Macroeconomia e mercado

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Centro-Sul: cana extra deve ir para o açúcar

Mas no geral a safra da região deverá ficar mais alcooleira.

A safra 2015/16 da região Centro-Sul do Brasil deve ser mais alcooleira, como já previsto por consultorias, analistas, e produtores.

Mas com a possibilidade de ligeiro aumento da oferta de cana-de-açúcar, por conta das expressivas precipitações de fevereiro e março, o volume extra deverá ser direcionado para fabricar açúcar.

A maior disponibilidade de cana, em função de mais incidência de chuvas, foi tema da exposição de Luiz Carlos Correa Carvalho, o Caio, diretor da consultoria Canaplan, em evento da empresa realizado em 24 de abril em Ribeirão Preto.

A colheita da safra 15/16 tende a ter cana extra

No evento, Caio discorreu que caso haja uma safra úmida, o centro-sul chegará a 577,9 milhões, 4,3% acima da previsão de uma safra seca, na qual, conforme ele, haveria oferta de 554,1 milhões de toneladas.

Caso prevaleça a projeção de safra úmida, a pequena oferta extra de matéria-prima servirá para o açúcar saltar 1% no mix, indo para 42,5%. Nesse caso, a produção do alimento chegará a 31,4 milhões de toneladas VHP equivalente. Se for safra seca, a estimativa da Canaplan é de 30,1 milhões de toneladas.

Nesta quarta-feira (13), a consultoria Datagro relatou a possibilidade de aumento de 0,7% na produção de açúcar, ante o ciclo 14/15, chegando a 32,2 milhões de toneladas.

Esse aumento, conforme a empresa, se dá porque a safra no Centro-Sul deverá moer 591 milhões de toneladas. Em outubro do ano passado, a Datagro divulgou previsão de que o ciclo vigente teria entre 520 e 560 milhões de toneladas.

A consultora INTL FCStone também divulgou nessa terça-feira (13) revisão de estimativa para 15/16. Segundo ela, o centro-sul deverá moer 582,9 milhões de toneladas, 2% acima da projeção anterior.

A oferta maior reflete a melhora da condição hídrica dos solos canavieiros nos últimos meses.

Conforme a empresa, com o pequeno avanço de matéria-prima as unidades da região poderão chegar a 32,1 milhões de toneladas, volume 0,3% acima do apurado na temporada anterior. (Jornal Cana 14/05/2015)

 

Entidades divergem sobre efeitos da Lei da Terceirização na agricultura

As entidades representativas do setor rural têm apresentado opiniões divergentes sobre o Projeto de Lei 4.330/2004, a chamada Lei da Terceirização. A legislação já foi aprovada na Câmara dos Deputados, agora encaminhado para apreciação do Senado, legaliza a terceirização de trabalhadores nas atividades-fim de uma empresa.

Para Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a aprovação da lei seria um avanço porque acabaria com a insegurança jurídica que muitos empresários do agronegócio hoje enfrentam. “Hoje, há uma dificuldade em saber o que é atividade-meio e atividade-fim, isso não está claro ainda”, explica.

Cornacchioni ainda ressalta que a agricultura possui características sazonais, o que dificultaria a contratação direta de mão-de-obra permanente. “Há casos em que eu posso colher uma supersafra e há outros em que o meu cultivo foi prejudicado pela seca, por exemplo. Nesse caso, como vou gerenciar a mão de obra com essa lei atual?”, questinou o diretor da Abag.

Já para Elias D'Angelo Borges, secretário de Assalariados Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a nova lei deve precarizar o trabalho. Borges destaca dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apontam que os empregados terceirizados recebem 27% menos com carga horária de três horas a mais. Além disso, o sindicalista critica a flexibilidade que prevê a proposta.

"Os contratos de curta duração podem diminuir o recebimento de benefícios por parte dos trabalhadores. Quem vai fiscalizar o papel das empresas em garantir os direitos dos seus funcionários?", critica Borges. (Agrolink 13/05/15)

 

Áudios e atas mostram que Mantega resistiu a aumento de preço de gasolina até passar a disputa presidencial

Atas e áudios das reuniões do Conselho de Administração da Petrobras em 2014, obtidos pelo GLOBO, revelam que o então presidente do colegiado, Guido Mantega, só recomendou o aumento do preço da gasolina e do óleo diesel imediatamente após a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A decisão do ex-ministro da Fazenda ocorreu em reunião de 4 de novembro, que era uma continuação do encontro de 31 de outubro, Dilma foi reeleita em segundo turno em 26 de outubro.

Em pelo menos quatro reuniões que antecederam a disputa eleitoral, Mantega não atendeu aos apelos da então presidente da Petrobras, Graça Foster, pelo fim do represamento dos preços. Ela chegou a falar em "sacrifício" e em "constrangimento" à estatal por conta da iniciativa do governo.

