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Usinas e produtores de cana devem ter margens negativas na safra 2015/16

Apesar da melhor produtividade, a safra 2015/2016 de cana-de-açúcar deve ter margens negativas para os produtores e para as usinas de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil.

O resultado é negativo em praticamente todos os cenários levantados pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Pecege/Esalq/USP) em estudo feito para Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os dados, divulgados nesta segunda-feira, 15, apontam margens negativas ao produtor de cana em 17 dos 18 cenários projetados, se comparados remuneração esperada e custos de produção em diferentes índices de produtividade.

Esse prejuízo deve variar de 3% e 32%, dependendo da produtividade em tonelada de cana por hectare e ainda dos três cenários de remuneração ao produtor, pessimista, base e otimista.

O único cenário positivo ao produtor considera uma produtividade de 82 toneladas de cana por hectare e uma avaliação de preço de R$ 0,5576 por quilo de açúcar total recuperável (ATR), ou seja, 13,6% superior aos R$ 0,4909/kg/ATR pagos no início da safra. Esse cenário considera apenas o custo operacional total, ou seja, deduz as remunerações de terra e do capital. Caso se concretize a projeção, ainda assim o produtor de cana teria apenas 2% de margem positiva nesta safra no Centro-Sul do Brasil.

Para as usinas, o Pecege/Esalq divulgou nove cenários para açúcar demerara (VHP) e outros nove para o etanol anidro. No açúcar, apenas dois cenários apontaram margens positivas, ambos em uma avaliação otimista dos preços pagos pela tonelada da commodity, em R$ 942 por tonelada (em abril foi de R$ 858/t) e ainda com uma produtividade da cana entre 77 e 83 toneladas por hectare. Nos outros seis cenários, as margens seriam negativas entre 3% e 16%.

Já para o etanol anidro a expectativa é menos ruim, com margens positivas projetadas para quatro dos nove cenários. Caso as usinas recebam R$ 1.683 por metro cúbico (mil litros) do etanol, no cenário otimista, as margens esperadas serão positivas entre 4% e 12% dependendo da produtividade da cana. Caso o preço fique em R$ 1.544 por metro cúbico, a margem será positiva, em 3%, apenas para produtividade de cana em 82 toneladas por hectare. Nos outros cinco cenários, as margens serão negativas entre 1% e 13%.

"A produção sucroenergética, em mais uma safra, projeta-se como uma atividade econômica de baixa atratividade em relação a investimentos feitos em outros setores da economia brasileira. A perspectiva de maior rentabilidade do etanol em relação ao açúcar se mantém para a safra 2015/2016, embora apenas as usinas com processos mais otimizados apresentem possibilidade de obter equilíbrio econômico na safra", apontam o Pecege/Esalq e a CNA em relatório.

O levantamento estimou um aumento de 9,8% nos preços do etanol hidratado e de 8,6% para o anidro, com base na variação do preço da gasolina. No caso do açúcar demerara, o aumento no preço para o produtor deverá chegar a 7,2% na safra 2015/2016, com base nos valores médios dos contratos futuros do açúcar e dólar com vencimento em julho e outubro deste ano, período em que historicamente acontece o pico da comercialização do produto.

No entanto, o Pecege/Esalq e a CNA apontam aumentos maiores em custos de produção, como o de 18,33% no calcário, de 11,34% dos fertilizantes e de 8,04% na mão-de-obra. Em compensação, dois itens pesarão menos: inseticidas, com queda de 11,61%, e herbicidas, de 1,49%. (Agência Estado 16/06/2015)

 

Alta do dólar e taxa de importação de 45% elevam custo do enfardamento da palha

O recolhimento de palha está presente em cerca de 3% dos canaviais. Este número representa aproximadamente 2 milhões de toneladas de palha recolhidas anualmente. Apesar da expressiva quantidade de biomassa já recolhida ainda há uma enorme quantidade de palha disponível.

A recente demanda por energias alternativas à da produzida pelas hidrelétricas, aliada ao contínuo desenvolvimento do Etanol 2G (independente da rota a ser utilizada), irão colaborar no aumento da quantidade de palha recolhida.

