Macroeconomia e mercado

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Nova refinaria faz Iraque focar em açúcar bruto do Brasil

A nova refinaria de açúcar da Etihad na Babilônia, no Iraque, está elevando a produção antes do previsto, mudando boa parte da necessidade de importação do país para açúcar bruto originado no Brasil, em lugar de açúcar branco, disseram fontes do mercado.

"A refinaria Etihad revolucionou a oferta do Iraque", disse uma fonte sênior do mercado.

Um maior volume de importação de açúcar bruto pelo Iraque indica que as tradicionais compras de açúcar branco de refinarias regionais, como a Al Khaleej, Dubai, irão cair.

Duas fontes do mercado estimaram que o Iraque importou pelo menos 300 mil toneladas de açúcar da brasileira Alvean, uma joint venture entre a Cargill e a Copersucar, nos últimos seis meses.

Uma terceira fonte citou quatro carregamentos de 40 mil toneladas cada da Alvean para o Iraque desde o ano passado, incluindo um navio que deverá ser carregado em Santos nos próximos dias.

Todo o açúcar é proveniente do Brasil, segundo as fontes.

Representantes da usina da Etihad não estavam disponíveis para comentar.

A refinaria começou a operar este ano e está agora processando cerca de 2 mil toneladas diárias, com um potencial de alcançar 3 mil toneladas diárias provavelmente dentro de um ano, disseram as fontes do mercado.

Uma das fontes estimou que a Al Khaleej vendeu cerca de 300 mil toneladas de açúcar branco para o Iraque até o momento neste ano, ante cerca de 600 mil toneladas no mesmo período do ano passado.

O Iraque geralmente importa mais de 1 milhão de toneladas de açúcar refinado por ano.

Fontes do mercado disseram que a refinaria elevou a produção nos últimos meses mais rápido que o esperado.

"Nós nos surpreendemos com a rapidez com que ela estava operando", disse uma fonte do mercado europeu. "A refinaria está funcionando incrivelmente bem". (Reuters 21/05/2015)

 

Prefeito de Sertãozinho passa a ter salário maior que o de Dilma Rousseff

Após reajuste, chefe do Executivo em Sertãozinho receberá R$ 30.988.

OAB diz que aumento é legal porque respeita o teto dos ministros do STF.

O reajuste salarial de 7,6% concedido aos servidores municipais de Sertãozinho, no interior de São Paulo, fará com que o prefeito José Alberto Gimenez (PSDB) passe a receber mais do que a presidente Dilma Rousseff (PT). A partir de 1º de junho, Gimenez terá salário de R$ 30.988, enquanto Dilma recebe R$ 30.934.

O projeto de lei que estabelece o aumento foi aprovado pela Câmara Municipal em sessão na noite desta segunda-feira (18).

Procurada pelo G1, a assessoria da Prefeitura de Sertãozinho informou que Gimenez cumpre agenda fora do município nesta terça-feira (19) e, por esse motivo, não poderá comentar o assunto.

Gimenez recebia R$ 28,8 mil, mais do que o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O valor havia sido fixado antes mesmo de ele ser eleito prefeito de Sertãozinho pela terceira vez, em 2012. Naquele ano, os vereadores estabeleceram os vencimentos do primeiro escalão da cidade para o mandato 2013-2016 e o salário do prefeito ficou aprovado em R$ 25,6 mil.

Desde então, o valor aumentou duas vezes, devido aos reajustes anuais concedidos ao funcionalismo público. Em 2013, o adicional foi de 6,2% e no ano passado de 6%. Esse ano, após dois dias em greve, os servidores entraram em acordo com a Prefeitura, que concedeu reajuste de 7,6%.

Outra reivindicação da categoria era o aumento do auxílio alimentação, que também foi aprovado pelos vereadores nesta segunda-feira. Os servidores com carga horária mínima de seis horas diárias passarão a receber R$ 420. Já os que trabalham menos, receberão vale de R$ 210.

Legal, mas imoral

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – 80ª Subseção, Joanilson Barbosa dos Santos, explica que o reajuste do salário do prefeito de Sertãozinho é legal, uma vez que não ultrapassa o vencimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje é de R$ 33,7 mil.

Mesmo que a lei permita, não é moral e nem ético porque a situação é muito delicada. Só seria moral e ético se viesse de encontro com as necessidades do povo"

 “Pelo que a gente tem analisado, ele pode receber esse novo valor. Alguém pode dizer que é legal, mas não é moral. Por isso, o que a gente tem debatido é que os prefeitos precisam cumprir a obrigação deles e a população precisa fiscalizar”, afirma Santos.

