Macroeconomia e mercado

Notícias

Com aumento da produção e fartura sem precedentes, mundo é inundado pelo açúcar

O mundo nunca esteve tão inundado de açúcar.

Enquanto a safra da cana cresce na Índia e na Tailândia, os agricultores do Brasil, maior produtor do mundo, estão acelerando as exportações para tirar vantagem da queda na taxa de câmbio, que inchou suas margens de lucro. E a colheita no país, que havia sido prejudicada pela seca do ano passado, se recuperou com a chegada da chuva. A produção global deverá exceder a demanda pelo quinto ano seguido, provocando o acúmulo dos maiores estoques da história, disse a Organização Internacional do Açúcar.

Todo esse açúcar indica que os preços internacionais, que acumulam uma baixa de 50 por cento nos últimos três anos, poderão cair ainda mais, reduzindo os custos para compradores como a Krispy Kreme Donuts Inc. e a Mondelez International Inc., fabricante dos chocolates Cadbury e da bolacha Oreo. Os contratos futuros do açúcar em Nova York provavelmente terão um declínio de 5,4 por cento até julho, para 12,02 centavos a libra-peso, nível mais baixo desde janeiro de 2009, segundo uma pesquisa da Bloomberg com nove analistas.

"Os dados econômicos são absolutamente baixistas", disse Donald Selkin, que ajuda a gerenciar cerca de US$ 3 bilhões em ativos como estrategista-chefe de mercado da National Securities Corp. em Nova York. "As ofertas são muito extensivas. A boa temporada de cultivo e a desvalorização do real também estão tornando as exportações do país mais atrativas".

O açúcar bruto para entrega em maio despencou 12 por cento no ano até a última segunda-feira, para 12,71 centavos, na ICE Futures U.S., em Nova York. É um dos maiores declínios observados entre as 22 matérias-primas monitoradas pelo Bloomberg Commodity Index, que caiu 7,2 por cento. O MSCI All-Country World Index de ações subiu 1,2 por cento, enquanto o Bloomberg Dollar Spot Index teve um incremento de 7,4 por cento.

Colheita da Índia

A produção global no ano que terminará em 30 de setembro excederá a demanda em 620.000 toneladas, deixando estoques recordes de 79,89 milhões de toneladas, ou quase o suficiente para abastecer os sete países que mais consomem a matéria-prima, segundo dados da organização açucareira com sede em Londres. A Índia, segunda maior produtora do mundo, terá a maior colheita em três anos, de 26 milhões de toneladas, segundo uma pesquisa da Bloomberg. Uma associação tailandesa do setor estimou que a produção de cana subiu 6,1 por cento nesta safra.

No Brasil, que fornece um quinto do açúcar do mundo, o incentivo para uma venda maior no exterior aumentou nos últimos meses, pois os déficits orçamentários e a economia estagnada fizeram com que o real atingisse o nível mais baixo em quase 11 anos em relação ao dólar. Na semana que terminou em 11 de março, as cargas domésticas à espera de serem embarcadas deram um salto de 33 por cento em relação à semana anterior, segundo a Williams Serviços Marítimos Ltda., com sede em Recife, Brasil.

"Com o real em queda, é difícil aplicar um piso aos preços", disse Claudiu Covrig, analista agrícola sênior da empresa de pesquisas sobre o açúcar Kingsman SA, em Lausanne, Suíça. (Bloomberg 27/03/2015)

Álcool na gasolina

O governo do Brasil, onde metade da safra de cana é usada para produção de etanol para os carros, ordenou o aumento da mistura do álcool na gasolina, deixando menos cana para a fabricação de açúcar. Os veículos precisam usar gasolina com 27 por cento de etanol, em vez dos 25 por cento de antes, disse o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, no dia 4 de março.

O Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país, poderá esmagar até 585 milhões de toneladas de cana no ano que começa no dia 1º de abril, 2,6 por cento a mais que no ano anterior, disse a consultoria do setor JOB Economia e Planejamento. A Agroconsult, que tem sede em Florianópolis, Brasil, projeta um esmagamento ainda maior da cana.

