Macroeconomia e mercado

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COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

O dólar tem 2º dia de queda consecutiva.

Após semana que teve como destaque a reunião de política monetária do Fed, investidores aguardam discursos de dirigentes da instituição que estão marcados para hoje. Entre eles, está Stanley Fischer, o vice-presidente do Fed. Os juros das Treasuries também recuam hoje. Em suma, ativos ainda se ajustam às projeções mais brandas sobre os juros nos próximos anos. Na agenda de hoje: índice de atividade do Fed de Chicago (9h30, horário de Brasília) e venda de moradias (às 11h).

A semana não começa de forma tão positiva para os mercados acionários no exterior. Na Europa, às 8h, os principais índices operavam em queda, com investidores de olho na reunião entre Tsipras, da Grécia, e Merkel, da Alemanha.

Os gregos já avisaram: será impossível honrar compromissos sem ajuda financeira de curto prazo. Sobre commodities: o petróleo opera em baixa, pressionado pelas declarações de produção recorde da Arábia Saudita.

No Brasil: Pela 12ª semana seguida, o mercado projeta mais IPCA e menos PIB para 2015. Agora, espera-se alta de 8,12% de alta da inflação, e queda de 0,83% do PIB. Não está completamente na conta um racionamento de energia, e enquanto consultorias privadas ainda alertam para uma probabilidade elevada, o governo tenta minimizar preocupações. Sobre a visão dos estrangeiros: a crise econômica e política pode piorar, diz o britânico Financial Times. Ainda assim, num dia de dólar mais fraco no exterior, o real pode seguir se aproveitando deste alívio de curto prazo. Os juros futuros devem seguir mesma direção, reduzindo altas recentes. Em bolsa: índice futuro sobe, indicando início mais favorável para os ativos brasileiros, ainda.  

Brasil

Na agenda macro, o Focus de hoje não trouxe novidades, com o mercado revisando para cima a inflação e para baixo o crescimento do PIB. No noticiário, a crise política segue intensa, com Datafolha de ontem mostrando que os brasileiros acreditam que Dilma sabia da corrupção na Petrobras. Apesar disso, o exterior pode contribuir para atenuar movimentos no mercado cambial e de juros hoje.

Boletim Focus: mais inflação e menos PIB em 2015

Pela 12ª semana seguida, as projeções de IPCA e PIB para este ano seguiram as mesmas direções: a primeira subiu de 7,93%, há uma semana, para 8,12%; enquanto a segunda caiu de -0,78% para -0,83%. O mercado ainda projeta uma Selic em 13% no final do ano, mas elevou o câmbio para R$3,15, de R$3,06. Para 2016, comportamentos semelhantes: IPCA projetado subiu de 5,60% para 5,61%; PIB caiu de 1,30% para 1,20%; Selic se manteve em 11,50% e câmbio para o final do período passou de R$3,11 para R$3,20.

IPCA-15 de março registrou alta de 1,24%

O índice, divulgado na última sexta, ficou em linha com a expectativa do mercado, pressionado pelos grupos “Alimentação e Bebidas”; “Transportes” (especialmente pela gasolina e diesel) e “Habitação” (especialmente pela energia elétrica). Com esse resultado, o indicador acumula alta de 3,50% no ano e de 7,9% em 12 meses. Para o IPCA fechado de março nossa expectativa é de alta de 1,40% (agora em linha com o esperado pelo mercado, segundo o Focus de hoje), refletindo a intensificação da alta de alimentos e energia elétrica. Se esse resultado for confirmado, no acumulado 12 meses, o indicador superaria os 8%, chegando a 8,21%.

Mais sobre a inflação: IPC-S da 3ª quadri desacelera

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou para 1,47% na 3ª quadrissemana de março, ante alta de 1,49% na segunda leitura do mês. Das oito classes de despesas analisadas, seis apresentaram decréscimo em suas taxas de variação: Transportes (de 2,05% para 1,42%), Alimentação (de 1,25% para 1,09%), Educação, Leitura e Recreação (de 0,94% para 0,68%), Vestuário (de -0,09% para -0,22%), Despesas Diversas (de 0,99% para 0,83%) e Comunicação (de 0,07% para -0,06%).

