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“Hidratado será a injeção na veia do setor"

Há no setor sucroenergético quem incentive o fim do álcool hidratado (combustível), direcionando a cana à produção do álcool anidro (o que é adicionado à gasolina), mas na opinião do professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia da USP- Ribeirão Preto, o hidratado será a injeção na veia para reanimar o setor sucroenergético.

O professor aponta razões para essa “valorização” do hidratado: o petróleo volta a subir e analistas internacionais informam que a tendência de alta deve permanecer. Fava Neves, salienta que esse preço maior, somado a desvalorização do Real, amplia o rombo da Petrobras, que precisará aumentar ainda mais o preço da gasolina, elevando a competitividade do etanol e o consumo do combustível verde.

“A produção e consumo de hidratado já estão bem superiores se comparados aos números do ano passado. No mês de abril de 2015, as usinas produziram 1,46 bilhão de litros de hidratado, 50% mais que em abril de 2014”, salienta o professor.

Segundo Fava Neves, outro fator de expansão do consumo de hidratado é o aumento da frota. Hoje no Brasil são 33 milhões de veículos, 22 milhões são flex. Neste ano, serão produzidos mais 3 milhões de carros flex, somados aos 22 milhões existentes, serão 25 milhões, respondendo por 90% da frota brasileira. E com o hidratado sendo mais competitivo em relação à gasolina, o consumo será ainda maior. “Se a atual frota resolver abastecer de uma vez, irá engolir 12 milhões de toneladas de cana apenas nessa abastecida”, exemplifica.

Ao direcionar mais cana para a produção de etanol, o Brasil interfere nos preços internacionais do açúcar, aumentando o preço do produto. O mercado mundial já está de olho nesse desequilíbrio no mix de produção do setor provocado pela maior competitividade do hidratado. Só falta os preços reagirem. (Cana Online 09/06/2015)

 

Por que investir no pneu de alta flutuação?

Com o crescimento da mecanização, o canavial passou a ficar compactado com o excesso de peso das máquinas robustas. Coube aos fabricantes de pneus amenizarem o problema.

Frente a esta demanda, os pneus de alta flutuação é uma solução comemorada pelos produtores, que vão aderindo ao produto. Basicamente, a tecnologia possui base maior e menor pressão, aliviando o peso da máquina e consequentemente amenizando a compactação do solo.

Uma vez que a compactação traz prejuízos diretos, às vezes irreversíveis, às soqueiras de cana, atrapalhando o desenvolvimento da planta, deve-se evitar o tráfego. Mas quando isso não é possível, recomenda-se o uso de pneus de alta flutuação, já que a tecnologia distribui o peso dos equipamentos em uma área maior do pneu, o que resulta na redução dos danos aos canaviais.

Tendo em vista o cenário financeiro que o setor sucroenergético atravessa, o custo-benefício das inovações é um dos principais pontos analisados. Por isso, investir no pneu de alta flutuação, cuja aquisição é um pouco mais cara, vale a pena?

Para José Paulo Voi, da Usina da Pedra, este investimento, se diluído em várias horas trabalhadas, torna-se viável. “Já temos fabricantes nacionais e fornecedores que oferecem com preços competitivos. A tecnologia requer cuidados, como a calibragem, que ao ser controlada garante melhor distribuição das cargas e durabilidade do produto.”. (Cana Online 09/06/2015)

 

Interrupção pontual da moagem reduz oferta e eleva preço do açúcar

Chuvas no início da semana passada interromperam pontualmente a produção de açúcar no estado de São Paulo.

Segundo pesquisadores do Cepea, em algumas regiões, as precipitações foram intensas e impediram a colheita e o carregamento da cana, ocasionando atraso na entrega da matéria-prima às usinas.

Nesse cenário, a liquidez esteve baixa no mercado spot paulista e os preços tiveram pequenos aumentos.

Nessa segunda-feira, 8, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 50,68/saca de 50 kg, aumento de 1,26% em relação à sexta-feira anterior. (Cepea / Esalq 09/06/2015)

 

Combate químico aos nematóides

Aproximadamente 300 espécies de fitonematóides, pertencentes a 48 gêneros, são relatadas na cultura da cana-de-açúcar. O combate a esses microrganismos exige atenção e racionalidade. O controle químico é uma das estratégias mais importantes para enfrentar o problema, mas ao adotar essa ferramenta precisam ser observados aspectos como restringir o tratamento apenas às áreas infestadas, limitar o uso de nematicidas às glebas com cultivares suscetíveis ou intolerantes, direcionar a aplicação principalmente à cana-planta e obedecer às normas de segurança para a aplicação dos produtos.

Segundo o pesquisador Wilson R. T. Novaretti, o combate químico aos nematóides da cana no Brasil iniciou-se efetivamente na década de 1970, decorrendo das elevadas perdas observadas nas muitas áreas produtoras infestadas de todo o País. Os bons resultados de controle obtidos pela aplicação de produtos com ação nematicida, em áreas com sérios problemas, trouxeram incrementos de produção de até 20 t/ha-25 t/ha.

Porém, foi apenas após uma série de estudos desenvolvidos que se chegou ao estabelecimento dos preceitos básicos que deveriam nortear o uso desse método, a fim de torná-lo, a um só tempo, tecnicamente eficiente e economicamente viável:

a) restringir o tratamento químico apenas às áreas infestadas;

b) limitar o uso de nematicidas às glebas cultivadas com cultivares suscetíveis ou intolerantes aos nematóides nelas ocorrentes;

c) direcionar o controle químico, principalmente à cana-planta; e

d) atentar às normas de segurança para a aplicação dos produtos.

