Macroeconomia e mercado

Notícias

Indicador do açúcar cristal se mantém na casa dos R$ 51 /saca desde o início da safra

As cotações do açúcar cristal seguem estáveis no mercado spot paulista. Desde o início oficial da moagem de cana da safra 2015/16 (começo de abril), o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, se mantém na casa dos R$ 51,00/saca de 50 kg, nessa segunda-feira, 18, fechou a 51,38 / saca de 50 kg.

Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo em safra, a oferta de açúcar de maior qualidade tem sido pequena. Nos últimos dias, especificamente, chuvas em algumas regiões produtoras chegaram a paralisar pontualmente a moagem de cana.

A demanda, por sua vez, também está desaquecida.

Esse cenário mantém lentas as negociações envolvendo o açúcar no spot paulista. (CEPEA/ESALQ 19/05/2015)

 

Petrobras diz ter liberdade para elevar preços

O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou nesta segunda-feira (18) que a empresa vai praticar preços "competitivos" para os combustíveis e que a estatal tem "liberdade" para estabelecer tal política.

A declaração, dada em teleconferência com analistas, contraria a política de preços dos combustíveis adotada nos últimos anos, quando o governo impediu reajustes seguindo preços de mercado para evitar impacto na inflação.

Durante a teleconferência, um analista perguntou "de onde vem a convicção" na capacidade da empresa de reajustar o preço dos combustíveis. "São conversas no conselho de administração que te deixam mais otimista?"

Monteiro respondeu que "a companhia tem liberdade e vai atuar praticando preços competitivos". O diretor não detalhou, porém, quais são os parâmetros e patamares de competitividade.

Entre 2011 e 2014, a Petrobras amargou perdas próximas a R$ 90 bilhões por vender combustíveis abaixo da cotação internacional.

A queda no preço do barril ajudou a diminuir a defasagem e, a partir de novembro, a companhia passou a ter ganhos com a diferença. No entanto, a tendência é que esse ganho seja anulado, caso o preço do barril de petróleo e o dólar subam.

VENDA DE ATIVOS

Monteiro reafirmou nesta segunda o plano da empresa de vender ativos para reduzir a dívida. O plano de negócios deve ser divulgado na primeira quinzena de junho.

"Temos um desafio muito importante em relação à desalavancagem da companhia, e um dos instrumentos muito enfatizado é o desinvestimento [venda de ativos]. Os números informados, de US$ 3 bilhões este ano e US$ 10,5 bilhões para 2016, permanecem os mesmos."

A redução do endividamento da estatal será discutida pela alta administração da empresa nesta semana. (Folha de São Paulo 19/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior, o dólar se fortalece, após bolsas americanas terem quebrado recordes de alta ontem. Commodities recuam.

Ontem, os índices Dow Jones e S&P 500 terminaram em alta de 0,1% e 0,3%, aos 2.129,2 pontos e 18.298,88 pontos, respectivamente. Mas chamou a atenção o baixo volume negociado, o 2º mais baixo do ano, considerando número de ações negociadas. Diante de dados mistos (muitas vezes aquém do esperado), o Fed, definitivamente, não deve ter pressa para subir juros. Hoje, saem dados do setor de construção. Ontem, contrariando expectativas, a confiança do setor recuou. Discute-se muito o papel do inverno rigoroso no desempenho deste 1º tri por lá, ainda sem grande consenso. A moeda americana se valoriza hoje, e moedas da maioria dos emergentes recuam, em dia negativo para as commodities.

Os mercados europeus operam em alta, às 7h57, horário de Brasília, seguindo, além das bolsas americanas, as bolsas asiáticas

Na China, a bolsa voltou a subir forte: +3,14%. O euro se deprecia frente ao dólar, ainda permeado de incertezas com relação à dívida grega. Mais: a inflação no Reino Unido, pela 1ª vez desde a década de 60, entrou em terreno negativo (-0,1% A/A em abril); e a confiança da economia alemã, medida pelo instituto ZEW, recuou em maio e ficou abaixo do esperado.

