Macroeconomia e mercado

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Caio, da Abag, assume Academia de Agricultura

Entidade integra a Sociedade Nacional da Agricultura.

O engenheiro agrônomo Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio) acaba de assumir a presidência da Academia Nacional de Agricultura, entidade pertencente à Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) que tem como missão estudar, discutir e opinar sobre questões de interesse técnico, jurídico e econômico nas áreas do agronegócio, alimentação e meio ambiente.

 “É uma honra assumir essa função. Gostaria de trazer aos nossos colegas uma reflexão sobre a realidade que vivemos. Entendo que devemos nos preparar para o que vem por aí  e agirmos de uma forma integrada e ativa”, disse Carvalho ao tomar posse.

Carvalho, que também preside a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), sucede na presidência da Academia o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

Para o novo presidente da Academia, o setor mostra grande capacidade de sobrevivência. “Claro que o agronegócio tem uma resiliência formidável.

Veja o caso da cana-de-açúcar, que é uma cadeia produtiva que continua sofrendo muito apesar de tudo”, afirmou. (Jornal Cana 07/04/2015)

 

GVO começa safra de cana sem concluir reestruturação

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) inicia a safra em suas quatro unidades processadoras de cana-de-açúcar a partir do próximo dia 20 sem concluir a reestruturação financeira capaz de equacionar um passivo financeiro estimado em mais de R$ 3 bilhões. Do total, US$ 750 milhões são em bonds externos com vencimentos entre 2018 e 2022. Para resolver problemas de caixa e renegociar pagamentos de salários atrasados, acionistas precisaram vender propriedades rurais com a intervenção da Justiça e os recursos foram aportados na companhia.

Se as negociações com os credores nacionais caminham, a dívida externa do GVO disparou na esteira da alta do dólar e hoje superaria R$ 2,3 bilhões, se considerada uma cotação média da moeda norte-americana em R$ 3,10. No ano passado o valor estimado era de R$ 1,66 bilhão, com dólar pouco acima de R$ 2,20.

Recentemente, acionistas do GVO assinaram um acordo de confidencialidade (non-disclosure agreement, ou NDA da sigla em inglês) com possíveis investidores. Fontes da companhia esperam em até dois meses uma posição oficial dos interessados em fazerem aportes em troca de participações acionárias.

Além da contratação de assessorias financeiras e jurídicas, toda a gestão do GVO foi trocada. A família Ruete deixou o comando da empresa e entre as mudanças Joamir Alves, ex-superintendente da Bombril e da antiga Companhia Energética Santa Elisa (hoje empresa da Biosev/Louis Dreyfus Commodities), assumiu a presidência do GVO em janeiro.

Para a reestruturação, o GVO contratou assessorias jurídica e financeira, comandadas pelo banco de investimentos Moelis & Company. (Agência Estado 08/04/2015)

 

Infood planeja nova usina na Indonésia

País possui déficit de 3 milhões de toneladas de açúcar.

Visando abastecer o crescente consumo doméstico de açúcar na Indonésia, a Infood investirá em uma nova usina de cana-de-açúcar no país.

O custo previsto de unidade é de US$ 150 milhões.

A atual produção média de 2,5 milhões de toneladas de açúcar por ano é suficiente para abastecer a demanda de 5,5 milhões de toneladas no  país.

Este déficit de 3 milhões de toneladas atrai investidores interessados em ofertar o produto no mercado doméstico. Atualmente o governo indonésio detém 60% do mercado, com 52 usinas ligado ao Estado. (Jornal Cana 08/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Setor de energia no radar: a Shell acertou a compra da BG, do Reino Unido

A terceira maior empresa produtora de gás natural. As ações européias operavam em direções mistas, mas, às 8h15, horário de Brasília, prevalece o tom mais negativo. As ações do setor de energia responderam de forma positiva. Em suma: este pode ter sido o início do processo de consolidação no setor de petróleo & gás, após expressiva queda das cotações nos últimos meses.

Nos EUA, o Fed divulgará hoje a ata da última reunião de política monetária

Enquanto isso, o dólar opera em queda frente a seus principais pares. Neste contexto, as moedas de emergentes se beneficiam. Às 9h, Jerome Powell, do Fed, fala sobre política monetária em NY.

No Brasil, Micher Temer, vice-presidente da República, acumula atribuições de articulador político do governo, após Eliseu Padilha recusar o convite de Dilma

A solução “caseira” foi bem recebida dentro do PMDB, mas pouco deve mudar as negociações no Congresso, afirmou Eduardo Cunha. Apesar desse ceticismo, no mínimo, deve ter um canal mais aberto não só com Cunha, mas também com Renan Calheiros.

A bolsa brasileira tende a continuar aproveitando o ambiente externo favorável, e nos mercado de câmbio e juros, devemos ver pressões de baixa hoje. A nomeação de Temer não deve aumentar a percepção de risco por aqui, pelo contrário. E a inflação de março, medida pelo IPCA, ficou levemente abaixo das projeções de mercado.

Brasil

O cenário externo segue sendo favorável. Por aqui, além do IPCA de março, é destaque a nomeação de Michel Temer como principal articulador político do governo. Ambas notícias devem contribuir, na margem, para termos pressões de baixa sobre o dólar e os juros futuros.

