Macroeconomia e mercado

Notícias

Abimaq pede a governo para manter juro do Moderfrota

“Queremos, se possível, que o próximo Plano Safra seja antecipado”, afirmou Carlos Pastorizza.

O presidente da Abimaq, Carlos Pastorizza, pediu há pouco, durante entrevista de lançamento da Agrishow, em Ribeirão Preto, que o governo federal não promova mudanças no programa Moderfrota, que financia a compra de máquinas agrícolas.

“Há incertezas de que irão subir os juros a menos de três meses de acabar o Plano Safra”, disse.

 “Queremos, se possível, que o próximo Plano Safra seja antecipado”.

“O agronegócio é sustentáculo da economia brasileira, porque se aprimora, investe, mas o que não pode haver são políticas que ampliem as taxas de juros”, disse Fábio Meirelles, presidente da Agrishow. (Jornal Cana 24/03/2015)

 

Cogeração: valor do PLD cai 52,75% em um ano

Até sexta-feira, valor máximo pelo indicador está em R$ 388. Há um ano, valia R$ 822.

O preço do megawatt-hora (MWh) vendido pelo indicador oficial caiu 52,75% nesta semana em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre o sábado (21) e a próxima sexta-feira (27), o teto definido pelo MWh vendido pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) está em R$ 388,48 em todas as regiões do País. Há um ano, o mesmo PLD valia R$ 822,23.

Com os R$ 822,23, muitas unidades da região Centro-Sul aproveitaram o fim da entressafra para ampliar a cogeração e vender eletricidade no mercado spot. Outras mantiveram a produção de energia em alta, mesmo durante o começo da safra, para seguir nessa comercialização.

Agora, no entanto, com o valor 52,75% inferior, o PLD supera o custo médio do MWh gerado por biomassa de cana-de-açúcar, que fica entre R$ 250 a até R$ 300, conforme a unidade.

Mas o ganho não justifica o investimento em cogerar excedente com biomassa comprada no mercado, como cavaco de eucalipto ou de laranja, que em regiões do Norte do estado de São Paulo custam em média R$ 150 a tonelada.

A oferta de bagaço é insuficiente para essa cogeração nesse pré-início de safra, ou devido às chuvas, que geraram mais de 50% de umidade, o que é considerado ineficiente no processo de cogeração. (Jornal Cana 24/03/2015)

 

Belize busca incrementos em produtividade para sobrevivência no setor

País registra produtividade média de 42,5 toneladas por hectare, uma das mais baixas do mundo.

Em constante queda produtiva, a cultura canavieira de Belize, na América Central, pode comprometer o desempenho da indústria nos próximos anos. Para evitar que isto aconteça, empresas e entidades ligadas ao setor devem estimular o desenvolvimento de manejos e variedades que possam incrementar a produtividade em mesma área.

Com um dos mais baixos índices de produtividade para a cana-de-açúcar no mundo, Belize registra produção média de 42,5 toneladas por hectare (t/ha). Muito diferente da atual situação brasileira, que busca a produção superior a 100 t/ha. (Jornal Cana 24/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Na China, indústria desacelera e desaponta. Na Europa, o ritmo de atividade surpreende positivamente. Números de atividade que foram divulgados hoje mostraram quadros divergentes. A China segue em viés de desaceleração, enquanto os países europeus vão, aos poucos, mostrando alguma melhora. Nesta terça-feira, as bolsas têm registrado desempenho majoritariamente positivo, apesar das divergências.

No país asiático, esperam-se novos estímulos do governo. Corte de juros e/ou diminuição do compulsório dos bancos tende a impulsionar as ações. Na Europa, a injeção de liquidez do banco central também continuará sustentando os mercados. Em especial, ao depreciar o euro, já vemos avanços importantes na Alemanha – importante exportador da região e destaque das divulgações de hoje.

Sobre moedas

O dólar passa por novo dia de queda, sem dados muito fortes da economia americana e uma percepção de que o Fed prefere errar “demorando” e não “antecipando” a normalização dos juros. Para hoje: investidores estarão atentos aos dados de inflação nos EUA que podem mostrar ligeira alta em fevereiro.

