Macroeconomia e mercado

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O que acontece com nossa cana?

Temos que destacar o efeito do câmbio no setor de cana. Uma desvalorização de cerca de 35% no real frente ao dólar faz com que em reais, mesmo os baixos preços do açúcar, tenham alguma compensação, encarece a gasolina no mercado interno e dá mais competitividade às exportações de etanol, inibindo também a entrada de etanol americano. Uma importante injeção não só no setor, mas no agro brasileiro.

Para a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a safra será de 590 milhões de toneladas (3,27% maior que em 2014/15), com produção 4,33% maior de etanol (27,27 bilhões de litros, sendo o hidratado 6,1% a mais com 16,33 bilhões de litros e o anidro 1,8% maior, com 10,94 bilhões de litros). A safra será mais alcooleira, com 58,1% destinada ao etanol. A produção de açúcar deve ficar ao redor de 32 milhões de toneladas.

O processamento em abril de 2015 foi 11,54% maior que o de 2014. Safra vem vindo firme!

Em termos de políticas, segundo a UNICA, ainda temos que facilitar a recuperação de créditos tributários da desoneração do PIS/COFINS (retenções de R$ 2 bilhões por ano), a descontinuidade do programa de financiamento à estocagem do etanol e o programa de incentivo ao ganho de eficiência dos motores.

Apesar da crise, a BP (British Petroleum) prevê processar em 15/16, 10 milhões de toneladas de cana, 43% a mais que na safra anterior. A Glencore (trading suíça) prevê moer ao redor de 2,7 milhões de toneladas, cerca de 20% acima que na última safra. Já a Guarani deve moer ao redor de 20 milhões de toneladas, sendo 40% para o etanol.

O que acontece com nosso açúcar?

Relatório trimestral da OIA prevê deficit de açúcar de 2,3 milhões de toneladas em 2015/16 e ainda maior em 2016/17 se não houver investimentos em produção, que foi desestimulada em alguns países, pelos preços baixos da commodity. Estima que o déficit poderia chegar até a 6 milhões de toneladas. Pode ser uma luz no final do longo túnel do açúcar.

Para a safra 2014/15, prevê superávit de 2,2 mi ton, com produção mundial crescendo para 173,63 mi ton, puxada principalmente por safras boas na Índia e Tailândia, que surpreenderam.

Interessante como as consultorias internacionais que fazem previsão de safras e produções são surpreendidas em curto intervalo de tempo. Uma que projetava no trimestre anterior um déficit de mais de 100 mil t de açúcar para esta safra, reviu para um superávit de mais de 3,2 milhões de toneladas. Apenas em um trimestre!

Segundo a UNICA, subsídios à produção de açúcar na Índia e Tailândia podem ter custado mais de US$ 1,2 bilhão ao Brasil, e estudamos contestá-los na OMC (Organização Mundial do Comércio). Devemos sim ameaçar e ir em frente caso não haja retrocesso por parte destes países.

Já o consumo de açúcar também apresenta boa recuperação, com crescimento de 2,14% (média dos últimos 5 anos foi de 2,06%) e alcançará o recorde de 171,42 milhões de toneladas. A relação estoque consumo ainda permanece elevada, próxima a 48%.

A título de curiosidade, as importações do Iraque vêm aumentando e devem atingir mais de 1 milhão de toneladas em 2015, provando a importância dos mercados emergentes no açúcar.

Ainda sobre os efeitos do dólar, algumas usinas estão fixando o açúcar que vem sendo produzido em 2015/16 em mais de R$ 1050/tonelada, acima dos preços de 2014/15, permitindo, no caso das usinas mais eficientes, retornos acima de 10%.

O que acontece com nosso etanol?

Com a escalada nos preços internacionais do petróleo, é muito provável que tenhamos novo aumento do preço da gasolina no Brasil, que pode chegar a 10%.  A gasolina já está dando prejuízo à Petrobras novamente, e o problema grave do caixa da empresa e uma promessa que os preços seguirão o mercado dão alento ao etanol.

