Macroeconomia e mercado

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“Etanol é motivo de atenção pelo governo”, diz diretor da Tereos

Biocombustível é alternativa, afirma Jacyr Costa.

Jacyr da Silva Costa Filho, diretor da Divisão Brasil do Grupo Tereos, disse ao portal JornalCana que o etanol vive um momento bastante importante. “A perspectiva para o biocombustível também é bastante importante”, afirmou ele durante recente evento de abertura da safra 2015/16 da Guarani, empresa com sete unidades no país.

 “Inegavelmente o Brasil voltará a crescer e a demanda por biocombustíveis, principalmente no transporte individual, aumentará”, disse.

 “Nós temos a alternativa do etanol, que está sendo motivo, hoje, de atenção por parte do governo. Estamos otimistas com relação a isso.”

Em seu discurso no evento de abertura da safra, em espaço no Parque do Peão, em Barretos, Costa lembrou que “as medidas que foram tomadas pelo governo federal e a mudança do ICMS em Minas nos faz crer em uma boa safra até porque o Brasil vai precisar de etanol devido ao crescimento da demanda e fechamento de refinarias.”

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades da Guarani na safra 2015/16 deverá variar de 20 milhões a 20,5 milhões de toneladas, em volume próximo aos 20,2 milhões de toneladas do ciclo anterior e bem próximo da capacidade total, de 22 milhões de toneladas.

A previsão é de que até 1º de maio todas as sete unidades do grupo entrem em moagem. (Jornal Cana 29/04/2015)

 

Tereos compra Napier Brown por US$52,27 milhões

Quinto maior produtor mundial de açúcar, a Tereos Internacional, fortalece sua rede de fornecimento da commodity.

A produtora francesa de açúcar, Tereos concordou em adquirir a distribuidora londrina de açúcar Napier Brown, pertencente a Real Good Food por US$52,27 milhões.

Whitworths Sugar

Com mais de 90 anos de fundação, a Napier Brown, detentora da marca Whitworths Sugar, é a maior distribuidora de açúcar da Europa, com comercialização anual estimada em 300 mil toneladas.

Quinto maior produtor mundial de açúcar, a Tereos Internacional fortalecerá sua rede distribuição.

O fim das cotas para o açúcar europeu em 2017 pode ser um atrativo para investimentos neste segmento, preparando a empresa para competir no mercado internacional.

As negociações devem ser concluídas no final de maio deste ano. (Jornal Cana 29/04/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior: PIB americano será divulgado pela manhã (deve vir fraco), e investidores esperam por comunicado do Fed. Seguirá viva, ainda que pouco provável, a possibilidade de alta de juros a partir de junho?

Às 8h, horário de Brasília, o dólar index opera em leve queda, enquanto os juros das Treasuries operam em leve alta. Ainda assim, nenhuma direção muito clara, com investidores à espera dos eventos de hoje. Ressaltamos: dados de atividade mais fracos nos EUA têm levado o mercado a precificar uma alta de juros a partir de setembro (ou dezembro), perdendo forças a aposta de elevação já a partir de junho. Teremos alguma indicação no comunicado oficial do Fed? Após 41 empresas listadas no índice S&P 500 terem divulgados seus números referentes ao 1º tri de 2015 no dia de ontem, hoje também será dia importante. Time Warner e Garmin já divulgaram: lucro acima do esperado no primeiro, e abaixo no segundo.

Na Europa, as bolsas vão operando sem direção muito clara. Dados de confiança mostram que os consumidores estão mais confiantes, e corroboram perspectivas melhores após anúncio do “QE” europeu. O euro se fortalece frente ao dólar, enquanto os juros dos títulos soberanos sobem na região. Os da Grécia não chamam a atenção, e sobem pouco.

No Brasil: termina hoje a reunião do Copom. O banco central deve levar a Selic a 13,25% ao ano, dos atuais 12,75%. O comunicado oficial que sairá à noite deve ser alterado, dado que estamos já muito próximos do fim do ciclo de alta.

