Macroeconomia e mercado

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Brookfield tem US$ 2 bi para investir no Brasil

Gestora canadense confirmou que está em negociações exclusivas pela fatia da OAS na Invepar.

A canadense Brookfield Infrastructure anunciou a intenção de investir cerca de US$ 2 bilhões em ativos de infraestrutura brasileiros em um intervalo de seis a 18 meses.

O valor pode ser aplicado em ativos no país ou que estão no exterior, mas são detidos por empresas locais, apontou o presidente da companhia, Sam Pollock, em carta aos acionistas divulgada ontem.

A Brookfield aponta a desvalorização do preço dos ativos e o câmbio como uma boa oportunidade para fortalecimento da presença no país.

“A convergência e fatores políticos e econômicos está criando um cenário de falta de capital e distorções de mercado”, aponta Pollock.

Na avaliação dele, no entanto, apesar da instabilidade recente do mercado, o Brasil continua sendo um mercado de grande crescimento no médio prazo e com fortes vantagens competitivas na produção de commodities.

“Estamos entusiasmados com as oportunidades potenciais no Brasil no momento, dada a qualidade dos ativos que estão à venda, ou que esperamos que em breve serão colocados à venda, e a falta de compradores capazes de competir conosco”, disse o executivo.

A empresa comunicou ainda que está em negociações exclusivas com o grupo OAS, que está em recuperação judicial, pela fatia na Invepar, que administra rodovias e aeroportos. Como parte da transação, a Brookfield reconheceu que pode oferecer um empréstimo de US$ 250 milhões à construtora para capitalizá-la durante a vigência de recuperação judicial em troca da manutenção da exclusividade nas negociações.

No mercado global, a Brookfield disse estar interessada em sete projetos na área de transporte, energia e comunicação localizados na Austrália, América do Norte e América do Sul. (Valor Econômico 08/05/2015)

 

ED&F Man vê crescimento da safra de cana 15/16 do centro-sul do Brasil

A trading londrina ED&F Man previu a safra de cana do centro-sul do Brasil 2015/16 em 588 milhões de toneladas, ante 571 milhões na temporada anterior, crescimento impulsionado por uma melhora nas condições climáticas, afirmou a empresa em seu mais recente relatório mensal nesta sexta-feira.

A ED&F Man estimou de produção total de açúcar em 33 milhões toneladas, quase 1 milhão de toneladas a mais que na temporada passada. (Reuters 08/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Brasil

Aos poucos, propostas para o ajuste fiscal vão caminhando: Câmara rejeita destaques e emendas para alterar texto da MP 665.

A proposta segue para o Senado

Não foi um dia tão acalorado como o de quarta-feira, e a Câmara acabou concluindo, na noite de ontem, a votação da Medida Provisória 665 que altera as regras de concessões de benefícios trabalhistas.

Os deputados rejeitaram as possíveis alterações no texto aprovado um dia antes pelo plenário, e como dissemos ontem, a proposta agora segue para o Senado. Este tem até o dia 1º de junho para avaliá-la.

Em suma: a semana vai terminando e, do ponto de vista político e seus efeitos para o ajuste fiscal, termina de forma satisfatória para o Planalto.

Claro que não foi livre de pressões e perdas políticas. Por exemplo: a fala de Lula em rede nacional impulsionou a votação da chamada PEC da Bengala, uma derrota importante para a presidente Dilma.

Sobre os dados da Anfavea

Segundo dados dessazonalizados da Anfavea (divulgados ontem), a produção total de veículos em abril recuou 3,3% em relação a março, marcando o terceiro mês consecutivo de queda. A produção de automóveis caiu 2,4% M/M em abril, sétima queda consecutiva nesta comparação. Além disso, a fabricação de Comerciais Leves recuou 3,7% M/M e a de Ônibus caiu 13,1% M/M. Por outro lado, a produção de Caminhões registrou alta de 7,5% em abril, depois de uma queda de 14,7% em março. Esse resultado reforça nossa expectativa de mais uma queda da produção industrial no mês de abril.

Sobre os dados do mercado de trabalho: PNAD Contínua e indicador da FGV mostram desaceleração

Os dados da Pnad contínua divulgados ontem pelo IBGE reforçam a análise de forte deterioração do mercado de trabalho neste início de ano. No primeiro trimestre, a taxa de desocupação atingiu 7,9%, ante 6,5% nos últimos três meses de 2014, maior taxa verificada desde o primeiro trimestre de 2013 (8%). No mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego era de 7,2%. Na comparação anual, a alta da desocupação é resultado o crescimento de 0,8% A/A na população ocupada, mais que compensado pela alta de 1,7% A/A da força de trabalho.