O consumo do hidratado segue firme, e podemos chegar ao final do ano entre 14 a 15 bilhões de litros. Estamos consumindo mais de 1,3 bilhão de litros por mês, contra menos de 1 bilhão nestes primeiros meses, em 2014. Se o consumo seguir firme e com rentabilidade, com a perspectiva dos preços chegarem a patamares entre 1,40 a 1,50/l na usina, pode-se retirar mais de 1 milhão de toneladas de açúcar do mercado internacional, beneficiando os preços.

Em abril, as usinas do Centro-Sul venderam 1,46 bilhões de litros, simplesmente 49% a mais que em abril de 2014. Estamos vendendo hidratado como água, uma verdadeira injeção na veia do setor!

 Falta ainda o aumento de 0,5% na mistura de anidro na gasolina, aprovada, e que hoje está em 27%. Como os testes da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) aparentemente não apresentaram problemas nos automóveis, resta esperar por este aumento.

Estimativa de Alexandre Figliolino, do Itau-BBA, é que a retirada da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina em 2012 até sua volta neste ano impactou em R$ 16 bilhões o setor de cana. Vejam o desastre causado pela política populista do governo.

O que acontece com nossa cogeração?

A UNICA estima que a capacidade instalada para cogeração nas usinas atingiu 10 mil megawatts, representando 7% da matriz energética brasileira, atrás apenas da fonte hidroelétrica e de gás natural. Em 2014, o uso desta fonte energética evitou a emissão de mais de 8 milhões de toneladas de CO2. Porém, o ritmo de crescimento vem diminuindo, e em 2015 devem ser instalados apenas 36% do que foi investido em 2010.

Com um pouco mais de luz na política energética brasileira, é muito provável que as fontes renováveis ganhem impulso.

Há interesse crescente de fundos na aquisição de ativos de cogeração e mesmo de investimentos no setor. No leilão os preços foram de R$ 270 por megawatt/h e preços de mercado acima disto.

Penso que a coleção de notícias que coloquei acima mostram boas luzes!

Quem é o homenageado do mês?

Todos os meses esta coluna homenageia uma personagem do setor de cana. Este mês faremos uma homenagem ao amigo Nehemias Alves de Lima, diretor da Coopercitrus, e um grande entusiasta da educação no Brasil. Estamos juntos na luta, amigo!

Haja Limão:

O Brasil caiu mais posições no ranking de competitividade mundial, no recente relatório publicado pelo IMD. Estamos na posição 56. Éramos em 2010 o País número 38 em competitividade. Eu imaginei que a experiência do Brasil com a esquerda seria muito negativa, mas não imaginava um desastre dessa dimensão. Haja limão. (Cana Oeste 06/07/2015)

 

RIDESA UFSCar se prepara para lançar novas variedades no segundo semestre de 2015

O Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar (PMGCA) da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), que integra a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) está se preparando para apresentar oficialmente ao mercado suas novas variedades, que deverão ser lançadas no segundo semestre de 2015.

São quatro os novos materiais de cana-de-açúcar desenvolvidos pelo PMGCA da UFSCar, que serão lançados devido ao fato de terem se destacado durante o processo de seleção e experimentação. Um deles, inclusive, é a RB975201, que foi a décima variedade mais plantada nos estados de SP e MS em 2014. Os materiais já estão em fase acelerada de multiplicação nas unidades conveniadas.

Segundo o pesquisador Roberto Chapola, da Universidade Federal de São Carlos, é importante que os produtores experimentem novos materiais para que possam aumentar suas opções para o plantio. “Nesse sentido, essas quatro pré-liberações mostraram grande potencial durante as fases de experimentação, muitas vezes superando os resultados dos padrões (variedades comerciais)”.

Chapola ressalta que os novos materiais são muito competitivos e resistentes às principais doenças da cultura. “Cada produtor possui necessidades específicas e, diante disso, a Ridesa tem trabalhado e continuará trabalhando intensivamente para suprir essas carências”.