Em dia de bolsas sem direção muito clara e investidores cautelosos, Ibovespa pode ser pressionado para baixo. Agora há pouco, o Tesouro divulgou o resultado primário do governo central: R$1,5 bi, bem abaixo dos R$3,2 bi esperados pelo mercado. Acreditamos que números fracos nos EUA devem se sobrepor, e o real pode voltar a se fortalecer frente ao dólar. No mercado de juros, esperamos poucas oscilações, em dia de Copom, apesar do IGP-M de abril acima do esperado.

Na agenda micro: resultado do Bradesco mostra piora marginal da carteira de crédito, fruto da desaceleração econômica, mas números divulgados foram fortes.

Brasil

COPOM: Esperamos uma elevação de 0,50 pontos percentuais

Hoje termina o segundo dia de reunião sobre política monetária dentro do banco central. À noite, comunicado oficial será divulgado no site da instituição e esperamos, não só alguma mudança de linguagem, dado que estamos muito próximos ao final do ciclo de alta, mas também o anúncio de que a Selic passará dos atuais 12,75% ao ano para 13,25%. Lembramos: IPCA-15 de abril veio pouco acima do esperado, e dirigentes do BC têm falado que a instituição “foi, está e continuará vigilante”. Para a reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), dias 2 e 3, esperamos, neste momento, uma elevação de 0,25 pontos percentuais, deixando a Selic em 13,50% até o final do ano.

Desemprego em alta: segundo o IBGE, a taxa passou de 5,9% para 6,2% em março

A Pesquisa Mensal de Empregos (PME), divulgada ontem pelo IBGE, corrobora a perspectiva de desaceleração do mercado de trabalho ao longo dos próximos meses. A taxa de desemprego de março atingiu os 6,2%, contra os 5,0% no mesmo período do ano passado, vindo acima da expectativa dos economistas (de 6,1%, segundo a Bloomberg). É a maior taxa desde maio de 2001.

Em março, a elevação da taxa de desemprego decorre não só da queda da População Ocupada (queda de 0,86% A/A), mas também em razão da elevação da População Economicamente Ativa (+0,35%). Ou seja, tivemos uma queda do número de empregados e mais brasileiros procurando emprego (que antes não estavam empregados, mas não procuravam). Outro ponto que chamou a nossa atenção: os rendimentos reais, na comparação anual, recuaram 3,0% em março – a queda mais intensa desde fevereiro de 2004, quando o recuo havia sido de 4,8%. Em suma: para os próximos meses, nossa expectativa é de que a taxa de desemprego continue subindo, acompanhada de um enfraquecimento da renda dos trabalhadores, atrelada à desaceleração econômica.

Setor Elétrico: Nova alta de tarifas à frente é possível

Mesmo após alta média de 40% no primeiro trimestre deste ano, os preços da energia devem sofrer novo reajuste. A consultoria PSR estimou um passivo no setor de R$ 64 bilhões a ser coberto e a tendência é de que os consumidores arquem com a maior parte da conta, já que o governo tem sinalizado que o Tesouro não vai mais participar da operação. Caso todos os custos fossem incorporados de uma única vez, representariam um reajuste adicional de 33%. No entanto,  a expectativa é de  que o repasse seja parcelado em vários anos.

Concessões: Na próxima semana, novidades no setor de petróleo e gás

O governo vai lançar oficialmente na próxima semana a 13ª rodada de concessões de petróleo e gás. Segundo o Valor, o anuncio será feito pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, em uma conferencia internacional nos Estados Unidos. A expectativa do governo é arrecadar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em bônus de assinatura. O leilão deve ocorrer em outubro, e os contratos devem ser assinados em dezembro, o que garantiria e entrada dos recursos na conta do Tesouro ainda este ano.