Apesar do governo, risco de racionamento de energia neste ano ainda existe, e é de 60%, diz especialista

Segundo simulação da consultoria Thymos, feita com dados do ONS, a chance de haver um corte de 5% na carga é de 24%. Matéria de ontem da Folha fala do tema. No entanto, o presidente da Thymos defende que os números da ONS são muito otimistas, e haveria, na verdade, 60% de chance de haver racionamento superior a 5%. E afirma: "Se o país estivesse crescendo, a situação seria ainda mais grave". O governo, por outro lado, tem tentado tranquilizar os brasileiros. Veja matéria do Valor, da última sexta. Em suma: o tema ainda está presente, apesar do março chuvoso que temos tido.

Datafolha: brasileiros acreditam que Dilma sabia da corrupção da Petrobras

A pesquisa Datafolha divulgada neste domingo aponta que 84% dos entrevistados acreditam que a presidente Dilma Rousseff sabia dos problemas de corrupção na Petrobras. O levantamento realizado logo após as manifestações populares, 16 e 17 de março, mostra que deste total, 61% consideram que a presidente sabia da corrupção e deixou que acontecesse, enquanto 23% acreditam que ela não poderia fazer nada para evitar. Ainda de acordo com o mesmo levantamento, 61% dos entrevistados defenderam que a Petrobras deve continuar sob controle estatal,  enquanto 24% são a favor da privatização.

Olhar dos estrangeiros I: Financial Times diz que o Brasil ainda vai piorar

Editorial de domingo do influente jornal britânico comentou a atual crise econômica e política do país. Segundo o texto, a situação ainda deve se agravar, para depois melhorar. Comenta-se que outros países também exportadores de commodities como Chile, Colômbia e Peru não sofrem tanto quanto o Brasil com a queda recente dos preços, salientando: "A maior parte da culpa é do próprio Brasil". [Veja na Folha o comentário, ou no FT, na íntegra]

Olhar dos estrangeiros II: NYT, ao destacar o papel externo do país, também criticou o Brasil

Em sua edição de domingo, o americano The New York Times também falou do Brasil. Segundo eles, "Enquanto as outras três grandes economias emergentes, China, Rússia e Índia, perseguem intensamente seus interesses na política externa, sob a batuta de Dilma, a voz do Brasil na arena internacional foi pouco mais que um sussurro". O jornal destaca que poderíamos melhorar os laços comerciais com os EUA. [Veja na Folha o comentário, ou no NYT, na íntegra]

BC emite nota, após ser alvo de críticas de Affonso Pastore

Foi mais um sinal de má articulação. A postura do BC foi considerada um erro, não só por tirar de contexto as gestões, mas por se dar ao trabalho de falar, ao invés de mostrar resultados. Na sexta, em palestra, Pastore criticou o BC por deixar a inflação, há anos, acima da meta. Falou em perda de credibilidade – uma verdade e um custo à população brasileira. O Estadão publicou matéria falando das discussões. Em seu blog, o economista Mansueto Almeida enumerou os erros da comparação do BC entre as gestões. Segundo Mansueto: “A cada dia que passa é certo que o governo está conseguindo de uma forma impressionante aumentar o custo do ajuste e, na minha visão, isso tudo vai piorar porque o governo não tem credibilidade”.

O BC estará no radar dos investidores nesta semana: amanhã Tombini fala no Senado; e na quinta, será divulgado o Relatório Trimestral de Inflação, documento que pode nos deixar ainda mais confortáveis com a visão de que a Selic chegará a 13,50% ao ano em 2015.

Ajustes fiscais: equipe econômica tenta evitar prorrogação de reajuste do salário mínimo

A equipe econômica quer impedir que a proposta que prorroga a regra de reajuste real do salário mínimo até 2019 seja aprovada na Câmara com extensão para os benefícios dos aposentados que ganham acima deste valor. De acordo com o Ministério da Previdência, um reajuste de 1% nos benefícios previdenciários acima do salário mínimo tem um impacto fiscal de cerca de R$ 2 bilhões por ano.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa terminou em alta de 1,99% na última sexta-feira, aos 51,966 mil pontos. A bolsa tem se recuperado nos últimos dias, acumula ganhos de 0,74% no mês e de 3,92% no ano. O dólar terminou em queda de 1,96%, cotado a R$3,2295, diante de novo recuo da moeda americana no exterior. Nesta semana, será importante monitorar a decisão do BC sobre a continuação, ou não, das suas intervenções no mercado cambial. Amanhã, em discurso no Senado, Tombini pode falar sobre o tema. Registre-se: o eventual fim do programa de oferta diária de contratos de swap cambial pode gerar volatilidade, e acentuar a depreciação da nossa moeda.

