Macroeconomia e mercado

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Setor sucroenergético brasileiro terá ano difícil prevê a Fitch

A dificuldade de usinas e destilarias brasileiras em acessar crédito de médio e longo prazos e fontes alternativas de liquidez deve levar a novos rebaixamentos de ratings das companhias do setor pela agência de classificação de risco Fitch. Essas revisões tendem a superar as afirmações de rating neste ano de 2015. Em relatório divulgado nesta terça-feira, 12, a Fitch descartou elevar ratings das empresas este ano, lembrando que recentemente rebaixou companhias do setor e todas permanecem com perspectiva ou observação negativas.

A única exceção, segundo a agência, é a Raízen, com IDR de alta qualidade de crédito, em BBB, e ainda o rating nacional de longo prazo em AAA(bra). Isso se deve ao "robusto e previsível CFFO (fluxo de caixa operacional), forte posição de liquidez e acesso a financiamento", informam os analistas da Fitch Claudio Miori e Alexandre Garcia, que assinam o documento. Além da Raízen, também recebem classificações da Fitch a Biosev, a Jalles Machado, a Usina São João Açúcar e Álcool, a Tonon Bioenergia e Grupo Virgolino de Oliveira (GVO).

No relatório, a Fitch afirma que cresceu a aversão ao setor sucroenergético brasileiro após a inadimplência de companhias e as dificuldades financeiras de produtores. "Como consequência, as posições de liquidez se enfraqueceram e o risco de refinanciamento continua crescendo. A maioria das empresas continuará apresentando fluxos de caixa livres negativos no ano fiscal de 2016 (iniciado em abril deste ano com a safra 2015/2016)".

Segundo a agência de classificação de risco, há uma escassez de créditos sem garantia real de médio e longo prazo. "A maioria dos emissores depende de bancos para rolar a dívida de curto prazo." Além disso, a Fitch considera que a alavancagem das usinas é alta e deve crescer em uma safra com o aumento da produção e do volume moído de cana. "O desafiador cenário de preços em formação restringe o aumento do fluxo de caixa operacional. Os investimentos necessários em canaviais e em ativos industriais levarão a fluxo de caixa livre (FCF) negativo e a alta da dívida para a maioria dos emissores".

A agência traça um cenário negativo de preços para açúcar e etanol em 2015. A Fitch lembra que os estoques globais de açúcar seguem altos e um possível déficit global da commodity não deve ser grande o suficiente para impactar os preços. Além disso, as moedas mais fracas dos países exportadores e as barreiras impostas pelos importadores resultarão em pressão adicional sobre os preços do açúcar. Os preços do etanol não devem melhorar de forma significativa no Brasil em 2015, devido à baixa cotação internacional do açúcar. (Agência Estado 13/05/2015)

 

De olho no lucro, produtor de etanol dos EUA quer exportar mais

Medida ainda está em discussão, mas seria bom para o setor sucroenergético brasileiro?

Aumentar as exportações tem-se revelado uma crescente tendência entre produtores de etanol dos EUA. O assunto ganha cada dia mais presença entre representantes de fabricantes e de instituições representativas do setor. O objetivo é garantir caixa enquanto o mercado consumidor interno retoma seu espaço.

Pode ser uma estratégia para reforçar o caixa dos fabricantes americanos. Mas é uma boa notícia para o setor sucroenergético brasileiro? 

No cenário dos EUA, o mercado interno faz sua parte e aumenta gradativamente o consumo de gasolina. É um reflexo do reaquecimento da economia turbinada com o preço baixo do petróleo.

E esse crescimento puxa junto o consumo do etanol de milho, já que em muitos estados americanos os postos oferecem também a E15, gasolina cujo litro leva 15% do biocombustível.

Ocorre, no entanto, que a demanda tem crescido abaixo da oferta. Ou seja, há estoque, as exportações seguem seu curso, mas ainda assim a indústria americana do setor viu a luz amarela dar lugar para a vermelha.

ADM: produção de etanol em descompasso

No começo deste mês, a gigante Archer Daniels Midland (ADM), também fabricante de etanol e de biodiesel, relatou que o processamento de milho foi US$ 124 milhões menor no primeiro trimestre do ano, por conta dos volumes menores de produção de etanol, adequada às condições do mercado.

