Macroeconomia e mercado

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Briga entre Abengoa e empresários brasileiros chega ao STJ

O STJ deve decidir amanhã uma briga entre a espanhola do setor energético Abengoa e empresários brasileiros.

A Abengoa comprou três usinas de açúcar da brasileira Dedini Ometto em 2007, mas teve prejuízos em sua empreitada no Brasil e passou a pedir indenizações de 100 milhões de dólares dos brasileiros na Justiça americana. Uma corte arbitral acabou dando razão aos espanhóis.

Acontece que o escritório de advocacia de David Rivkin, o magistrado que presidiu a arbitragem, recebeu 6,5 milhões de dólares em honorários da Abengoa enquanto o processo rolava nos tribunais. Depois da decisão, Rivkin, que não se declarou suspeito, admitiu os pagamentos, mas mesmo assim a Justiça dos EUA não viu provas de que o dinheiro se destinou a influenciá-lo.

Como as leis aplicadas na arbitragem foram brasileiras, caberá a Felix Fischer decidir se homologa a sentença americana ou não.

Empresas espanholas, a propósito, são alvo de 1 029 processos nos tribunais do Brasil. A Abengoa responde por 824 deles. (Veja, 05/05/2015)

 

BNDES: Estratégias de apoio à inovação para o setor sucroenergético

Conheça detalhes das propostas feitas por especialistas do BNDES.

Qual deve ser a estratégia e apoio de instituições públicas como o BNDES para o setor sucroenergético?

Carlos Cavalcanti e Artur Milanez, executivos do Departamento de Biocombustíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresentam, no trabalho a seguir, detalhamento sobre propostas estratégicas de apoio.

Os especialistas da instituição financeira aproveitam, também, para apresentar um panorama do biocombustível brasileiro feito da cana-de-açúcar.

Produtividade estagnada

Entre 1975, quando o etanol, então chamado pró-álcool, ganhou escala produtiva no Brasil, e o ano de 2000, a produtividade do biocombustível obteve ganho de escala.

A produtividade saiu de médios 2 mil litros por hectare em 1975 para médios 5 mil litros/hectare em 2000.

Do ano 2000 até 2014, no entanto, o ganho teve avanço considerado inexpressivo. O setor chegou a 2014 com médios 5,3 mil litros por hectare, ou seja, apenas 300 litros/hectare em uma diferença de quatro anos.

Os dados de Cavalcanti e de Milanez foram depurados a partir de levantamentos do IBGE, Ministério da Agricultura (Mapa) e da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Custos crescentes

Ao mesmo tempo em que a produtividade seguiu a passos lentos, os custos de produção tiveram ritmo de corrida.

Conforme o estudo dos especialistas do BNDES, produzir 1 metro cúbico (1 mil litros) custava, em valores nominais, médios R$ 800 para a unidade produtora na safra 2005/06.

Daí, caiu para médios R$ 700 o m3 no ciclo 07/08. Mas em seguida subiu e só caiu em uma das próximas safras avaliadas.

Na safra 09/10, fazer mil litros custava em média R$ 750 nominais, valor que saltou para médios R$ 1,250/m3 no ciclo 10/11, para médios R$ 800/m3 no ciclo 12/13.

Na safra 14/15, a expectativa dos especialistas era de que o custo de produção do m3 foi de médios nominais R$ 1.250.

Estagnação de investimentos

Diante produtividade baixa e custos de produção alta, os investimentos em novas plantas industriais, as greenfields, registraram recuo.

Conforme o estudo do BNDES, o pico de abertura de novas plantas industriais foi registrado na safra 2008/09, quando o país registrou a abertura de 30 unidades.

As inaugurações foram reduzidas para 3 na safra 13/14.

Consumo de combustíveis - ciclo Otto

Entre 2013 a 2022, segundo o estudo dos especialistas do BNDES, o consumo nacional de combustíveis pelo ciclo Otto deverá sofrer variações em favor do etanol.

Nos dez anos avaliados, o consumo nacional de gasolina nacional deverá manter-se em médios 27,4 bilhões de litros por ano, enquanto a gasolina importada ampliará sua participação de 3,4 bilhões de litros em 2013 para 15 bilhões de litros em 2022.

Já o mercado nacional, que consumiu 10,3 bilhões de litros de etanol anidro em 2013, deverá absorver 14,1 bilhões de litros em 2022.

E o mercado brasileiro para etanol hidratado, que consumiu 12,7 bilhões de litros em 2013, chegará a 2022 com a previsão de consumir 30,8 bilhões de litros.

