Macroeconomia e mercado

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‘Precisamos desesperadamente retomar a rentabilidade’, diz Unica

“Precisamos desesperadamente retomar a rentabilidade do setor”, afirmou há pouco, na Câmara Federal, em Brasília, Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), durante o lançamento da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético.

“[A retomada da rentabilidade] irá permitir ao setor sucroenergético enfrentar a situação”, disse ela. “Retomar o azul dos balanços irá garantir os investimentos necessários do setor.”

Esses investimentos, emendou, são necessários para que, por exemplo, o setor esteja capacitado para atender as necessidades de combustíveis no mercado nacional.

“[Em abril] o Ministério de Minas e Energia apresentou cenário da condição de abastecimento e mostrou que, em 2025, dadas as premissas atuais, teremos de importar 26 bilhões de litros de gasolina para atender ao país”, disse. “Isso vai impactar na balança comercial. O que é mais barato: incentivar o etanol, que pode substituir a frota flex, ou participar parcialmente com o anidro, ou importar?”. (Jornal Cana 11/05/2015)

 

Vinicius Freire: Um novo aumento da gasolina

Tudo isso é história velha.

O problema agora é saber se a Petrobras terá liberdade de reajustar preços e tocar seus negócios de modo basicamente normal, como pretende seu novo presidente, Aldemir Bendine.

A Petrobras vendeu gasolina e diesel a um preço 20% maior que o do mercado internacional entre novembro e fins de abril. Trata-se da diferença média de preço nesses meses, segundo gente da direção da empresa.

De acordo com consultores privados, a diferença andava por aí mesmo, entre 17% e 21%. Na semana passada, os mesmos consultores diziam que a alta do petróleo de março para cá, de mais de 20%, e a desvalorização do real deram cabo desse ganho da Petrobras. Vai haver reajuste de gasolina e diesel?

O governo vai baixar o "imposto da gasolina" (Cide), de modo a permitir que a empresa reajuste seus preços sem que o aumento chegue ao consumidor final e à inflação?

O "ganho" da Petrobras de novembro a abril mal triscou as perdas da empresa durante os anos de tabelamento informal de preços, decretado pelo governo Dilma 1 a fim de maquiar a inflação. A depender do período que se inclua na conta, entre outras mumunhas de cálculo, a Petrobras pode ter perdido até R$ 60 bilhões durante os anos do desenvolvimentismo doidivanas (houve momentos, anteriores, em que a empresa ganhou com a diferença de preços).

A repressão de preços arruinou a empresa e negócios conexos; causou descrédito do mercado brasileiro. A inflação arrebentou a represa artificial e nos inunda.

Tudo isso é história velha. O problema agora é saber se a Petrobras terá liberdade de reajustar preços e tocar seus negócios de modo basicamente normal, como pretende seu novo presidente, Aldemir Bendine. Um primeiro teste virá se o custo do petróleo continuar a aumentar, seja devido ao aumento do preço do barril ou do dólar.

A Petrobras ainda está muito arrebentada. Se o tratamento das suas pestes der certo, vai convalescer devagar, recuperação que deve levar meia dúzia de anos. Se voltar a perder dinheiro, vai para o vinagre a despiora recente da imagem, da administração e das perspectivas financeiras da empresa.

Caso a situação das finanças públicas não fosse desastrosa, o governo teria como atenuar as variações de preços dos combustíveis sem desfalcar a Petrobras. Há um imposto que já foi utilizado justamente para tal fim, para regular preços, a Cide, que voltou a ser cobrada neste ano.

Dentro de certos limites, o preço dos combustíveis poderia variar para a Petrobras sem que variasse demais na bomba, bastando regular o tamanho da cobrança do imposto, que serviria de amortecedor. Caso o preço do petróleo subisse ou caísse além da conta, a diferença enfim seria repassada para o consumidor.

Não se trata de modelo ideal, mas, numa economia ainda cheia de esquisitices como a brasileira, era e é um arranjo útil, pragmático. O governo Dilma 1 zerou a cobrança da Cide, também a fim de maquiar a inflação.

Na pindaíba, Dilma 2 voltou a cobrar o imposto, mais por precisão do que por boniteza: para ajudar a tapar o rombo que Dilma 1 deixou no Tesouro Nacional. Logo, parece improvável que o governo vá baixar o imposto a fim de compensar um eventual aumento de preços dos combustíveis para a Petrobras, evitando assim que a conta chegue ao consumidor.

Como se nota, temos um problema. (Folha de São Paulo 10/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior

China corta juros outra vez; e certa cautela predomina na Europa, às vésperas de novo pagamento grego ao FMI.

