia seguem acumulando alta no acumulado do ano, enquanto nos demais países eles recuam. Claro que aqui tem, em grande parte, o efeito das compras de ativos do BC europeu, mas não é difícil pensar que a percepção de risco é maior na Grécia do que nos demais.

EUA: dados aquém do esperado ontem

Na agenda macro de ontem, os dados não vieram como o esperado. O índice Empire State – índice que avalia a indústria da região de NY –, passou para 6,90 em março, de 7,78 em fevereiro, contra expectativa de 8,00. A produção industrial de fevereiro, por outro lado, cresceu apenas 0,1% com relação a janeiro, após queda de 0,3% no mês anterior. Em suma: mais uma vez, investidores se decepcionam com os dados americanos, ainda que as perspectivas sejam ainda muito positivas para os próximos meses e isso não deva retardar o início do aperto monetário por lá.

Japão: BC mantém política monetária inalterada

Por 8 votos a 1, o BC japonês manteve inalterada a sua política monetária, sinalizando que segue confiante na tendência de melhora da inflação ao longo do ano e, à princípio, sem a necessidade de novas medidas de estímulo. Lembramos: o atual programa prevê volume anual de compra de ativos de 80 trilhões de ienes. O BC acredita atingir a meta de 2% ao ano no 1º semestre do próximo ano, ainda que em janeiro a inflação anual tenha sido de 0,2%, apenas.