 

2G está nos planos de outro grupo sucroenergético

Depois da Raízen, outro grupo produtor de etanol de primeira geração planeja entrar na fabricação de etanol celulósico, ou 2G.

Não há data definida para o empreendimento, nem o projeto foi confirmado para imprensa, mas para os participantes do terceiro e último dia do evento F.O. Licht Sugar & Ethanol, na última quarta-feira (25) na capital paulista.

O grupo é o espanhol Abengoa, cujos executivos confirmaram interesse pelo 2G durante palestra de executivo de grande grupo ao serem mencionados a respeito.

A Abengoa opera três unidades produtoras de etanol no interior paulista.

A Raízen produz etanol celulósico em Piracicaba (SP). Já a GranBio, nascida no formato 2G, produz etanol em São Miguel dos Campos (AL). (Jornal Cana 27/03/2015)

 

Usina deve ter programa de reestruturação financeira?

Confira as opiniões de participantes do Ceo Meeting, realizado pela Pro Cana.

O governo federal deveria agir em favor do setor sucroenergético e criar, por exemplo, programas imediatos de refinanciamento ou de extensão para o pagamento das dívidas financeiras?

Esta foi uma das perguntas de questionário distribuído para os participantes do 1º Ceo Meeting do setor sucroenergético, realizado pela Pro Cana Brasil nesta quarta-feira (25), na capital paulista.

O evento foi uma ‘reunião de trabalho’ fechada com executivos de grandes e tradicionais players do setor. As respostas foram divididas.

A maioria dos participantes é favorável à criação de programas de apoio à reestruturação financeira das empresas do setor sucroenergético, sejam elas usinas ou fornecedores de bens e serviços.

O endividamento junto a bancos tem penalizado boa parte dessas companhias e uma estratégia seria buscar meios de refinanciar essas dívidas, em ações que poderiam ser semelhantes às do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), lançado pelo governo nos anos 90 e que estimulou a reestruturação de bancos.

Parte dos executivos do Ceo Meeting é contrária à proposta. “O setor precisa de outras medidas que se transformem em lucratividade”, diz um deles. “Não adianta refinanciar a dívida e continuar perdendo dinheiro e aumentar o endividamento.”

Os nomes dos participantes do questionário foram preservados pela organização do Ceo Meeting. (Jornal Cana 27/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Dólar avança frente à maioria das moedas

É dia de PIB nos EUA: no 4º trimestre de 2014, analistas esperam que tenha crescido 2,4% -- acima da leitura anterior, de 2,2%. O consumo deve ter avançado expressivos 4,4%. Com isso, claro, volta à cena a pergunta sobre o timing do início da elevação dos juros por lá. À tarde, Yellen, do Fed, fala em São Francisco.

Ainda na agenda americana, investidores aguardam o índice de confiança da Universidade de Michigan que deve ter registrado alta em março. Em suma, os números de hoje devem manter o dólar forte no exterior. Com relação às commodities: petróleo recua, devolvendo alta de ontem. Sobre mercados acionários: na Europa, os índices operavam, às 8h10, horário de Brasília, sem direção muito clara, depois de um início de pregão mais positivo. Nos EUA, índices futuros sinalizam abertura fraca por lá.

No Brasil também é dia de PIB

Segundo o IBGE, houve crescimento de 0,3% T/T no 4º tri de 2014, melhor do que o consenso dos economistas, que esperavam uma queda de 0,1%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB recuou 0,2%, abaixo da queda de 0,7% esperada. Com isso, em 2014, o PIB avançou 0,1%, após alta de 2,7% em 2013.

O noticiário de hoje está concentrado na Operação “Lava-Jato"

Desdobramentos que devem afetar, de forma significativa, os investimentos ao longo do ano. No Relatório Trimestral de Inflação do BC, divulgado ontem, projeta-se queda de 6,0% dos investimentos em 2015.