O dólar se fortalece, enquanto os juros dos títulos soberanos, tanto na Europa quanto nos EUA, são pressionados para cima.

Os mercados acionários dos emergentes tendem a se beneficiar do novo estímulo chinês. Por lá, o índice Shanghai Composite terminou com ganhos de 3,03%, com todos os dez setores monitorados em alta, sem exceções. Na Europa, os mercados acionários respondem de forma negativa, sem definições com relação à dívida grega. Merkel, da Alemanha, é pressionada pelo próprio partido. Hoje, ministros das Finanças da Europa se reúnem em Bruxelas.

No Brasil, além do tradicional Boletim Focus, os investidores monitoram divulgações de resultados das empresas

No pré-mercado, EcoRodovias. Após o fechamento, teremos Abril Educação, Iguatemi e Rumo, entre outras. Em suma, sem grandes destaques macro, os mercados por aqui tendem a ser impactados pelas oscilações do exterior. A bolsa, em linha com a de outros emergentes, tende a continuar em alta. O dólar deve ser pressionado para cima. Os juros na BM&F devem acompanhar.

Na agenda macro: o destaque ainda é a inflação

Em abril, lembramos: o IPCA subiu 0,71%, após 1,32% em março. No ano, já estourou a meta de 4,50%. O Focus mostra que o mercado revisou para cima o IPCA de 2015, mas vê algum alívio em 2016. Estes estão, agora, em 8,29% e 5,51%, respectivamente.

Brasil

Boletim Focus: Projeção para IPCA de 2015 sobe mais um pouco

O mercado revisou para cima o IPCA projetado para o final de 2015: agora está em 8,29%, acima dos 8,26% há uma semana e dos 8,13% há 4 semanas. Os preços administrados também foram revisados para cima (agora 13,20%, contra 13,05% há uma semana). Para 2016, o contrário: tanto o IPCA quanto os preços administrados foram revisados para baixo (agora em 5,51% e 5,71%, respectivamente). Com relação aos números de atividade deste ano: o PIB foi novamente revisado para baixo (agora em -1,2%, contra -1,18% há uma semana e -1,01% há 4 semanas).

Preços: IGP-M sobe 0,51% na 1ª prévia de maio, em linha com o esperado

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,51% na primeira prévia de maio, frente à alta de 1,03% na mesma leitura de abril O levantamento ficou marginalmente abaixo da mediana das projeções, de 0,52%. Segundo a FGV, o IPA-M subiu 0,56%, em comparação com a alta de 1,28% na primeira prévia de abril, o IPC-M apresentou alta de 0,47% na leitura anunciada hoje, após subir 0,53% no mês passado, e o INCC-M teve elevação de 0,27%, após registrar aumento de 0,69%, na mesma base de comparação. Com esse resultado, até a primeira prévia de maio, o índice acumula aumentos de 3,74% no ano e de 4,21% em 12 meses.

IPCA de abril: Desaceleração de energia elétrica, e do índice de difusão

Variação de 0,71% na comparação com março, após alta de 1,32%. Em 12 meses, acumulou alta de 8,17%, marginalmente acima dos 8,13% até março. Além da desaceleração, pouco acima da esperada (segundo o Bloomberg, o consenso de mercado era de 0,75%), um ponto positivo foi a queda do índice de difusão: agora em 71%, contra 73,5% no último mês. O principal responsável pela desaceleração foi o grupo de Habitação (alta de 0,93%, após 5,29%), dada a menor elevação dos preços de energia elétrica (1,31%, contra 22,08%). Para maio, a inflação ainda deve ser impactada pelos preços administrados e, se ficar entre 0,55-0,60% na comparação mensal, em 12 meses o IPCA irá para 8,3%. O mercado, segundo o Focus de hoje, projeta alta de 0,50% em maio.

Ajuste fiscal deve elevar carga tributária em R$47,8 bi

Segundo o Estado, o ajuste fiscal proposto pela equipe econômica deve elevar a carga tributária em 0,8 ponto percentual do PIB este ano, ou R$ 47,8 bilhões.  Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), todas as medidas anunciadas pela equipe econômica representam um adicional de R$ 39,80 bilhões à carga tributária. Outros R$ 7,7 bilhões virão de Estados e municípios.

