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Rei do etanol muda de opinião e diz que Dilma está “na direção certa”

Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, disse que a presidente “mudou muito” e que está mais otimista agora.

Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, considerado o rei do Etanol, disse que a presidente Dilma Rousseff “mudou muito” e que o governo está “indo na direção certa”. O empresário, que no primeiro mandato de Dilma fez duras críticas à gestão da presidente, se mostrou mais otimista agora.

Ele falou com a Folha em Nova York, onde participou de encontro com a presidente e do seminário de infraestrutura promovida pelo governo. Em maio do ano passado, Ometto havia dado declarações em que apontava que o Brasil vivia uma onda de pessimismo, alimentada pela deterioração econômica, com o Estado direcionando o rumo de vários setores com a mão de ferro da intervenção.

Ometto disse que seus negócios podem sofrer “um pouquinho” até o primeiro semestre de 2016, mas que os ajustes são necessários, citando o trabalho que Dilma e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estão fazendo de trazer à tona todo o negócio que estava “embaixo do tapete”. “O difícil é entrar no negócio da areia movediça, que você não sabe a profundidade. Por isso, tem que fazer [o ajuste]. Para pular, precisa abaixar um pouquinho. Estamos abaixando para ter energia para pular”, disse.

Ele reforçou que não está pessimista e que o Brasil está mostrando que as instituições funcionam independentemente de quem seja. “Um monte de coisa está sendo trazido à tona. No passado, você não sabia o que acontecia. Hoje, você está sabendo”, comentou.

Ometto elogiou ainda o lançamento da nova fase de concessões, mas disse que o grupo não tem interesse em aderir ao programa neste momento, citando que o medo é querer fazer um monte de coisas e não fazer nada.

Sobre os cortes que a Petrobras anunciou que fará em seus investimentos, o controlador da Cosan disse que isso afeta um pouco os negócios da companhia, mas teria que ser feito. Para ele, outros grupos substituirão essa eventual redução de investimentos da petrolífera. (Info Money 07/07/2015)

 

Etanol de 2ª geração deverá ser competitivo em quatro anos, diz Raízen

O vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, afirmou nesta segunda, 6, que a produção de etanol de segunda geração (2G) deve ser algo competitivo para a empresa "em três, quatro anos". "Hoje ainda há entraves tecnológicos, como nas enzimas utilizadas", disse, referindo-se às pesquisas com palha e bagaço de cana, usados na fabricação do 2G. Mizutani falou ao Broadcast nos bastidores do Ethanol Summit 2015, em São Paulo.

A Raízen, uma joint venture entre Shell e Cosan, produz etanol 2G na Usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Mizutani não informou qual a produção prevista para o biocombustível na safra 2015/16, iniciada em abril. A unidade, contudo, tem capacidade instalada para fabricar 40 milhões de litros do produto por temporada. O executivo acrescentou que os canaviais da companhia estão com produtividade 10% acima das expectativas no acumulado do ciclo. (Agência Estado 07/07/2015)

 

Mais impurezas e mais palha, como fica a indústria?

Os efeitos do aumento do corte mecanizado de cana crua o uso da palha nas indústrias sucroenergéticas

A vida da indústria sucroenergética não tem sido fácil para se adaptar as inúmeras mudanças ao longo dos últimos anos. A maior delas foi a transição da colheita manual para a mecanizada de cana crua. A escassez de mão de obra e, no caso de São Paulo a criação do Protocolo Agroambiental, assinado em 2007 e que estipulou a erradicação da queima da cana-de-açúcar para o ano de 2014 em áreas mecanizáveis, provocaram uma corrida para se estabelecer a mecanização da lavoura.

Essa “correria” para se adaptar a mecanização acabou gerando problemas, um deles é o aumento de impurezas minerais (3 a 4%) e vegetais (12 a 15%) na indústria. As impurezas sobrecarregam os equipamentos de recepção, preparo e extração (aumento da carga e do consumo de potência), bem como os sistemas de transporte e movimentação de bagaço, reduzem a capacidade de moagem, a extração do caldo e o índice de percolação nos difusores, e desgastam, prematuramente, os equipamentos, dificultando os tratamentos de caldo e aumentando o custo do transporte da cana.

A prática do recolhimento da palha, que cresce no setor, em decorrência dos bons preços da energia, engrossa ainda mais a quantidade de terra que segue para indústria. Os profissionais doCentro de Tecnologia Canavieira (CTC), Francisco Linero, Especialista Agroindustrial e Henrique Mattosinho D’avila, Especialista em Negócios, explicam que, tanto a palha solta, quanto a palha enfardada requerem estruturas industriais específicas para separação e processamento dessa biomassa. De modo geral em ambos os casos, a palha passa por uma sequência de processos que incluem o recebimento, abertura, limpeza e trituração da palha para que possa ser adequadamente utilizada como combustível em caldeiras. (Cana Online 07/07/2015)

 

Não é fogo de palha!