Inovação industrial: paradigma maduro

Como deverá ser a produtividade de etanol por hectare? Segundo os especialistas do BNDES, podem ser obtidos 17 mil litros/hectare com biocombustível 2G e cana energia.

Já a produção alcança 10 mil litros/hectare com etanol 2G sem cana energia, 7.020 litros/hectares com etanol 1G otimizada e 6,9 mi litros/hectare com o 1G atual.

PAISS – Diagnóstico e reorientação estratégica

Lançado em março de 2011, o Plano Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS) permitiu, conforme os executivos do BNDES, traçar avaliações sobre o segmento de etanol celulósico, ou 2G.

Permitiu, por exemplo, aumento da disponibilidade e previsibilidade de recursos; focalização em projetos (inclusive comerciais) de biocombustíveis avançados e em suas etapas de produção; e maior coordenação das agências de fomento federais.

PAISS - Sumário

A carteira de investimentos avançou no Brasil. Em 2010, a carteira somava R$ 114 milhões, que, conforme o BNDES, subiu para R$ 1 bilhão em 2011, já com o PAISS, e disparou para R$ 3.660 bilhões em 2013.

Inovação agrícola: crescimento lento

Entre 1977 e 2000, o ganho agrícola (toneladas/hectare) da cana-de-açúcar foi de 40%, enquanto o ganho da soja disparou 149% no mesmo período, só perdendo para o milho, que subiu acumulados 164%.

Potencial agrícola inexplorado

Conforme os especialistas do BNDES, a cana-de-açúcar será uma das últimas culturas agrícolas de grande escala a entrar na era transgenia, técnica que poderia mais do que quintuplicar seu potencial produtivo.

PAISS Agrícola - Diagnóstico

Baixo retorno privado: Mercado mundial de cana ainda pequeno + P&D em cana mais desafiador: complexidade genética e elevados volumes de biomassa.

Elevado retorno social: Cana é a 2ª maior fonte de energia primária e 1ª renovável do Brasil + Etanol pode abastecer mais da metade da frota de veículos e cana gera US$ 14 bilhões de divisas por ano.

PAIS AGRÍCOLA - Resultado final

Segundo os especialistas do BNDES, é possível reduzir os custos com capital, enzimas e biomassa e aumento do rendimento de etanol ao longo do tempo, ou seja, entre 2016 e 2030.

Potencial do PAISS - Novas usinas

Em razão de as novas refinarias do Brasil serem dedicadas a diesel, o Ministério das Minas e Energia (MME) projeta importações de gasolina superiores a 15 bilhões de litros por ano a partir de 2022.

Para evitar essa importação, seria necessário agregar produção de 21 bilhões de litros de etanol, esforço de investimento que o E2G poderia tornar mais factível.

Resumo da estratégia

O atual paradigma tecnológico do setor sucroenergético apresenta sinais de maturidade, o que torna cada vez mais difícil conquistar ganhos expressivos de produtividade.

Para superar essa barreira, é necessária uma transformação estrutural do sistema produtivo, com a introdução de novas tecnologias baseadas em: etanol2G e química renovável (PAISS1) e cana-energia e cana-de-açúcar transgênica (PAISS2).

Em paralelo, é oportuno estudar um conjunto factível e diversificado de medidas de apoio a essas novas tecnologias, dentre elas: mandato obrigatório, incentivos ao investimento em P&D e marco regulatório para biotecnologia industrial.

Informações detalhadas sobre esse relatório podem ser obtidas no seguinte endereço eletrônico na internet: www.bndes.gov.br/etanol2g. (Jornal Cana 05/05/2015)

 

Preço do açúcar: Média de abr/15 supera a de mar/15, mas fica abaixo da de abr/14

Os preços do açúcar cristal subiram no mercado spot paulista em abril, mesmo com o início oficial da safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil.

De acordo com dados do Cepea, a média do Indicador CEPEA/ESALQ, com Icumsa entre 130 a 180, foi de R$ 51,57/saca de 50 kg em abril/15, valor 1,18% maior que o de março/15 (R$ 50,97/saca).

Em relação há um ano, no entanto, a média de abril/15 foi 3,15% inferior (o Indicador teve média de R$ 53,25/saca de 50 kg em abril/14) – deflacionado pelo IGP-DI de março/15.

Segundo levantamento do Cepea, o número de usinas que iniciou a moagem da cana-de-açúcar da nova temporada aumentou na segunda quinzena de abril.

