Macroeconomia e mercado

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Seminário Tereos: “chegamos ao limite”, diz Sardenberg

Jornalista econômico fez palestra há pouco no evento da companhia, em São Paulo.

Do ponto de vista econômico, o caminho para o Brasil é restabelecer o cenário macroeconômico e buscar investimentos através da iniciativa privada, afirmou há pouco o jornalista econômico Carlos Alberto Sardenberg, em palestra no XIII Seminário Tereos Guarani, em São Paulo.

“Chegamos ao limite do erro político, da corrupção, e neste momento a situação tem de ser resolvida”, afirmou.

Segundo Sardenberg, a política econômica proposta pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é a única consistência que existe hoje no cenário político-econômico. “Mas não era uma política do PSDB, que ontem [terça-feira] fez programa de TV esculhambando o ajuste fiscal. É uma política de emergência porque não há outra saída. Ela é fonte de alguma estabilidade.”

Em sua palestra, Sardenberg lembrou que “desde o começo de seu primeiro governo, a presidenta Dilma Rousseff foi contra a privatização. Foi o que ocorreu com os aeroportos. Fez o que fez e no fim houve as concessões. Agora, novamente o governo fará concessões, com rentabilidade, como promete o ministro Joaquim Levy.”

Conforme o palestrante, de um lado, tem-se de resolver o problema da corrupção e isso terá de ter depuração, com substituição de nomes.

"De outro lado, será preciso uma linha política para desatar a situação, hoje de muita instabilidade. Será por meio da via da ruptura, com queda de cargos e discussão do impeachment. Ou se a situação econômica der algum respiro, essa mudança pode ser feita aos poucos". (Jornal Cana 20/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

No exterior

As bolsas européias operam sem direção definida, às 8h12, horário de Brasília. O dólar segue em alta, após números do setor de construção nos EUA terem surpreendido os analistas no dia de ontem. Para hoje, espera-se com ansiedade a ata do FOMC, às 15h.

Após sessão morna de ontem nos EUA, que contou com novo recorde de alta do Dow Jones, ainda que tímido (+0,06%, aos 2127,83 pontos), as bolsas asiáticas fecharam a sessão sem direção única. Enquanto o Hang Seng recuou 0,39%, o Nikkei subiu 0,85%, em dia de iene mais depreciado e divulgação do PIB do 1º tri no Japão acima do esperado. Na Europa, as bolsas operam sem direção única. O euro segue em baixa frente ao dólar, e os juros dos títulos soberanos de 10 anos de Alemanha e França recuam, enquanto os de Espanha, Portugal, Itália e Grécia registram ligeiras altas.

No Brasil: A Câmara aprovou ontem à noite a MP 668, elevando tributação sobre importados e bebidas frias, um novo passo rumo ao ajuste fiscal.

A MP 665, que restringe acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial, deve ser votada hoje no Senado.

A MP 664, que trata das pensões por morte e auxílio doença deve ficar para a próxima semana.

Em relação à política monetária: “Não há um teto para a taxa de juros”, afirma fonte ao jornal Valor. Mais: “Não vamos encerrar o ciclo de alta dos juros até que a projeção do BC mostre a inflação na meta de 4,5% em 2016”. Neste contexto, ainda vemos espaço para pressões de alta na curva de juros. O dólar, em linha com o cenário externo, deve voltar a subir.

Em bolsa: Ativos podem continuar reagindo de forma positiva aos acordos com a China

Destaque para Petrobras, Vale, Embraer e setor de alimentos.

Brasil

Planalto assina 35 acordos com a China: tentativa de reverter pessimismo

De imediato, foi reaberto o mercado de carne bovina e confirmada a venda de 22 jatos da Embraer para a companhia aérea Tianjin Airlines, por US$1,1 bi. Além disso, foram liberados dois financiamentos à Petrobras que, ao todo, somam US$7 bi; e acertada a venda de um navio da Vale para transporte de minério de ferro a uma empresa chinesa. Ou seja, muitos acordos ainda precisam ser estudados, são memorandos de entendimentos, protocolos, acordos de cooperação que precisam ser analisados. A cifra de US$53 bi em investimentos chineses, veiculada nos jornais, deve ser lida com cuidado. (Na sessão de Empresas do relatório, comentamos mais)

Câmara assinou texto-base da MP 668: mais um passo no ajuste fiscal

A Câmara aprovou na noite de ontem o texto-base da MP 668, desenhada para elevar a tributação sobre produtos importados. Mais: o governo conseguiu que o texto voltasse a incluir mudanças elaboradas pela Receita sobre a tributação de bebidas frias. As alíquotas de PIS e Cofins para importação de bens em geral subiram de 1,65% e 7,6% para 2,1% e 9,65%, respectivamente. Agora, a MP segue para o Senado. O governo afirmou que, com isso, a arrecadação federal subiria de R$694 mi em 2015 para R$1,9 bi nos próximos anos.