Diante do noticiário ainda negativo, e cenário externo com dólar em alta, acreditamos que o real tende a se depreciar no dia de hoje. Por conta do risco em alta, os juros futuros devem continuar pressionados. A bolsa, seguindo também o exterior e indefinições na Petrobras, tende a ser pressionada para baixo.

Brasil

Dia de PIB. O número veio acima do esperado pelo mercado. Lembramos que os investimentos serão afetados de forma significativa pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato. O noticiário de hoje é concentrado no tema. Neste contexto, apesar de acreditamos que a Selic pode ir a 13,50% ao ano, vemos espaço para recuos da parte curta da curva de juros ainda. A parte longa, em linha com a depreciação do real, tende a ser pressionada para cima. Vale lembrar: o cenário externo contribui para a depreciação do real no dia de hoje.

Relatório Trimestral de Inflação (RTI): inflação deste ano ficará acima da meta, mas deve ter forte declínio em 2016

O BC revisou significativamente para cima a inflação esperada no final deste ano nos dois cenários, referência e mercado, reflexo da alta dos administrados e do fortalecimento do câmbio. Espera-se, em ambos, uma inflação de 7,9%, reconhecendo que os preços ficarão acima do teto da meta, de 6,5%. Já com relação a 2016, enquanto o cenário de referência aponta para uma inflação de 4,9%, 0,1p.p. abaixo do RTI de dezembro, no cenário de mercado, a previsão é de inflação de 5,1%, 0,1p.p. acima do divulgado no documento anterior. Vale destacar também que o BC divulgou sua previsão para o PIB deste ano: queda de 0,5%. Como o BC ainda não está vendo a inflação próxima do centro da meta (4,5%), acreditamos que o ritmo de alta de 0,50 pontos percentuais deve continuar na próxima reunião de política monetária, em abril.

Recessão já no radar do BC e, ao contrário do que pensa o governo, deve ser mais duradoura

Como falamos acima, o BC projeta queda de 0,5% no PIB deste ano. Não é novidade projetar que o PIB do país deve contrair neste ano (no Boletim Focus, a mediana dos economistas prevê queda de 0,83%), mas o fato é que o BC, em seu Relatório divulgado ontem, o fez pela primeira vez. Na coluna semanal de Claudia Safatle, do Valor, o tema é abordado. Segundo ela: “Ao contrário de 2003 e 2009, desta vez ela (em referência à recessão) tende a ser mais profunda e mais longa. Não é o que imagina a área econômica do governo, que conta com o início de uma recuperação do nível da atividade ainda no meio do segundo semestre deste ano”.

Noticiário em torno da Operação “Lava-Jato”: impacto sobre investimentos

O noticiário de hoje gira em torno de desdobramentos da Operação “Lava-Jato”. Na Folha, comenta-se o pedido de recuperação judicial que 6, das 9 companhias da OAS (incluindo aholding), devem fazer no início da próxima semana. Lembramos: a Galvão Engenharia pediu nesta semana a sua recuperação judicial.

O impacto sobre os investimentos do país não é novidade. Mas destacamos: o BC, no seu Relatório divulgado ontem, prevê queda de 6,0% destes em 2015. Como já falamos acima, o PIB deve contrair 0,5% no ano (estimativa ainda otimista, em nossa opinião). Segundo o BC: “Cabe mencionar que o desempenho dos investimentos no curto prazo está influenciado, em parte, por eventos não econômicos associados ao risco hídrico, ao ambiente político e aos desdobramentos da operação ‘Lava-Jato’”.

Sobre a fala de Awazu: mais “dura” do que o RTI, destacando que o BC seguirá “vigilante”

A fala de ontem de Luis Pereira Awazu, diretor do banco central, depois da divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), teve um tom menos “brando” do que o do documento, corroborando a expectativa de manutenção do ritmo de alta da taxa de juros na próxima reunião. Ao contrário do RTI, a apresentação de Awazu voltou a destacar que a política monetária está – e continuará – vigilante para assegurar a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% ao longo de 2016. Ainda, Awazu afirmou que o BC não está satisfeito com um IPCA em 4,9% em 2016, e que perseguirá, sim, os 4,5%.