No geral, a oferta de açúcar se restringiu a tipos de qualidades inferiores, que não fazem parte do Indicador.

Somente na última semana do mês que houve pequeno aumento na oferta de açúcar de maior qualidade (Icumsa até 180) e, com isso, alguns negócios envolvendo esse tipo foram captados. (Cepea / Esalq 05/05/2015)

 

Safra tem início com etanol anidro 11% mais barato que há um ano

Os preços médios dos etanóis no mercado paulista iniciaram a safra 2015/16 inferiores aos registrados em março/15 e também abaixo dos de abril/14.

Segundo pesquisadores do Cepea, com os estoques relativamente altos, representantes de usinas precisam ofertar o combustível remanescente, o que pressiona as cotações. Nem mesmo o maior volume negociado em abril foi suficiente para evitar novos recuos mensais das cotações.

Em abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do anidro (estado de São Paulo) teve média de R$ 1,4015/l (PIS/Cofins zerados), quedas de 2,5% em relação ao mês anterior e de 11% sobre abril/14, em termos reais (deflacionando-se pelo IGP-M de abril/15).

Para o hidratado, o Indicador mensal foi de R$ 1,2616/litro (sem impostos), respectivas baixas de 1,1% e 9%, também já considerando-se a inflação do período. (Cepea / Esalq 05/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Lucro do Itaú pouco acima do esperado pelo mercado no 1º tri de 2015. Foi, em suma, um resultado bastante forte

Falamos mais na sessão de empresas. Com relação às bolsas: apesar do Itaú, o Ibovespa pode recuar, em dia menos favorável para ativos de risco no cenário internacional. Na China, o índice Shanghai Composite recuou expressivos 4,1%, puxando bolsas de emergentes para baixo. Alguns analistas projetam correção ao redor de 20% no preço das ações. No último ano, o rali foi de 113%.

Na Europa, as bolsas operam em direções mistas

O índice FTSE, após feriado em Londres, se ajusta às altas de ontem e é um dos destaques de alta da região. Resultados de empresas como UBS e Adidas também contribuíram para um início de sessão mais positivo. No entanto, às 8h12, horário de Brasília, a maioria dos índices já opera em baixa. O euro volta a recuar frente ao dólar (3ª sessão seguida de queda), e a questão da dívida grega segue em pauta, sem desfecho claro. Ministros da região seguem reuniões em Bruxelas e Frankfurt hoje.

Nos EUA, os índices futuros apontam abertura fraca, após duas sessões seguidas de ganhos

O índice S&P 500 fechou ontem a três pontos de sua máxima. Os dados de atividade devem começar a melhorar, contribuindo para a retomada do dólar. Hoje, o dólar index opera em alta leve. Na agenda, espera-se a balança comercial de março e o PMI de serviços de abril.

Aqui no Brasil, a Câmara dos Deputados discute medidas de ajuste fiscal

Estão na pauta as Medidas Provisórias referentes ao seguro-desemprego e às pensões por morte, parte do ajuste fiscal de Joaquim Levy. A percepção de risco pode aumentar, pressionando dólar e juros futuros para cima. Na agenda, indicadores industriais da CNI, provavelmente fracos em março serão os destaques.

Brasil

Balança comercial de abril: superávit de US$491 milhões

Em abril, tanto as importações quanto as exportações, considerando a média diária, registraram recuos significativos em relação ao mesmo período do ano passado: -23,7% e -23,2%, respectivamente. Herlon Brandão, do Mdic, destacou alguns fatores atípicos: paralizações de caminhoneiros, e incêndio em Santos. Em suma: março e abril tentam reverter déficits de janeiro e fevereiro, mas ainda falta muito para isso. No ano, temos déficit acumulado de US$5,066 bi. Em 12 meses, o déficit é de US$3,529 bi. Registre-se: o Boletim Focus divulgado ontem projeta superávit de US$4,02 bi.

Preços: IPC-Fipe acelera em abril, mas fica aquém das expectativas

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou uma alta de 1,10% em abril. O número representa uma aceleração em relação à leitura de março, quando o índice avançou 0,70%. Ainda assim, é preciso ressaltar: o mercado, segundo pesquisa da Agência Estado, esperava alta de 1,18% (intervalo entre 0,98% e 1,30%). No ano, acumula-se alta de 4,72%, contra 2,76% acumulados no mesmo período de 2014. Nos 12 meses encerrados em abril, acumula-se alta de 7,21%.

