Macroeconomia e mercado

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Petróleo em baixa prejudica ou ajuda o etanol?

As cotações em baixa do barril do petróleo não prejudicam o etanol, mesmo com a queda dos preços para importar gasolina. A avaliação é da maioria dos participantes do CEO Meeting, evento do Pro Cana realizado na semana passada na capital paulista.

Em questionário, os participantes foram unânimes em afirmar que o dólar forte, contra a baixa do barril do petróleo, não favorecem a gasolina. “O petróleo continuará baixo, mas o dólar [em alta] manterá a gasolina cara no Brasil”, respondeu executivo de grupo sucroenergético que participou da enquete.

Para outro, os produtos com base no petróleo têm alto custo, terão produção menor diante a alta do dólar, e isso fará os preços no varejo subirem no médio prazo, aponta outro executivo. Os nomes dos participantes são mantidos em sigilo, conforme acordado com a organização do CEO Meeting.

Dos participantes, apenas dois acreditam que o petróleo seguirá com valor em queda, favorecendo a importação da gasolina e, assim, desfavorecendo o etanol. (Jornal Cana 30/03/2015)

 

Fiji busca a padronização do pagamento da cana

País pretende criar fundo para auxiliar no pagamento de fornecedores; Medida provém de conjunto de ações para garantir fortalecimento do setor sucroenergético.

O governo do Fiji articula a criação de um fundo para padronização dos preços pagos aos fornecedores de cana da ilha.

Para as autoridades locais, o trabalho não é para impor arbitrariamente um preço de entrega da cana, mas sim garantir preços justos a estes fazendeiros, para que consigam se manter na atividade e entregar a matéria-prima para indústria.

O governo da ilha trabalha para diversificação da produção sucroenergética, com implantação de equipamentos que viabilizem a cogeração e a produção de etanol. Medidas que podem fortalecer o setor sucroenergético em Fiji. (Jornal Cana 30/03/2015)

 

Chuvas devem adiar início da safra da cana na região de Ribeirão Preto

Plantadores de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto (SP) preveem adiar o início da colheita 2015/2016, com a expectativa de que a chuva dos últimos meses se estenda e recupere parte dos canaviais prejudicados pela seca do ano passado. De acordo com a Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo (Canoeste), aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de cana devem ser colhidos pelos 2,1 mil associados – aumento de 9% em relação a 2014.

“A safra deve ser firmar em meados de abril para frente”, afirma Manoel Ortolan, presidente da Canoeste, destacando que o baixo volume de chuvas no ano passado prejudicou o desenvolvimento da planta e provocou o aparecimento de pragas. “A cana que foi cortada no começo de 2014 e que poderia chegar a setembro e outubro com desenvolvimento normal, acabou não desenvolvendo”, diz.

Ortolan explica ainda que a crise no setor prejudicou o investimento nas lavouras nos últimos cinco anos, ocasionando menor renovação dos canaviais. Em uma plantação com cinco anos de corte, por exemplo, já é possível perceber os reflexos da seca e do baixo investimento: plantas mais velhas e falhas nas soqueiras, que são as raízes que sobram dentro e fora da terra, após a colheita.

“A cana vai ser mais curta do que deveria ser, ou seja, menos aproveitável. Mesmo que o ano seja melhor de chuva, a expectativa, em função da forma como o canavial está, é de que tenhamos uma safra de números parecidos com o último ano. Estamos esperando, no geral, uma safra não muito maior”, afirma.

A opinião é compartilhada pelo diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues. Ele afirma que a chuva foi positiva para as lavouras, mas o baixo desenvolvimento da planta deve diminuir o percentual de área de colheita – aquela em que a cana está cultivada há pelo menos 18 meses e também a que não foi processada na safra anterior, onde está a chamada "cana bisada."

“A produtividade esse ano vai ser melhor, mas estamos falando de produtividade por estágio de colheita. Isso não significa dizer que a produtividade vai crescer. O envelhecimento do canavial vai fazer com que esse aumento seja neutralizado e, no final, a média da safra será a mesma”, afirma Rodrigues.

Safra antecipada

Mesmo prevendo queda de 5% na produção em relação ao ano passado, a Usina Batatais, na região de Ribeirão Preto, já iniciou a moagem da safra 2015/2016. A antecipação faz parte de uma estratégia da empresa, que espera processar 3,9 milhões de toneladas de cana esse ano. “A gente deixa um pouco de estoque de um ano para o outro, porque é muito difícil em março, encontrar cana, sem ser bisada, madura”, afirma o diretor da usina, Bernardo Biagi.

O caso de Biagi, no entanto, é exceção. Dados da Única apontam que, além das seis usinas que não interromperam o processamento de cana na entressafra, 14 unidades produtoras da região Centro-Sul anteciparam o início da safra. Juntas, elas produziram até o final da primeira quinzena de março, 23,19 mil toneladas de açúcar e 57,57 milhões de litros de etanol, o que representa apenas 0,07% e 0,02% do total esperado, respectivamente.

“Sempre tem um ou outro que ficou com mais cana, e então começa a safra mais cedo. Mas, o normal, em vez de antecipar, é postergar. E mesmo que o ano seja melhor de chuva, a expectativa, em função de como o canavial está, é de que tenhamos uma safra de números parecidos”, afirmou o presidente da Canoeste, Manoel Ortolan. (G1 30/03/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No Brasil e tema político segue em alta e o destaque macro da semana é o resultado fiscal de fevereiro

Saem hoje os números do governo central, e amanhã o consolidado incluindo estados e municípios.

