Macroeconomia e mercado

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Exportação de açúcar refinado cai 20%

Em termos de valores, contração chegou a 25,6%.

Enquanto as exportação de açúcar em bruto avançaram 38% em março, ante o mesmo período de 2014, os embarques externos de açúcar refinado recuaram 20% na comparação entre os dois períodos.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de açúcar refinado totalizaram 385,3 mil toneladas em março último, ante 416,2 mil toneladas no mesmo período de 2014.

Em valores, a redução foi de 25,6%. Enquanto em março passado os embarques de açúcar refinado somaram US$ 145,3 milhões, no mesmo mês de 2014 as exportações do produto ficaram em US$ 168,7 milhões. (Jornal Cana 02/04/2015)

 

Capital estrangeiro participa de 50% das fusões e aquisições

Número de transações em fevereiro chegou a 54, queda de 20,59% ante igual período de 2014.

Os investidores estrangeiros participaram em mais de 50% das 54 fusões e aquisições registradas em fevereiro último no Brasil. É o que revela levantamento da PwC Brasil, par quem o total de transações é 20,59% inferior ao mesmo período de 2014 (68 transações) e 2% abaixo da média dos anos entre 2011 a 2015.

Segundo a PwC Brasil, a redução ainda não deve ser considerada alarmante, pois, o mês é mais curto e ainda contou com o Carnaval.

A presença do capital estrangeiro já era esperada, conforme a PwC, porque o País enfrenta incertezas políticas, econômicas e a moeda brasileira sofre grande desvalorização frente à americana. O acumulado entre janeiro e fevereiro foi concluído com investidores estrangeiros com 53% do mercado brasileiro e 47% com investidores nacionais.

O segundo mês de 2015 mostrou o setor de TI liderando o mercado de fusões e aquisições com 31 transações anunciadas. Entre os exemplos de transações do setor está a da Senior Solution, que adquiriu a Aquarius Tecnologia pelo valor de R$ 6,5 milhões.

O estudo não menciona transações relacionadas ao setor sucroenergético.

Em segundo lugar, ficou o segmento financeiro com 9% das transações (e que mostrou ao longo de 2014 uma forte presença no mercado de fusões e aquisições). Em 2015, foram anunciados 10 negócios até fevereiro.

Ocupando a terceira posição, o setor de serviços auxiliares com 8 transações, seguido pelo setor químico e varejo com 7 e 6 transações respectivamente. Setores menos expressivos (tais como educação, logística, transporte, têxtil, entre outros) somam 31 transações. (Jornal Cana 02/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

É véspera de feriado de Páscoa. Lá fora, investidores estarão de olho nos dados dos EUA.

Aqui no Brasil, agenda macro vazia. Registre-se: Ibovespa teve o fechamento mais alto do ano no dia de ontem.

No exterior, as bolsas européias operam próximas à estabilidade, às 8h, horário de Brasília. Nenhum dado muito relevante por lá foi divulgado. Contribui para a pequena oscilação não só o feriado, mas também a cautela prévia à divulgação do Relatório de Empregos nos EUA, amanhã.

O documento é importante para determinar o timming da elevação de juros do Fed. Janet Yellen, presidente da instituição, fala em evento de Washington, às 9h.

Nos EUA, após queda das bolsas de ontem, com mais dados macro aquém do esperado, índices futuros sinalizam novo dia com pressões de baixa para as ações. Investidores estarão novamente de olho nos dados americanos: pedidos de auxílio desemprego; balança comercial e encomendas à indústria.

O dólar recua frente seus principais pares. Para os emergentes: mais um dia favorável em bolsa, e de valorização de suas moedas.

No Brasil, é dia de agenda suave, e com noticiário relativamente fraco

Acreditamos que as tendências recentes nos mercados devem continuar. Nos mercados de câmbio e juros, devemos ter pressões de baixa, ainda com cenário externo contribuindo para isso.

Em bolsa: ações da Petrobras reagirão à notícia do Estadão, diante da possibilidade de atraso da divulgação do balanço que estava marcada para o dia 30 deste mês.

Brasil

Em véspera de feriado, devemos ter uma maior cautela dos investidores.

O cenário externo contribui para manter o dólar em queda. No noticiário interno, a pesquisa divulgada ontem pelo Ibope mostrou piora acentuada da avaliação da presidente Dilma, em linha com pesquisas recentes. Nada muito novo. Um ponto de atenção segue sendo o noticiário envolvendo a Petrobras (na sessão de empresas, mais detalhes).

Nenhuma surpresa: a avaliação do governo é péssima

Saiu ontem a pesquisa CNI-Ibope.

Para quem tiver mais interesse no tema, no site da CNI tem mais detalhes. Os dados em relação a dezembro são bem ruins, e não alteram muito o quadro que já havíamos visto quando foi divulgada a última pesquisa Datafolha, no dia 18 do último mês. Alguns números: aqueles que consideram o governo ruim ou péssimo são 64%, ante 27% em dezembro de 2014; aqueles que desaprovam o governo são 78%, ante 41%; e aqueles que não confiam no governo são 74%, ante 44%. O risco de tudo isso? Bem, o ajuste fiscal está começando.

