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“Plantio de cana-tolete não fará parte do canavial do futuro"

"Lógico que a mudança não será de uma hora para outra, mas podemos dizer que a cana-tolete está com os anos contados”, diz Paulo Roberto Artioli.

Paulo Roberto Artioli, diretor da Tecnocana, de Marituba, SP, desenvolve um projeto-piloto com plantio de vários tipos de MPB, pré-brotadas, em uma área irrigada com pivô. Ele queria saber mais sobre o potencial dessa tecnologia. E disse estar satisfeito com os primeiros resultados. Conta que as canas colhidas com 12 meses renderam 110 toneladas, as que foram colhidas com 14 meses, chegaram a 130 toneladas. A taxa média de multiplicação foi de um por oito.

O produtor ressalta que o plantio de cana-tolete não fará parte do canavial do futuro. “Lógico que a mudança não será de uma hora para outra, mas podemos dizer que a cana-tolete está com os anos contados. O sistema MPB vai promover várias alterações, começando pelo manejo. A evolução da mecanização no canavial começou pelo fim, pela colheita, esquecemos do plantio. E agora precisamos correr atrás. Continuar jogando essa quantidade absurda de cana nas linhas (média de 20 toneladas), manter essa estrutura enorme e custo altíssimo para a renovação do canavial não é viável economicamente. Mas para a expansão do plantio com mudas é preciso que haja evolução nas máquinas de plantio”, salienta Beto Artioli.

Luis Augusto Contin Silva, gerente do Processo Desenvolvimento Agrícola da Alta Mogiana, de São Joaquim da Barra, SP, unidade que já plantou 1.800 hectares com MPB, acredita que para a adoção em larga escala do plantio com mudas pré-brotadas faltam reduzir custo das mudas e automatizar o sistema de plantio.

“Os equipamentos disponíveis para plantio (transplantadoras), apesar de algumas melhorias recentes, eles têm muito a avançar, principalmente na questão da automação.” (Cana Online 03/06/2015)

 

UDOP não divulgará mais o Consecana-SP

Atendendo à circular Consecana - Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, datada de 30 de março de 2015, a UDOP não divulgará mais os preços sugeridos de ATR pelo Consecana-SP, que decidiu pela implementação de uma nova política de acesso às informações e serviços desenvolvidos pelo órgão, que tem por finalidade "zelar pelo relacionamento entre os produtores de cana-de-açúcar e as indústrias que compram e processam essa matéria-prima (cana)".

"De acordo com as novas diretrizes do Consecana-SP, apenas as pessoas físicas ou jurídicas que estiverem regularmente qualificadas como "ASSINANTE" do Consecana-SP terão acesso às informações e serviços disponibilizados pela entidade", trouxe a nota.

A circular informou ainda que os fornecedores de cana-de-açúcar filiados às associações de fornecedores que integram a Orplana, assim como as indústrias associadas à Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar, já aderiram a proposta e estão regularmente qualificados como "ASSINANTES" do Consecana-SP, de tal sorte que receberão senha e usuário para acesso a todos os informativos e circulares do Consecana-SP normalmente, não havendo necessidade de qualquer ação adicional.

Para os demais interessados em ter acesso às informações e serviços disponibilizados pelo Consecana-SP "deverão solicitar a assinatura desses serviços a partir do site www.consecana.com.br desde abril de 2015. A regularidade da qualidade de assinante está condicionada à concordância com o "Termo de Condições e de Uso", bem como ao pagamento do valor referente à manutenção de sua assinatura".

Seguindo sua política de total cumprimento às leis de direito autoral, a UDOP não fornecerá mais os valores referentes aos preços sugeridos para a cana campo e cana esteira, referentes ao estado de São Paulo, calculados com base nos índices do Consecana-SP.

A UDOP continuará divulgando, mensalmente, no último dia útil de cada mês, os preços do ATR sugeridos pelo Consecana Paraná. (Cana Online 03/06/2015)

 

Tapetinho” torna mais eficiente o processo de melhoramento de cana

Faz parte da missão da Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético) desenvolver variedades que atendam às necessidades do setor, além de conceber técnicas e conceitos que aprimorem o trabalho realizado pelas unidades que compõem a própria Rede.

Exemplo disso foi o surgimento de um sistema conhecido como “Tapetinho”, criado pelo Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar (PMGCA) da Universidade Federal do Paraná em uma tese de doutoramento. Um sistema que eleva a quantidade de mudas levadas a campo, aumentando as chances de se encontrar um novo material.
“No Paraná, aumentamos a quantidade de mudas que se leva a campo. Eram em torno de 300 mil plântulas, mas com o Tapetinho, conseguimos elevar para cerca de 4 milhões de plântulas. Assim, as chances de se encontrar um novo material são muito maiores”, afirma Edelclaiton Daros, pesquisador do PMGCA da UFPR e coordenador nacional da Ridesa.

Vários programas de melhoramento genético do país já adotaram o sistema. “Conforme cada universidade incorpora essa técnica, já a aperfeiçoa”, acentua Edelclaiton.

BENEFÍCIOS DO MÉTODO

O Tapetinho representa um avanço na fase de seleção de plântulas (seedlings) de cana-de-açúcar, denominada de T1. Esta fase compreende o semeio de sementes de cana oriundas dos cruzamentos realizados em Devaneio, PE, estação de cruzamento liderada pela equipe da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e na Serra do Ouro, sob os cuidados dos pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ambas integrantes da RIDESA

Para uma população média dos T1, com aproximadamente 400 mil plântulas, precisa-se de 40 a 45 hectares. O trabalho de preparo, manejo e plantio apresenta um elevado custo, além de exigir um período de dois anos para serem selecionados, em soca.

Já o Tapetinho torna o processo mais eficiente. Neste método, as sementes são colocadas em caixas para germinar e após 45 dias são levadas ao campo e retiradas das caixas e colocadas no sulco. Sai um tapete, daí a denominação Tapetinho. Após seis meses faz-se a seleção dos clones que se sobressaem do tapete – seleciona-se os materiais com maior vigor, estatura, riqueza e resistências às doenças. Em seguida são plantados em uma fase denominada de T2, podendo ser selecionados em planta ou soca.

Ao sintetizar os benefícios do Tapetinho, vale destacar que, em uma área de 1.000 m2, pode-se colocar até 4,5 milhões de plântulas, enquanto no T1 tradicional são necessários 500 hectares. Já a taxa de seleção do Tapetinho varia de 0,10 a 0,15%, havendo a seleção de 4.000 a 6.000 clones. Em no máximo 8 meses é realizada a seleção neste novo método, enquanto no tradicional são 24 meses, até a seleção. O Tapetinho também permite avaliar o potencial da família em relação a doenças, principalmente carvão, ferrugem marrom e ferrugem alaranjada. (Cana Online 03/06/2015)