Para o sociólogo e cientista político Ubaldo Silveira, no entanto, apesar de ser considerado juridicamente legal, o reajuste é imoral e antiético, principalmente nesse momento em que Sertãozinho enfrenta uma crise econômica, reflexo da situação do setor sucroenergético. "Como um prefeito vai ter um salário alto desse jeito com uma realidade gritante de sacrifício, de contenção de gastos, para o povo", diz.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que a cidade encerrou o ano passado com 2 mil postos de trabalho a menos. Nos últimos doze meses, o saldo chega a 3 mil demissões, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

"Diante dessa realidade, com o número de empresas fechando, a indústria canavieira em crise, como é que um prefeito aprova esse reajuste? Mesmo que a lei permita, não é moral e nem ético porque a situação é muito delicada. Só seria moral e ético se viesse de encontro com as necessidades do povo." afirma. (G1 19/05/214)

 

Energisa e Rede concluem venda de Tangará para a Brookfield

Venda de ativos de energia para Turmalina Energética somou 430 milhões de reais

A Energisa e a Rede Energia informaram nesta quarta-feira terem concluído venda de ativos de energia por 430 milhões de reais para a Turmalina Energética, controlada indireta da Brookfield Renewable Energy Partners.

A operação envolveu a venda pela Rede de pelo menos 95,23 por cento do capital social da Tangará Energia para a Turmalina Energética, segundo fato relevante.

Do total de 430 milhões de reais, 250,1 milhões de reais foram transferência de dívidas, 171,3 milhões recebidos nesta quarta-feira via ações e 8,6 milhões de reais por ações vinculadas ao direito de preferência.

Ainda serão alienados 4,77 por cento remanescentes do capital social da Tangará Energia após prazo de 30 dias contados a partir desta quarta-feira para manifestação pelos acionistas minoritários da Rede do interesse em exercer o direito de preferência na aquisição dos papéis da Tanguará.

“Essa transação, em conjunto com a alienação dos demais ativos de geração (…), permitirá ao grupo Energisa reforçar sua estrutura de capital, reduzindo de forma relevante sua alavancagem, após o esforço relacionado à aquisição do grupo Rede”, disse a companhia.

A Rede Energia está em recuperação judicial. A Energisa e a Rede Energia haviam anunciado em novembro de 2014 a venda de uma série de ativos, por 1,4 bilhão de reais, para a Brookfield Renewable Energy Partners, da qual faz parte a operação envolvendo a Tangará Energia. (Reuters 21/05/2015)

 

COMENTÁRIO MACRO E MERCADO

Mercados hoje

Os mercados ainda refletem ata do FOMC divulgada ontem

O tom mais brando do documento do BC americano leva o dólar a se enfraquecer frente aos seus principais pares, incluindo moedas de emergentes. As taxas dos títulos soberanos recuaram, mas já mostram alguma recuperação.

Nos EUA, a atividade de M&A segue aquecida: a rede de farmácias CVS está negociando a compra da Omnicare.

Ainda no cenário internacional, temos como principais destaques de hoje os discursos do presidente do BC europeu, Mario Draghi; e do vice presidente do BC americano, Stanley Fischer em Portugal a partir das 14h30. O dia será de agenda americana intensa.

Na Europa, os números de atividade mostram grande heterogeneidade entre as economias da região. Foram divulgados nesta manhã os Índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). As bolsas caem marginalmente com os números de atividade abaixo do esperado. O euro se fortalece com a fraqueza do dólar, já as taxas dos títulos soberanos recuam nos países periféricos e sobem na Alemanha.

Por aqui, no Brasil, o front político voltou a concentrar as atenções

O Senado suspendeu a votação da MP 665, que altera regras para obtenção do seguro-desemprego e abono salarial, e só deve ser retomada na próxima semana, dia 26 de maio. Mais: a Câmara não analisou o projeto de lei que tenta mudar a desoneração da folha, e a votação deve ficar apenas para junho.

No campo fiscal, segundo fontes, o Governo não acredita que a meta de superávit será atingida. A saída será recorrer para Receitas Extraordinárias. Espera-se um montante relevante com a abertura de capital da Caixa Seguros e novos tributos podem ser anunciados para ajudar.

A Petrobras parece ter ferido novamente a credibilidade no mercado

A suspeita de números inflados no primeiro trimestre desse ano será apurada pela CVM.

