Macroeconomia e mercado

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Cogeração: Jalles Machado faz parceria com a Albioma

No médio prazo, será instalado um terceiro turbo-gerador, com potência de 20 MW.

A Albioma Participações do Brasil, de origem francesa, tornou-se parceira da Jalles Machado com a alienação de 65% das ações de uma das unidades de cogeração da brasileira, a termelétrica Codora Energia, que integra o complexo industrial da Unidade Otávio Lage, localizada em Goianésia (GO).

Segundo a assessoria de imprensa da Jalles, a documentação definitiva recebeu a assinatura e, com a concretização da negociação, a Jalles Machado vislumbra grandes possibilidades de melhoria na eficiência energética da instalação, resultante da expertise industrial da Albioma, o início do processo de recolhimento de palha, com grande potencial energético, e a geração de energia também no período de entressafra.

Além disso, no médio prazo, conforme a assessoria, será instalado um terceiro turbo-gerador, com potência de 20 MW, que possibilitará elevar a quantidade de eletricidade exportada para acima de 170 GWh, crescimento de aproximadamente 75% até a Safra 2018/19.

A Codora Energia tem capacidade instalada de geração de 48 MW e exportou para o Sistema Interligado Nacional 97,4 GWh de energia elétrica na Safra 2014/15.

“A parceria com a Albioma, empresa que detém grande expertise na geração de energia, possibilita à Jalles Machado ampliar a cogeração em um momento em que os preços de energia elétrica são atrativos, sendo uma oportunidade vantajosa para ambas as partes”, afirma o diretor-presidente da Jalles Machado, Otávio Lage de Siqueira Filho.

O projeto tem duração de 20 anos, com a devolução das ações da Albioma para a Jalles Machado ao final deste período.

“A Albioma e o Grupo Jalles Machado formam uma parceria equilibrada e sólida. Ficamos muito satisfeitos por nosso parceiro brasileiro manter 35% do capital social, alinhando assim os interesses de longo prazo de ambas as partes”, ressalta o presidente da Albioma, Jacques Pétry, em relato distribuído para a imprensa.

O percentual negociado da Codora Energia representa aproximadamente 2,3% do faturamento da Jalles Machado, de acordo a receita da safra 2014/15. Os recursos provenientes da negociação serão utilizados para aumentar a robustez do caixa. (Jornal Cana 17/04/2015)

 

Açúcar: VLI inaugura terminal no interior paulista

Estrutura fará o transbordo rodo-ferroviário de cargas de açúcar.

A VLI, empresa de soluções logísticas, inaugura na próxima quinta-feira (23) em Guará, no interior paulista, o Terminal Integrador Guará.

Localizado no km 397 da Rodovia Anhanguera, o Terminal, segundo a assessoria da empresa, realizará o transbordo rodo-ferroviário de cargas de açúcar.

Trata-se de uma solução logística que atenderá à demanda crescente por alternativas para o transporte do produto, relata a assessoria.

Organizada em forma de holding, a VLI tem em sua composição acionária as seguintes empresas: Vale, Mitsui, FI-FGTS, e Brookfield. (Jornal Cana 17/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Bolsas na Europa seguem em baixa, enquanto o dólar recua no exterior

As preocupações em relação à Grécia seguem pressionando para baixo as ações europeias, após altas acumuladas bem expressivas neste início de 2015. Ontem, o FMI deixou claro que não está disposto a dar trégua: o país deve honrar compromissos neste início de maio. Investidores precificam o maior risco e, com isso, os juros dos títulos gregos, espanhóis, portugueses e italianos seguem em alta, enquanto os de Alemanha e França são pressionados para baixo.

Nos EUA, índices futuros sinalizam abertura fraca das bolsas, enquanto o dólar segue mais fraco frente a seus principais pares

Os dados de ontem foram mistos, reforçando a idéia que o Fed pode ser mais paciente para subir os juros por lá. Hoje sai, às 9h30, horário de Brasília, a inflação ao consumidor. Deve ter ficado estável, ainda aquém da meta do Fed.

Aqui no Brasil: a Petrobras confirmou ontem à noite que divulgará balanço auditado na próxima quarta-feira, dia 22

Em bolsa, devemos continuar vendo uma correção, em linha com as bolsas internacionais. Tende a ser mais um dia de baixa.

Na agenda macro, o IPCA-15 de abril mostrou desaceleração em relação a março: subiu 1,07%, pouco acima dos 1,02% esperados. Em 12 meses, foi para 8,22%, de 8,17%. O IPCA “cheio” de abril deve continuar mostrando algum alívio, com menores pressões de energia elétrica.

Brasil

IPCA-15 de abril desacelera em relação a março

A inflação subiu 1,07% em abril, em relação ao mês de março. Esperava-se alta de 1,02%. Em 12 meses, a inflação foi para 8,22%, pouco acima dos 8,17% esperados. Estava em 7,90% até março. Faremos um comentário mais aprofundado no Segundo Tempo de hoje.