A desaceleração da economia deve continuar a reduzir a arrecadação e os desembolsos. O ministro Joaquim Levy terá de decidir se altera a meta do superávit primário para o ano de 2015. Quando a meta foi fixada em 1,2% do PIB seu valor correspondente era de R$66,3 milhões. Com as revisões no PIB previstas pelo mercado para este ano (8%), a meta corresponderia a 1,1% do PIB em 2015.

Para atingir os 1,2% de superávit, Levy teria de aumentar o superávit do setor público em mais R$ 5 bilhões, segundo reportagem do Valor desta manhã.

Na Europa

O Banco Central Europeu está comprometido com sua compra de ativos mensal na ordem de  60 bilhões de euro até setembro de 2016, segundo o Wall Street Journal. Mesmo assim, a situação grega segue preocupando. Essa semana também está no radar dos investidores o número de desemprego na Alemanha.

Na Ásia

A bolsa de Tóquio fechou essa segunda-feira em alta, influenciada principalmente pelos ganhos da Bolsa de Xangai, que encerrou o dia em patamares positivos, em meio a expectativas do mercado por mais estímulos à economia chinesa.

Nos EUA

A semana passada foi de dados econômicos que desapontaram o mercado. A nova realidade de preços de petróleo baixo associado a um dólar mais forte está comandando o mercado por lá. Parece haver um receio de que alguns setores como biotech estariam superavaliados.

Nessa semana, o relatório mais esperado é o de emprego (dados de março), que sai na sexta-feira. Outros indicadores relevantes: renda das famílias  (hoje); dados trimestrais de aluguéis e vacância de escritórios, apartamentos e shoppings no país (amanhã); e números da produção e venda de veículos (quarta-feira).

No Brasil

O destaque macro da semana é o resultado fiscal de fevereiro

Saem hoje os números do governo central, e amanhã o consolidado incluindo estados e municípios. A desaceleração da economia deve continuar a reduzir a arrecadação e os desembolsos.

O déficit primário deve seguir estável em torno de 0,6% do PIB. Espera-se que, nos próximos meses, o ajustes fiscal produza um superávit ao menos próximo do que o governo planeja atingir de 1,2% do PIB.

Por isso, o mercado verá os dados desta semana apenas com uma indicação do rumo fiscal de 2015, que ainda vai reagir aos ajustes, e ao recuo do PIB.

Ainda sobre o tema do ajuste fiscal, vejamos o tom da apresentação do ministro Levy amanhã na comissão de economia do Senado. Outro destaque nesta semana é o dado da produção industrial de Fevereiro, que o IBGE divulga na quarta-feira.

Concessões de ferrovias

Notícia do Valor Econômico desta manhã destaca que  o programa federal de concessões de ferrovias enfrenta mais um obstáculo, além da desconfiança e falta de interesse do setor privado. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não estaria disposto a comprometer os recursos necessários de garantias para viabilizar o plano.  No modelo definido em 2013 a empresa estatal Valec se compromete a adquirir toda a capacidade de carga das ferrovias (dando segurança ao empreendedor contra riscos de demanda).  Para tal, o governo se comprometeu a emitir R$ 15 bilhões em títulos públicos a favor da Valec,  garantindo assim à estatal capacidade de arcar com os desembolsos. Levy é contra a operação, de acordo com a reportagem.

Tal impasse reduz consideravelmente as chances de uma nova rodada de concessões restando às estradas de ferro a opção de lançamento de um pacote de obras previsto no Programa nacional de Segurança Ferroviária em Áreas Urbanas. A ideia do pacote seria trocar investimentos e melhorias na malha atual por extensão dos contratos atuais. De acordo com o diretor de ferrovias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Carlos Fernando do Nascimento, a autarquia ainda não foi informada sobre o veto da Fazenda ao modelo de concessão.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Na última sexta-feira, o dólar encerrou a semana em alta de 1,53% em relação ao real, cotado a R$3,2385 diante do cenário de crise política que coloca em xeque a aprovação do ajuste fiscal. O Ibovespa fechou em baixa de -0,96%%, aos 50.094 pontos, com volume de 6,5 bilhões, impactado negativamente pelas quedas no setor financeiro, Bradesco e Itaú, além da companhia Vale.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa sexta-feira tivemos mais um dia de queda fechando abaixo da média de 21 e testando a LTB rompida como suporte, teremos suporte realmente importante apenas em 48.200. A tendência segue indefinida com resistência forte em 52.000.

Na Europa, o quantitative easing do Banco Central Europeu está, curiosamente, criando novas dúvidas sobre a permanência Grécia na Zona do Euro

Isso porque o programa está reduzindo o custo de financiamento dos países, enfraquecendo o euro, e ajudando as exportações para o resto do mundo. Tudo isso mitiga o efeito de uma saída da Grécia do bloco. Ou seja, está mais confortável a idéia de que a adesão ao euro não é irreversível. Dúvidas sobre Grécia podem voltar, somadas a novas, por exemplo, sobre Itália, Portugal e Espanha.