Brasil

Commodities em alta e dólar fraco vão contrabalancear com o risco político latente.  Minério subiu e pode beneficiar a Vale, já a Petrobras deve reagir às notícias nos periódicos e a alta do Petróleo.

Setor de serviços tem março mais forte, mas tendência de desaceleração deve persistir

Ontem, o IBGE divulgou pela manhã a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referente ao mês de março. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a receita nominal cresceu 6,1%, após 0,8% em fevereiro e 1,8% em janeiro. Os “Serviços prestados às famílias”, por outro lado, desaceleraram, crescendo 2,4% em março, após 6,8% em fevereiro e 8,8% em janeiro.

Mais: “Serviços de informações e comunicação”, “Serviços profissionais, administrativos e complementares”; “Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio” e “Outros serviços”, por outro lado, aceleraram. Em suma, apesar do mês de março, o setor – que costuma de ser mais resiliente à desaceleração econômica, deve continuar em tendência de queda.

Aumenta o risco político ao ajuste fiscal

Esta quarta-feira foi um dia difícil para o governo federal. Na Câmara Federal, o projeto de lei da redução da desoneração da folha de pagamentos não foi votado por falta de acordo entre o relator e a equipe econômica. O relator defende o escalonamento em dois anos do aumento das alíquotas da contribuição previdenciária sobre o faturamento e a isenção de alguns setores. O governo é contrário às duas medidas.

A votação poderá ocorrer somente na segunda semana de junho.

No Senado Federal, o governo não conseguiu votar a MP 665, que altera as regras do seguro desemprego e abono salarial por não ter uma quantidade de votos favoráveis que lhe desse segurança. Assim, para a próxima semana, terão de ser votadas as três medidas provisórias do ajuste fiscal: MP 664, MP 665 e MP 668. Estas MPs caducarão a partir do início de junho.

Como chegamos até aqui? Sobre os movimentos recentes nos mercados locais

Pelo 3º dia seguido, o Ibovespa terminou em queda (-1,08%, aos 54,901 mil pontos). No mês, a bolsa recua 2,36%, mas acumula ganhos de 9,79% no ano. O volume negociado foi de R$8,313 bi. No final do pregão, a bolsa acelerou as perdas, com a queda dos papéis de Petrobras e ações do setor de consumo e financeiro. Expectativa por elevação de impostos tem pressionado mais alguns setores do que outros. Nos mercados de câmbio e juros futuros, pressões de baixa, após divulgação da ata do FOMC, nos EUA. Diminuiu a probabilidade de elevação de juros na reunião de junho nos EUA e, com isso, o dólar perdeu forças no cenário internacional.

Cenário externo

EUA: Ata do FOMC reduz possibilidade de normalização de juros a partir de junho

Investidores esperavam a divulgação da ata do FOMC na tarde de ontem para refazer apostas com relação ao início da alta de juros. As bolsas americanas passaram a subir, e o dólar perdeu parte de sua força frente às principais moedas. De modo geral, a ata foi considerada mais “branda” pelo mercado, dado que perdeu forças a aposta de início de elevação dos juros a partir de junho deste ano.

Em nossa opinião, o trecho mais relevante do documento destacou que, agora, somente alguns poucos dirigentes acreditam que haverá indícios suficientes para começar a normalização em junho até a data da reunião. Muitos, por outro lado, acreditam que não teremos confirmações para iniciar o aperto. Na sequência, discute-se a taxa de juros real de equilíbrio, compatível com o pleno emprego e estabilidade de preços. Apesar de estimativas bastante incertas, a demanda agregada ainda bastante deprimida ainda leva integrantes do Comitê a manter suas projeções em níveis historicamente muito baixos. Ou seja, começar o processo de normalização, ainda neste cenário, poderia comprometer a retomada da economia.

Europa: BC europeu eleva teto de créditos emergenciais para a Grécia

Ontem, segundo autoridade bancária da Grécia, o BC europeu elevou o montante que os bancos gregos podem pegar emprestado do banco central do país. Passou para 80,2 bi de euros, de 80 bi na semana passada. Lembramos: os empréstimos emergenciais se tornaram mais importantes após o BC europeu suspender em fevereiro a exceção que permitia aos bancos do país de usar bônus do governo, classificados como de alto risco, como colateral para empréstimos regulares do BC europeu. Ou seja, sem recursos do BC europeu, os bancos gregos precisam aderir ao programa de assistência emergencial de liquidez (ELA, na sigla em inglês), tomando recursos a juros mais altos.