Macroeconomia e mercado

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Ganhos e perdas da cana e do milho, segundo o BNDES

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Cana perde em estocabilidade e ganha em outros pontos. Confira quais são.

Artur Yabe Milanez, do departamento de biocombustíveis do BNDES, é um dos autores de estudo da instituição que avalia ganhos e perdas da fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar e do milho.

Há pontos negativos para a cana em relação ao grão: a estocabilidade do milho supera em muito porque ele permite ser armazenado, ao contrário da cana.

O rendimento industrial do milho, conforme o estudo, também favorece o milho, com o qual é obtido rendimento médio de 400 litros por tonelada, ante médios 80 litros com a tonelada de cana. Mas no campo o rendimento por hectare favorece a cana, com 2,4 mil litros, ante 6,8 mil litros em favor do grão.

“O impacto na redução de CO2 da cana é alto, e é baixo no caso do milho”, lembra Milenza.

Mais: enquanto a cana rende 85 toneladas por hectare, o milho rende 6 toneladas por hectare. E os meses de processamento da cana é de médios oito meses, contra 12 para o milho. (Jornal Cana 25/03/2013)

 

As dificuldades do setor

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“Não Haverá Futuro Sem Resolver o Presente”

As empresas do setor estão parando. O desemprego aumenta. A recuperação judicial, na maioria dos casos, não viabiliza a retomada. A quebra já faz parte do cenário. A volta da CIDE e o aumento do etanol na gasolina contribuem mas não resolvem.

A bioenergia, etanol e bioeletricidade, não são mais protagonistas da matriz energética brasileira.

Em entrevista ao Estado de São Paulo, edição de 04 de janeiro, o ex-Ministro Roberto Rodrigues propõe uma nova edição do PROER, adaptado ao setor sucroenergético. É a afirmação enfática, por uma das melhores e competentes cabeças do setor do agronegócio brasileiro, que a situação é absolutamente grave.

Merece todo apoio a proposta do Ministro Roberto Rodrigues. Considerando as dificuldades econômicas que o país atravessa, onde o governo federal mal está dando conta de manter-se em pé, o setor pode e deve construir alternativas que contribuam para recolocar no bom caminho as empresas que compõem esta atividade, sem contar, portanto, com recursos em moeda do tesouro nacional.

O alto endividamento, as dificuldades contábeis, o preço atual do barril de petróleo, dificultam a financiabilidade dos projetos de exploração e ampliação do refino e sugerem repensar a matriz de combustíveis líquidos. Bem como, um possível novo modelo climático com impacto forte na reserva hidrológica de energia, convoca para uma importância maior da bioeletricidade. É uma janela de oportunidade.

Mas, sem uma grande reestruturação o setor sucroenergético terá uma dificuldade maior para superar a crise atual. A implementação de qualquer proposta somente não será mais complexa do que deixar o setor à deriva. Portanto, não desconheço as dificuldades.

As dificuldades: alto endividamento, baixo investimentos para manter a capacidade produtiva, aumento de custo da produção, preços dos produtos tangenciado os custos e, principalmente, falta de um programa do governo federal para o etanol e a bioeletricidade.

Os players envolvidos nessas dificuldades e que têm interesse na solução: (1) as empresas do setor sucroenergético que precisam superar as dificuldades para evitar a quebra; (2) as diversas instâncias de governo que não podem prescindir dos empregos gerados, dos tributos arrecadados, da contribuição com a matriz energética e com a pauta de exportação; (3) os bancos que carregam o endividamento do setor; (4) as multinacionais de fertilizantes e herbicidas que não querem perder um mercado expressivo (5) as tradings que ganham sobre a comercialização dos produtos; (6) os empregados do setor que precisam manter os postos de trabalho; (7) a indústria de bens de capital fornecedora do setor; (8) as empresas prestadoras de serviço que contribuem para o desenvolvimento do setor.

Os interesses são muitos. Como articular estes interesses em favor de uma proposta?

Dos países emergentes possivelmente o Brasil é o que tem ferramentas jurídicas e financeiras mais desenvolvidas que se bem articuladas, considerando os interesses envolvidos, podem contribuir para a retomada.

