Macroeconomia e mercado

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Equipamentos 2G devem ser nacionalizados, sugere Raízen

Nacionalização reduzirá custos na planta de produção de etanol 2G.

Os custos de equipamentos de uma planta de fabricação de etanol celulósico, ou de segunda geração (2G), representam um peso elevado no aporte desse tipo de produto porque são importados. Se forem nacionalizados, esses equipamentos certamente pesarão menos nesses investimentos.

A avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira, no último dia do F.O. Licht Sugar & Ethanol, na capital paulista, por Pedro Mizutani, vice-presidente da Raízen; e por Alan Hiltner, vice-presidente da GranBio.

Mizutani, cuja planta de 2G da Raízen produz etanol celulósico desde outubro de 2014 em Piracicaba (SP), citou o exemplo da Dedini, tradicional fabricante de equipamentos de 1G também de Piracicaba, que pode, mais para frente, investir na tecnologia celulósica.

Daí, emendou, os custos de investimento e manutenção da planta 2G ajudariam a reduzir os custos nessa tecnologia. (Jornal Cana 25/03/2015)

 

Fantasma do fechamento de mais usinas ronda início da safra de cana

Crise se estende desde 2008; dívida da cadeia produtiva do açúcar e álcool soma R$ 85,4 bi.

Em sete anos, 83 unidades de 384 foram desativadas no País; este ano 10 podem fechar as portas

As usinas de etanol e açúcar do Paraná iniciam nos primeiros dias do mês que vem a safra 2015/2016, que deverá ser a sétima consecutiva da crise que se estende desde 2008, com congelamento de investimentos e produção e que, a exemplo das dos últimos anos, deve terminar com o fechamento de mais usinas.

Nos últimos sete anos, 83 usinas de cana, de um total de 384, foram fechadas no Brasil, o que representa uma perda de capacidade de processamento de 75,4 milhões de toneladas de cana. No Paraná, que em 2008 existiam seis projetos de construção de novas usinas, todos foram congelados e, o que é pior, duas unidades da região de Maringá fecharam e há risco de fechamento de outras duas neste ano. No País, a previsão é de que pelo menos mais 10 unidades fechem até o término da safra.

De acordo com cálculo da Archer Consulting, especializada no segmento, a dívida da cadeia produtiva de açúcar e álcool, que era de R$ 48 bilhões, em 2012, chega neste início de safra a R$ 85,4 bilhões; crescimento de 77%, em menos de três anos.

Na análise do presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Rubens Miguel Tranin, a disparada do endividamento é consequência da perda de competitividade do etanol frente à gasolina nos últimos anos, provocada pelo controle dos preços, por meio de subsídio, dada à isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) do combustível fóssil.

A Cide voltou a ser cobrada, no mês passado, mas o estrago já estava feito e piorou muito com a valorização do dólar ante o real, porque parte das dívidas das empresas é em moeda estrangeira.

Segundo ele, ao segurar o reajuste da gasolina, o governo provocou um efeito cascata que atingiu em cheio quem apostou no etanol, porque o preço da gasolina é o balizador para a cotação do combustível extraído da cana, que só é competitivo se custar menos de 70% do valor da gasolina.

Renegociação

Em reunião com os representantes das usinas paranaenses, na sexta-feira passada, o presidente da Alcopar solicitou que cada empresa prepare um levantamento das dívidas para uma proposta a ser feita ao governo federal de renegociação do passivo das indústrias.

A idéia surgiu em uma reunião, em Goiânia (GO), de representantes do setor sucroenergético e dos governadores dos Estados produtores e foi apresentada pelo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

A busca de uma abertura do governo federal para renegociação se deve ao fato de boa parte das empresas do setor, justamente as que mais precisam, não atender os requisitos para buscar crédito oferecido pelo próprio governo por meio do Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (Pró-Renova), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante para a safra 2015/2016 será divulgado no lançamento do Plano Safra e a previsão é de que passe de R$ 6 bilhões.

Tranin diz que o setor entende que ocorreram importantes ações do governo para tentar ajudar ou pelo menos reduzir os problemas dos produtores de etanol, como a volta da Cide no preço da gasolina e o aumento de 25% para 27% a quantidade da mistura de álcool anidro na gasolina. "Estas medidas são importantes e foram pedidas pelos empresários do setor, mas os benefícios só serão sentidos no longo prazo", destaca. (O Diário 24/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Banco central anuncia fim das intervenções diárias no mercado cambial.

Em nota publicada ontem à noite, o BC deixou claro que não teremos mais a chamada “ração” diária a partir de abril. A medida tende a gerar pressões de alta sobre o dólar num primeiro momento. Contribuindo para esse movimento, volta à cena a crise política: Dilma sofre importante derrota no Congresso – fator que deve manter a percepção de risco em alta por aqui.