Para a produção de energia elétrica, cada tonelada de palha de cana equivale a 1,7 tonelada de bagaço. A palha tem menor umidade, cerca de 13% e gera 3200 kgcal/kg, enquanto que o bagaço com umidade de 50% gera 1800 kgcal/kg.

Até o momento, o método mais adotado para o recolhimento de palha é o enfardamento no formato de fardos retangulares que pesam em torno de 400 kg, realizado por enfardadoras gigantes.

O problema é que estas enfardadoras são importadas, além da valorização do dólar, o importador ainda paga 45% de imposto. “As peças também são importadas, são caras e demoram para chegar”, informa Luiz Carlos Dalben, diretor da Agrícola Rio Claro, de Lençóis Paulista, que há 10 anos realiza o recolhimento de palha (Cana On line 16/06/2015)

 

Senhora Dilma, ao invés de aumentar a importação de eletricidade dos países vizinhos, valorize a produção brasileira de energia da biomassa

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata, disse ontem (15) que a importação de eletricidade de países vizinhos pode ser ampliada para evitar a falta de energia no Brasil.

“Vamos começar a trabalhar desde já para não sermos surpreendidos no verão, como ocorreu no começo deste ano”, destacou.

Entre os países que podem fornece energia para o Brasil em caso de crise, o secretário citou a Argentina e o Uruguai.

“Temos agora [com o Uruguai] no Rio Grande do Sul uma interligação forte, que está sendo concluída em julho. O Uruguai aumentou bastante o parque [energético] e eles têm interesse no fornecimento dos excedentes”, acrescentou.

O que revolta é que, enquanto as unidades sucroenergéticas podem abastecer o país com a energia gerada pela biomassa, o governo opta por alternativas de maior custo, como a importação de energia, o que vai elevar os gastos públicos (ainda mais com o dólar alto), aumentar a saída de dólares e o preço da energia, além de deixar de gerar empregos no Brasil. (Cana Online 16/06/2015)

 

Setor sucroenergético terá ganho de produtividade na Safra 15/16

A safra 2015/2016 do setor sucroenergético, na região Centro-Sul do país, iniciada em abril, será caracterizada pela recuperação da produtividade agrícola que, na safra passada, ficou abaixo da média histórica devido à estiagem ocorrida nas principais áreas produtoras, avalia levantamento feito pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas - PECEGE/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mesmo com a esperada recuperação e a perspectiva de melhor remuneração para o produtor, a rentabilidade do setor sucroenergético continuará ainda abaixo das expectativas em função dos custos de produção.

O PECEGE/CNA destaca que, em comparação com o ocorrido na safra 2013/2014, haverá aumento nos custos de produção de todos os itens do setor sucroenergético. A elevação mais expressiva se dará com o açúcar VHP, de 3%. Ao mesmo tempo, no caso dos agroquímicos, espera-se aumento menor, 1,9%, em consequência da queda nos preços dos herbicidas, além da expansão da área de plantio.

Remuneração do produtor - Em relação aos preços a serem recebidos pelos produtores, indica o PECEGE/CNA, estima-se aumento de 9,8% nos preços do etanol hidratado e de 8,6% para o anidro, com base na variação do preço da gasolina divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom),  do Banco Central.  No caso do açúcar VHP, o aumento no preço para o produtor deverá chegar a 7,2%, com base nos valores médios dos contratos futuros do açúcar e dólar com vencimento em julho e outubro deste ano, período em que historicamente acontece o pico da comercialização do produto.

Os custos de produção agrícola estimados pelo PECEGE/CNA mostram peso decisivo do calcário (+18,33%) e dos fertilizantes, grande parte dos insumos são importados, com reajuste no preço calculado em 11,34%. Em compensação, dois itens pesarão menos: inseticidas (-11,61%) e herbicidas (-1,49%). Pesará muito, também, os encargos do produtor com mão-de-obra, aumento previsto de 8,04%.