Confira as pré-liberações da Ridesa que deverão ser lançadas em breve e suas principais características:

RB975952: opção para o início de safra nos melhores ambientes de produção

RB985476: possui altíssima produtividade, devendo ser colhido no meio de safra

RB975201: opção para o final de safra, com excelente resposta nos melhores ambientes de produção e ausência de florescimento

RB975242: opção para o final de safra, não floresce e deve ser alocado em ambientes médios a restritivos. (Cana Online 06/07/2015)

 

Programa Cultivar reúne produtores agrícolas da Raízen em Barra Bonita (SP)

Com o propósito de divulgar os resultados do segundo ano do Programa Cultivar, a Raízen reuniu em um evento os 150 parceiros agrícolas e produtores de cana de açúcar participantes com melhor desempenho na safra 14/15. O encontro foi em junho, no município de Barra Bonita (SP).

Segundo o diretor de fornecedores de cana e parcerias agrícolas, Carlos Martins, a iniciativa reconhece as melhores performances no último ano. Para avaliar seus 285 parceiros agrícolas envolvidos no Cultivar, a companhia se baseia nos indicadores de qualidade, produtividade, eficiência operacional e comprometimento com o programa. Os 20 primeiros colocados no ranking ganharam viagens para Barcelona (Espanha).

“Temos satisfação em ver o Programa Cultivar completar dois anos. Neste período, percebemos um grande interesse de nossos parceiros agrícolas em aumentar a qualidade e a eficiência das operações. Nosso objetivo é torná-los mais competitivos e premiá-los para aderirem às melhores práticas de mercado. Isso posiciona nosso programa como pioneiro e referência em relacionamento com fornecedores no País”, explica Martins.

Os melhores colocados neste ano foram:

1º: Agrican Agropecuária LTDA – Unidade Costa Pinto

2º: Nilton Roberto Scandiuzzi – Unidade Junqueira

3º: João Antonio Robertino Martim e outros – Unidade Rafard

Os outros 17 premiados com a viagem foram das regionais de Araçatuba, Ipaussu, Jaú, Jataí, Araraquara e Assis. (Cana Online 06/07/2015)

 

Sphenophorus ganha status de principal praga nos canaviais de São Paulo

O estado de São Paulo responde por 60% da produção de cana no Brasil, assim, quando uma praga afeta os canaviais paulista acende o sinal de alerta. É o que está ocorrendo com o Sphenophorus levis, conhecido popularmente como bicudo da cana.

Segundo o engenheiro agrônomo Aloisio Ravagnani Dias, do departamento Técnico Agropecuário da Coopercitrus, o Sphenophorus em várias regiões do Centro-Sul, principalmente São Paulo, assumiu o primeiro lugar entre as pragas que mais causam danos ao canavial, em decorrência da dificuldade de seu controle e severidade de seu ataque que provoca diminuição drástica da produtividade agrícola e renovação antecipada do canavial, podendo ser até no segundo corte. A broca-da-cana continua liderando o ranking nacional das pragas canavieiras, mas seu controle é amplamente conhecido, além de mais fácil do que o do Sphenophorus.

Identificado inicialmente na região de Piracicaba, SP, o bicudo-da-cana se espalhou rapidamente pela região Centro-Sul utilizando como meio de transporte os caminhões com mudas de cana sem sanidade que seguiam para as áreas de renovação ou de formação de novos canaviais, para atender a expansão canavieira implementada de 2003 a 2009.

Ravagnani Dias salienta que o fim da queima da cana é um fator considerável para a expansão da praga e o corte mecanizado é uma das fontes de disseminação. O engenheiro explica que os danos são causados pelas larvas que broqueiam os rizomas e os primeiros entrenós basais que refletem no número, tamanho e diâmetro dos colmos finais para a colheita, sendo que as perdas econômicas podem ser estimadas com a redução nas toneladas de cana esperadas por hectare. Em alguns locais têm-se detectado de 50 a 60% de perfilhos atacados, ocasionando reduções em torno de 20 a 30 toneladas por hectare (ha). (Cana Online 06/07/2015)