Três aspectos devem merecer um tratamento emergencial (1) o elevado endividamento; (2) o passivo tributário; (3) a falta de recursos para investimentos, que se resolvidos propiciará às empresas do setor terem fôlego para cuidar de outros aspectos importantes da reestruturação.

A maior parte do endividamento é com bancos. Algumas unidades têm conseguido negociar com os bancos. Neste aspecto a nossa proposta é que o endividamento venha a compor o capital de fundos de private equity. Nesta modalidade de solução os fundos participam da gestão da empresa, a partir de premissas de desempenho previamente acordadas.

O passivo tributário poderá compor um REFIS especialmente constituído para as empresas do setor, com prazo de carência de um ciclo da cana. No período de carência seriam pagos os juros incidentes sobre o programa de refinanciamento e os tributos correntes do ano em curso.

A falta de recursos para investimentos poderá ser suprida por um fundo especialmente constituído que vai ao mercado buscar dinheiro para alavancar os investimentos. Este fundo poderá ser constituído por agências de fomento, como o BNDES, o BID, que têm conexões com mercado financeiro internacional.

Atendidos estes aspectos emergenciais a reestruturação terá que caminhar para as questões da gestão, com o objetivo de melhorar o resultado e desenvolver mecanismos que levem as empresas para a Governança Corporativa. Comprometer-se com estes aspectos deve ser pré-condição para a reestruturação emergencial.

O primeiro desafio é compor um grupo de trabalho para aprofundar e detalhar estas propostas.

Contribuirá muito se o governo definir um planejamento para o etanol e a bioenergia. Contribuirá ainda mais se em qualquer movimento em favor da retomada do setor despontar um líder. Lider no sentido histórico.

É preciso superar este nó górdio que asfixia toda a cadeia. As condições agronômicas, a tecnologia industrial, a agregação de novos produtos estão disponíveis para um salto de produtividade. O mercado é demandante por etanol e energia elétrica.

A cadeia produtiva sucroenergética pode mais. O Brasil pode mais.

Não haverá futuro sem resolver o presente.

Escrito por José Rubiano. (Jornal Cana 25/03/2015)

 

Produtores mundiais pedem maior "popularização" do açúcar

A Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) pediu nesta terça-feira em São Paulo uma maior "popularização" do produto para enfrentar a queda do preço, os altos custos de produção e a guerra aberta de outros setores contra o derivado da cana-de-açúcar e outros vegetais.

"Uma popularidade maior do açúcar será uma coisa boa para as indústrias de todo o mundo. Ninguém pode negar isso", afirmou o presidente da ISO, José Orive, durante a abertura do Sugar & Ethanol Brazil 2015, evento que durante dois dias reunirá especialistas do setor açucareiro em São Paulo.

Desde 2011 o preço internacional do açúcar apresenta uma queda acentuada e este mês chegou a seu menor valor nos últimos seis anos, com um mercado em superávit e um cenário que exige uma "revisão" na cadeia do produto, ressaltou Orive.

No encontro promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Orive lembrou que no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar, o setor se aproxima da linha que divide o lucro das perdas.

Nos últimos meses, 60 fábricas interromperam sua produção e outras dez estão em alerta pela situação delicada que atravessa o setor.

Além dos fatores vinculados à situação econômica local e internacional, o açúcar é o "vilão" para outros grupos que levaram, por exemplo, a que o setor de bebidas busque outras alternativas para substituí-lo.

"Eles não encontraram nada como o açúcar e nem vão encontrar", assegurou Orive, para quem, além da defesa do produto, o importante é "incentivar seu consumo de uma forma saudável" e acompanhada de atividades físicas por parte de seus consumidores.

Orive indicou que, no caso da América Latina, as previsões assinalam que, em 2020, 60% da cana-de-açúcar processada no continente será utilizada para produzir etanol e o 40% restante estará destinado ao consumo alimentício.

No entanto, no caso específico do etanol no Brasil, maior exportador do álcool carburante extraído da cana-de-açúcar, o setor passa por uma crise que levou os produtores a pedir regras mais claras no preço da gasolina.

