Macroeconomia e mercado

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Usineiros cobram eficácia das medidas de apoio ao etanol

Unica avalia como fundamental a preocupação em garantir a efetividade das ações do governo.

Os produtores de etanol se apoiam nos sinais emitidos pela nova equipe de ministros para tentar renovar sua confiança de que o governo está disposto a criar condições para recuperar a atividade no país. Os usineiros entendem, no entanto, que não bastar ter a confiança do setor. A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou ao Valor que é preciso que o governo garanta a eficácia das medidas políticas.

Farina considera que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, se mostra “mais pé no chão” no reconhecimento dos desafios para restabelecer o patamar adequado de rentabilidade nas usinas. “O ministro Braga reconheceu, em apresentação, que devemos nos preparar para uma crise em 2025, quando o Brasil será obrigado a importar 26 bilhões de litros de gasolina para abastecer o mercado interno”.

O cenário descrito pelo ministro prevê a manutenção dos atuais níveis de produção de etanol e gasolina por dez anos. A presidente da Unica ressalta a importância da retomar o crescimento da produção de etanol hidratado para ajudar o país a enfrentar a situação.

“De outro lado, a ministra Kátia Abreu [Agricultura] tem se mostrado uma forte aliada, não só no apoio político, mas também nas discussões técnicas com os demais órgãos”, disse Farina, que ressalta a importância de criar o mínimo de previsibilidade para o investidor.

A experiência recente dos produtores de cana indica que não basta esperar o lançamento de medidas em benefício do setor. Farina avalia como fundamental a preocupação em garantir a efetividade das ações do governo que não resolveu os problemas enfrentados desde a crise 2009.

Entre as iniciativas que produziram efeitos aquém do esperado estão, segundo Farina: a desoneração de PIS/Cofins que impõe a dificuldade de recuperar créditos tributários (cerca de R$ 2 bilhões são retidos a cada ano), o apoio à estocagem de etanol que é prejudicada com a descontinuidade do programa de oferta de financiamento em condições especiais, as liberações de recurso para a renovação dos canaviais (Pró-Renova) sofrem atrasos superiores a um ano. E o programa de estímulo ao ganho de eficiência dos motores (Inova-Auto) não incentiva a melhora da performance dos motores flex (bicombustível).

Além de buscar apoio no alto escalão do Poder Executivo, a Unica acompanhará de perto o trabalho na nova Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético. O novo presidente da frente parlamentar, deputado Sergio Souza (PMDB-PR), assumirá hoje o posto. O deputado falou também com o Valor sobre agenda de trabalho para os próximos anos.

“Vamos tentar construir uma agenda positiva para o setor, recuperando a ideia de que a sua produção de cana-de-açúcar coloca o Brasil na vanguarda de uma matriz energética limpa”, afirmou o deputado. Ele defende que o setor precisa recuperar o papel central na política de combustíveis. “Durante o governo Lula, o potencial do nosso etanol ganhou o mundo, com expectativa de tornarmos exportadores, mas hoje a verdade é que chegamos ao sucateamento”.

O deputado apresentará hoje na reinauguração do comando da frente parlamentar a proposta de agenda legislativa para o setor. Segundo ele, um dos pontos principais é retomar a discussão sobre o marco regulatório

 

BC vê alta maior da gasolina este ano

O Banco Central elevou sua previsão de alta para o preço da gasolina este ano. A estimativa agora é que o preço suba 9,8% em 2015, em março, a alta prevista era de 8%. A previsão faz parte da ata da última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do BC, ocorrida na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia avançou para 13,25% ao ano – o maior patamar desde o início de 2009.

Para as contas de luz, o BC manteve em 38,3% a previsão de alta nos preços deste ano. O reajuste esperado no preço do gás de bujão, no entanto, recuou de 3,2% para 1,9%. Também foi mantida a previsão de queda de 4,1% nos preços da telefonia fixa.

O Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 11,8% neste ano. Em março, a alta prevista era menor, de 10,7%. (G1 07/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Bolsas seguem corrigindo ganhos no exterior, após Yellen ter falado em múltiplos esticados nos EUA

Na Europa, às 8h20, horário de Brasília, as quedas eram generalizadas, mas havia algum esboço de melhora. Nos EUA, os índices futuros sinalizam abertura fraca. Na Ásia, a sessão foi de perdas, com receios de valorização exagerada na bolsa chinesa.

Em suma, o dia não é favorável para ativos de risco no exterior.

O dólar opera relativamente estável frente às principais moedas, mas ganha forças frente às moedas de emergentes

A exceção é o rublo da Rússia, com o petróleo ainda em recuperação. Às 8h24, o Brent era cotado a US$68,16/barril. significativamente acima dos US$46,95/barril que atingiu em meados de janeiro deste ano. A moeda americana pode reagir aos pedidos de auxílio desemprego nos EUA. Não há outros destaques na agenda de hoje.

Um último ponto no exterior: chama a atenção a alta nos juros dos títulos soberanos da Europa, e nos EUA movimentos que têm contribuído para a queda dos mercados acionários

Os juros das Treasurie  nos EUA têm sido pressionados para cima, apesar de dados ainda mistos sobre a economia americana. Registre-se: os juros de 10 anos nos EUA superaram a máxima do ano ontem, ao redor de 2,24%. Os juros alemães de mesmo prazo atingiram a máxima desde julho de 2012, ao redor de 0,78%, tendo se recuperado das mínimas de 0,05% que atingiram há poucas semanas.

No Brasil a Câmara aprovou ontem a Medida Provisória 665, em votação apertada

O governo, no entanto, precisou ceder. O ajuste fiscal será mais brando do que o texto original previa. Mas um alívio: o real pode ceder menos do que as moedas emergentes por conta disso.

O banco central divulgou a ata da última reunião: acreditamos que o ciclo de alta de juros ainda não terminou

Segundo ele: “o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”. Neste contexto, devemos ter pressões altistas no mercado de juros.

Em relação à agenda macro: produção industrial divulgada ontem mostra quadra de deterioração acentuada do setor e 2º trimestre tende a ser ainda mais fraco. Na agenda de hoje: IGP-DI de abril veio acima do esperado; e teremos dados da Anfavea sobre produção e venda de veículos

Na agenda micro: temporada de resultadas intensa, antes e depois do mercado.

Brasil

Ata do Copom: o ciclo de alta da Selic não terminou

A ata da última reunião de política econômica foi divulgada hoje cedo. Parecida com a anterior, não vemos sinais de término do aperto monetário. Acreditamos que na próxima reunião, em junho, a Selic ainda será reajustada para cima. Mais do que isso: em nossa visão, deve ganhar forças o cenário de manutenção do ritmo de aperto, de 0,50 ponto percentual. Não obstante, ao menor por enquanto, mantemos o cenário base de mais 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,50% ao ano.

Algumas modificações na ata:

-Agora, o BC deixa claro que “pode e deve conter os efeitos da segunda ordem” dos impactos da inflação “para circunscrevê-los a 2015”. Esta última expressão não existia no último documento, mostrando clara intenção de fazer o ajuste hoje, e evitar uma contaminação das expectativas a partir de 2016;

-Agora, o BC deixa explícito o prazo para atingir a meta de 4,5% ao ano. Segundo ele: “com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN, ao final de 2016” (grifo nosso);

-No parágrafo 31 – um dos que têm ganhado mais destaque recentemente –, foi adicionada uma expressão ao final, sinalizando que o BC ainda pode elevar mais a Selic. Na íntegra:

“A propósito, o Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes.Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante” (grifo nosso).

Câmara aprovou texto-base da MP 665

Em votação apertada (252 votos a favor e 227 contra), os deputados aprovaram ontem a versão do relator da Medida Provisória 665, parte do plano de ajuste fiscal e, dentre outras, responsável por endurecer regras nos pagamentos trabalhistas. Mas as propostas iniciais foram flexibilizadas, é preciso ressaltar. A proposta inicial demandava 18 meses trabalhados para ter o direito de receber o seguro-desemprego, mas a Câmara aprovou apenas 12. Para ter acesso ao abono salarial, as regras também foram suavizadas: ao invés de carência de 6 meses, aprovou-se um período de 3. Agora, o texto ainda precisa passar pelo Senado antes do dia 1º de junho. Um último ponto: dada a demora na aprovação de tais medidas, estima-se que 20% da economia prevista com tal endurecimento de regras (R$18 bilhões) já tenham sido perdidos.