Com relação à renda, diferentemente da outras pesquisas de mercado de trabalho, ela se manteve constante o ano. Ainda, a FGV divulgou esta manhã o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD): avançou 2,9% em abril, atingindo 85,8 pontos, maior índice desde julho de 2009 (86,3 pontos). Este resultado indica que a taxa de desemprego deve continuar subindo em abril, como reflexo da piora da percepção do mercado de trabalho pelas famílias.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O Ibovespa recuou pela 2ª sessão consecutiva, terminando em queda de 0,3%, aos 56,921 mil pontos. Vale foi um dos destaques de queda. Os mercados também reagiram à ata do Copom divulgada pela manhã: mais dura no combate à inflação, a postura do BC deixa a porta aberta para nova alta de 0,50 ponto percentual na Selic. Na BM&F, os juros futuros foram pressionados para cima, com a parte curta respondendo mais. O dólar recuou 0,3%, ao redor de R$3,0258.

Sobre os movimentos técnicos do Ibovespa

Nessa quinta-feira tivemos um dia de leve recuo testando o importante suporte em 56.600 e, por enquanto, ele foi respeitado. A perda desse nível deixaria a situação menos positiva, se voltarmos a subir teremos resistência em 58000, que se rompida abre espaço para mais altas.

Cenário Externo

EUA: pedidos de seguro desemprego recuam, mas Evans defende alta de juros em 2016

Ontem, o dólar chegou a ganhar forças após terem sido divulgados os pedidos de seguro-desemprego da última semana. Abaixo do esperado pelo mercado, foram 265 mil, contra a expectativa de 278 mil. Contribuindo para diminuir a perspectiva de alta de juros americanos (e dar sustentação às bolsas de lá), podemos apontar para o discurso de Charles Evans, do Fed de Chicago. Segundo ele, somente em 2016 é que a normalização deveria começar, ponderando a fraqueza da economia que tem sido vista neste 1º tri.

EUA: Hoje, Relatório de Empregos no radar

Sairá às 9h30, horário de Brasília.

O mercado espera uma criação de 228 mil empregos em abril, após frustrantes 129 mil em março. Em suma: qualquer coisa abaixo de 200 mil será visto como um resultado fraco. Na cabeça dos investidores, um número superior a isso já sinalizaria que a economia americana, após 1º tri muito fraco, volta a ganhar forças. O dólar e os mercados acionários dependerão destes números.

Se o Relatório vier forte, dólar valorizará e as ações tendem a ser pressionadas para baixo. Interessante: Matéria do MarketWatch de ontem mostra que, historicamente, existe sim uma relação entre o Relatório e o desempenho das ações.

A nossa perspectiva é que a partir de agora os números de atividade e mercado de trabalho melhorem: ou seja, nos EUA, vemos como possível uma correção de curtíssimo prazo em bolsa, e uma possível retomada do dólar.

China: Exportações abaixo das expectativas

As exportações recuaram 6,4% A/A em abril, abaixo daquilo que analistas esperavam (+1,6% A/A). As importações, por outro lado, recuaram 16,2% A/A, acima dos esperados 12,2% A/A pelo mercado. O saldo comercial foi de US$34,1 bilhões. Em suma: dados fracos de comércio aumentam risco de desaceleração econômica ainda mais forte e, portanto, aumenta a possibilidade de novos estímulos do governo. Neste contexto, as ações responderam de forma positiva, reduzindo perdas na semana.

Inglaterra: Partido Conservador na liderança

O Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, conseguiu eleger 326 das 650 cadeiras do parlamento. Com essa bancada, o partido aumenta em 22 o número de deputados e garante maioria para reconduzir o ex-premiê.

Alemanha: Superávit comercial recua em março

O superávit comercial da Alemanha recuou para 19,3 bilhões de euros em março, de19,7 bilhões de euros em fevereiro, abaixo da expectativa dos analistas de saldo positivo em 19,8 bilhões de euros no mês. No confronto mensal, as exportações subiram 1,2% em março, enquanto as importações aumentaram 2,4%.

Alemanha: Produção industrial recua em março

A produção industrial da Alemanha recuou 0,5% em março ante fevereiro, contrariando a expectativa dos analistas, que esperavam alta de 0,4%. No setor manufatureiro, a produção caiu 0,8%, na mesma comparação, influenciado pelo setor de bens de capital, que recuou 1,4%. O setor de construção, por outro lado, avançou 2,1% em março ante fevereiro.

Austrália: Novas projeções rebaixam PIB

O Banco da Reserva da Austrália (RB) reduziu suas projeções para o crescimento e inflação do país até meados de 2017, dada as incertezas sobre o desempenho econômico da China, a queda do preço das commodities e pela apreciação persistente do dólar australiano. A estimativa para o crescimento do PIB em 2015 foi rebaixada para 2,5%, ante 2,75% da última projeção. Já para 2016, o crescimento foi reduzido para 3,25%, de 3,5%.

Limitação de Crédito do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) limitará a 50% a sua participação nos financiamentos de concessões e, além disso, restringirá o acesso a recursos com taxas subsidiadas. Com esse novo procedimento, a parcela de empréstimos indexada pela TJLP será de no máximo 25%. Ainda, segundo o jornal O Valor Econômico, autoridades que participaram das discussões sobre novas concessões afirmam que os juros cobrados nas operações devem subir significativamente.

As restrições ao crédito, por parte do BNDES, são resultados diretos da crise fiscal.