Sobre a balança comercial: março tem o 1º superávit do ano

O superávit de março foi de US$458 mi, acima da expectativa do mercado que era de déficit de US$350 mi. As exportações somaram US$ 17 bi e as importações US$ 16,5 bi, representando um avanço já considerando a sério com ajuste sazonal, de 10,3% e um recuo de 5,3% frente ao mês anterior, respectivamente. Assim, a balança terminou o 1º trimestre deste ano com déficit de US$ 5,6 bi, resultado ligeiramente melhor do que o déficit de US$ 6,1 bi no mesmo período de 2014. O resultado de março é consequência de exportações maiores e importações menores do que o esperado.

A depreciação cambial e o ritmo lento de atividade devem contribuir para o superávit comercial deste ano, após déficit do ano passado.

Sobre a produção industrial: resultado ruim, mas ligeiramente acima do esperado

Segundo o IBGE, a produção industrial recuou 0,9% M/M em fevereiro, contra alta de 0,3% em janeiro (dado revisado de alta de 2,0%). Em suma, o número de fevereiro ficou acima da previsão do mercado, que esperava uma queda ainda maior do indicador. Destaque negativo para bens de capital (-4,1%), reflexo da queda na produção de caminhões, ainda afetada pelas férias coletivas em diversas unidades. Já na comparação anual, a indústria teve queda de 9,1%, puxada pelo recuo em bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos) e bens de capital (caminhões e veículos para transporte de mercadorias).

O resultado do mês de fevereiro corroborou nossa expectativa de que o crescimento do setor na margem em janeiro era apenas um movimento pontual, e a tendência será de contração da indústria ao longo do ano. Para março, nossa projeção preliminar é de nova queda na produção, levando em consideração o nível de utilização da capacidade instalada (nuci), da FGV.

Sobre o fluxo cambial: positivo na última semana, e no acumulado de março

O fluxo cambial da quarta semana de março, entre os dias 23 e 27, ficou positivo em US$ 428 milhões, com financeiro positivo em US$ 468 milhões e comercial negativo em US$ 40 milhões. Com esse resultado, no mês de março, o fluxo acumulado está positivo em US$ 1,19 bilhão, com financeiro positivo em US$ 1,5 bilhão e comercial negativo em US$ 316 milhões.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ontem, o dólar encerrou o dia em baixa de -0,61%, cotado a R$3,1729, diante de um cenário externo mais calmo e a menor tensão no cenário político doméstico. Isso também permitiu recuo dos juros futuros: a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2016 recuou de 13,5% para 13,36%. O Ibovespa fechou em expressiva alta de 2,29%, aos 52.321 pontos, com volume forte de 8,064 bilhões. O índice foi impactado positivamente pela entrevista da presidente Dilma, afirmando que haverá corte de gastos e se tentará, sim, atingir a meta de superávit de 1,2%. As principais ações que puxaram o índice foram Petrobrás, Itaú, Bradesco, Ambev e Vale.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quarta-feira tivemos um bom dia de alta com rompimento da resistência em 52.000, que era a máxima do ano, com isso abrimos espaço para mais altas. Em um próximo recuo é importante que o nível de 52.000 não seja perdido para que tenhamos a continuação da tendência de alta. Próxima resistência só em 56.000.

Cenário externo

Oscilações menores nos mercados europeus, após altas no mercado asiático. Hoje o foco volta a ser a agenda de dados americana. Dados aquém do esperado vão mantendo expectativas de juros baixos ainda por período prolongado. Neste contexto, seguimos confortáveis com o nosso cenário base: o início da elevação de juros deve acontecer somente do 3º tri deste ano. Ativos de países emergentes devem continuar aproveitando o momento mais favorável. Para amanhã: Relatório de Empregos nos EUA é o grande destaque. Os mercados começarão a próxima semana repercutindo estes números.

EUA: Criação de empregos formais aquém do esperado

Segundo dados do ADP, foram criados 189 mil empregos em março, abaixo dos esperados 225 mil e dos 214mil criados em fevereiro.

Costuma ser uma proxy para o Relatório de Empregos, dados de maior relevância para os mercados, que devem sair na sexta-feira, dia 3. De fato, segundo pesquisa da Bloomberg, os economistas estão menos otimistas em março: devem ter sido criados 245 mil, contra os expressivos 295 mil de fevereiro.

De volta aos dados do ADP: vale destacar que este é o primeiro resultado abaixo de 200 mil desde janeiro do ano passado, sinalizando que o mercado de trabalho deve entrar em um ritmo de recuperação mais modesto nos próximos meses, em linha com os últimos dados de atividade dos EUA. Mark Zandi, economista chefe da Moody’s Analytics, destacou que a desaceleração na geração de vagas é resultado da queda do preço do petróleo e do fortalecimento do dólar, que têm impactado negativamente em alguns setores. Apesar disso, para Zandi, o atual ritmo de crescimento é consistente com a tendência de melhora do mercado de trabalho.

EUA: Índice ISM da indústria registra queda modesta em março

O índice ISM que avalia a indústria atingiu a mínima dos últimos 12 meses. Esta foi a 5ª queda seguida. O ISM foi para 51,5, de 52,9 em fevereiro. Segue acima de 50 pontos e, portanto, sinalizando expansão à frente, mas mais moderada. Neste início de ano é o dólar mais forte um dos motivos para o avanço mais modesto do setor. Outros setores seguem bem. Corroborando efeito negativo da valorização da moeda sobre as empresas exportadoras, o índice que avalia as encomendas recuou para 47,5, de 48,5.