Macroeconomia e mercado

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Conheça os principais ingredientes para a cana dos três dígitos

Segundo Claudimir Penatti, consultor de produto do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), para aumentar a produtividade de cana comercial acima dos três dígitos, alguns fatores devem ser levados em consideração, como:

- tipo de solo,

- ambiente de produção edafoclimático favorável,

- idade da muda a ser plantada,

- alocação adequada das variedades,

- adubação mineral diferenciada ou doses elevadas,

- anos mais favoráveis climaticamente,

- época de plantio e colheita em condições adequadas,

- preparo de solo bem feito, uso de adubo orgânico como a torta de filtro, composto, cama de frango, esterco de galinha, e outros produtos alternativos etc,

- tipo de colheita, entre outros fatores.

Já para Erich Stingel, gerente de Supply Chain do CTC, a produtividade do canavial é a resultante da interação de quatro componentes básicos: clima, solo, manejo e variedade. Utilizando-se um manejo adequado é possível explorar o máximo potencial do clima e solo nos ambientes mais favoráveis, e minimizar seus efeitos adversos nos ambientes restritivos.

Porém, a escolha da variedade é determinante para estabelecer os patamares de produtividade que se pode alcançar em cada ambiente edafoclimático.

Todavia, explorar o máximo potencial genético das variedades selecionadas ao longo do ciclo comercial de produção, exige que se utilizem mudas de qualidade na implantação do canavial. Portanto, investir na formação de viveiros é condição primordial para que se obtenham longevidade e bons índices de produtividade.

Para a formação de viveiros sadios, uma tecnologia que tende a ganhar cada vez mais força no setor é a de utilizar plantas previamente brotadas, além de tratadas e protegidas, no lugar do sistema convencional, com toletes. Embora ainda existam muitos experimentos sobre o assunto, trata-se de uma alternativa que tende a ganhar força no mercado. (Cana Online 02/06/2015)

 

Brasil é o único país em condições de ampliar sua fronteira agrícola

Secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Caio Tibério da Rocha, palestrou durante o 11° Agrimark, promovido pelo I-UMA (Instituto de Educação do Agronegócio), nesta última sexta-feira (29), em Porto Alegre.

A meta estipulada pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), que prevê a necessidade da produção de alimentos aumentar em 40% nos próximos dez anos, tem sido o foco do agronegócio brasileiro. A declaração é do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Caio Tibério da Rocha, que palestrou durante o 11° Agrimark, nesta sexta-feira (29), no Salão Nobre da Federasul, em Porto Alegre.

“Justamente por isso, tratar da segurança alimentar e qualificar a produção de grãos se faz fundamental para o País”, emendou o secretário, em sua palestra Perspectivas e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável.

O tema central do evento promovido pelo Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA)foi Abastecimento Mundial de Alimentos e a Segurança Alimentar - Um Compromisso das Nações.

Rocha destacou que o governo federal está trabalhando na constituição de políticas públicas para o desenvolvimento regional, como o Programa do Leite destinado aos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que respondem, juntos por 77% da produção do setor.

Ele ainda destacou que o Brasil hoje é o único país que tem condições de ampliar sua fronteira agrícola, com a exploração de mais de 80 milhões de hectares da Matopiba (formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

“Corresponde à nossa expectativa que, em uma década, o Brasil seja o maior produtor de alimentos do mundo”, reforçou o presidente do I-UMA, José Américo da Silva. O dirigente chamou atenção para o fato de que cada vez mais as nações para as quais o País exporta grãos têm o compromisso com suas populações a questão da segurança alimentar. “Este aspecto será mais importante que as próprias barreiras tarifárias.”

Silva advertiu que, para se evitar uma “calamidade” no futuro, se faz necessário aproveitar melhor o período de intervalo entre as safras agrícolas para cuidar da preservação do solo, da água e das micro-bacias, não só como estratégia de gestão, mas também pela oportunidade de ganhos para o agronegócio.

“Para se ter uma idéia, durante o interregno de produção no Rio Grande do Sul, não se consegue alcançar a marca de 2 milhões de graus, sendo que a capacidade do Estado é de 9 bilhões”, comparou.

A boa notícia é que desde o ano passado, o Brasil saiu da lista de países de prevalência acima de 5% de fome e também não integra o ranking daqueles que têm problemas com segurança alimentar, destacou o representante da FAO/ONU, Gustavo Kauark Chianca. “Porém ainda temos o desafio de aumentar a produção agrícola ambientalmente sustentável para alimentar o mundo”, ponderou o palestrante, que abordou as Ameças para a Segurança Alimentar no Desafio ao 2050. “É muito preocupante que o Brasil seja líder mundial no consumo de agrotóxicos”, apontou o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MAPA, Paulo Guilherme Cabral, que se fez presente no evento. “Temos que dar um passo de qualidade, e não só de quantidade na produção, em função, inclusive das mudanças climáticas.”