Os números foram apresentados no último dia 5 por Juan Luciano, CEO da ADM, no relatório para investidores referente ao primeiro trimestre de 2015.

Na conference call realizada no dia 06, Luciano afirmou que o consumo de gasolina tem crescido no mercado americano. E que esse crescimento irá refletir também na demanda por etanol.

Enquanto isso, o setor respira contração. A fábrica de etanol da ADM em Marshall, no estado de Minnesota, fechou o primeiro trimestre com redução em 73% de seu lucro operacional relacionado ao biocombustível, ante mesmo período do ano passado.

Reforço de caixa

Diante um cenário desses, exportar mais etanol surge como estratégia para reforçar o caixa à espera do avanço do mercado consumidor interno.

No ano passado, o setor de etanol americano exportou 836 milhões de galões, ou 3 bilhões de litros, levando em conta que cada galão equivale a 3,7 litros.

Mas os EUA têm potencial para exportar até mais de 1 bilhão de galões, ou 3,7 bilhões de litros, conforme levantamento da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês).

Em 2011, segundo a entidade, o setor embarcou para outros países 1,193 bilhões de galões, ou 4,4 bilhões de litros. Em que pesem as desativações de unidades, há também outras mais novas, com ganho produtivo como as de etanol celulósico.

Outra informações da RFA: em 2014, a indústria de etanol dos EUA produziu 14,3 bilhões de galões, 1 bilhão acima da produção de 2013. Ou seja, há produto para vender no exterior.

Temporário

Pelo que o portal Jornal Cana apurou, as intenções de ampliar as exportações são medidas temporárias, que podem ganhar coro e virar realidade só até enquanto o mercado doméstico não der conta da oferta.

Mas é de se perguntar: e esse aumento de exportação ficar, digamos, sustentável? Se entrar na pauta de negociações dos gestores?

Não custa lembrar que o Brasil é cliente eventual do etanol de milho americano.

Segundo a própria RFA, em 2014 os EUA exportaram para o Brasil 112,2 milhões de galões, ou 415,1 milhões de litros. O país foi o segundo maior importador, e só perdeu para o Canadá, que comprou 335,9 milhões de galões.

Outro detalhe: as importações brasileiras de etanol de milho americano em 2014 foram 45% acima do registrado em 2013.

O JornalCana seguirá neste tema em outras postagens, porque certamente ele vai render. Principalmente porque com o real em desvalorização, fica mais atraente vender para o Brasil.

 “O etanol americano recebe forte subsídios”

A pedidos do portal JornalCana, o economista Fabiano Guimarães, delegado da regional de Ribeirão Preto do Conselho Regional de Economistas do Estado de São Paulo (Corecon), fez a seguinte análise a seguir:

“Se [a intenção de ampliar as exportações de etanol também para o Brasil] for uma medida pontual, para atender a uma possível escassez de produção brasileira, tudo bem. Mas é preciso lembrar que o etanol americano recebe subsídios. Tem fortes subsídios do governo, que junto com o câmbio favorecido tornam ainda mais competitivo. Por isso, se exportações desse etanol subsidiado ficarem sistêmicas, caso ameacem se tornar uma nova situação de mercado, em que possa concorrer com o etanol feito no Brasil, pode-se adotar as salvaguardas previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar impedir isso.”. (Jornal Cana 13/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior: Investidores digerem dados de China e zona do euro

No primeiro, as vendas no varejo e a produção industrial ficaram aquém do esperado em abril. No segundo, o PIB do 1º tri (números parciais) ficou em linha com o esperado: crescimento de 0,4% na comparação trimestral, e de 1,0% na comparação anual.

As bolsas européias operam majoritariamente em alta, às 8h30, horário de Brasília. Após os tombos de ontem, contribui para isso a mudança dos movimentos nos mercados de títulos soberanos. Na Europa, os juros dos títulos de 10 anos por lá voltam a recuar. Nos EUA, os mesmos títulos também recuam. O dólar se deprecia frente às principais moedas, incluindo dividas de emergentes. Índices futuros sinalizam abertura positiva das bolsas por lá.

Na agenda macro internacional: sairão as vendas no varejo de abril nos EUA e, se for confirmado o recuo na margem em abril, o comportamento do dólar e das Treasuries não deve ser alterado.