No Brasil: Dilma recebe premiê da China no Planalto, enquanto no Senado pode votar MP 665 e MP 663, sobre mudanças nos benefícios trabalhistas e capitalização do BNDES

A Fazenda está atenta às negociações sobre o fiscal, e o contingenciamento, a ser anunciado nesta semana, deve ficar entre R$70-80 bilhões, afirmou o ministro Levy. Mais impostos podem vir à frente, dada a frustração de receitas com a recomposição escalonada das alíquotas de Previdência Social.

Acreditamos que continuaremos tendo pressões de alta no mercado de câmbio e juros aqui no Brasil, em linha com o dólar mais forte no exterior e um BC ainda sinalizando que o ajuste na Selic deve continuar. A bolsa, por outro lado, deve continuar movimento de baixa. 

Brasil

Awazu, em SP, corrobora tom “hawkish” do Banco Central

O diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira, se reuniu ontem em SP com analistas do mercado financeiro e continuou mostrando um tom mais “duro” no combate à inflação. Muitos investidores já acreditam que o BC pode ir além dos 13,75% ao ano, elevando a taxa em mais 0,50 ponto percentual na reunião de junho (dias 2 e 3), e deixando espaço para outro ajuste, na reunião de julho (dias 28 e 29). Hoje, Awazu se reúne no Rio de Janeiro, e o tom deve ser o mesmo. Neste contexto, continuamos vendo a aumento da possibilidade da manutenção do ritmo de ajuste na Selic. O mercado tem precificado isso, e a parte curta da curva de juros segue bastante pressionada para cima.

Inflação I: IPC-Fipe desacelera na 2ª quadrimestre de maio e fica abaixo do esperado

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou uma alta de 0,83% na 2ª quadrissemana de maio, após ter avançado 1,04% na 1ª leitura do mês. Em suma: o resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado (0,91%), segundo pesquisa da AE Projeções, e também do piso das estimativas, de 0,87%.

Inflação II: 2ª prévia do IGP-M de maio desacelera e fica abaixo do esperado

O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu 0,41% na 2ª prévia de maio, contra avanço de 1,16% na segunda prévia do mesmo índice de abril, segundo números da FGV. Segundo a AE-Projeções, o resultado ficou dentro das estimativas do mercado (0,32-0,59%), mas abaixo da mediana das expectativas, que era de 0,47%. Na 1ª prévia deste mês, o IGP-M havia subido 0,51%.

Balança comercial: maio acumula superávit de US$1,652 bi

De acordo com dados divulgados ontem pelo MDIC, a balança comercial do mês aumentou o superávit acumulado no mês, antes em US$976 mi, até a 1ª semana; agora em US$1,652 bi, considerando as duas primeiras semanas. Na 2ª semana do mês, o superávit foi de US$676 mi. No acumulado no ano, no entanto, o déficit é de US$3,41 bi, ainda – melhor do que o déficit de US$5,35 bi quando consideramos o mesmo período do ano passado. No mês, e favorecida pela sazonalidade, a média das exportações de soja aumentou (agora em US$ 206 milhões, contra US$154,8 mi no mês de abril como um todo).

Ainda sobre comércio: governo vai tentar reduzir déficit da balança de serviços

Segundo matéria de capa do Valor, o governo tentará reduzir o elevado déficit na balança de serviços, que totalizou expressivos US$47,2 bi no ano passado, o terceiro maior déficit dentre a lista de 20 grandes economias no mundo. Preocupa que tem crescido ano após ano tal conta: desde 2009, quase triplicou. A partir de hoje, um sistema criado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Siscoserv, ajudará a mapear estes números.

Possível aumento de impostos, dado o reajuste escalonado nas alíquotas para a Previdência Social

