Macroeconomia e mercado

Notícias

FMC conclui compra da Cheminova

Negociação é avaliada em US$ 1,8 bilhão.

A Cheminova também produz fungicidas.

A americana FMC anunciou a compra por completo da multinacional de defensivos agrícolas Cheminova, com sede na Dinamarca e então subsidiária da Auriga.

O acordo de negociação começou em setembro do ano passado. Conforme as avaliações, o valor total da aquisição é de US$ 1,8 bilhão, que inclui passivos da Cheminova. (Jornal Cana 22/04/2015)

 

Fabricação de etanol 2G com sorgo entra em fase de testes

Emprego da matéria-prima será feito pela Raízen.

Os testes de fabricação de etanol celulósico com sorgo pela Raízen estão previstos para começar ainda este mês. A informação é de André Franco, gerente geral da Ceres Sementes, parceira da companhia sucroenergética.

“Temos previsão de testes para este mês, porém, os resultados serão divulgados mediante aprovação conjunta com a Raízen”, diz ele, em entrevista para o portal Jornal Cana.

Empresa de biotecnologia agrícola, produtora da linha de sorgo Blade, com sorgo sacarino, sorgo alta biomassa e sorgo silagem, a Ceres e a Raízen, anunciaram recentemente a assinatura de um acordo de colaboração plurianual. As empresas atuarão em conjunto para desenvolver e produzir sorgo sacarino em escala industrial.

Segundo o acordo firmado entre as empresas, ambas contribuirão com serviços e recursos no desenvolvimento do sorgo sacarino Blade, além de compartilhar a rentabilidade proveniente do etanol obtido a partir dessa cultura.

Confira a entrevista com André Franco:

Jornal Cana

O sorgo já é experimentado, ou empregado, como matéria-prima do etanol celulósico no exterior?

André Franco

Com foco no mercado nacional, não temos informações suficientes para comentar sobre os testes fora do Brasil. A Ceres Inc. (matriz internacional) já realizou no passado testes com nossa linha de sorgo Blade nos Estados Unidos.

Há projeções de ganhos de uso do sorgo ante a biomassa da cana na produção de etanol celulósico?

Para a produção de etanol celulósico, consideramos o sorgo alta biomassa Blade como mais uma alternativa às usinas, aumentando a oferta de matéria prima para compor o mix de produção junto ao bagaço da cana e demais fontes vegetais.

Vale também para produzir bioeletricidade?

O sorgo alta biomassa Blade pode ser utilizado tanto para produção de etanol celulósico, quanto contribuir no volume de biomassa para produção de energia para o processo.

Entendemos que muitas usinas que estão investindo na tecnologia, já produzem o etanol via extração do açúcar da cana, aproveitando a sobra de bagaço para produzir energia e produzir o etanol celulósico. Neste sentido, ter o sorgo alta biomassa Blade como alternativa adicional no processo de geração de energia ou etanol celulósico, poderá trazer maior competitividade às usinas.

Por conta da parceria com a Raízen, a Ceres não pode comercializar o sorgo para outros geradores de etanol? Como pode ser feita essa aquisição? Por muda, royalties?

A parceria com a Raízen não afeta as demais negociações com o mercado e as sementes de sorgo Blade podem ser compradas normalmente por qualquer usina, indústria, produtor ou revenda. [Nesta quinta-feira (23/04), a Ceres realiza o Dia de Campo Sorgo Blade na Fazenda Olhos d’Água, na BR 153, km 130, rodovia Canápolis-MG, em Centralina, para representantes de usinas sucroenergéticas, fornecedores de cana e sindicatos]

Por favor, explique mais sobre a parceria com a Raízen

O acordo visa o desenvolvimento da cultura, sendo que os resultados serão adicionados aos demais resultados obtidos junto à todos os outros clientes da Ceres Sementes pelo Centro Sul. É importante que a validação agrícola e industrial seja comprovada a cada safra, pois entendemos que muitas usinas ainda desconhecem o sorgo como fonte de matéria prima para produção de etanol ou biomassa para geração de calor e energia. Já sentimos que o sorgo tem seu espaço no mercado e sua adoção será maior a cada safra. (Jornal Cana 22/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Petrobras deve divulgar balanço auditado após fechamento de mercado

A Moody’s afirmou que tal divulgação é positiva para o crédito no Brasil, e Joaquim Levy diz que será grande passo. Em suma, a estatal segue no radar, e seus números do 3º tri de 2014 (e do ano como um todo) geram grande expectativa. Não é por acaso que as ações da empresa acumulam alta de 38% em abril.

Ontem, no entanto, as suas ADRs fecharam em queda nos EUA

Para hoje: números do setor externo devem mostrar melhora do saldo em transações correntes, e aumento dos investimentos estrangeiros diretos (com nova metodologia das contas). O Ibovespa tende a recuar, seguindo bolsas no exterior e cautela pré-balanço.

No exterior: após ganhos na Ásia, as bolsas operam em queda na Europa e índices futuros sinalizam abertura fraca nos EUA

Enquanto o índice Nikkei, do Japão, superou a marca de 20 mil pontos pela 1ª vez em 15 anos, as bolsas europeias e americanas devem ter um dia mais negativo. Será um dia intenso de divulgações das empresas americanas, com Facebook, Coca-Cola, Nielsen, eBay e McDonald´s no radar.

O dólar recua frente a moedas de desenvolvidos e emergentes

(O real tende a se beneficiar), enquanto tensões com Grécia diminuem na margem. Neste contexto, os juros dos títulos gregos recuam. Ao longo do dia, atenção às vendas de moradias usadas nos EUA e à confiança dos consumidores na zona do euro. À noite, sairá o PMI da indústria na China e Japão.

