Macroeconomia e mercado

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Mercados Hoje

No Brasil: Lula aparece na TV e Dilma sofre derrota importante no dia de ontem – tensão que pode se refletir nos mercados a partir de hoje. A aparição em rede nacional do ex-presidente não parece ter contribuído para melhorar a situação do Planalto. Muito pelo contrário: ganhou panelaços e perdeu o apoio do PMDB no que diz respeito às Medidas Provisórias que pretendem ajustar alguns dos benefícios trabalhistas. A dificuldade de levar adiante o ajuste fiscal volta à cena. Neste contexto, dólar e juros futuros podem voltar a ser pressionados para cima.

Na agenda macro: produção industrial recuou um pouco mais do que o esperado. Na comparação mensal, queda de 0,8%. Na comparação anual, queda de 3,5%. O setor segue em deterioração. Os dados de ontem da CNI apontam para o mesmo.

Na agenda micro: Ambev tem bom resultado; CSN fica acima do esperado.

No exterior: as bolsas na Europa operam em alta, às 8h33, horário de Brasília, após queda das bolsas na Ásia. No Japão, o mercado segue fechado por conta de feriado. Nos EUA, os futuros sinalizam boa abertura hoje, após quedas de ontem. Na agenda macro internacional, destaque para os números de contratações formais no mercado de trabalho americano (ADP), aquém do esperado pelo mercado.

A presidente do Fed, Janet Yellen, fala em evento do FMI, às 10h15 – uma possibilidade de comentar sobre os recentes dados do país e o futuro dos juros por lá. O dólar opera em baixa hoje frente a seus principais pares. Em breve, acreditamos que a moeda deve voltar a se fortalecer. 

O petróleo volta a subir, com perspectivas de normalização da oferta internacional. Relatório de estoques nos EUA hoje, que sairá às 11h30, será importante para manter, ou não, a recuperação da commodity. A coroa da Noruega e o rublo da Rússia são destaques de alta frente à moeda americana.

 

 

Brasil

Lula na TV, panelaços e reação do PMDB: Dilma sofre derrota importante

O dia de ontem marcou uma derrota política importante para a presidente Dilma. O programa de TV em rede nacional veiculado pelo PT contou com Lula afirmando que o projeto de lei que passou pela Câmara dos Deputados – sobre a terceirização – nos levará ao tempo em que o “trabalhador era um cidadão de terceira classe, sem direitos, sem garantias, sem dignidade”. A reação foi imediata: teve não só panelaços, mas também Eduardo Cunha (PMDB-RJ) adiando a votação da medida provisória 665, que restringe o acesso à concessão de seguro-desemprego e abono salarial. Ruim para acalmar preocupações com relação aos ajustes fiscais. O PMDB anunciou a retirada do apoio à MP 665, e dificilmente ela seja votada ainda hoje. O tema deve se estender pelos próximos dias.

Mais: foi aprovada a PEC da Bengala na Câmara, aumentando de 70 para 75 anos a aposentadoria compulsória dos ministros de tribunais superiores. Isso pode reduzir o número de ministros que a presidente poderá indicara para os tribunais superiores até o final do seu mandato.

Sobre a terceirização: debate é mal informado, afirma Delfim

Dado que o tema citado acima trata, essencialmente, do projeto de lei da terceirização, vale a leitura da coluna da Folha de hoje de Delfim Netto. Um aviso: “Não se viu, nos últimos 30 anos, um debate tão mal informado e sem base empírica quanto o que se processa hoje em torno da ‘terceirização’”. Mais: “Não se trata de saber se o que essa supõe ‘idealmente’ poderia acontecer se o mundo fosse o que ela ‘inventa’ – em referência à “esquerda brasileira” –, mas o que se sabe, empiricamente, sobre o problema no cruel mundo ‘real’ em que vivemos”.

Caixa fechada: arrocho na liberação de recursos para o financiamento da casa própria

Seguem saindo informações sobre o tema nos jornais. E as notícias não são, evidentemente, nada positivas para o setor de construção civil. A Caixa reduziu a parcela do imóvel usado que poderá ser financiada a partir de 4 de maio. A agência de classificação de risco, Fitch, já se pronunciou: a mudança “deve contribuir para enfraquecer ainda mais a demanda por ativos imobiliários residenciais no mercado secundário”. Atenção: dado que altera as regras para imóveis usados, na avaliação da Fitch, é positivo para as incorporadoras, dado que diminui a concorrência nas vendas.

Tarifas da Eletropaulo podem subir a partir de jujho

Segundo proposta da Aneel, as tarifas para consumidores conectados à rede de baixa tensão podem aumentar 16,73% a partir de 4 de julho – a quarta revisão tarifária da empresa. Em suma: caso seja aprovada, haverá um impacto adicional sobre a inflação de julho, que pode ser ao redor de 0,10 ponto percentual.

Sobre os dados da Fenabrave: 2º tri começa ainda mais fraco do que o 1º

Foram vendidos 334,211 mil veículos no mercado interno, representando queda de 21,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Na comparação mensal, usando a série livre de efeitos sazonais, a queda foi de 3% (desconsiderando máquinas agrícolas e implementos rodoviários). Automóveis recuaram 15% frente a abril de 2014, após ter permanecido próximo à estabilidade no mês anterior. Em suma, o 2º trimestre do ano começa ainda mais fraco do que o 1º.