Com o passar dos anos, os resultados de pesquisas mais recentes vieram corroborar plenamente tais assertivas, embora se saiba hoje que, devido às melhorias dos equipamentos de aplicação, além da relação custo-benefício favorável, o uso de nematicidas é viável também nas soqueiras. (Cana Online 09/06/2015)

 

Biomassa supera 12 GW de potência e se aproxima do gás como segunda fonte de energia

Referência na produção de energia limpa e renovável, a biomassa totalizou em abril 12.417 MW de potência instalada, representando a terceira fonte mais importante da matriz elétrica e superior à capacidade que terá a Usina de Belo Monte, atrás apenas da hidroeletricidade (66,1%) e do Gás Natural (9,5%). Nesse conjunto, a biomassa sucroenergética, proveniente da cana de açúcar, é o principal destaque, tendo atingido o recorde de 10 mil MW de capacidade instalada. Considerando todas as usinas a biomassa no Sistema Elétrico Brasileiro (SEB), que incluem a utilização de outros combustíveis além do bagaço de cana, a participação da biomassa na matriz de capacidade instalada brasileira em abril foi de 9,1%.

Em relação à produção de energia elétrica por fontes térmicas a biomassa, em março de 2015, foi registrada participação de 1,1% do total gerado no País, equivalente a 543 GWh, energia suficiente para abastecer, por exemplo, o Distrito Federal durante esse mesmo mês.

Há grande sazonalidade na produção de energia elétrica por essa fonte, em virtude da disponibilidade dos combustíveis utilizados. Nos últimos doze meses, os maiores montantes de geração de energia a partir da biomassa foram registrados entre maio e dezembro de 2014, com maior geração no mês de agosto, equivalente a 2.765 GWh, equivalente a 6,2% do total de energia produzido no País naquele mês.

Em dez anos, a capacidade instalada em usinas térmicas a biomassa no Brasil teve acréscimo de 8.362 MW, se compararmos o resultado atual com o registrado em abril de 2005. A previsão é que até 2018 entrem em operação mais 1.750 MW dessa fonte, que já estão contratados. Outros 2.400 MW estão previstos para entrar em operação até 2023.

Biocombustível no país

A produção de etanol cresceu 4% em 2014 e atingiu 28,6 bilhões de litros, ultrapassando o recorde histórico de 27,9 bilhões de litros alcançado em 2010, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (28), pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Essa foi a terceira alta consecutiva na produção do biocombustível no país. Segundo a EPE, a expansão foi ocasionada pelo baixo preço internacional do açúcar, que direcionou a maior parte da produção de cana para a fabricação do biocombustível; a liberação de recursos públicos para o setor sucroenergético; além das expectativas de aumento do percentual de etanol anidro na gasolina C (de 25% para 27%, a partir de março de 2015) e do retorno da tributação sobre a gasolina.

Em relação ao biodiesel, o estudo da EPE indica aumento de 16,7% no consumo em 2014 em comparação ao ano anterior, somando 3,4 bilhões de litros. Desde 2005, quando foi implantado o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), até dezembro de 2014, foram produzidos e consumidos no país 17 bilhões de litros de biodiesel. Com esse resultado, o Brasil passou a ocupar a segunda classificação no ranking mundial de produção e consumo de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos. Entre as regiões brasileiras, o Centro-Oeste e o Sul concentraram 83% do biodiesel produzido e consumido no país, no ano passado. (MME 09/06/2015)

 

Mapeamento e controle de processos: uma necessidade das Usinas

A complexidade de uma usina de cana pode ser medida pelo número de processos e riscos para sua operação. Em média, as usinas possuem 16 macro-processos, os quais estão permeados por diversos riscos, sendo, principalmente, riscos operacionais, financeiros, ambientais e de imagem. Esses elementos podem gerar desde ineficiência e retrabalho até fraudes com impacto financeiro e exposição indevida do nome da usina na mídia.

Segundo o levantamento realizado pela PwC Brasil, existem cerca de 840 riscos relacionados a esses processos que vão desde o plantio da cana até a comercialização dos produtos finais, passando por todos os seus processos principais e também de apoio administrativo. O processo Agrícola é o que possui o maior número de riscos identificados, (213). Em seguida, vem o processo de Suprimentos, com 123 riscos e, em terceiro lugar, o processo de Recursos Humanos, com quase 70 riscos mapeados. Juntas, essas três áreas respondem por quase a metade de todos os riscos mapeados em uma usina.

O controle e o mapeamento de cada processo são essenciais para uma boa gestão, evitam falhas e ineficiências e permitem uma melhor administração dos custos de produção. No entanto, o levantamento da PwC mostrou que cerca de 72% dos processos das usinas apresentam alguma ineficiência.

Os processos da área agrícola, responsável por cerca de 70% dos custos de produção de açúcar e etanol, são os principais pontos que requerem melhoria e estão relacionados com o registro das operações e manejo da cultura. No caso do registro, também chamado de apontamento, é muito comum o uso de controles manuais, apontamentos duplicados de operações, ausência de registro de serviços terceirizados, falta de rastreabilidade dos insumos e serviços, possibilidade de desvio de insumos, registros de colheitas em áreas não colhidas, dentre outros. Já no que se refere ao manejo da cultura, a eficiência e redução de custos estão atreladas ao uso correto dos insumos, desde a escolha dos produtos a serem utilizados até a forma de aplicação. (Cana Online 09/06/2015)