Construção: governo deve estimular a construção civil com R$30-40 bi

De acordo com o jornal O Globo, o governo federal estuda injetar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões para tentar estimular o mercado da construção civil. A ideia é liberar para os bancos até 15% dos recursos da caderneta de poupança retidos compulsoriamente no Banco Central. A proposta está em análise nos ministérios da Fazenda e do Planejamento e no Banco Central.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar fechou a semana em queda (-1,42%, a R$2,9825), com certo alívio na Câmara (após ter sido votada Medida Provisória que reajusta alguns dos benefícios trabalhistas) e números do mercado de trabalho americano que ainda não devem apressar o Fed para iniciar a alta de juros por lá. No mercado de juros, pressões baixistas, seguindo o câmbio. As taxas de contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 foi cotado em 13,77%. Em bolsa: Ibovespa avançou 0,40%, fechando aos 57.149 pontos. Destaques de alta para JBS, Renner e BB Seguridade. Dentre os destaques de baixa: Vale, Petrobras, Pão de Açúcar e Hering. Esta última acabou sendo pressionada após divulgação de resultado fraco. 

Agenda macro da semana: vendas no varejo e IBC-Br serão os destaques

Na quinta-feira, o IBGE divulga as vendas no varejo referentes ao mês de março. Segundo a Bloomberg, espera-se queda de 0,4% no confronto mensal, e alta de 1,4% na comparação anual. Na sexta, o BC divulga o índice de atividade (IBC-Br), também sobre março. O mercado também espera queda de 0,4% frente a fevereiro, e alta de 0,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Hoje já saiu a 1ª prévia do IGP-M de maio, e ainda sobre inflação, também destacamos o IGP-10 de maio, a ser divulgado na sexta.

Cenário externo

China: Inflação aquém do esperado & novo corte de juros é anunciado

Pela terceira vez em seis meses, o Banco Popular da China (PBoC) divulgou um corte de juros. A partir de hoje, a taxa de referência foi reduzida para 5,1% ao ano, enquanto o juro sobre depósitos de um ano, para 2,25% (ambas tiveram cortes de 0,25 ponto percentual). Registre-se: a taxa de referência estava em 6% em novembro do ano passado.

Acredita-se que o PBoC pretende diminuir a pressão de queda dos preços recente e, ao mesmo tempo, tenta dar um impulso à economia real. Este último ponto gera discussões: acredita-se que a liquidez recentemente gerada pelas políticas de estímulo não tem sido direcionada para a economia real.  A tendência é que novas medidas de estímulo sejam adotadas novamente.

Sobre a inflação: o índice de preços ao consumidor subiu 1,5% em abril, frente a igual mês do ano anterior. Acima dos 1,4% registrados até março, ficou aquém dos esperados 1,6% pelo mercado, de acordo com a pesquisa do Wall Street Journal. Nas comparações mensais, os preços recuaram 0,2% em abril, após terem recuado 0,5% em março.

Grécia: Amanhã é dia de pagar ao FMI

Ministros das finanças da Europa se reúnem hoje em Bruxelas para negociar acordo sobre a dívida grega. Amanhã, dia 12, vale lembrar: o país deverá pagar ao FMI algo em torno 750 milhões de euros, parte do socorro financeiro concedido em 2010. Registre-se: na história do Fundo, de 70 anos, nunca se viu um calote de um país desenvolvido. Em meio às discussões para emprestar, ou não, outros 7,2 bilhões aos gregos, vislumbram-se tempos difíceis para os próximos meses. Em junho, 1,5 bilhão de euros deve ser pago ao FMI; em julho e agosto, 3 bilhões de euros ao todo devem ser pagos ao BC europeu e; ao longo de setembro, outro 1,5 bilhão ao FMI. Em suma, estes são alguns dos próximos pagamentos aos credores internacionais – datas que podem suscitar alguma cautela adicional aos investidores.

EUA: Mercado de trabalho, apesar de não ter impressionado, ganha forças

Na última sexta-feira, dia 8, o Departamento de Trabalho americano divulgou o Relatório de Empregos referente ao mês de abril.

No último Relatório Semanal, abordamos mais detalhes sobre o tema. De forma resumida: foram criados 233 mil vagas, pouco abaixo dos esperados 228 mil. O setor que liderou as contratações foi o de serviços (182 mil). A média dos salários/hora voltou a subir: na comparação anual, avançaram 2,2%, acima dos anteriores 2,1%, mas ligeiramente aquém dos esperados 2,3%. Ainda assim, o mercado vai aquecendo: a taxa de desemprego recuou para 5,4%, de 5,5% em março. Agora, está mais próxima à considerada como de “longo prazo”, entre 5,0-5,2%, segundo o próprio Fed.

Inglaterra: Juros inalterados

Conforme esperado pelos analistas, o Banco da Inglaterra (BoE) decidiu manter a taxa básica de juros na mínima histórica de 0,5% e o programa de compra de ativos em 375 bilhões de libras após reunião de política monetária realizada nesta manhã.