Sobre os dados da CNI: indústria ainda fraca

O faturamento real da indústria de transformação ficou praticamente estável em março, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Registrou alta de 0,2%, após quedas de 7,8% e 10,% em janeiro e fevereiro, respectivamente. Ou seja, a melhora marginal é incapaz de reverter a piora recente. Outros indicadores importantes: o emprego (-4,5%), horas trabalhadas (-5,9%), massa salarial real (-5,0%) e utilização da capacidade instalada (-0,4%) também apresentaram resultados ruins no penúltimo mês.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar recuou ontem (-0,48%, a R$3,0677), devolvendo parte da alta de mais de 2% registrada na segunda-feira com investidores aproveitando a queda da moeda americana no exterior para efetuar ganhos. No mercado de juros futuros, a taxa dos contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 se manteve em 13,68%. Em bolsa: Ibovespa subiu 1,22%, fechando aos 58.051 pontos. Há forte entrada de capitais estrangeiros na bolsa: só em abril, entraram mais de R$ 7.604 bilhões, um recorde histórico. Isso tem puxado as ações da Petrobrás e Vale para cima. Ontem: destaque para Petrobrás (+4,20%), Vale (+5,18%) e Eletrobrás (13,7%).

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa terça tivemos mais um dia de boa alta testando a resistência em 58.000, o rompimento desse nível abrirá espaço para mais altas e mostrará que o Ibov está incrivelmente forte. Em um próximo recuo é importante que o suporte em 56.600 não seja perdido para que a tendência de alta siga confiável. [texto retirado do relatórioPanorama Técnico]

 

Cenário Externo

EUA: balança comercial tem déficit de US$51,4 bilhões em março

O déficit comercial foi o maior desde novembro de 2008, ano da crise financeira. A piora no mês de março foi da ordem de 41%, na comparação com o déficit de US$35,9 bi registrado em fevereiro. Foi provocado pelo aumento das importações (7,7% M/M) e estagnação das exportações (0,9% M/M). Em suma: a primeira leitura do PIB, de crescimento de 0,2% na comparação trimestral, pode ser revisada para terreno negativo em breve, após dados muito fracos de comércio com o resto do mundo.

EUA: Kocherlakota preocupado com desaceleração econômica

Narayana Kocherlakota, presidente do Fed de Minneapolis, mostrou preocupação com a desaceleração econômica no 1º tri do ano. O Fed, em sua opinião, deveria a adiar o início da elevação dos juros. Para ele, uma elevação dos juros neste ano seria "mover a economia na direção errada" – opinião contrária à nossa.

EUA: PMI de serviços desacelera em abril, mas segue em patamar alto

O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) referente ao setor de serviços caiu para 57,4 em abril, de 59,2 em março, abaixo da expectativa dos analistas, de 57,8. Apesar da queda, este é o segundo melhor resultado desde setembro de 2014 e, bem acima de 50 pontos, segue sinalizando expansão da atividade à frente. Destaque positivo para a forte alta do sub-índice de emprego, e para os preços dos insumos, que registraram a maior alta nos últimos seis meses. Do lado negativo, a produção e os novos negócios desaceleraram na comparação com março.

Zona do euro: números de hoje sinalizam início forte do 2º trimestre

Saíram hoje cedo os números finais dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). Em abril, o PMI composto – índice que avalia tanto a indústria quanto o setor de serviços – recuou para 53,9, ligeiramente abaixo dos 54 pontos de março. A prévia, divulgada na semana passada, era de 53,5. Em suma: bem acima dos 50 pontos – divisor de águas entre a “expansão” e a “contração” –, sugere que o bloco de países segue melhorando diante de estímulos de seu BC, queda dos preços do petróleo e euro mais depreciado. Importante: países periféricos ganham mais tração que os grandes. Tanto na Alemanha quanto na França, o PMI recuou na comparação com março (agora estão em 54,1 e 50,6). Na Espanha e na Itália, agora em 59,1 e 53,9, respectivamente, atingiram as máximas dos últimos 10 e 9 meses.

Grécia: pagamento de 200 milhões de euros foi feito ao FMI

Segundo autoridade do governo grego, a Grécia fez hoje um pagamento de 200 milhões de euros (US$ 224 milhões) em juros ao FMI. O próximo pagamento do país também deverá ser feito ao Fundo: 750 milhões de euros, vencendo no próximo dia 12.

Romênia: corte de juros e taxa na mínima histórica

O BC da Romênia surpreendeu hoje ao decidir cortar a sua taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para a nova mínima histórica de 1,75%, segundo a agência de notícias Mediafax. Mas vale notar: foi o sétimo corte do ciclo de expansão monetária iniciado em agosto de 2014. Também foi cortado o compulsório para depósitos em moeda local (de 10% para 8%). O movimento por lá corrobora o viés expansionista que continuamos observando em muitos bancos centrais ao redor do mundo, como comentamos ontem em nosso Relatório de Política Monetária.