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Os investimentos vão para a área agrícola e a indústria sucroenergética é sucateada

A junção: falta de cana, que deixou a indústria ociosa, e a crise sucroenergética – reduziu drasticamente os investimentos na indústria. Como o objetivo do setor passou a ser o aumento da produtividade no campo, 75% do orçamento das usinas passou a ser direcionado para a área agrícola.

Cabe à indústria cerca de 20% desse bolo, que está cada vez mais minguado, tanto que 190 usinas estão com o parque industrial sucateado, com equipamentos velhos, até mesmo sem manutenção adequada. O que reina são as gambiarras e remendos.

“Quando a agrícola consegue aumentar a produção, a indústria está sem condições de moer essa quantidade maior de cana. Por exemplo, se necessita aumentar a velocidade da moenda, ela vai quebrar e a usina para. Isso é custo”, disse Fabiana Balducci, do Credit Suisse, em sua participação no painel "Desmistificando a crise sucroenergética", que fez parte da programação do evento "O setor Bioenergético: uma resposta à realidade", realizado ontem em Ribeirão Preto, SP, pela empresa Organize.

Fabiana salienta que isso é resultado de falta de planejamento, de organização. “A empresa não pode privilegiar tanto uma área em detrimento de outras, é preciso ter equilíbrio.” O painel foi mediado pelo professor e economista Marcos Fava Neves e além de Fabiana participaram: Ismael Perina, presidente da Câmara Setorial Sucroenergética, Rodolfo Geraldi, da Vértice Consultoria, Waldemar Deccache, da Deccache Associados e Edvaldo Vellini, do CNTBio. (Cana Online 29/05/2015)

 

Setor sucroalcooleiro deve ganhar fôlego com novos investimentos

O setor sucroalcooleiro continua enfrentando uma profunda crise no País, considerada por especialistas como a pior em três décadas. Agora, o segmento pode ganhar novo fôlego, principalmente a partir do segundo semestre, graças à sinalização de empresas investidoras que estariam de olho, principalmente, no subproduto da cana-de-açúcar, o bagaço, que vem sendo utilizado na geração de energia.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal Estado de S. Paulo, em reportagem publicada no dia 18 de maio, a gestora canadense Brookfield, as norte-americanas Lone Star e Black River e a brasileira GP Investments estariam interessadas em investir na energia por meio da biomassa, que responde atualmente por 4% do consumo nacional e foi apontada como a "única divisão lucrativa das usinas".

De acordo com o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Luiz Rocha, "os investidores podem, ao mesmo tempo, considerar o excelente momento (para investimentos) no setor de energia, diante dos ótimos preços praticados no mercado spot (à vista), condição que não deve se alterar, pelo menos, nos próximos dois anos". "E isto possibilita também a formação de parcerias", completa.

Apesar de enxergar uma "luz no fim do túnel", Rocha discorda da afirmação de que a energia gerada por biomassa seja a única divisão lucrativa das usinas.

"A divisão de energia tende a ser lucrativa e é uma excelente geradora de caixa para as empresas, além de empregar diretamente pouca mão de obra. Mas algumas unidades - cerca de 20% do setor - conseguem ter lucro operacional na produção de etanol. Neste caso, estamos falando de empresas que não têm custo financeiro, têm acesso a créditos e, sobretudo, boa perfomance no campo", ressalta o presidente do Fórum.

Mesmo diante de um cenário um pouco mais favorável, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informa que dez usinas podem fechar as portas ainda em 2015, há 80 paradas atualmente, sendo 44 em recuperação judicial. Outras 23 estão em recuperação judicial, mas continuam com suas atividades.

"Nossa interlocução com o governo federal melhorou sensivelmente neste ano, principalmente a partir das mudanças ministeriais na Fazenda, MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), MME (Ministério de Minas e Energia) e Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), especialmente com a entrada da ministra (da Agricultura) Kátia Abreu", salienta Rocha.

Mistura do etanol à gasolina

O setor sucroalcooleiro respira um pouco melhor neste caso, depois que o governo elevou a mistura do etanol à gasolina.

"Conseguimos o retorno parcial da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), o aumento da mistura (de 25%) para 27 % do anidro à gasolina, entre outras medidas. O Fórum tem mantido contato constante no sentido de conquistar outras medidas que sejam positivas para o setor", diz o presidente da entidade.

De acordo com a atual lei vigente no País, o governo federal pode elevar a mistura de etanol entre 18% e 27,5%. Conforme publicou o Estado em fevereiro deste ano, a cadeia produtiva sucroalcooleira chegou a pedir, inicialmente, o limite máximo, mas dificuldades quanto à medição do 0,5 ponto porcentual limitaram a mistura a 27% e apenas para a gasolina C. No caso da gasolina premium, o porcentual permanece em 25%.