Produção industrial recua mais do que o esperado em abril e março é revisado para baixo

Na comparação anual, a queda foi de 3,5%, acima dos 3,0% esperados pelo mercado, mas diminuindo o ritmo de contração que vínhamos observando. Em março, também na comparação anual, a produção recuou expressivos 9,4% (antes da revisão de ontem, o recuo era de 9,0%). Na comparação mensal, a produção recuou 0,8%, acima da queda de 0,7% esperada e do recuo de 1,3% do último mês (número que era -0,9% antes da revisão). À frente, no 2º trimestre, esperamos que os números continuem fracos e possam piorar ainda mais.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ontem, foi um dia volátil para o dólar: começou em alta mas, ao longo dia, passou a recuar e fechou em queda (-0,69%, a R$3,0467), após serem divulgados dados fracos nos EUA. No mercado de juros, pressões baixistas, seguindo o câmbio. As taxas de contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 foi cotado em 13,70%. Em bolsa: Ibovespa recuou -1,63%, fechando aos 57.103 pontos. Destaques de baixa para Itaú, Bradesco, Petrobras e Vale. Dentre os destaques de alta: Natura, Lojas Renner e Ambev, que divulgou bons resultados ontem.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quarta-feira tivemos um dia de recuo importante depois de testar a resistência em 58.000, se a movimentação de queda continuar é importante que o suporte em 56.600 não seja perdido para que a tendência de alta siga confiável, se esse nível for perdido teremos suporte ainda na média de 21 dias e na LTA.

Cenário Externo

EUA: Yellen fala em valuations esticados

A presidente do Fed, Janet Yellen, falou em evento em Washington ontem, promovido pelo The Institute for New Economic Thinking. A mídia destacou a fala sobre os valuations no mercado acionário: segundo Yellen, de modo geral, estão um pouco esticados. Mas ressaltou que os riscos no setor financeiro não estão elevados no atual momento. Em sessão de perguntas e respostas com a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yellen também ressaltou que existe o risco de um movimento de alta forte das taxas de juros dos títulos mais longos nos EUA, assim que o Fed começar a normalizar a sua política monetária, motivo pelo qual a instituição tem tentado se comunicar de forma clara com o mercado.

EUA: Criação de empregos no setor privado aquém do esperado em abril

Segundo dados do ADP divulgados ontem, a economia americana criou 169 mil empregos no setor privado em abril, pouco abaixo dos 200 mil esperados pelo mercado, segundo pesquisa da Bloomberg. Em suma, dados do mercado de trabalho decepcionaram. Além disso, os números de março foram revidados para baixo: de 189 mil para 175 mil. Ainda temos expectativa de números fortes no Relatório de Empregos que será divulgado na sexta-feira. Atenção: nem sempre os dados do ADP tem sido bons indicadores do Relatório de Empregos – mais abrangente e mais relevante para mexer com os mercados.

Alemanha: Encomendas à indústria crescem abaixo do esperado em março

Na comparação com fevereiro, as encomendas avançaram 0,9%, segundo dados divulgados hoje. O mercado esperava mais: segundo a Bloomberg, projetava-se alta de 1,5%, após recuo de 0,9% no mês anterior. Na comparação anual, o crescimento foi de 1,9%, após queda de 1,3%.

Japão: PMI de serviços sobe em abril

Dados divulgados ontem à noite mostraram que o setor de serviços do país esboça reação. Após dois meses de queda, o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) avanço para 51,3 em abril, de 48,4 em março. Ou seja, ao ter superado a marca dos 50 pontos, o PMI passou a indicar expansão do setor à frente. Com isso, o PMI composto – índice que também considera o setor industrial, também subiu no último mês: foi para 50,7, de 49,4 em março.