Manter os preços congelados foi a forma artificial encontrada pelo governo Dilma para segurar a inflação, o que contribuiu para o endividamento e os prejuízos da estatal. Em 6 de novembro, dois dias depois do aval de Mantega, a Petrobras divulgou comunicado sobre o reajuste, 3% para a gasolina e 5% para o diesel, que começou a vigorar no dia seguinte.

Na reunião em que encaminha pelo aumento, Mantega inclusive cita o endividamento da estatal agravado por conta dos preços praticados. "Para que se obtenha melhoria dos indicadores de endividamento e alavancagem, é preciso passar um tempo com preços acima da paridade, a fim de recompor defasagens do passado", disse o ex-ministro, que recomendou o aumento à diretoria executiva "quando considerar conveniente", ainda em 2014. Ele também orientou a diretoria a manter esses preços "acima do preço de paridade no futuro para chegar a um equilíbrio financeiro melhor".

A ata registra que Graça chegou a pedir confirmação sobre a recomendação. O presidente do conselho confirmou. Nas duas reuniões anteriores, em 8 de agosto e 12 de setembro, Graça fez discursos incisivos contra o represamento e afirmou acreditar que o reajuste viria "no teto da banda de preços". A presidente disse não "ter poder" para promover o aumento. Segundo ela, o aumento era "condição básica para a sustentabilidade" da Petrobras em 2015.

"A companhia não pode trocar aumento de produção de óleo pela falta de reajuste de preço do diesel e da gasolina, sendo necessário conjugar produção e preço para continuar investindo", argumentou Graça. Ela só foi atendida depois da disputa presidencial.

O GLOBO questionou a Petrobras sobre o conteúdo dos áudios e atas. "Não comentaremos informações supostamente oriundas de vazamentos ilegais", respondeu. A reportagem também questionou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República a respeito da decisão de represar os preços dos combustíveis, mas não houve retorno. (O Globo 14/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior: euro ganha forças frente ao dólar; e bolsas européias operam sem direção única, ao redor da estabilidade. Índices futuros sinalizam boa abertura das bolsas americanas.

Mais um dia de dólar em queda no exterior (próxima às mínimas em três meses), ainda refletindo dados fracos da economia americana. Moedas de emergentes se fortalecem, e commodities operam em alta. Ontem, lembramos: as vendas no varejo dos EUA mostraram estabilidade frente a março, abaixo do esperado pelo mercado. Hoje, na agenda macro americana, destaque para os pedidos de auxílio-desemprego da semana passada e o índice de preços do produtor (PPI) de abril.

Ainda no cenário internacional: conferência do FMI (12h, horário de Brasília), em Washington, contará com discurso de Mario Draghi, presidente do BC europeu. Ele pode enfatizar que os estímulos monetários por lá não serão interrompidos apesar dos dados melhores. Os juros dos títulos europeus operam em leve alta nesta manhã, mas nada muito expressivo.

Aqui no Brasil: a Câmara aprovou MP 664 ontem, passo importante para o ajuste fiscal

Ainda assim, o governo sofreu derrotas importantes, com emendas tendo sido incluídas. A votação de emendas termina hoje, e ainda que tudo passe pelo Senado, Dilma já parece ter sinalizado que vetará a emenda que flexibiliza o fator previdenciário. Teme-se que Dilma possa perder ainda mais popularidade.

Hoje, ainda assim, acreditamos que nos mercados de câmbio e juros locais, tende a prevalecer o cenário externo: dólar deve voltar a ser pressionado para baixo, assim como os juros futuros. Em bolsa, pode haver alguma recuperação, em linha com as bolsas americanas.

Na agenda macro: vendas no varejo decepcionam em março. Na agenda micro: Banco do Brasil divulgou números abaixo do esperado; JBS acima.

Brasil

Câmara aprova texto-base da MP 664, mas governo também sofre derrotas

O primeiro ponto aqui é ressaltar a aprovação da MP 664 ontem, mais um passo para o ajuste fiscal. Lembramos: esta torna mais rígidos os critérios de pagamentos de pensão por morte e auxílio-doença. A votação foi apertada (277 contra 178). O segundo ponto diz respeito às votações das emendas – duas derrotas para o Governo. Em sessão marcada para as 12h de hoje, os deputados vão concluir a votação dos destaques, que ainda podem alterar o texto.

(1) Por 232 votos contra 210, a Câmara aprovou a MP 664/14, apresentada pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), dando a possibilidade do trabalhador de utilizar a chamada regra 85/95 ao invés do fator previdenciário (fórmula que reduz o valor das pensões e que tem por objetivo desestimular aposentadorias precoces). Pelos cálculos do governo, essa mudança nas aposentadorias do INSS aumentarão os gastos da Previdência em R$ 40 bilhões no prazo de dez anos e R$ 300 bilhões nos próximos 20 anos;

(2) Por 229 votos a 220, foi retirada a exigência da MP 664 de que o salário integral do trabalhador seja pago pela própria empresa nos primeiros trinta dias do afastamento por motivo de doença. Com isso, foi mantida a regra atual: apenas nos primeiros quinze dias ela deverá pagar o salário.