Sabesp: Tarifas em alta

A inflação de junho deve ser afetada pelo reajuste das tarifas. A Sabesp informou que a ARSESP (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), nesta segunda-feira, divulgou duas deliberações sobre reajuste de tarifas que resultaram em aumento de 15,24%. A Sabesp havia pleiteado aumento de 22,7%. Dos 15,25%, 7,7875% devem-se à inflação observada no período. Os outros 6,9154% referem-se à Revisão Tarifária Extraordinária. O impacto na inflação do próximo mês será ao redor de 0,04 ponto percentual. Os novos valores são aplicáveis 30 dias após sua publicação no “Diário Oficial”.

Indústria desacelera ainda mais em abril, segundo PMI

A indústria, avaliada pelo índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), medida pelo HSBC/Markit, mostrou piora adicional do setor em abril. Segundo a economista da Markit, Pollyanna De Lima, “A economia industrial brasileira parece estar mergulhando numa recessão”. Mais: “as contrações nos volumes de produção, de novos pedidos e nos níveis de compra aceleraram ao longo do mês, fazendo com que as expectativas de uma recuperação no segundo trimestre se tornassem mais duvidosas”. Em suma: o PMI da indústria passou de 46,2 para 46,0 pontos em abril. Abaixo de 50 pontos, segue sinalizando contração à frente da atividade.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar abriu a semana em forte alta (+2,42%, a R$3,0826), após Banco Central sinalizar rolagem parcial do lote de contratos de swap cambial que venceriam em junho. No mercado de juros futuros, as taxas de contratos de depósito Interfinanceiro (DI) também avançaram, acompanhando o dólar. O DI para janeiro 2016 subiu de 13,67% para 13,68%. Em bolsa: Ibovespa subiu 2,00%, fechando aos 57.353 pontos. Entre as principais ações, destaque para Vale ON (9,40%), Vale PN (+6,34%) e Itaú (+1,13%).

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos um bom dia de alta rompendo a resistência em 56.600, abrindo assim espaço para mais altas. A tendência segue sendo claramente altista. Em um próximo recuo é importante que esse nível, que agora é suporte, não seja perdido para que tenhamos a continuação da tendência.

Cenário Externo

Zona do Euro: projeções de PIB e inflação melhoram

Segundo as projeções da Comissão Européia, o PIB do bloco de 19 países crescerá este ano 1,5%, acima dos 1,3% previstos em fevereiro. A Grécia, por outro lado, teve sua projeção de crescimento reduzida: de 2,5% para 0,5%. França e Alemanha devem crescer um pouco mais: o primeiro deve crescer 1,1%, acima dos 1,0% projetados há três meses; o segundo deve crescer 1,9%, acima dos 1,5% previstos há pouco. Na Itália, tudo igual: projeção segue em 0,6%. E a inflação? Bem, aqui, tivemos elogios ao programa de estímulos do BC europeu. Diante de um euro mais depreciado (recuou no ano 8,3%), a inflação parece esboçar uma trajetória mais saudável. Já não deve recuar 0,1% neste ano, mas subir 0,1%. Em 2016, deve ficar ao redor de 1,6%.

Austrália: BC corta juros, agora em nível recorde de 2%

O Banco da Reserva da Austrália (RBA, na sigla em inglês) anunciou hoje uma redução de sua taxa de juros de referência em 0,25 pontos porcentuais, para 2,00% ao ano. Foi o 2º corte deste ano, levando a taxa de juros ao nível recorde baixa. Glenn Stevens, presidente do RBA, argumentou: "A perspectiva para a inflação ofereceu uma oportunidade para mais afrouxamento da política monetária". Afinal, além da queda do preço das commodities, a valorização recente do dólar australiano prejudica a economia. Na próxima sexta, o RBA divulgará relatório trimestral que deve reduzir projeções de crescimento à frente, apesar da política monetária recente mais acomodatícia.

EUA: encomendas à indústria avançam em março & ISM de NY surpreende

Ontem foi um dia de números fortes sobre a economia americana, um dos motivos para a valorização do dólar no cenário internacional. Primeiro: as encomendas à indústria subiram mais do que o esperado em março. Na comparação com fevereiro, o avanço foi de 2,1%, acima dos 2,0% esperados e dos 0,2% do mês anterior, segundo a Bloomberg. Mais: o índice ISM de Nova Iorque avançou para 58,1 pontos em abril, acima dos 50,0 do mês anterior.