No exterior, um dia pouco favorável para ativos de risco

As bolsas na Ásia tiveram sessão mista, após queda dos mercados acionários americanos no dia de ontem. Na Europa, as bolsas, ao redor das 8h30, horário de Brasília, operavam em terreno negativo. Commodities em direções mistas. Nos EUA, sai o relatório de estoques de petróleo. O WTI opera em ligeira baixa, ao redor de US$47/barril, e tem se recuperado há uma semana. Sem quadro internacional muito positivo, e com preocupações internas, a bolsa brasileira tende a continuar fraca hoje.

No mercado de moedas, o euro ganha forças frente ao dólar

Diante de outro dado positivo por lá. A confiança das empresas alemãs subiu mais do que o esperado em março.

Moedas de emergentes sem direção muito clara frente à americana

Na agenda macro de hoje, atenção às encomendas de bens duráveis nos EUA.

Brasil

A derrota do Planalto no Congresso ontem deixa clara a necessidade de melhor articulação política do governo. A crise política também gera custos econômicos – fator que deve manter a percepção de risco em alta. Neste contexto, devemos ter a retomada das pressões de alta sobre dólar e juros futuros. Um último ponto: a arrecadação federal de fevereiro contou com receitas extraordinárias, e já reflete a desaceleração econômica do país.

Ração diária do BC termina no final deste mês

A tão esperada decisão chegou ontem à noite, após nota oficial no site do banco central. O BC finalizará as suas intervenções diárias no mercado cambial no final deste mês, dia 31 – operações que têm sido feitas desde agosto de 2013. Em suma, o BC não vai mais oferecer diariamente até US$100 milhões por meio de swaps cambiais. Também afirmou, em nota, que irá manter a rolagem dos contratos atuais, mas deixa a porta aberta para reduzir o ritmo, dependendo das condições de mercado. Estes já atingiram algo em torno de US$114 bi (aproximadamente 30% das reservas internacionais). Segundo ele: "Os 'swaps' cambiais vincendos a partir de 1º de maio de 2015 serão renovados integralmente, levando em consideração a demanda pelo instrumento e as condições de mercado".

No Congresso, Planalto sofre derrota esmagadora

Ontem à noite, por 389 votos e duas abstenções, a Câmara aprovou o Projeto de Lei Complementar 37/15 do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) que permite a renegociação do índice de correção das dívidas estaduais e municipais com a União, independentemente de regulamentação. A matéria ainda deve ser analisada pelo Senado. Apesar de Dilma ter falado ontem à tarde que o governo federal não tem condições de abrir mão de receitas, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB, mostraram a sua força política, e deixam evidente a necessidade de melhor articulação do Planalto.

Sobre a necessidade de melhor articulação política: “O nome da crise não é Aloizio Mercadante”

Artigo de ontem no Estadão, do cientista político Carlos Melo, analisa as críticas a Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil. Segundo ele: “Afastar o ministro da coordenação política ou devolvê-lo aos limites da Educação, não basta. Ele terá proeminência enquanto Dilma escutar apenas o que quer ouvir”.

Arrecadação melhora em fevereiro

Apesar do efeito sazonal, o resultado da arrecadação de fevereiro evidencia os efeitos negativos do cenário econômico mais enfraquecido, e ainda não reflete as medidas de ajuste fiscal. A arrecadação federal de fevereiro somou R$ 89,9 bilhões, ante R$ 81,0 bilhões no mesmo período de 2014, registrando uma alta real de 0,49%. No entanto, vale destacar que este resultado incluiu uma receita extraordinária de R$ 4,64 bilhões, decorrente da transferência de ativos entre Banco do Brasil e Cielo. Descontado este valor, a receita de fevereiro teria registrado queda real anual de 4,70%. No acumulado de 2015, a arrecadação já soma R$ 215,2 bilhões – queda real de 3,07% em relação ao mesmo período do ano passado.

Setor externo: déficit em transações correntes foi de US$6,9 bi

No último mês, o déficit foi de US$6,9 bi, acima dos US$6,4 bi esperados pelo BC, mas abaixo dos US$7,4 bi esperados pelos economistas. Em 12 meses, como proporção do PIB, o déficit em transações correntes passou para 4,22% (US$89,9 bi), de 4,17% até janeiro. Considerando o lado das fontes, a conta financeira continuou apresentando bom desempenho, com superávit de US$ 7,6 bilhões. Os investimentos estrangeiros somaram US$ 8,94 bilhões, sendo que os investimentos diretos (IED) totalizaram US$ 2,8 bilhões e os em carteira, US$ 2,18 bilhões. Em 12 meses, o IED como proporção do PIB é de 2,82%.