Acordo costurado por Michel Temer, vice-presidente da República, pode fazer com que as novas alíquotas para a Previdência Social passem a valer ainda neste ano, provavelmente em novembro. No entanto, os reajustes nas alíquotas serão escalonados (aumento de 1% para 2% e de 2,0% para 4,5%), em dois ou três anos. Antes, o governo esperava arrecadar R$3 bi e R$12 bi neste e no próximo ano, mas a queda nas receitas pode levá-lo a aumentar os impostos.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Ontem, o dólar seguiu em alta, (+0,69%, a R$3,0171), acompanhando o movimento no exterior e preocupações com a dívida da Grécia ajudaram a aumentar a cautela dos mercados. No mercado de juros, pressões altistas, seguindo o câmbio. As taxas de contratos de depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro 2016 foi cotado em 13,82%. Em bolsa: Ibovespa fechou em alta de  -1,82% , fechando aos 56.204 pontos. Bancos, Petrobras e Vale caíram forte ontem. Os investidores não aprovaram o aumento de tributos para o setor, e a Petrobrás foi volátil devido ao seu balanço que foi divulgado na última sexta. Já a Vale sofreu pela queda no preço do minério na China.

Agenda da semana: PME; IBC-Br; IPCA-15; arrecadação federal e números do CAGED

Na quinta, teremos além do índice de atividade do BC (IBC-Br) referente ao mês de março, que deveria ter sido divulgado na última semana, mas foi postergado; a Pesquisa Mensal de Empregos (PME) do IBGE, que deve mostrar mais sobre o mercado de trabalho em abril. Na sexta, sai o IPCA-15 de maio, lembrando que o IPCA-15 de abril, ao ficar ligeiramente acima do esperado pelo mercado, aumentou a possibilidade do BC se manter “duro” no combate à inflação. Ao longo da semana, sem dia definido, será divulgada tanto a arrecadação federal quanto os números de emprego do CAGED, ambos referentes ao mês de abril.

Sobre os movimentos técnicos recentes do Ibovespa

Nessa segunda-feira tivemos um dia de queda forte com teste da média de 21 dias, se essa média for perdida a situação ficará indefinida, já a perda do nível de 55.300 deixa a situação negativa. Se voltarmos a subir teremos resistência em 58.000.

Cenário externo

Agenda da semana: ata do FOMC e discurso de Yellen serão os destaques nos EUA

Para hoje, dois eventos podem repercutir nos mercados. No primeiro, o presidente do BC da Índia, Raghuram Rajan, discursa no Economic Club, em Nova York, às 12h45. No segundo, a presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e o secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, discursam no encontro anual do Bretton Woods Committee, em Washington, sem horário definido.

Ao longo da semana: na quarta-feira será divulgado às 15h, horário de Brasília, a ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market Committee, em inglês). Importante, dado que na última reunião do Fed não tivemos a coletiva de imprensa com a presidente do Fed, Janet Yellen. Ela fará discurso na sexta, sobre a perspectiva econômica dos EUA, às 14h. No mesmo dia, sairá a inflação ao consumidor de abril nos EUA. No resto do mundo: na China, índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial, medido pelo HSBC, será divulgado amanhã, quarta-feira.

EUA: Confiança da construção recuou em maio

O índice de confiança do setor de construção, medido pela National Association of Home Builders (NAHB), recuou dois pontos em maio, para 54, segundo dados divulgados ontem pela manhã. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando estava em 45, ainda mostra um quadro bem mais positivo, mas ficou abaixo dos esperados 57 pontos, segundo pesquisa da Bloomberg. As perspectivas seguem positivas: para David Crowe, economista, chefe da NAHB, “o componente da pesquisa que avalia a expectativa de vendas de moradias tem avançado ao longo do ano”, apesar dos consumidores ainda cautelosos.

Alemanha: confiança recua em maio, e fica abaixo do esperado

O índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu para 41,9 em maio, de 53,3 em abril, segundo dados divulgados hoje pelo instituto ZEW. Foi o segundo recuo seguido do indicador, que ficou aquém da expectativa de analistas consultados pela Bloomberg, de 49,0. O índice que avalia as condições atuais também teve queda em maio, para 65,7, de 70,2 em abril, e abaixo dos esperados 68,0.

Zona do euro: BC deve acelerar as compras de bônus em maio/junho

Benoît Coeuré, membro do conselho executivo do BC europeu, disse hoje que a instituição deve acelerar as compras de bônus entre os meses de maio e junho, dado que a liquidez costuma ser menor nestes meses de verão e, assim, poderia comprar menos à frente. A notícia também contribui para impulsionar as bolsas na região.