“Não há um teto para a taxa de juros”, afirma fonte ao jornal Valor

Com relação à política monetária, destacamos a coluna de Cristiano Romero, do Valor. Continuamos vendo dirigentes, ou mesmo fontes não identificadas, reforçando as apostas de manutenção do ritmo de ajuste na Selic. Segundo Romero, uma fonte teria dito que “Não vamos encerrar o ciclo de alta dos juros até que a projeção do BC mostre a inflação na meta de 4,5% em 2016”. Em tese, a projeção oficial sai no Relatório Trimestral de Inflação. No último, de março, tanto no cenário de mercado como no de referência, o IPCA no final do próximo ano ainda está acima: em 4,9% e em 5,1%, respectivamente.

Confiança da indústria recua em maio, diz CNI

Segundo dados da CNI divulgados ontem, o índice de confiança do empresário industrial (ICEI) recuou 0,6% em maio, na comparação com o mês anterior. Quando comparado com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 19,6%. A seguir, mostramos dados mais detalhados neste tipo de comparação. Assim como os dados de confiança da FGV, temos um quadro ainda de quedas bastante acentuadas da confiança no setor.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

O dólar voltou a ser pressionado para cima, diante de dados mais fortes no setor de construção americano. Lá fora, a moeda americana também se fortaleceu frente a outras divisas. Pouco acima do R$3,03, ainda vemos espaço para altas à frente. Na BM&F, os juros mais longos acompanharam. A parte mais curta reagiu menos. O Ibovespa recuou outra vez (-1,3%, aos 55.498,82 pontos, no menor patamar desde abril). Ações de Petrobras, bancos e siderúrgicas contribuíram para isso.

Agenda da semana: PME; IBC-Br; IPCA-15; arrecadação federal e números do CAGED

Na quinta, teremos além do índice de atividade do BC (IBC-Br) referente ao mês de março, que deveria ter sido divulgado na última semana, mas foi postergado; a Pesquisa Mensal de Empregos (PME) do IBGE, que deve mostrar mais sobre o mercado de trabalho em abril. Na sexta, sai o IPCA-15 de maio, lembrando que o IPCA-15 de abril, ao ficar ligeiramente acima do esperado pelo mercado, aumentou a possibilidade do BC se manter “duro” no combate à inflação. Ao longo da semana, sem dia definido, será divulgada tanto a arrecadação federal quanto os números de emprego do CAGED, ambos referentes ao mês de abril.

Sobre os movimentos técnicos recentes do Ibovespa

Nessa terça-feira tivemos mais um dia de queda, perdendo com isso a média de 21 dias, mas fechando acima do suporte em 55.300, se esse nível for respeitado devemos iniciar uma movimentação mais lateral, já se ele for perdido a tendência passará a ser baixista. Próxima resistência fica na zona de 58.000.

Cenário externo

Agenda da semana: hoje teremos a ata do FOMC e o PMI chinês; na sexta, o discurso de Yellen

Será divulgado às 15h, horário de Brasília, a ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market Committee, em inglês). Importante, dado que na última reunião do Fed não tivemos a coletiva de imprensa com a presidente do Fed, Janet Yellen. Ela fará discurso na sexta, sobre a perspectiva econômica dos EUA, às 14h. Também na sexta sairá a inflação ao consumidor de abril nos EUA. No resto do mundo: na China, índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial, medido pelo HSBC, será divulgado hoje, e o mercado, segundo a Bloomberg, espera melhora nos números preliminares de maio (PMI deve passar de 48,9 em abril para 49,3).

EUA: construção de casas novas e alvarás, em abril, surpreendem positivamente

Em abril, o nível de casas novas sendo construídas atingiu o maior patamar desde novembro de 2007, avançando expressivos 20,2% na comparação com o mês anterior. Este foi o maior avanço mensal desde fevereiro de 1991. Mais: os alvarás para novas construções também surpreenderam, crescendo 10,1% frente a março, bem acima dos 2,1% esperados. Atenção: estes dados são, em geral, bastante voláteis, e ainda os sinais são mistos.

Japão: PIB do 1º tri sobe 2,4%, fica acima do esperado, e Nikkei sobe

O PIB japonês cresceu 2,4% no 1º tri, em números anualizados, segundo dados preliminares do governo. O mercado, segundo pesquisa da Bloomberg, esperava avanço de 1,6%. O 4º tri de 2014, por outro lado, foi revisado para baixo, de 1,5% para 1,1%. Na comparação com os três meses anteriores, o PIB cresceu 0,6%, acima dos 0,4% esperados. Neste contexto, o índice Nikkei fechou no maior patamar desde 14 de abril de 2000, em alta de 0,85%, acumulando ganhos ao redor de 15,7% no ano.