"A demanda pelo etanol vai crescer nos próximos anos impulsionada por uma demanda de combustíveis elevada, mas, para atender essa demanda, necessitamos de regras mais claras porque os investimentos são de longo prazo e alto valor", disse à Agência Efe durante o encontro o presidente da Coruripe, Jucelino Oliveira de Sousa.

No Brasil, a nova frota de automóveis sai de fábrica com a tecnologia "flex", que permite o uso de gasolina, álcool carburante ou a mistura de ambos em quantidades livres, e desde a semana passada é obrigatória a mistura de 27,5% do biocombustível à gasolina.

O presidente da Biosev - uma das maiores produtoras mundiais de etanol e açúcar -, Rui Chammas, instou o governo a definir sua estratégia de uma matriz energética para o país e assim o setor poder receber as demandas traçadas por uma política oficial.

Nesse sentido, o presidente da Câmara de Açúcar e Etanol da bolsa de São Paulo, Luis Gustavo Junqueira Figueiredo, lamentou que uma parte da classe política do país defenda que os preços internacionais não devem ser refletidos em produtos como a gasolina.

Em 2014, ano de eleições, o preço da gasolina no Brasil se manteve sem ajustes apesar das pressões do setor açucareiros que viu como a demanda de etanol se estagnou ao não poder concorrer contra o combustível fóssil. (EFE 26/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Petróleo sobe com ataques da Arábia Saudita ao Iêmen

O WTI (West Texas Intermediate) -- que há poucos dias era negociado ao redor de US$43-45/barril – já supera os US$49/barril. No cenário internacional, o dia não é favorável para ativos de risco. Na Ásia, com a exceção da bolsa chinesa, as demais recuaram. Na Europa, destaque para a queda de mais de 1,5% do DAX, da Alemanha, ao redor das 8h20, horário de Brasília.

Nos EUA, índices futuros sinalizam aberta fraca das bolsas, após quedas expressivas de ontem

Lembramos: Dow Jones e S&P 500 recuaram 1,6% e 1,5%, respectivamente. O ano tem sido volátil para as bolsas americanas. O dólar segue ligeiramente mais fraco. O euro tem nova sessão de valorização, e as moedas de emergentes operam sem direção única.

Na agenda macro americana

Pedidos de auxílio desemprego nos EUA, e discurso de D. Lockhart, presidente do Fed de Atlanta.

Aqui no Brasil, o mercado de juros deve reagir à divulgação do Relatório Trimestral de Inflação

Na agenda de hoje, o IBGE divulgou a taxa de desemprego de fevereiro: saiu de 5,3% e foi para 5,9%. Em suma, o mercado de trabalho, em desaceleração, pode dar algum alívio na inflação, mas nada muito significativo. Continuamos vendo forte persistência dos preços ao longo do ano. No mercado de câmbio, vemos novo dia de pressões de alta sobre o dólar. Na agenda micro: investidores atentos à Reunião do Conselho da Petrobras no radar dos investidores.

Brasil

O destaque de hoje é o Relatório Trimestral de Inflação do BC. Atenções voltadas a Luis Awazu, do BC, em fala às 11h que deve comentar o Relatório. Continuamos acreditando que o BC manterá o ritmo de ajuste na sua reunião de abril.

Levy negocia diretamente com parlamentares, e adia votação no Senado

O Senado adiou para a próxima terça-feira a votação sobre projeto de indexação da dívida dos Estados e municípios. Graças a Levy, claro. Em troca, o ministro se apresentará, também na próxima terça, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Mas atenção: segundo matéria do Valor, Renan Calheiros (PMDB) afirmou ontem pela manhã que nem o possível veto presidencial barrará projeto que revisa indexador das dívidas dos governos regionais. Joaquim Levy, também no dia de ontem, em café-da-manhã com senadores, apresentou números detalhando o impacto fiscal da mudança do indexador: R$2,986 bi em 2015 – montante significativo num momento como o atual.

Segundo FHC, “Dilma se tornou refém de Joaquim Levy”

Em entrevista de hoje na Folha, o ex-presidente FHC comenta a atual situação. Concordamos com ele: Levy, a cada dia que passa, tem ganhado mais poder político. Prova disso têm sido as negociações dele diretamente com os parlamentares. Segundo FHC, "Ela não pode demitir. É refém dele" – em referência à dependência de Dilma. A crise que começou na economia, agora é política. E compara: o pedido de impeachment em 1999 “era partidário, limitado ao PT. Eu nunca perdi o Congresso”.