Em suma, o BC ainda acredita que é preciso fazer mais para ter a tal convergência: “o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo, ainda não se mostram suficientes”.

Pesquisa Mensal de Empregos: nova alta no desemprego

Os dados do IBGE referentes a fevereiro reforçaram o cenário de arrefecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego de fevereiro ficou em 5,9%, ante 5,3% em janeiro, e acima da expectativa dos analistas, que era de 5,7%. Considerando a série livre de influencias sazonais, o desemprego passou de 5,4% para 5,6%. Este resultado reflete a queda da População Ocupada (-0,4% M/M), superior à queda da População Economicamente Ativa (-0,2% M/M), com destaque negativo para a redução dos postos de trabalho na indústria e na construção civil. Além disso, o rendimento médio real habitual teve queda de 0,5% em relação a fevereiro do último ano, contra crescimento 1,7% em janeiro, no mesmo tipo de comparação. Vale dizer: é a primeira vez, desde outubro de 2011, que a renda real tem recuo, e é a queda mais intensa desde maio de 2005, quando foi de -0,7%.

TJLP sobe de 5,5% para 6,0% ao ano

O Conselho Monetário Nacional (CMN) em decisão de ontem, de certa forma bastante antecipada, elevou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) – taxa que remunera os financiamentos dados pelo BNDES – para 6,0%, de 5,5%. A taxa é fixada trimestralmente e adotada em 90% dos empréstimos do BNDES, e consiste na estratégia de Joaquim Levy de diminuir a diferença com a Selic, hoje em 12,75% ao ano. Valerá no segundo trimestre deste ano. E vale lembrar: neste ano, já subiu 1 ponto percentual. Era de 5,0% desde janeiro de 2013.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar encerrou o dia de ontem em queda de 0,44% em relação ao real, cotado a R$3,1898, diante da perspectiva de que o BC deve seguir com o ciclo de aperto monetário, descolando do movimento no exterior. Na BM&F, os juros futuros foram pressionados para cima, após um início de quedas. A fala de Awazu, do BC, contribuiu para essa reversão do movimento. O Ibovespa fechou em baixa de 2,47%, aos 50.579 pontos, com volume de 6,488 bilhões, além da Petrobras, outras ações de peso tiveram expressivas baixas, como foi o caso do Itaú PN, Bradesco, Vale e Ambev.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um dia de forte queda depois de vários dias testando a resistência de 52.000, agora temos suporte só em 48.200. Se voltarmos assubir e rompermos a resistência em 52.000 a situação ficará bem positiva. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo

Bolsas em direções mistas na Europa. Nos EUA, o início da sessão será fraco. À espera de dados fortes sobre a economia americana, o dólar tem 2º dia de valorização e os juros das Treasuries sobem.

EUA: desta vez, dados acima do esperado foram divulgados

Os números divulgados ontem contribuíram para a alta do dólar no exterior. Os pedidos de seguro desemprego da última semana vieram abaixo do esperado nos EUA (282 mil, contra esperados 290 mil e anteriores 291 mil); e o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) referente ao setor de serviços, em março, subiu mais do que o projetado. O PMI de serviços foi para 58,6 pontos, de 57,1 em janeiro. Com isso, o PMI composto, incorporando também dados do setor industrial subiu de 57,2 para 58,5.

Japão: inflação sobe, mas fica pouco abaixo do esperado

O núcleo da inflação, componente que desconsidera grupos mais voláteis – avançou 2,0% em fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo da previsão de economistas consultados pela Dow Jones Newswires, que esperavam alta de 2,1%, e representa leve desaceleração frente à alta de 2,2% registrada em janeiro, na mesma base de comparação.