IPCA: alta de 1,32% M/M e 8,13% A/A em março

O índice de preços ao consumidor amplo registrou uma alta um pouco abaixo da esperada pelo mercado. A mediana era de 1,37% M/M na comparação mensal, após alta de 1,22% em fevereiro e de 1,24% em janeiro. A maior contribuição para a inflação de março foi o grupo de “Habitação” (+5,29%). Somente energia elétrica, com aumento de 22,08% gerou 0,71 ponto percentual de impacto – o mais expressivo do mês, representando 53,79% do IPCA. 

Solução “caseira”: Michel Temer assumirá articulação política

Após Eliseu Padilha, da Aviação Civil, recusar o convite de Dilma, será o vice-presidente, Michel Temer, quem acumulará a função exercida até há pouco por Pepe Vargas. Na prática, Temer terá autonomia para negociar com o Congresso, e o número de ministérios passa de 39 para 38.

A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) será extinta, e as atribuições passam a ser da Vice-Presidência. A solução foi bem recebida dentro do PMDB, mas Eduardo Cunha, presidente da Câmara, diz que não muda absolutamente nada. Matéria de ontem do Estadão comenta o tema.

Na Folha, uma matéria destaca: “A escolha de Temer foi classificada como ‘a cartada final’ de Dilma tanto por petistas quanto por peemedebistas. ‘Se nem o vice conseguir articular o PMDB, acabou o governo. É tudo ou nada’, define um petista”.

Anfavea I: produção de veículos fraca

Segundo dados dessazonalizados da Anfavea, a produção total de veículos recuou 2,2% em março, puxada pela queda na fabricação de automóveis (-3,1%) e de caminhões (-16,4%), em linha com os dados fracos das vendas e do alto nível de estoque. Contribuíram para que a queda na produção não fosse maior, a alta na fabricação de comerciais leves (4,4%), ônibus (2,2%) e máquinas agrícolas (4,8%). Já na comparação com fevereiro, devido à paralização das fábricas por conta do feriado de Carnaval, a produção cresceu 22,9%.

Anfavea II: projeção para 2015 é revisada para baixo

A associação espera que em 2015 a produção recue 10%, contra a expectativa de crescimento de 4,1% que havia em janeiro. Junto com a divulgação dos dados recentes, portanto, veio uma boa dose de realismo. Em suma, espera-se que serão produzidos no ano 2,832 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra os 3,146 milhões produzidos em 2014.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos um dia de pouca variação no intraday e fechamento praticamente estável, com isso pouca coisa mudou em relação ao dia anterior, a tendência segue sendo altista com resistência em 56.000 e suporte forte em52.000. Em um próximo recuo e importante que esse nível de suporte não seja perdido para que tenhamos a continuação da tendência de alta. [texto retirado do relatório

Cenário externo

Dólar em queda, com investidores à espera da ata da última reunião de política monetária do Fed. O tema do dia é a operação entre Shell e BG, dando início àquilo que pode ser uma consolidação no setor de petróleo & gás.

Zona do Euro: vendas no varejo de fevereiro não surpreendem

Apesar da queda frente a janeiro de 0,2%, não se altera a perspectiva de crescimento forte do consumo adiante. Os últimos quatro meses foram de avanço das vendas no varejo e, na comparação anual, as vendas subiram 3,0%, apenas marginalmente abaixo dos 3,2% registrados em janeiro.

EUA: dados positivos do mercado de trabalho americano

Segundo dados divulgados ontem, foram abertos 5,133 milhões de postos de trabalho em fevereiro – o melhor resultado desde janeiro de 2001. No mês, a taxa de contratação se manteve em 3,5%, mas a taxa de afastamento registrou leve recuo, de 3,4% em janeiro, para 3,3% em fevereiro. Os números foram bem positivos, a despeito do último Relatório de Empregos de março, que saiu no final da semana passada e tem contribuído para um dólar menos forte no exterior.

Japão: BC mantém política monetária

O BC manteve a política monetária expansionista, com um volume anual de compra de ativos de 80 trilhões de ienes. Oito dos conselheiros do banco votaram a favor da manutenção, enquanto apenas um, o economista Takahide Kiuchi, votou contra. Vale destacar: Kiuchi não só votou contra, como também propôs a redução do volume anual para 45 trilhões de ienes. No 2º semestre do ano, por outro lado, há a expectativa de novos estímulos por lá, ainda que Haruhiko Kuroda, o presidente do BC, tenha afirmado que novas medidas não estão em discussão no momento.

Emergentes & desenvolvidos: estudo do FMI alerta para divergência

Estudo publicado ontem pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) chama a atenção para a desaceleração do crescimento potencial dos países emergentes nos próximos anos. Depois de um crescimento potencial de 6,5% entre 2008-2014, a taxa deve cair para 5,2% entre 2015-2020. Deve isso à falta de investimentos em infraestrutura, baixa produtividade e envelhecimento da população. O contrário deve acontecer com os desenvolvidos: o crescimento deve subir de 1,3% entre 2008-2014 para 1,6% entre 2015-2020. Mas vale registrar: seguirá menor do que no pré-crise americana, quando era, em média, de 2,2%.