No Brasil: S&P mantém rating soberano, e elogia mudanças na economia. Ativos por aqui tendem a refletir a notícia da agência de risco, dada no final da tarde de ontem. O cenário externo também contribui para mais um dia de correções no mercado cambial e de juros. Levy, neste contexto, ganha força política.

Para hoje: atenções voltadas à fala de Tombini, às 10h, horário de Brasília, no Senado. Espera-se alguma sinalização sobre os rumos da Selic e, em especial, sobre o futuro das intervenções no mercado cambial. Na agenda: saiu a sondagem da indústria da FGV, mostrando piora da confiança no setor; e teremos dados do setor externo referentes a fevereiro.

Brasil

Após manutenção da nota soberana e comentários de S&P, devemos continuar vendo as correções recentes nos mercado de câmbio e juros. O cenário externo tem contribuído para isso, vale lembrar.

Uma coletânea de notícias negativas para a presidente: piorou a avaliação do governo, e a maioria quer o impeachment

Pesquisa MDA encomendada pela CNT e divulgada ontem mostrou uma “coletânea de notícias negativas para a presidente Dilma Rousseff”, segundo matéria de hoje do Valor. Alguns números: 59,7% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment da presidente; 64,8% avaliam o governo como “negativo”, 23,6% como “regular” e 10,8% como “positivo”. Curioso: dentro do PT, alguns se recusam a ver a realidade. Para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), a queda da popularidade da presidente se deve a uma “lavagem cerebral midiática”. 

S&P mantém selo de grau de investimento do Brasil

Ontem à tarde, a agência de classificação de riscos, Standard & Poor’s (S&P) divulgou a manutenção da nota de crédito brasileira. Em moeda estrangeira, o rating ficou em BBB-, com “perspectiva estável”, mas no limite entre aquilo que é considerado como um “bom pagador” e o chamado “grau especulativo”. A S&P, ao contrário de outras agências como Moody’s e Fitch, não tem “gordura” para queimar: um corte e perdemos o nosso “grau de investimento”. A S&P destacou os ajustes de Joaquim Levy, e a credibilidade do governo “gradualmente restaurada”.

E Levy deve ganhar ainda mais poder

Após manutenção da nota pela S&P, Levy pode ganhar ainda mais poder para aprovar suas medidas. Já é peça chave e central para os rumos do Brasil. Estamos de acordo com a nota da Folha que comenta sobre o tema. A Fazenda também deve estar pensando assim: “Alvo de críticas de setores da Esplanada e, sobretudo do PT, quanto ao efeito contracionista do ajuste, Joaquim Levy tem mais cacife para manter seu plano de voo inicial. Com isso, a expectativa da Fazenda é que precise fazer menos concessões”.

Na contramão, e apesar da S&P, Dilma pode revisar ajustes nos benefícios trabalhistas

Apesar da avaliação da S&P, destacando a importância aos ajustes fiscais, Dilma pode revisar os ajustes na concessão dos benefícios trabalhistas. Matéria do Estadão de hoje comenta que a presidente tenta, no pior momento de avaliação do seu governo (vide recentes pesquisas Datafolha e MDA/CNT), reconstruir laços com seu próprio partido. Segundo a nota, Dilma está disposta a revisar o teor das medidas provisórias 664 e 665. Este é um ponto importante do ajuste. Acreditamos, no entanto, que prevalecerá hoje sobre os mercados a boa avaliação da S&P, e a notícia em questão nos sugere, apenas, que negociações podem suavizar os reajustes nos benefícios trabalhistas.

Com relação à atividade, mais notícias ruins: confiança da indústria tem novo recuo

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pela FGV, ficou em 76,2 pontos na leitura preliminar de março, registrando recuo de 8,2% com relação a fevereiro. Caso a prévia se confirme, a confiança terá atingido o menor nível desde fevereiro de 2009 (75,4 pontos). No mês passado, o ICI caiu 3,4%. O resultado de março foi influenciado tanto pela piora das avaliações sobre o momento presente quanto pelas expectativas com relação aos meses seguintes.