Para seja possível alcançar este objetivo, os setores de Meio Ambiente e Agropecuário terão de “andar de mãos dadas”, defendeu a secretária estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do RS, Ana Pellini. “A produção só se manterá estável, se for sustentável”, reforçou a palestrante. Ela falou sobre a Liberação de Licenças Ambientais no Agronegócio e anunciou que em breve será assinado acordo entre governo e produtores com relação aos critérios que definem como deverá ser tratado e utilizado o Biomapampa. (Brasil Agro 01/06/2015)

 

Perder para ganhar!

É lamentável saber que o setor sucroenergético precisa lutar anos a fio para conseguir reduções de alíquotas quando estão comprovados seus benefícios.

No último dia 19 de maio foi anunciado que a comercialização de etanol no estado de Minas Gerais vem batendo recordes.

Os novos índices passaram a ser obtidos após o aumento do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços incidente sobre a gasolina de 27% para 29% e a redução da alíquota incidente sobre o etanol hidratado, de 19% para 14%.

É verdade que a alíquota era altíssima e desproporcional ao que se pratica em São Paulo, por exemplo, que tem a menor taxa do País, 12%. Mas a ação do governo mineiro automaticamente tornou o preço do etanol mais competitivo frente ao da gasolina e pode abrir precedente para que outros estados, a maioria com tributação de 25% até 30% de ICMS sobre o hidratado, sigam seu exemplo.

De acordo com a Siamig, Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais, apenas em março, mês que a redução do ICMS passou a valer a partir da segunda quinzena, a comercialização somou 105 milhões de litros de etanol hidratado, o que significou avanço de 101% frente a março de 2014 e de 26% sobre o volume comercializado em fevereiro. A perspectiva da entidade, que vem se confirmando, é ter consumo médio mensal a partir de abril de 150 milhões de litros, com recordes históricos sucessivos mês a mês.

O presidente da Siamig, Mário Campos, não esconde a satisfação em ver recompensada uma luta política de mais de dez anos por parte do setor mineiro. Ele disse que após a redução do ICMS os preços do etanol hidratado ficaram mais competitivos que os da gasolina e, com isso, o estado está registrando consumo cada vez maior.

O lamentável nesta história é saber que o setor sucroenergético brasileiro precisa lutar anos a fio para conseguir reduções de alíquotas quando estão comprovados seus benefícios, especialmente nos estados produtores.

A alíquota diferenciada de 12% para o ICMS incidente no etanol em São Paulo, por exemplo, resulta em expressivo benefício para a economia paulista. Essa é uma das conclusões de estudo coordenado por especialistas

das universidades Esalq/USP, UFSCar e USP, que o Jornal Cana mostrará em reportagem especial sobre o tema.

Enfim, a contribuição do etanol para a sustentabilidade socioeconômica e ambiental do estado e do País é comprovada, e há anos. Mas alguns governos estaduais insistem em manter as alíquotas altas, porque não sabem fazer a conta básica de que alíquota menor sobre maior consumo pode resultar em arrecadação maior, sem contar os benefícios socioeconômicos e ambientais advindos.

São Paulo deu o exemplo e reduziu em 2003 suas alíquotas em mais da metade, de 25% para 12% e desde então só colheu excelentes frutos da medida. Minas Gerais segue agora na mesma direção. Servem de exemplo para que outros estados acordem e implantem rapidamente medida semelhante pois, ficou provado que, neste caso, perder é ganhar. (Jornal Cana 02/06/2015)

 

Plano Safra terá juro de até 8,75% ao ano

Recursos para operações de custeio e investimento chegam a R$ 187,7 bilhões.

A taxa de juros anual para empréstimos de custeio da agricultura empresarial ficará em 8,75%. É a maior taxa do Plano Agrícola e Pecuário (PAP), anunciado no fim da manhã desta terça-feira (02/06) pela presidenta Dilma Rousseff e pela ministra Kátia Abreu (Agricultura).

O anúncio da taxa ficou abaixo das previsões do mercado, que esperavam até 9% ao ano. Mas estão acima da incidência do Plano Agrícola 14/15, que ficou em 7% ao ano.

No caso das taxas de juros do Pronamp para os médios produtores, elas foram estabelecidas em 7,75% ao ano para custeio e 7,5% ao ano para investimento.

Os recursos disponibilizados ao crédito rural para as operações de custeio, investimento e comercialização da agricultura empresarial alcançam R$ 187,7 bilhões no ano safra 2015/2016.

O plano baseia-se no apoio aos médios produtores, garantia de elevado padrão tecnológico, fortalecimento do setor de florestas plantadas, da pecuária leiteira e de corte, melhoria do seguro rural e sustentação de preços aos produtores por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos.

O volume de recursos destinados ao financiamento da agricultura teve alta de 20% em relação ao período anterior, que foi de R$ 156,1 bilhões.

Para o financiamento de custeio a juros controlados estão programados R$ 94,5 bilhões, 7,5% a mais em comparação com o período anterior (R$ 87,9 bilhões) e reflete o crescimento dos custos de produção. Já para investimentos, são R$ 33,3 bilhões. (Jornal Cana 02/06/2015)