Aqui no Brasil, estamos de olho no Congresso, após relatório do FMI ter sugerido aumentar a meta de superávit primário a partir de 2016

Está marcada para hoje a votação sobre a Medida Provisória 664, que trata da pensão por morte, com boa probabilidade de ser aprovada. Atenção: pode ser incluída a emenda que extingue o fator previdenciário – algo que será considerado negativo. No mercado de câmbio e juros, podemos ver oscilações menores, à espera da votação (que deve terminar amanhã). Ainda assim, o real tende a ganhar forças frente ao dólar, em linha com o exterior.

Na agenda macro, apenas o fluxo cambial semanal, às 12h30. Os jornais já destacam a divulgação do balanço da Petrobras, marcado para sexta-feira. Na agenda micro de hoje: MRV, Telefônica e Gol divulgaram resultados. A bolsa pode se beneficiar do maior apetite por risco no exterior.

Brasil

Atenção: Mudanças no índice MSCI Brasil

O MSCI Inc., provedor de índices de ações que servem de referência para fundos de investimento de todo o mundo, anunciou mudanças nas carteiras teóricas de seus principais índices. Na revisão semestral, tanto o índice MSCI Brazil quanto o índice MSCI Small Caps Brazil sofreram alterações. As novas carteiras entrarão em vigor a partir do 1º de junho, sendo os ajustes feitos no fechamento da sessão anterior, dia 29 de maio.

Sobre as alterações:

No primeiro, três papéis deixam o índice: Bradespar, Eletrobras ON e Gerdau Metalúrgica PN. Nada entra no lugar. No segundo, 14 papéis deixam o índice: Banco Pan PN, Banco Pine PN, Brasil Brokers ON, Brasil Insurance ON, Brasil Pharma ON, Providência ON, Dasa ON, Eternit ON, IMC ON, JHSF ON, Portobello ON, Technos ON, Triunfo Participações ON e Vanguarda Agro ON. Entram, agora, três novas ações: Arteris ON, Bradespar PN e Gerdau Metalúrgica PN.

Agenda de votações é acertada, diz líder do governo na Câmara

Segundo José Guimarães (PT-CE), foi acertado um cronograma de votações com os demais líderes partidários. Ontem, foi votada e aprovada no plenário da Câmara a MP 663, que trata do aporte de R$50 bi do Tesouro ao BNDES. Hoje e amanhã, será votada a MP 664 (sobre pensões por morte); no dia 20, o projeto de lei sobre a desoneração da folha de pagamentos. 

Levy, desde Londres, mostra otimismo a partir de 2016, e fala que reforma tributária “não é muito sexy”

Ontem, a uma platéia de mais de 300 investidores, o ministro Levy afirmou durante jantar promovido pela Câmara de Comércio Brsil-Reino Unido que o país é destino confiável para investimentos em infraestrutura, energias renováveis e tecnologia. Em suma, o país “reagirá nos próximos trimestres, alcançando crescimento já em 2016, um ano de bons resultados dos indicadores econômicos à medida que avançamos com a consolidação fiscal e a atração de investimentos”. Sobre a reforma tributária: "há coisas que não são muito sexy, mas são muito importantes".

FMI elogia o Brasil, mas sugere meta de superávit maior a partir de 2016

Saiu ontem o relatório anual sobre o país. Para quem tiver interesse, clique aqui (em inglês). Segundo o FMI, a nova equipe econômica já anunciou importantes medidas de ajuste fiscal, mas reconhece que é preciso fazer ainda mais. O Fundo defende que a meta de superávit primário para a partir de 2016, definida pelo governo em 2% do PIB, seja elevada em 0,5 ponto porcentual, para 2,5%, dado que isso colocaria a dívida pública em trajetória de queda mais firme.

