Macroeconomia e mercado

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Biomassa ajuda a fazer hidrogênio mais barato

Experimento foi realizado por cientistas de Instituto da Virgínia (EUA).

A biomassa serviu de matéria-prima para a produção de hidrogênio voltado para movimentar veículos. É um procedimento experimental do Instituto de Tecnologia da Virgínia (EUA), mas comprova que a biomassa ajuda a reduzir o tempo e os custos de produção do combustível, muito promissor para os chamados ‘carros verdes.’

O hidrogênio é exaltado por não emitir gases de efeito estufa, embora um dos obstáculos para a produção em escala é o seu alto custo, já que feito a partir do gás natural.

Agora, com o emprego da biomassa, esse custo cairá. Não foi divulgada proporção de redução de valores.

Ao contrário de outros métodos de produção de hidrogênio, os pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Virgínia, criaram um processo biológico que utiliza enzimas que permitem produzir hidrogênio rapidamente e com altos rendimentos a partir de glicose e xilose, açúcares abundantes em resíduos de espigas de milho e folhas.

A pesquisa foi financiada em parte pela Shell, no marco do programa Game Changer, e pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos. (Jornal Cana 09/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Segundo mandato do governo Dilma completa 100 dias hoje

Apesar das dificuldades no frente político, colocando incertezas sobre os ajustes na economia, o noticiário tem sido marginalmente mais positivo nos últimos dias, vale ressaltar. No acumulado do mês, juros futuros e dólar foram pressionados para baixo. A revisão de ontem da perspectiva da nota de crédito soberana, por parte da Fitch, afetou apenas de forma pontual os mercados. Hoje, o dólar lá fora opera em alta, e o cenário externo deve se sobrepor.

Petrobras de volta ao radar: segundo jornais de hoje, a empresa estima que perdas com corrupção teria sido entre R$5-6 bilhões. Apesar da expectativa de divulgação de balanço até o final do mês, que ajudou a impulsionar as ações no dia de ontem, a empresa segue afirmando que não tem data certa para fazer isso. A reunião de conselho de administração deve ocorrer até dia 20.

No exterior, um dia favorável para ativos de risco. Dólar mais forte

As bolsas européias operam em alta às 9h, horário de Brasília. Destaque para o desempenho do DAX, da Alemanha, com ganhos ao redor de 1,5%. A Grécia, após cumprir compromissos com o FMI, dá suporte às ações. Mas atenção: em breve, investidores começarão a se preocupar como o país conseguirá honrar compromissos futuros. Nos EUA, índices futuros de Dow Jones e S&P 500 operam em alta. Sem dados relevantes na agenda americana, atenção apenas aos discursos de dois dirigentes do Fed, Lacker, do Fed de Richmond, e Kocherlakota, do Fed de Minneapolis.

Brasil

Dilma II cumpre 100 dias de governo

Hoje, sexta-feira dia 10 de abril, o segundo governo de Dilma cumpre 100 dias.

O Estadão destaca o período com 3 entrevistas interessantes sobre desdobramentos na economia e na política. Uma coisa é clara: a presidente não é a mesma de antes. Os riscos políticos, ainda altos, têm arrefecido nos últimos dias. A seguir, dois pontos importantes: Fitch, apesar da revisão de perspectivas, segue dando um voto de confiança à equipe de Levy; e Lula parece satisfeito com Temer na articulação política.

Fitch revisou perspectiva da nota de crédito brasileira

A agência de classificação de risco, Fitch, alterou ontem a perspectiva da nota brasileira, de “estável” para “negativa”, mas, ainda assim, mantendo-a em BBB. Segundo ela, a deterioração das contas públicas é um dos motivos para a revisão. Além disso, não vê clara a aprovação das medidas fiscais no Congresso – um dos fatores que segue sendo monitorado de perto por tais agências. Vale frisar: segundo a diretora da Fitch, Shelly Shetty, as mudanças de rating costumam acontecer após 12-18 meses após mudança da perspectiva. Um tempo que temos para arrumar a casa internamente.

Em suma: ter alterado a perspectiva da nota não nos surpreende, e é claro sinal de que estão dando um voto de confiança na atual equipe econômica. O impacto sobre os mercados ontem foi bastante pontual, sem alterar muito as tendências. Caso contrário, não fossem essas expectativas, seria difícil sustentar a nota atual. O próprio governo fala que ajuste é tardio (veja aqui no Estadão).

Lembramos: além da Fitch, a Moody’s é outra agência de classificação de risco que mantém a nota de crédito soberana dois degraus acima do chamado “grau de investimento”. A única que pode, com uma revisão da nota, tirar o selo de bom pagador do Brasil é a Standard & Poor’s. As outras duas precisam fazer dois cortes para que isso aconteça.