Frente parlamentar

Para ganhar força política junto ao governo federal e parlamentares foi relançada, no início de maio, a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, que passou a ser presidida pelo deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR). Além de André Luiz Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, também estiveram presentes à solenidade Elizabeth Farina, presidente da Unica; Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Ferplana); Manoel Ortolan, presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil); Alexandre Lima, presidente da União dos Produtores de Cana Nordestinos (Unida); e outras lideranças da cadeia produtiva.

Na mesma ocasião foi lançado um manifesto em defesa do segmento e uma agenda legislativa que inclui os projetos prioritários no Congresso, ainda para 2015.

"Todos os esforços que contribuam para a recuperação da competitividade do setor sucroenergético serão muito úteis, e é com grande satisfação que vemos esta preocupação se refletir no Congresso Nacional por meio desta Frente Parlamentar, que reúne mais de 200 deputados, demonstrando seu compromisso com esta atividade que movimenta a economia em mais de mil municípios brasileiros", afirmou Elizabeth Farina durante a solenidade, segundo informações da assessoria de comunicação da Unica.

Protagonismo

Presidente da Frente Parlamentar, o deputado Sérgio Souza salientou, na mesma ocasião, que "o Brasil é protagonista na produção de combustíveis renováveis e energia limpa e tem responsabilidade ambiental, além de ser um dos poucos países que atingiu as metas de redução de gases de efeito estufa".

Disse ainda que, "entretanto, percebemos que esse importante setor foi deixado em segundo plano pelo governo nos últimos anos". "A Frente Parlamentar, aproveitando a autonomia do Legislativo, vai atuar de maneira intransigente em defesa desse setor que é um dos mais importantes para o Brasil."

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com 400 unidades industriais e 70 mil produtores independentes de cana-de-açúcar, responsáveis pela geração de mais de 1 milhão de empregos diretos, distribuídos por cerca de 20% dos municípios brasileiros, e por um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 40 bilhões e exportações anuais da ordem de US$ 15 bilhões.

Ainda de acordo com a Unica, na safra 2014/15, somente na região Centro-Sul (que concentra 90% da produção nacional), a moagem de cana chegou a 571 milhões de toneladas. Mesmo assim, desde 2009, "o setor passa pela maior crise de sua história com usinas encerrando suas atividades, em recuperação judicial ou em constante endividamento".

Conquistas

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar também destaca que, desde 2013, ano de sua criação, a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético vem atuando no avanço de toda cadeia sucroenergética. Como resultado, ela conquistou, no Poder Legislativo, o aumento da mistura do etanol anidro na gasolina; incentivos para o aperfeiçoamento de motores flex no âmbito do Programa Inovar-Auto; a inclusão do etanol e do açúcar no Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra); e a extensão das linhas de financiamentos para construção de armazéns, em condições diferenciadas, à indústria de açúcar. (Sociedade Nacional de Agricultura - Equipe SNA/RJ 29/05/2015)

 

Brasil terá que dobrar sistema elétrico nos próximos 15 a 20 anos, diz secretário

Caso mercado elétrico brasileiro crescer na média esperada de 4,5% nos próximos 15 anos a oferta de eletricidade terá que dobrar em relação aos atuais 140 mil megawatts.

O Brasil terá que dobrar seu sistema elétrico nos próximos 15 a 20 anos para atender as necessidades de energia do país, disse o secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, nesta quinta-feira.

De acordo com uma estimativa apresentada por ele durante o Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase), Ventura explicou que se o mercado elétrico brasileiro crescer na média esperada de 4,5 por cento nos próximos 15 anos a oferta de eletricidade terá que dobrar em relação aos atuais 140 mil megawatts. Se o nível de demanda for mais lento, e o mercado crescer apenas 3,5 por cento, o sistema elétrico nacional terá que dobrar em cerca de 20 anos, afirmou.

O secretário disse que o Brasil precisará apostar em diversas fontes de energia nos próximos anos para poder dobrar o tamanho da oferta e defendeu a expansão da hidroeletricidade no país.

Segundo ele, o Ministério de Minas e Energia está empenhado para realizar até o final deste ano o leilão da hidrelétria São Luiz do Tapajós, no Pará. “Não trabalhamos com a hipótese de não ser realizado (…) o leilão seria no fim desse ano”, disse ele.

Na avaliação do secretário, Tapajós é fundamental para o aumento da oferta de energia no Brasil e faz parte de um programa de expansão da geração no norte do Brasil que inclui as hidrelétricas Jirau, Santo Antônio e Belo Monte.

“(A usina de Tapajós) É a última fronteira da hidro eletricidade e precisamos dar continuidade para atender a nossa necessidade na próxima década”, disse ele.

O secretário reforçou ainda a perspectiva de que a usina Belo Monte entrará em operação em 2016 e destacou que a produção da hidrelétrica, que terá potência instalada de cerca de 11 mil megawatts, será fundamental para atender a demanda de energia do país nos próximos três anos. (Reuters 29/05/2015)