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Uso de etanol no Brasil cresce com novas regras, diz unidade da Louis Dreyfus

As perspectivas estão melhores para os produtores.

Produtores de etanol no Brasil estão sentindo um alívio da queda na demanda e nos Preços com incentivos fiscais e um aumento na quantidade do combustível misturado à gasolina, de acordo com uma unidade da Louis Dreyfus Commodities.

“Estou animado com a perspectiva da demanda por etanol nesse ano”, disse o CEO da Biosev Rui Chammas em uma entrevista por telefone. “O mercado está reagindo a incentivos”.

As vendas de etanol hidratado em postos de gasolina no Brasil subiram 32,6% nos primeiros quatro meses do ano, para 5,47 bilhões de litros (1,44 bilhões de galões), enquanto as vendas de gasolina caíram 3,7% depois de o governo reintroduzir um imposto sobre combustíveis fósseis que havia sido descontinuado em 2012, mostraram dados do regulador.

O consumo também tem aumentado por conta de uma isenção fiscal nas vendas em Minas Gerais, bem como o aumento na mistura obrigatória na gasolina nacional, disse Chammas. A Biosev é a maior produtora de etanol do Brasil depois da Raizen Energia.

A maior parte dos carros do Brasil pode ser abastecida tanto com gasolina quanto com etanol, e normalmente os consumidores escolhem o combustível de melhor custo-benefício.

As fábricas de etanol do país sofreram com pouca demanda nos últimos anos, prejudicadas por uma demanda fraca relacionada a medidas da presidente Dilma Rousseff como limites de preços e isenções fiscais para a gasolina, em esforços de controle da inflação. Apenas 36% dos carros flex do país eram abastecidos com etanol no ano passado, ante 82% em 2009, de acordo com dados da Datagro.

Desde 2001, 49 produtoras foram forçadas a fechar as portas e 67 outras estão sob proteção contra falência, de acordo com um relatório da Unica.

A colheita de cana-de-açúcar da Biosev provavelmente crescerá na temporada de 2015-206, que começou em abril, com melhores condições climáticas depois de anos de seca, disse Chammas. A companhia espera atingir entre 29 milhões e 32 de toneladas nessa temporada, ante 28,3 milhões na anterior. (Bloomberg 12/06/2015)

 

O que fazer para a camada de palha da cana não interferir na dinâmica dos herbicidas

Até o início da mecanização dos canaviais, o controle de plantas daninhas sempre priorizou o sistema de aplicação de pré-emergência, já que, em virtude da queima ou do aleiramento em áreas de muda, a brotação ocorria com mais facilidade.

Era comum, ainda, o uso de pingentes em aplicações de pós-emergência. Com a mecanização da colheita, o controle em si não sofreu alterações, o que mudou foram as moléculas utilizadas, uma vez que a camada de palha interfere na dinâmica dos herbicidas.

Para o especialista em tecnologia de aplicação e diretor da GMC Alvo Consultoria, Glauberto Moderno Costa, a presença de palha não impacta na eficiência do produto, mas, desde que a seleção das moléculas seja apta para esta modalidade de aplicação.

“Em alguns casos, é necessário o aleiramento da palha, visando aceleração da brotação (regiões mais frias), e isto permite a opção de seleção de moléculas que não são recomendadas sobre a palha”.

Ele lembra, ainda, que a eficiência do transporte de herbicidas da palha para o solo depende de vários fatores, como as características físico-químicas inerentes a cada produto, a capacidade da palha de cobrir o solo e de reter o ingrediente ativo e o período em que a área permanece sem chuva após a aplicação, já que ela será responsável pelo transporte do herbicida até o solo.

“O produtor deve estar orientado para saber quais as moléculas existentes no mercado brasileiro que atenderão sua lavoura, levando sempre em conta o período de aplicação (chuvoso, seco ou semi-seco)”, afirma Moderno.

Agora, quando o produtor decidir iniciar o recolhimento parcial da palha, é importante que a aplicação seja feita, no máximo, de 10 a 15 dias após o corte da soqueira. “Nesse cenário, as mesmas moléculas utilizadas sobre a palha também servirão em áreas com pouca ou nenhuma cobertura”, diz o especialista. (Cana Online 2/06/2015)

 

Relatório mundial sobre bioenergia assegura que não falta terra para produção

Relatório mundial sobre bioenergia e sustentabilidade, coordenado por cientistas brasileiros, diz que não há falta de terras no planeta para a produção de bioenergia. O estudo, desenvolvido por 137 especialistas de 24 países, mostra também que a expansão de áreas destinadas a fontes de energia renováveis não coloca em risco a produção de alimentos – pelo contrário, pode ajudar a desenvolver a agricultura.

O trabalho, que teve seu segundo lançamento hoje (11), foi coordenado por cientistas ligados aos programas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), teve apoio da própria fundação e do Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental responsável pela iniciativa, associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Foi a primeira vez, em 72 edições, que o Brasil coordenou as pesquisas.

O estudo concluiu que existe terra suficiente no mundo para uma contribuição significativa de bioenergia em uma matriz energética mundial sustentável. Ressalva também que essa contribuição pode chegar a ser um quarto da energia utilizada no mundo em 2050, disse a coordenadora geral da pesquisa, Glaucia Mendes Souza, da Fapesp. Hoje, a participação da bioenergia é de aproximadamente 10% na matriz energética mundial.

De acordo com a pesquisa, entre as regiões em que há mais terras para desenvolvimento da bioenergia estão a África e a América do Sul. “O Brasil tem um papel enorme para produção de biomassa, e é uma grande oportunidade para a gente. Temos que desenvolver aqui as tecnologias para modificar a biomassa, para que ela possa gerar todos esses produtos de uma maneira sustentável”, destacou Glaucia.

Segundo o estudo, a expansão de áreas destinadas a fontes de energia renováveis não colocará em risco a produção de alimentos. Não existe nenhuma evidência de que tenha acontecido substituição de alimentos na agricultura pela produção de bioenergia no mundo, segundo a pesquisadora. O maior problema da fome, segundo ela, "é falta de dinheiro para comprar comida. Não é falta de comida”.

A pesquisa completa, denominada Bioenergy & Sustainability, pode ser encontrada no endereçohttp://bioenfapesp.org/scopebioenergy/index.php/chapters (em inglês). (Agência Brasil 12/06/2015)