Sobre a articulação política: Lula satisfeito com Temer

Matéria do Estadão, ontem, ressalta fala de Michel Temer, vice-presidente da República, após reunião com o ex-presidente Lula. Segundo ele, "Delicadamente, ele disse que talvez eu me saia bem". Atribuir a tarefa de articulação política do governo a Temer foi recomendação de Lula, após derrotas sucessivas no Congresso. A matéria ainda destaca: “Nesse movimento, foi oferecida a Temer autonomia e liberdade para indicação de cargos de segundo e terceiros escalões. Temer assumiu ter tal liberdade de indicação, mas disse que passará os nomes pelo crivo de Dilma”.

Tributação sobre lucro das instituições financeiras

Foi veiculada ontem pela mídia a possibilidade de aumento da CSLL sobre os lucros das instituições financeiras. A alíquota subiria de 15% para 17%, e poderia gerar, respeitando a chamada noventena, algo em torno de R$1,5 bilhão. Ainda não é nada confirmado, mas já contribuiu para a queda das ações dos bancos no dia ontem.

Mercado de trabalho continua desacelerando

Os dados da PNAD contínua divulgados ontem corroboram o cenário de desaceleração do mercado de trabalho. A taxa de desocupação no trimestre móvel terminado em fevereiro foi de 7,4%, acima do resultado do trimestre encerrado em novembro de 2014, de 6,5%, reflexo da queda da população ocupada somada à alta do número de pessoas na força de trabalho. Por outro lado, o rendimento continua dando sinais positivos, com alta de 1,3% na comparação com o trimestre até novembro do ano passado. No entanto, com o aprofundamento da tendência de enfraquecimento do mercado de trabalho, a expectativa é de que os salários também comecem a desacelerar.

Atividade também: expedição de papel ondulado recua em março

Segundo prévia de ontem da ABPO, o índice de expedição de papel ondulado para o mês de março teve queda de 0,3% M/M, depois de recuar 0,9% M/M em fevereiro. Na comparação com março do ano passado, o índice recuou 1,2%. O indicador antecedente da produção industrial contribui para que analistas se tornem ainda mais pessimistas com os números de março. A produção industrial deve recuar quase 1% frente a fevereiro, e ao redor de 3% na comparação anual.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ontem, o dólar fechou em leve alta de 0,21%, em uma sessão sem direção única. A maior parte do tempo, a taxa operou em queda. Depois da revisão da perspectiva da nota soberana do Brasil, o dólar se valorizou, e logo depois acabou perdendo força. Em linha, os juros futuros acompanharam o movimento do dólar, dinâmica que estamos observando recentemente. O Ibovespa também fechou em leve alta de 0,26 %% a 53.803 e também não apresentou uma tendência clara. Os bancos tiveram forte recuo, com a possibilidade de maior tributação no setor, mas as ações da Petrobras contrabalancearam e apresentaram forte alta. A expectativa de divulgação do balanço auditado e a atividade de Fusão & Aquisição no setor de Petróleo & Gás no Brasil ajudam a sustentar uma forte recuperação dos ativos da Petrobras.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um novo dia de indecisão, dessa vez uma leve alta. A tendência segue sendo altista com resistência em 56.000 e suporte em 52.000. Um recuo até o nível de suporte não reverte a tendência de alta, mas se esse nível for perdido a situação fica menos positiva.

Cenário externo

China: inflação estável, mas deve cair à frente

A inflação do país, divulgada na noite de ontem, ficou pouco acima do esperado, mas estável com relação ao mês anterior. Em 12 meses, até março, foi para 1,4%, contra os 1,3% esperados pelo mercado. A deflação por lá ainda é algo bem improvável, mas espera-se uma queda dos preços à frente, algo que sustentaria políticas expansionistas por parte do governo e banco central. Vale lembrar: a inflação atual ainda está bem aquém dos cerca de 3% ao ano perseguidos pelo banco central. Em 2014, a inflação anual foi de 2%.

Reino Unido: produção industrial abaixo da esperada

A produção industrial do Reino Unido subiu 0,1% em fevereiro ante janeiro, abaixo da previsão dos economistas, que esperavam aumento de 0,3%. No confronto anual, a produção industrial britânica avançou 0,1%, também abaixo da expectativa do mercado, de alta de 0,4%. Ainda, o dado anual de janeiro foi revisado para ganho de 1,2%, ante crescimento de 1,3% na leitura anterior.

França: produção industrial acima da esperada

A produção industrial da França subiu 0,6% em fevereiro na comparação anual, ante alta anual de 0,5% em janeiro, levemente acima da expectativa dos economistas, que esperavam avanço de 0,5%.