Brasil

Divulgação de balanço da Petrobras é positiva para a avaliação do país, diz Moody’s

Segundo a agência de classificação de risco, Moody’s, a publicação do balanço auditado de 2014 da Petrobras antes do final de abril é positiva para a avaliação de risco de crédito do país. Afinal, neste caso, não haveria a antecipação do vencimento das dívidas (que poderia chegar a US$110 bi, ou 5% do PIB brasileiro), e o governo não teria que dar apoio à empresa. Mais: a agência afirmou que o rating soberano do Brasil, assim como a perspectiva da nota, não deve ser alterado pela revisão da nota da Petrobras. "Embora exista uma conexão entre o rating da companhia e o do País, a relação de causalidade corre no sentido contrário", afirmou.

Orçamento de 2015 é sancionado e governo tem 30 dias para definir contingenciamento

Nesta quarta-feira (22), a presidente Dilma sancionou a lei orçamentária para o ano de 2015, prevendo receitas em R$2,98 trilhões. Apesar de ter vetado dois pontos no texto aprovado pelo Congresso, manteve a verba destinada ao Fundo Partidário, agora triplicada (passou de R$289,5 mi para R$867,5 mi). Sobre o contingenciamento: o governo tem 30 dias corridos para decretar o seu tamanho. Segundo o mercado, deve ficar em R$60 bi, mas pode ser ainda maior.

Balança comercial da 3ª semana de abril: déficit de US$240 mi

No acumulado do mês, atingiu déficit de US$108 mi, dadas as exportações de US$8,80 bi e as importações de US$8,91 bi. Em suma, os números ficaram aquém do esperado, e colocam um viés negativo às projeções dos analistas para o fechamento do mês. Deve ficar ao redor de US$500 mi, com aceleração das exportações/dia e queda das importações/dia.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ibovespa terminou em queda de -0,4%, fechando aos 53,761mil pontos. Os papéis de bancos recuaram, enquanto Petrobras e Vale subiram. O volume negociado foi fraco, apesar de ter sido dia de vencimento de opções sobre ações: R$4,20 bi, considerado as ações do índice. O dólar terminou em queda, em dia volátil. Na BM&F, os juros futuros subiram. Aos poucos, o mercado foi precificando novamente uma manutenção do ritmo de alta da Selic, por parte do BC, e em linha com o nosso cenário base. Ainda esperamos alta de 0,50 p.p. na reunião deste mês do Copom, levando-a para 13,25% ao ano.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos mais um dia de queda, mas pouca coisa mudou em relação à sexta-feira, a tendência segue sendo de alta com suporte em 52.000 e resistência em 54.900.

Cenário externo

EUA: Rosengren fala que ajuste pode ser adiando

Um dos presidentes regionais do Fed, Eric Rosengren, afirmou que a normalização de juros nos EUA pode ser adiada se a fraqueza de indicadores continuar, em entrevista concedida na segunda-feira (20) ao jornal The Wall Street Journal.  Ele não tem poder de voto este ano mas, de fato, lembramos que começou a ganhar força a expectativa de postergação do aperto. As apostas do mercado para o início da alta de juros, antes mais concentradas no 3º tri, foram em direção ao final deste ano.

Zona do euro: confiança melhora em abril

Segundo dados que foram divulgados ontem pela manhã, a confiança dos investidores na economia subiu no mês de abril, tendo como comparação os números de março. O índice que avalia as expectativas, segundo o instituto ZEW, passou de 62,4 para 64,8. O instituto também faz a divulgação sobre a confiança da Alemanha de modo separado: o índice subiu para 70,2, acima dos 55,1 de março e dos 56,5 esperados. Continuamos vendo números acima do esperado pelo mercado por lá.

Japão: superávit comercial anima mercado

Segundo números divulgados ontem à noite, o país registrou superávit de 3,3 bilhões de ienes em sua balança comercial de março (números ajustados), após déficit de 573,2 bi de ienes em fevereiro e expectativa de outro déficit no último mês (ao redor de 410 bi de ienes, segundo a Bloomberg). Desde março de 2011 não víamos um superávit por lá, e mostra força extra da economia e das empresas. As exportações cresceram em linha com o esperado (8,5% A/A), enquanto as importações recuaram de forma mais significativa (-14,5% A/A, contra esperados -12,6%).

Grécia: Não paga, mas não sai

A hipótese de calote tem ganhado forças diante da das declarações mais duras do FMI (sobre a impossibilidade de postergar ou aumentar período de carência) e a falta de capacidade de pagamento dos gregos. Na 1ª quinzena de maio, o país precisa pagar 950 milhões de euros (200 mi no 1º de maio e mais 750 no dia 12). Amanhã, o ministro das Finanças, Varoufakis, e a chanceler alemã, Angela Merkel, voltam a se reunir.

México: Cartens preocupado com recuperação econômica

Em evento da última segunda-feira (20), no Peterson Institute for International Economics, o presidente do BC mexicano demonstrou preocupação com o fato da recuperação econômica nos países desenvolvidos estar sendo feita à custa de políticas monetárias temporárias, “insustentáveis no médio ou longo prazos”. E alertou: “Os bancos centrais nos países emergentes já estão enfrentando desafios significativos na condução de suas políticas”, diante da perspectiva de normalização dos juros nos EUA. Sobre o México: “ter uma economia americana é importante. Melhor lidar com esta questão do que com uma economia fraca”.