Arrecadação deve ter melhora em fevereiro, diz Ibre

Segundo levantamento do Ibre, da FGV, a arrecadação federal de fevereiro teve um crescimento de 3,2% com relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 88 bilhões. Para os pesquisadores, este bom resultado já mostra os efeitos de medidas adotadas pelo governo para elevar as receitas e fortalecer o ajuste fiscal.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos um dia de indecisão, respeitando a resistência em 51.900, com isso esse nível se torna um pouco mais forte, seu rompimento abre espaço para um movimento mais amplo de alta, se voltarmos a cair teremos suporte apenas em 48.200, uma queda até esse nível pode ser rápida como aconteceu no começo de março.

Cenário externo: Bolsas em alta, com destaque para os dados de atividade na Europa tendo ficado acima do esperado. O tom segue sendo positivo por lá, e a depreciação da moeda vai trazendo forças à economia da Alemanha.

China: evidência de desaceleração neste 1º tri de 2015

Foi divulgado hoje cedo o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), da Markit/HSBC. O PMI preliminar referente ao mês de março foi para 49,2 pontos, de 50,7 em fevereiro.

Segundo a Bloomberg, o mercado esperava recuo mais leve, para 50,5. Lembramos: abaixo de 50 pontos, o índice sinaliza que se espera contração à frente. Neste contexto, esperamos novos estímulos do governo em breve, evitando uma desaceleração mais acentuada.

EUA: novamente, os dados ficaram aquém do esperado

Além do índice de atividade do Fed de Chicago ter ficado abaixo do esperado em fevereiro; as vendas de moradias usadas avançaram menos do que se previa (+1,2%, contra +1,7%), atingindo uma taxa anual 4,88 milhões de unidades. A falta de oferta tem sido o fator mais importante para a alta dos preços recente. Mais uma vez, os números por lá ficam abaixo das projeções, e isso, somado ao Fed mais “brando” que vimos na última semana, tem contribuído para manter o dólar em baixa nos últimos dias.

Zona do euro: confiança dos consumidores em alta

A confiança dos consumidores referente ao mês de março registrou melhora acima da esperada. O índice foi para -3,7, de -6,7, contra expectativa de -6,0, segundo a Bloomberg. Em conjunto com outros dados, economistas começam a ver de forma mais positiva o crescimento europeu.

Também vale destacar: Mario Draghi, presidente do BC europeu, fez discurso ontem pela manhã. Segundo ele, o crescimento está ganhando ritmo, e a inflação deve começar a subir no final do ano. Não nos surpreendeu o tom mais positivo. E também fez menções à Grécia: o BC europeu monitora de perto os riscos associados ao país, e salientou que os gregos devem colocar em prática um processo que restaure a política do diálogo. A saída da zona do euro ainda parece opção pouco provável.

Zona do euro: recuperação econômica segue viva

Saíram hoje cedo os índices gerentes de compras (PMI) preliminares de março. O PMI composto, incorporando tanto o setor de serviços quanto o industrial, passou de 53,5 em fevereiro para 54,1, acima dos esperados 53,6 pontos. Sobre a indústria: PMI foi para 51,9, de 51,0 e acima dos esperados 51,5. Sobre o setor de serviços: PMI foi para 54,3, de 53,7, acima dos esperados 53,9. Em suma: após terem avançado em janeiro e fevereiro, os PMIs apontam para um crescimento do PIB ao redor de 0,3-0,4% -- resultado que pode ficar pouco acima dos 0,3% registrados no 4º tri de 2014.

Grécia & Alemanha: encontro entre líderes termina sem avanço das negociações

O tom foi cordial entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Apenas isso. Não houve avanço das negociações e a Grécia ainda corre o risco de ficar sem recursos até o final de abril. Em suma: Merkel não concedeu ajuda financeira, é à zona do euro que cabe tal responsabilidade, e Tsipras tentou minimizar os estereótipos. Segundo ele, “Nem os gregos são preguiçosos, nem os alemães são culpados de tudo”.