Macroeconomia e mercado

Notícias

Barril de petróleo ensaia alta de preço

Bolsas de Nova York e de Londres registram valorização do óleo cru.

As expectativas de declínio na produção de óleo nos Estados Unidos e em países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) seriam as responsáveis pela recente alta nas cotações do barril de óleo cru no mercado americano.

O barril, que já caiu abaixo de US$ 50, subiu acima de US$ 53 na última terça-feira (14/04). No contrato para maio próximo, na New York Mercantile Exchange, o barril fechou em alta de 2,7%, a US$ 53,29.

Já na bolsa de Londres, o brent cru, para maio, fechou na terça-feira em alta de 0,9%, a US$ 58,43 o barril.

Ainda é cedo para confirmar se os valores representam alta sustentável, mas são um indicativo de que notícias de redução de produção, como a feita recentemente pelo governo do Irã, sinalizam o fim das baixas do petróleo. (Jornal Cana 16/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

As bolsas dos emergentes sobem, em linha com o mercado chinês

Segundo o índice MSCI que acompanha os mercados acionários destes países, temos a 13ª alta em 14 das últimas sessões. No país asiático, a bolsa (Shanghai Composite) terminou a sessão em alta de 2,71%, com ganhos de 27,4% no ano. Por lá, espera-se que o governo adote medidas de suporte ao crescimento.

O dólar segue mais fraco frente a seus principais pares no exterior

Afinal, dados mais fracos da economia americana podem postergar o início da alta dos juros por parte do Fed. Hoje, serão divulgados os pedidos de auxílio-desemprego e a Sondagem Industrial da Filadélfia. Além disso, diversos dirigentes do Fed fazem discurso.

Na Europa, as bolsas vão operando em queda, às 8h20, horário de Brasília

A S&P rebaixou a nota da Grécia, agora em CCC+, com perspectiva negativa e possibilidade de default à frente, segundo o britânico Financial Times. Os juros dos títulos da Alemanha e da França recuam, enquanto os da Grécia, Portugal, Espanha e Itália sobem diante deste risco maior.

Os ativos no Brasil devem acompanhar o cenário externo

A agenda macro local deve ficar de lado, e contará mais a expectativa de estímulos na China e a direção dos mercados americanos. Sobre a bolsa: BM&FBovespa divulga a 2ª prévia do Ibovespa para maio-agosto. As ações brasileiras devem ser influenciadas de forma positiva hoje, em linha com os mercados de outros emergentes.

Outros pontos importantes: Henrique Alves (PMDB-RN) é o novo ministro do Turismo; Levy e Tombini falam em evento do FMI em Washington, após Awazu, diretor do BC, ter afirmado ontem que a política monetária seguirá vigilante.

Brasil

TCU considera crime de responsabilidade fiscal as “pedaladas fiscais”

O Tribunal de Contas da União (TCU) considera que o governo incorreu em crime de responsabilidade fiscal ao utilizar recursos de bancos públicos para, artificialmente, inflar os números fiscais. Para José Múcio, relator do processo do TCU: “Não tenha duvida. Há um descumprimento de lei. Um banco publico não pode emprestar dinheiro para o governo. É como se você estivesse devendo no seu cheque especial, e o governo não pode ter esse cheque especial”.

Awazu, do BC, fala em política monetária vigilante

O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Awazu Pereira, disse no dia de ontem que a política monetária foi e continuará vigilante para assegurar que a inflação convirja para a meta de 4,5% em 2016. Awazu participou da reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial em Washington, nos EUA. Hoje, falam no evento o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. De volta à fala de Awazu: consideramos que reforça a possibilidade de mais 0,50 pontos percentuais na Selic na reunião do final deste mês, passando de 12,75% para 13,25% ao ano.