“Governo só atinge meta com mais impostos”, diz Valor

Em coluna de hoje no Valor, Ribamar Oliveira destaca os resultados de arrecadação federal referentes a fevereiro que foram divulgados nesta semana. Com a exceção do IOF, os demais impostos tiveram queda. Mas um sinal de transparência: o fisco fez questão de explicitar a receita extraordinária referente à operação entre Banco do Brasil e Cielo (R$4,6 bi), e destacando que a arrecadação ainda está “aquém dos patamares desejados”. Atingir o superávit prometido para este ano, sem um aumento expressivo de receitas, nunca ocorreu no Brasil. Neste contexto, é provável que novos impostos venham pela frente.

Crédito modesto em fevereiro

Seguem os sinais de desaceleração do crédito. Segundo dados do BC, divulgados ontem, o estoque de crédito do sistema financeiro nacional atingiu R$3,02 trilhões em fevereiro – aumento de 11,0% com relação ao mesmo período do ano anterior, e mesmo avanço que havia sido registrado no último mês. Apesar da estabilidade, a participação dos bancos públicos no crédito total subiu e atingiu os 54,3%, contra os anteriores 54,1%. Como percentual do PIB, o crédito permaneceu estável, em 58,6%. Um último ponto vale ressaltar: a inadimplência PF, considerando o crédito total (livre e direcionado), passou de 3,7% para 3,8%, enquanto a de PJ se manteve em 2,0%. A desaceleração no mercado de trabalho (esperada e a caminho) tende a colocar um viés de alta nestes números.

Queda da confiança do consumidor em março

Em março, segundo dados da FGV, a confiança dos consumidores recuou 2,9% na comparação com fevereiro, atingindo os 82,9 pontos. Este foi o número mais baixo da série histórica, iniciada em setembro de 2005. Tanto a avaliação da situação atual (-5,6%) quanto a expectativa (-1,4%) se deteriorou. Para Aloisio Campelo, do Ibre, a confiança do consumidor é de difícil solução no curto prazo, e pode começar a melhorar apenas no final deste ano. E destaca a elevação da inflação: “Houve um grande número de reajustes em preços administrados, no começo do ano, e isso ficou na mente do consumidor”.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Após três sessões seguidas de queda, e valorização do real em torno de 5%, a moeda brasileira volta a se depreciar. O dólar sobe 2,49% e alcança R$3,20, após o BC anunciar o fim do programa de oferta diária de swap cambial, que expira no dia 31 de março. O Ibovespa, contrariando as principais bolsas internacionais, fechou o pregão com alta de 0,68%, atingindo os 51.858 pontos, com volume negociado de R$7,431 bilhões. O índice foi impulsionado pelas ações da Petrobras, siderúrgicas e exportadoras, principalmente.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quarta-feira tivemos mais um teste da forte resistência em 52.000 e mais uma vez o mercado não conseguiu romper esse nível, se isso acontecer nos próximos dias abriremos espaço para mais altas, por outro lado se o mercado pesar teremos suporte apenas em 48.200.

Cenário externo

Bolsas recuam e petróleo sobe com tensões geopolíticas. As tensões no Iêmen envolvendo radicais estão impondo cautela nos mercados. O dólar ainda segue mais fraco hoje, mas moedas de emergentes não têm direção muito clara. Em suma, mais um dia menos favorável para ativos de risco como um todo.

EUA: encomendas de bens duráveis têm forte queda

Os números divulgados ontem surpreenderam de forma negativa. Em fevereiro, as encomendas de bens duráveis registraram queda de 1,4% na comparação com janeiro, contra expectativa de avanço de 0,2%. O número de janeiro foi revisado para baixo, de 2,8% para 2,0%. Excluindo transportes, componente volátil, a queda das encomendas foi de 0,4%, e o número de janeiro foi revisado de +0,3% para -0,7%. Em suma, mais números que desapontaram e que corroboram um ritmo mais modesto de atividade neste início de ano.