Recolhimento de palha de cana está em alta no setor. O processo ainda está sendo aperfeiçoado, mas já se sabe que veio para ficar.

A fotografia dos canaviais brasileiros tem mudado muito nos últimos tempos. Cada vez mais, o fogo sai de cena e com ele a figura enegrecida do cortador de cana. As máquinas ocupam o espaço dos facões e ao fazer a colheita encobrem o solo com uma chuva de palha de cana.

Muitos defendiam outras finalidades para a palha da cana além da missão de proteger, nutrir o solo e preservar a umidade. Mas um dos primeiros a enfarda-la e leva-la para a indústria para que fosse transformada em energia, foi o produtor e engenheiro agrônomo Luiz Carlos Dalben, diretor da Agrícola Rio Claro, de Lençóis Paulista. A prática teve início em 2004 e a palha sempre foi fornecida ao Grupo Zilor. A partir da iniciativa de Dalben, o canavial ganhou a presença de aleiradores, enfardadoras de palha, fardos e pranchas para embarque.

Durante um bom tempo, o exemplo de Lençóis Paulista de recolhimento de palha de cana era o único no setor, ou pelo menos o mais conhecido. Até surgir a Granbio, em 2011, lá em São Miguel dos Campos, em Alagoas, com a primeira fábrica de produção de etanol celulósico. E como a palha é uma das matérias-primas do etanol de segunda geração, a Granbio iniciou no setor um recolhimento “monstro” de palha, montando uma área de armazenamento para 400 mil toneladas.

O processo adotado pela Granbio é o de aleirar e enfardar a palha inteira deixada no campo.Os fardos de palha chegam à indústria, passam por um processo de trituração e limpeza de impurezas, para depois seguir para o pré-tratamento. SegundoManoel Carnaúba, vice-presidente de Operações da GranBio,por se tratar de um processo relativamente novo no setor, haverá espaço para melhorias. E estão atentos para avaliar outras soluções que tornem a prática mais competitiva. (Cana Online 07/07/2015)

 

De toda energia gerada no Brasil, 16% vem da cana-de-açúcar

Esta afirmação foi feita ontem pela presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, durante o primeiro dia do Ethanol Summit 2015. Segundo ela, este patamar de geração de energia advinda da cana corresponde a quase um terço do que é gerado pelos combustíveis fósseis atualmente.

No evento, Aldemir Bendine, presidente da Petrobras, reafirmou o compromisso da companhia em manter uma política de preços de acordo com o mercado, além da importância de um trabalho em conjunto. “O etanol é importante para que se diminua cada vez mais a importância do refino, e a Petrobras vai continuar buscando o desenvolvimento de uma matriz energética limpa a partir de outras alternativas”, afirmou Bendine.

ETANOL
Luis Roberto Pogetti, presidente do Conselho Deliberativo da UNICA (União da Indústria da Cana-de-açúcar), enfatizou no evento que que a exploração do potencial do etanol depende de uma visão de longo prazo, embora mesmo em um cenário de crise, a oferta de etanol cresce 20% por ano. “Essa quantia já é suficiente para contribuir com pelo menos 5 bilhões de litros de gasolina que deixaram de ser importados (por conta da mistura de etanol à gasolina) e a mitigação de uma quantia equivalente a 10 milhões de toneladas de carbono”, disse Pogetti.

O professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), destacou que para garantir previsibilidade e competitividade ao etanol nacional, é necessário analisar alguns fatores importantes, tais como a definição de pontos de entrega com preços estabilizados; a formação de preço via leilões para etanol hidratado e, possivelmente, para o etanol anidro e a realização de um cálculo semanal de preços, entre outras medidas.

Em mensagem gravada, a ministra Kátia Abreu, da pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, reforçou a importância do setor e sua participação cada vez maior na matriz energética brasileira. “Demos pequenos passos para sinalizar ao segmento que teremos um futuro promissor”, disse a ministra, ao abordar a adoção da CIDE e o aumento da mistura de etanol na gasolina, que passou a ser de 27% desde março desse ano.

O segundo e último dia da 5ª edição do Ethanol Summit acontece hoje, no Golden Hall do World Trade Center, em São Paulo, com a presença de cerca de 1.000 participantes. (Cana Online 07/07/2015)