Inflação: IGP-M de abril acima do esperado

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,17% em abril, de 0,98% em março, acima da mediana das expectativas, de 1,11%. Entre os três indicadores que compõem o índice, o IPA-M saiu de 0,92% em março, para 1,41% em abril, o IPC-M passou de 1,42% no mês passado, para 0,75% em março, e o INCC-M acelerou de 0,36% para 0,65%, na mesma base de comparação. Com esse resultado, a variação acumulada do IGP-M no ano é de 3,22% e, nos 12 meses até abril, de 3,55%.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Após seis pregões de queda, o dólar voltou a subir (+0,69%, a R$2,9418).

Na BM&F, as taxas dos contratos futuros também avançaram, mas investidores estavam cautelosos diante do dia de hoje, com divulgação do PIB americano e o final das reuniões do Copom e do FOMC. Em bolsa, um dia de volatilidade. Ibovespa fechou em alta de 0,5%, aos 55,812 mil pontos, com volume bastante expressivo negociado, de R$8,212 bi. O pregão foi marcado pela cautela dos investidores. Petrobras, Eletrobrás, Itaú e Bradesco subiram forte. Foi destaque a possibilidade de nova elevação das tarifas de energia elétrica. [no Valor de hoje, matéria comenta tal possibilidade]

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos um dia de bastante indecisão com fechamento positivo, com isso aumenta a chance do suporte em 54.900 ser respeitado e continuarmos a tendência de alta. Se esse suporte for perdido nos próximos dias a situação ficará bem menos positiva, agora temos resistência em 58.000.

Cenário externo

EUA: Fed no radar

Hoje é o segundo dia da reunião de política monetária do Fed. À tarde, teremos a divulgação do comunicado oficial, com investidores esperando alguns sinais sobre o timming da normalização das políticas recentes. Deixará na mesa a possibilidade de elevação de juros a partir da reunião de junho?

EUA: resultados corporativos não tão negativos assim

Ontem foi um dia especialmente importante para as empresas americanas: 41 das listadas no índice S&P 500 (pouco mais de 8% destas) divulgaram seus números referentes ao 1º trimestre do ano. As bolsas americanas terminaram o dia em alta, com números que por vezes surpreenderam de forma positiva (o Dow Jones subiu 0,4%; o S&P 500 subiu 0,3%). Até agora, os números das 233 empresas que divulgaram resultados mostram um queda de 1,8% nos lucros com relação ao mesmo período do ano anterior, queda menor do que a esperada pelos analistas (-4,6%), diante da recente valorização do dólar.

BC europeu & Grécia: Linha de Assistência Emergencial aos bancos gregos aumenta

O BC europeu elevou hoje o limite máximo de recursos que os bancos gregos podem tomar emprestados por meio da Linha de Assistência Emergencial (ELA, na sigla em inglês). Agora, o teto passa a ser de 76,9 bilhões de euros (US$ 84,46 bilhões), contra os antigos 75,5 bilhões de euros, segundo fontes. Nos últimos dias, as notícias têm sido mais positivas com relação às negociações entre Grécia e credores internacionais. Lembramos: a equipe de negociadores gregos mudou, e o primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras, afirmou ontem estar confiante no acordo.

Europa: Base monetária da zona do euro (M3) subiu 4,6% em março ante igual mês do ano passado, acima da expectativa dos analistas

Esperava-se aumento de 4,3%. Na média móvel de três meses até março, a oferta monetária teve alta de 4,1%, também superior à previsão, de 4,0%. Os empréstimos ao setor privado avançaram 0,1% na comparação anual de março. Em fevereiro, os empréstimos haviam apresentado redução de 0,1%.

Tailândia: corte de juros & projeção mais modesta de PIB

O banco central tailandês surpreendeu o mercado e anunciou o corte de juros nesta manhã, de 1,75% para 1,50% ao ano. Mais do que isso: o governo cortou a projeção de PIB para este ano, de 3,9% para 3,7%, diante de exportações e confiança do consumidor em níveis muito baixos.