Na agenda macro: Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostra desaceleração do setor

O setor do comercio intensificou a tendência de desaceleração neste inicio de ano. Segundo a PMS, a receita nominal do setor registrou alta anual de 0,8% em fevereiro, contra um crescimento de 1,8% em janeiro, e de 4,0% em dezembro. Este foi o menor avanço do indicador desde o inicio da série, em janeiro de 2012. Com isso, a receita nominal de serviços acumula alta de 1,3% no ano, e de 4,7% em 12 meses. Este resultado corrobora nossa expectativa de queda significativa do PIB neste 1º trimestre.

Crise política: decisão do TCU anima aqueles que falam de impeachment

Após o Tribunal de Contas da União (TCU) ter considerado, nesta semana, irregulares as manobras fiscais do governo para inflar os seus números, a abertura de um processo de impeachment volta ao radar. Aécio Neves, do PSDB-MG, disse: “Precisamos averiguar agora quais foram os responsáveis por essa fraude”. Mais: "Temos que ver se esse crime se limita à equipe econômica ou vai além dela”. Aqui, registre-se: pode ser comprovada a participação de Dilma, mas certamente estão envolvidos de forma mais direta ministros, ex-ministros e altos executivos do governo, dentre eles Guido Mantega, Luciano Coutinho, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini. Se for comprovado que Dilma esteve envolvida, falar de impeachment começará a ser mais natural entre investidores.

No editorial de hoje do Estadão, o tema também é abordado. Termina assim: “estimulados pelos últimos acontecimentos, os partidos de oposição - PSDB, PPS, DEM, PSB, SD e PV, reuniram-se em Brasília e decidiram que apresentarão à Câmara, em conjunto e em breve, pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente”.

Ainda sobre a decisão do TCU: dívida pública deve subir 0,8% do PIB

Segundo contas do próprio TCU, ao reconhecer passivos produzidos pelas “pedaladas” fiscais, a dívida pública se elevaria em R$40,25 bi, ou 0,8% do PIB previsto para este ano. No entanto, Advocacia-Geral da União (AGU) e Banco Central entraram com embargos no TCU para suspender a exigência feita ao BC para contabilizar na dívida pública tais manobras em 2013 e 2014.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa terminou em queda de 0,45%, aos 54,674 mil pontos, ainda pressionado pelas ações da Petrobras. A bolsa brasileira seguiu as bolsas internacionais. No mercado de câmbio, o dólar perdeu forças e terminou em queda, pouco acima de R$3,00, tendo chegado a operar abaixo deste patamar. Na BM&F, os juros foram pressionados para cima. Na comparação com uma semana atrás, a parte mais curta da curva acumula leve alta, após sinais de que o BC não deve reduzir ritmo de aperto na Selic.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um dia de queda, mas com uma grande sombra inferior, o que indica entrada de pressão compradora. A tendência segue sendo altista com suporte em 52.000 e resistência em 56.000.

Cenário externo

EUA: Dados mistos de atividade

Por um lado, a Sondagem Industrial da Filadélfia mostrou um ritmo marginalmente mais forte do que o esperado. O índice que avalia a atividade corrente passou de 5,0 pontos em março para 7,5 em abril, acima dos 6,0 esperados. Do lado negativo, os pedidos de auxílio desemprego vieram pouco acima do esperado (294 mil, contra 280 mil), e as concessões de alvarás e novas construções de casas também decepcionaram. Em março, os alvarás recuaram 5,7% frente a fevereiro, abaixo da queda de 1,9% esperada; enquanto as novas construções subiram 2%, contra expectativa de mais de 15%. 

Grécia: FMI não dará o braço a torcer

Como já falamos ontem (foi importante para os movimentos nos mercados da Europa), o FMI negou que concederá período de carência à Grécia para os empréstimos que o país deve pagar no próximo mês. Foi o jornal britânico Financial Times quem, ao divulgar tal oposição do FMI, contribuiu para que os juros dos títulos soberanos subissem, em razão do risco mais alto dos seus ativos. Desde Washington, Christine Lagarde, do FMI, reconheceu que falou ao próprio ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que tal possibilidade não existia.

Ontem, durante um evento no Brookings Institution, em Washington, Varoufakis afirmou: “Precisamos chegar a um consenso com nossos parceiros sobre quatro ou cinco grandes reformas [...] e decidir sobre um plano fiscal racional para quatro ou cinco anos". Mais: disse que seria uma “vergonha” não chegar a tal acordo nos próximos dias.

Zona do euro: inflação recua, em linha com o esperado

A inflação ao consumidor recuou 0,1% em março, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números finais foram divulgados hoje, e ficaram em linha com a prévia, sem surpresas. Mas atenção: começa a perder forças a queda dos preços. Em janeiro e fevereiro, as quedas haviam sido de 0,6% e 0,3%, respectivamente. O núcleo da inflação – desconsiderando setores mais voláteis –, segue em 0,6%, também em linha com o esperado. À frente, um ritmo melhor das economias, e uma vez dissipado o efeito da queda do petróleo, a inflação pode se estabilizar pouco acima de 0% (considerando o índice “cheio”).

Reino Unido: desemprego é o mais baixo desde meados de 2008

O cenário segue sendo “cor de rosas” para o mercado de trabalho do país, segundo define o The Wall Street Journal. Em linha com o esperado, a taxa de desemprego caiu para 5,6% nos três meses encerrados em fevereiro, de 5,7% nos três meses até janeiro.