Revisões para os números do setor externo

O déficit em transações correntes deve ficar em US$80,5 bi em 2015, menor do que os US$83,5 bi projetados em dezembro pelo banco central. Como proporção do PIB, deve ficar em 4,23%, contra os 3,79% projetados. Em 2014, o déficit foi de US$ 91 bilhões (4,2% do PIB). Em suma, se foram concretizadas as projeções do BC, terá sido o pior resultado desde 1999, quando o déficit foi de 4,32% do PIB. Nossa expectativa é que o déficit em conta corrente atinja US$ 71 bilhões em 2015 (4,0% do PIB).

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar fechou em queda de 0,58%, cotado a R$3,126. Mas vale ressaltar: foi um dia de volatilidade, oscilando entre perdas e ganhos ao longo da sessão, diante de cautela com fala de Tombini, do BC. O Ibovespa, seguindo mercados internacionais, terminou em queda de 0,78%, aos 51,506 mil pontos, com volume negociado de R$5,343 bi. Puxaram para baixo o índice os papéis de Vale e siderúrgicas, após dados frustrantes da indústria chinesa. Na ponta contrária, ações do setor elétrico subiram, diante de menor probabilidade de racionamento de energia, segundo analistas.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos um dia de queda depois de novo teste da resistência de 52.000, porém a longa sombra inferior formada mostra entrada de força compradora. Se tivermos o rompimento da resistência em 52.000 abriremos espaço para mais altas, por outro lado se o mercado realmente pesar teremos suporte apenas em 48.200.

Cenário externo

Bolsas operam em baixa lá fora, enquanto as moedas operam sem direção muito clara frente ao dólar. Com relação aos temas: investidores seguem preocupados com os rumos da Grécia, ainda nada muito resolvido por lá –, mas se animam com dados melhores da Alemanha. Um região que segue bastante heterogênea.

Alemanha: confiança avança mais do que o esperado

Foram divulgados hoje pela manhã os índices de confiança medidos pelo Instituto IFO. O clima de negócios melhorou, passando de 106,8 em fevereiro para 107,9 em março, acima dos esperados 107,3. A avaliação das condições atuais foi de 111,3 para 112,0, em linha com o esperado. No entanto, as perspectivas para o futuro melhoraram: o índice que as mede passou de 102,5 para 103,9, também acima do esperado. Os números têm tido bastante influência no mercado acionário: hoje cedo, o DAX chegou a superar a marca de 12 mil pontos pela primeira vez.

EUA: inflação ligeiramente acima do esperado

Dados de inflação divulgados ontem ficaram ligeiramente acima da expectativa dos economistas, com destaque para a alta dos preços da energia, depois de sete meses consecutivos de queda. A inflação ao consumidor (o chamado “CPI”, na sigla em inglês) registrou alta de 0,2% M/M em fevereiro, após queda de 0,7% M/M no mês anterior. O avanço ficou em linha com as expectativas dos economistas, e marca a primeira alta desde outubro do ano passado. Na comparação anual, o CPI ficou estável, acima da expectativa dos analistas, que esperavam queda de 0,1%. Já o núcleo do indicador – medida que desconsidera preços de alimentação e energia –, registrou alta de 0,2% M/M em fevereiro, mesmo resultado registrado em janeiro, mas levemente acima da previsão do mercado, de alta de 0,1% M/M. No confronto anual, o núcleo do CPI subiu 1,7% em fevereiro, ante 1,6% em janeiro, em linha com as expectativas do mercado.

EUA: venda de moradias e índice que avalia setor industrial surpreenderam positivamente

A venda de moradias novas subiu expressivos 7,8% em fevereiro, na comparação com janeiro. Em termos anuais, atingiu as 539 mil unidades – maior nível desde fevereiro de 2008. O mercado, segundo a Bloomberg, esperava recuo de 3,5%. De fato, os números surpreenderam até aos mais otimistas. Estes últimos previam até 490 mil unidades. E vale acrescentar: o número de janeiro foi revisado para cima, de -0,2% para +4,4%. Também fale destacar: o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) também surpreendeu. Ao invés de recuar, o índice avançou. O número preliminar de março foi para 55,3 pontos, de 55,1 em fevereiro, e acima dos esperados 54,6.

Europa

O Banco Central Europeu (BCE) recomendou que as grandes instituições financeiras da Grécia não aumentem as suas exposições em títulos gregos, pressionando ainda mais o governo da Grécia para que ele chegue em um acordo com seus credores.