El Niño: efeitos sobre Sul & Norte e Nordeste merecem atenção

Falamos no relatório de ontem do alerta do escritório de meteorologia do governo da Austrália com relação ao El Niño. Hoje, em matéria do Valor, destaca-se que o fenômeno pode provocar chuvas mais intensas na região Sul do país, e menos precipitações nas regiões Norte e Nordeste. Atenção aos potenciais efeitos negativos sobre o trigo, por exemplo.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar fechou o pregão de ontem em queda, mas não perdeu o patamar dos R$ 3, (-1,04%, a R$3,0203), acompanhando o movimento do exterior, em meio a preocupações com a economia da Grécia e o forte ajuste no mercado de títulos governamentais, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. No mercado de juros, pressões baixistas, seguindo o câmbio. A taxa de contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 foi cotada em 13,80%. Em bolsa: Ibovespa fechou em queda de -0,71%, em linha com as bolsas internacionais, fechando aos 56.792 pontos, com volume de R$6,472 bilhões. Destaque de alta para Petrobrás. Dentre os destaques de baixa: Vale, Ambev, Bradesco e Itaú. A Moody´s anunciou rebaixamento do rating dos bancos e da perspectiva da Vale nesta semana.

Sobre os movimentos técnicos recentes do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos um dia de queda, mas ainda respeitando o suporte de 56.600 e a tendência segue sendo altista. A perda desse suporte deixaria a situação menos positiva, temos resistência em 58.000, que se rompida deixará a situação bem positiva.

Cenário externo

China: Vendas no varejo e produção industrial de abril frustram expectativas

Ambos os dados, referentes ao mês de abril, frustraram os investidores. As vendas no varejo desaceleraram: na comparação anual, cresceram 10,0%; contra 10,2% em março. Analistas, segundo a Bloomberg, esperavam 10,6%. Ainda nas comparações anuais, a produção industrial cresceu 5,9%, acima dos 5,6% registrados em março, mas novamente abaixo do esperado pelo mercado, de 6,0%.

China: Bônus de governos locais poderão ser usados como colateral

Segundo a imprensa local, o governo chinês irá permitir o uso de bônus de governos locais como colateral para novos empréstimos. Em suma, os bancos – os mais prováveis a comprar tais títulos –, ganhariam a permissão para usá-los como colateral junto ao BC chinês.

Europa I: PIB francês surpreende de forma positiva, enquanto o da Alemanha frustra o mercado

Saiu hoje o PIB da Alemanha no 1º tri: crescimento de 0,3% frente ao trimestre anterior, abaixo dos 0,5% esperados pelo mercado e dos 0,7% registrados no 4º tri de 2014. Na comparação anual, o PIB cresceu 1,1%, abaixo dos 1,3% esperados. A surpresa negativa foi compensada pela melhora do PIB francês: cresceu 0,6% na comparação trimestral, acima dos 0,4% esperados e do 0% registrado no último tri do ano passado. Na comparação anual, o último trimestre registrou crescimento de 0,7%.

Europa II: Inflação ao consumidor de abril na Alemanha sobe acima do esperado, na França fica em linha

Na Alemanha, a inflação ao consumidor subiu 0,5% em abril, na comparação anual, acima dos 0,4% esperados e, também, dos 0,4% registrados no último mês. Na França, por outro lado, a inflação melhorou e ficou em linha com o consenso de mercado, segundo a Bloomberg: passou de acumular -0,1% em 12 meses para +0,1% em abril.

Grécia: Pagamento ao FMI é feito de forma nada usual

No FMI, todos os membros que dele participam possuem um estoque de capital que, em inglês, é chamado de “Special Drawing Rights” (SDR). Algo como “Direitos de resgate especiais”. A alocação grega dos SDR tem girado em torno de 985 milhões de euros, mas estava em 700 milhões no final de março – último dado disponível. Ainda que os membros possam usá-los em algumas ocasiões, não é nada usual utilizá-los para pagar o próprio FMI. Cabe a cada membro pagar um juros nominal sobre a diferença entre o nível do SDR e a alocação de cada país. Em outras palavras, a transação grega desta semana será, de forma resumida, contrair um empréstimo a taxas baixas para honrar outro do passado.

EUA: Williams, do Fed, não descarta nenhuma reunião para dar início à normalização

Ontem, apesar da agenda macro vazia, destacamos o discurso de John Williams, presidente do Fed de San Francisco. Segundo ele, “O momento exato será definido pelos dados”, em referência ao início da normalização dos juros. Mais: “Toda reunião (do Fed) está sobre a mesa”, sem querer descartar nenhuma possibilidade à frente. Registre-se: Williams é membro votante este ano, e tem, reconhecidamente, uma visão bem otimista sobre a recuperação americana.