PLDO de 2016: meta de superávit primário é fixada em 2% do PIB de 2016 até 2018

Foi enviado ontem o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2016 ao Congresso Nacional. O governo projeta, de forma oficial, um recuo de 0,9% do PIB neste ano, com inflação em 8,2%. O câmbio deve terminar em R$3,21. Todas estas muito próximas das projeções do mercado. Para 2016, o governo espera crescimento de 1,3% da economia. A expectativa é que a inflação medida pelo IPCA encerre o ano em 5,6%.

O governo estabeleceu a meta de superávit primário do setor público consolidado de R$ 126,73 bilhões em 2016, o equivalente a 2% do PIB. O PLDO 2016 indica meta de R$ 104,55 bilhões para o governo central (1,65% do PIB), enquanto que para os estados e municípios, a meta no ano que vem será de R$ 22,18 bilhões (0,35% do PIB).

Sobre o fluxo cambial: positivo em US$1,776 bi entre os dias 6 e 10 de abril

O fluxo cambial da segunda semana de abril, entre os dias 6 e 10, ficou positivo em US$ 1,776 bi, com financeiro positivo em US$ 1,747 bi e o comercial positivo em US$ 28,5 mi. Com esse resultado, no mês de abril, até o dia 10, o fluxo cambial está positivo em US$ 969 mi, com financeiro positivo e US$ 1,108 bi e o comercial negativo em US$ 138 mi.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ontem, o dólar fechou em queda de 0,85% em relação ao real, cotado a R$ 3,0358. A percepção de que o BC americano não está com pressa para subir a sua taxa básica de juros, aliado à melhora do ambiente doméstico, tem contribuído para o aumento do fluxo de recursos para o mercado brasileiro. Em linha com o dólar, os juros futuros também recuaram: a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2016 teve expressiva queda, cotado a 13,27%. O Ibovespa fechou em expressiva alta de 1,74% a 54.918 pontos, renovando sua máxima do ano, impulsionada principalmente pelas ações da Petrobras, e das siderúrgicas Usiminas e CSN.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quarta-feira tivemos um dia de boa alta fechando acima da máxima de segunda-feira, com isso abrimos espaço para alta até a resistência de 56.000, se voltarmos a cair suporte fica em 52.000.

Cenário externo

EUA: produção industrial fraca em março & índice da indústria recua forte em abril

Em março, na comparação com fevereiro, a produção recuou 0,6%, após alta de 0,1% no mês anterior. Ficou abaixo da expectativa do mercado, que esperava queda de 0,3%. Vale notar que a piora é pontual: em relação a março do ano passado, a produção registrou aumento de 2,0%. Outro dado ruim: o índice Empire State, que monitora a atividade industrial na região de NY, caiu para -1,19 em abril, de 6,90 em março, e bem aquém dos 8,0 pontos esperados pelos analistas. Ainda assim, acreditamos que passados os efeitos do inverno rigoroso e do mal tempo, os indicadores começarão a melhorar.

Europa: Draghi não deve terminar “QE” antes de setembro/16

Ontem foi dia de reunião de política monetária na Europa. As taxas de juros permaneceram inalteradas, e não foi nenhuma surpresa isso ter acontecido. Os comentários do presidente da instituição, Mario Draghi, é que geravam ansiedade.

Poderia terminar antes o programa de injeção de liquidez diante de dados que têm superado as expectativas do mercado? Pelo jeito não. E mais: ele se mostrou surpreso com a possibilidade que alguns analistas do mercado haviam começado a atribuir ao fim antecipado do programa. Enfatizou também que as compras irão até setembro de 2016, ou até que a inflação entre em trajetória sustentada de crescimento. Pode mudar a forma do programa? Discussões precipitadas. Por enquanto, os estímulos têm sido eficazes para estimular as economias da região.

Grécia: S&P rebaixa rating soberano

Segundo a S&P, agência de classificação de risco, a dívida do país e os seus compromissos financeiros são insustentáveis sem reformas econômicas profundas. A nota da dívida de longo prazo, agora em CCC+, ainda conta com perspectiva negativa. Vale lembrar: nesta semana, o jornal britânico Financial Times publicou matéria dizendo que o país estaria preparando uma declaração de um calote da sua dívida.