MP segue para Senado, e Dilma poderia vetar emenda que flexibiliza fator previdenciário

Tanto a MP quanto a emenda ainda precisam ser aprovadas pelo Senado. José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, espera que a emenda seja vetada por lá, ou que a própria presidente Dilma vete o trecho incluído. Na Folha, afirma-se que o Planalto já avisou a ministros e líderes do governo que Dilma pretende, de fato, vetá-lo. Mais isso pode levar à maior impopularidade da presidente: “O núcleo do governo, no entanto, admite que a medida deve abrir espaço para um desgaste triplo de Dilma. Além da impopularidade pela decisão de ir contra um texto defendido por aposentados, o governo avalia que o veto tende a ser derrubado,o  que representa uma derrota política no Legislativo e uma ampliação do rombo da Previdência”.

Dilma quer ampliar leilão de rodovias, de 4 para até 11 trechos

Segundo a Folha, o governo Dilma quer aumentar de 4 para até 11 os trechos de rodovias federais leiloados no novo programa de concessões ao setor privado. Lembramos: o anúncio das novas concessões, que estava marcado para hoje, foi postergado para o início de junho. Até lá, a presidente Dilma pediu à sua equipe econômica que buscasse fechar um plano mais "ambicioso possível".

Fluxo cambial: 1ª semana de maio registra saída de US$2,5 bi

Entre os dias 4 e 8 de maio, houve uma saída de US$2,558 bilhões, dada a entrada de US$634 milhões de fluxo comercial (com importações de US$ 3,471 bilhões e exportações de US$ 4,105 bilhões) e saída de US$3,192 bilhões de fluxo financeiro. No ano, no entanto, o fluxo ainda é positivo e soma US$15,312 bilhões, após expressiva entrada de US$13,1 bilhões em abril. Acreditamos que após o anúncio do BC de menor rolagem do swap cambial (no início de maio), de aproximados 100% para 80%, pode ter provocado receios de depreciação cambial para os investidores.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar fechou o pregão de ontem em alta, respeitando o patamar dos R$ 3 (+0,58%, a R$3,0378). Dois fatores estão levando o mercado a considerar que R$3,00 é um ponto de compra: Levy sinalizou que tem interesse em fazer correção do câmbio, e o BC já anunciou a diminuição do ritmo das rolagens de swap cambial no início do mês. O mercado de juros fechou em queda, em movimento de ajustes, após altas recentes. A taxa dos contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 foi cotada em 13,82%. Em bolsa: Ibovespa fechou novamente em queda (-0,74%), aos 56.372 pontos. Destaque para o anúncio da revisão semestral da carteira teórica do índice MSCI Brasil, e indicadores de atividade mais fracos na China. Em bolsa: destaque de alta para Petrobrás, Oi e Klabin. Dentre os destaques de baixa: Vale, Ambev, Bradesco, Itaú, Eletrobrás e Gerdau.

Sobre os movimentos técnicos recentes do Ibovespa

Nessa quarta-feira tivemos mais um dia de queda perdendo o suporte em 56.600 e uma LTA. A tendência segue sendo altista, mas ela mostra fraqueza com esse movimento. Próximo suporte em 55.300. A perda desse nível deixaria a situação bem negativa. [texto retirado do relatório Panorama Técnico]

Cenário externo

EUA: Vendas no varejo abaixo do esperado, estáveis em abril

Ontem pela manhã, foram divulgadas as vendas no varejo nos EUA referentes ao mês de abril: estabilidade em relação a março, abaixo da expectativa de alta de 0,2%, segundo a Bloomberg. Na comparação anual, as vendas cresceram 0,9%, o menor ritmo desde outubro de 2009. Desconsiderando as vendas de automóveis, o varejo também frustrou: cresceu apenas 0,1% frente a março, abaixo dos esperados 0,5%. Registre-se: este último conceito representa apenas um quinto do varejo total. Do lado positivo: o gasto com consumo foi revisado para cima em março, de 0,9% M/M para 1,1% M/M. O conceito sem veículos subiu de 0,4% para 0,7%. Seja como for: os dados ainda fracos mantém o dólar mais fraco frente aos principais pares (isso aconteceu ontem e a tendência se mantém hoje), ainda sob a percepção de que o Fed não terá pressa para subir juros.

Rússia: Recomposição das reservas em moeda estrangeira

O BC russo anunciou hoje que irá começar a comprar entre US$ 100-200 milhões por dia para repor suas reservas em moeda estrangeira. Lembramos: o BC tentou defender o valor de sua moeda até novembro do ano passado, vendendo reservas, até que decidiu deixar a divida flutuar de forma mais livre, incapaz de conter a pressão de depreciação. Neste contexto, as reservas caíram de cerca de US$ 510 bilhões no ano passado, para US$ 385 bilhões em 2015. O rublo é hoje o destaque de queda frente ao dólar dentre as moedas de emergentes que monitoramos. A maioria se fortalece frente à divisa americana.