Quais serão os destaques da semana?

Além do futuro das intervenções do BC no mercado cambial, teremos a divulgação do PIB do 4º tri de 2014, na sexta-feira, dia 27. Espera-se queda de 0,1% na comparação trimestral, e queda de 0,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Teremos também outros dados relevantes sobre fevereiro: na quarta, o BC divulga números do setor externo; na quinta, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Empregos; e na sexta, além do PIB, teremos novos dados sobre as operações de crédito. Um último ponto: na quinta, também sairá o Relatório Trimestral da Inflação do BC – importante documento que pode mudar apostas sobre os rumos da Selic nos próximos meses.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa sexta-feira tivemos um dia de boa alta testando a resistência de 51.900, se ela for rompida vamos abrir espaço para mais altas, caso contrário teremos suporte apenas em 48.200. Mesmo sem romper a resistência esse foi o fechamento mais alto de 2015. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo: bolsas interrompem altas recentes, com investidores de olho na reunião entre Tsipras e Merkel. Tem sido um mês menos favorável para ativos de risco, após um fevereiro extremamente positivo. O dólar registra 2º dia seguido de baixa, após Fed mostrar menos pressa para subir juros na semana passada. Para hoje: atenção aos discursos de dirigentes do Fed, dado que isso pode mudar direção da moeda americana.

Grécia & Europa: Tsipras culpa BC europeu e alerta que, sem ajuda financeira, será impossível cumprir compromissos

Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia, em carta enviada à chanceler alemã, Angela Merkel, disse ser impossível cumprir com os pagamentos devidos de suas dívidas nas próximas semanas se não houver ajuda financeira de curto prazo ao país. Recado direto dado à União Europeia. Ambos os líderes se reúnem hoje em Berlim, tentando evitar o calote grego e a saída do país da zona do euro. Também hoje, às 11h, horário de Brasília, o presidente do BC europeu, Mario Draghi, se apresenta diante do Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários.

EUA: Evans, do Fed de Chicago, prefere atrasar elevação dos juros, ao invés de antecipar

Em estudo apresentado na última sexta-feira no Instituto Brookings, Charles Evans, presidente do Fed de Chicago, falou sobre os riscos relacionados à normalização da política monetária. Se atrasar o início do aperto, a economia pode aquecer mais e a inflação subir mais forte do que o inicialmente projetado pelo Fed. Se iniciar o aperto de forma prematura, os efeitos colaterais seriam piores: a economia pode crescer abaixo do esperado e o Fed ainda estará sem muito espaço para manobras. Evans prefere incorrer no primeiro erro, defendendo maior cautela no processo de normalização.

Para hoje: atenção à fala de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, às 13h; de J. Williams, do Fed de São Francisco, às 11h, e do dirigente do Fed de Nova York, William Dudley, ainda sem horário definido.

Argentina: Daniel Scioli lidera corrida presidencial & peso já reage à perspectiva de mudanças no governo

Segundo pesquisas recentes, Daniel Scioli, governador de Buenos Aires, lidera a corrida presidencial com 31% das intenções de voto. Vale registrar: peso e real registram comportamentos diferentes frente ao dólar. Lá, o dólar recuou 7% no ano. Aqui, o dólar subiu mais de 20%. Em suma, perspectivas de mudanças de governo devem ir mexendo com os mercados de lá, e isso pode nos afetar. 

China: presidente do BC fala em política monetária “prudente”

O presidente do Banco do Povo da China (PBoC), Zhou Xiaochuan, afirmou que como a economia chinesa tem alto nível de alavancagem, a autoridade monetária precisa manter uma politica monetária prudente. Para Zhou, as ultimas medidas anunciados pelo PBoC foram bem menos agressivas que aquelas adotadas pelo país ao longo da crise financeira. O presidente do banco central chinês ainda destacou que as autoridades vão continuar avançando com planos de abrir a conta de capital no país e que também vão considerar novas adaptações da regulamentação cambial.