Macroeconomia e mercado

Notícias

Açúcar: Mercado monitora clima, gráficos e movimento do dólar

As condições climáticas e a maior fabricação de etanol pelas usinas no Centro-Sul do Brasil devem continuar a sustentar os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Ontem, porém, o mercado acabou encerrando em baixa, acompanhando a alta do dólar e corrigindo ganhos anteriores.

O dólar em alta em relação ao real tende a estimular a exportação de açúcar do Brasil, pressionando as cotações internacionais do produto. A moeda norte-americana fechou ontem em R$ 3,1830, o maior nível de fechamento desde 29 de maio deste ano.

Pelos indicadores técnicos, os futuros de demerara chegaram a bater ontem nova máxima a 12,69 cents, mas perderam força com a alta da divisa norte-americana. A resistência está em 12,79 cents, nível já alcançado em 2 de junho, segundo análise gráfica da Dow Jones. No curto prazo, os contratos têm se sustentado acima de 12,06 cents, o que é positivo. Outro suporte é 11,52 cents, valor atingido em 19 de junho.

Os fundos de investimento e os especuladores reduziram o saldo líquido vendido em açúcar na ICE na semana encerrada em 30 de junho, o que pode ter contribuído para pressionar as cotações. Esses participantes estavam com saldo líquido vendido de 69.149 lotes, em comparação com 100.279 lotes no dia 23 de junho, mostrou na segunda-feira relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

Apesar disso, a meteorologia prevê mais chuvas no Centro-Sul do Brasil, o que deve paralisar os trabalhos de colheita, por causa da dificuldade de entrada das máquinas nos canaviais. Segundo a Climatempo, até sábado (11), "áreas de instabilidade que se formam no interior do continente se deslocam para o oceano, trazendo muita chuva às regiões central e oeste de São Paulo", principal Estado produtor de cana-de-açúcar. O acumulado de água está estimado entre 70 mm e 90 mm.

A consultoria Hightower Report informou que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deve elevar a produção de etanol em 10% na atual safra 2015/16, o que implicaria menor fabricação de açúcar. Já a colheita de cana cairia em 1 milhão de toneladas, enquanto a produção de etanol subiria em 10%. A Unica deve divulgar dados de acompanhamento da safra nos próximos dias.

Ontem os futuros de demerara em Nova York fecharam em baixa de 1,2%, base outubro. O vencimento recuou 15 pontos, a 12,33 cents. A máxima foi de 12,69 cents (mais 21 pontos). A mínima bateu 12,19 cents (menos 29 pontos).

O indicador diário do açúcar, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), fechou ontem em R$ 47,84/saca, alta de 0,61%. Em dólar, o índice ficou em US$ 15,03/saca, (-0,46%). (Agência Estado 08/07/2015)

 

Mercado de energia elétrica promove o boom da palha

Armazenamento de palha na Granbio, em São Miguel dos Campos, AL: área para 400 mil toneladas. Crédito Granbio

Muitas empresas avaliam recolher palha para a produção de energia elétrica, é que o produto passou a ser o mais remunerador do setor. E os números da palha empolgam: para a produção de energia, cada tonelada de palha de cana equivale a 1,7 tonelada de bagaço. Além disso, a palha tem menor umidade, cerca de 13% e gera 3.200 kgcal/kg, enquanto que o bagaço com umidade de 50% gera 1.800 kgcal/kg.

A boa remuneração da energia somada ao excelente desempenho da palha, foi o empurrão que o setor precisava para incrementar o uso dessa biomassa. Segundo Samir Azevedo Fagundes, gerente de equipamentos de cana-de-açúcar AGCO, um dos estudiosos no assunto, o recolhimento de palha está presente em cerca de 3% dos canaviais. Este número representa aproximadamente 2 milhões de toneladas de palha recolhidas anualmente.

“Apesar da expressiva quantidade de biomassa já recolhida ainda há uma enorme quantidade de palha disponível.A recente demanda por energias alternativas à da produzida pelas hidrelétricas, aliada ao contínuo desenvolvimento do Etanol 2G (independente da rota a ser utilizada), irão colaborar no aumento da quantidade de palha recolhida”, diz Samir.

Para Henrique Mattosinho D’avila, Especialista em Negócios do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o uso da palha tem mostrado um grande potencial para o aproveitamento de oportunidades de mercado no setor. “Com o aquecimento dos preços da energia elétrica iniciado na safra 2014/15, com os novos patamares de preços dos leilões de biomassa e com as expectativas para o etanol celulósico no médio prazo, a palha de cana-de-açúcar deve se consolidar como matéria-prima tanto para geração de energia elétrica adicional, quanto para produção de etanol celulósico”, observa. De acordo com Henrique, o crescimento do uso da palha no setor dependerá de fatores de mercado (elétrico e biocombustível), do nível de investimento e da capacidade de cogeração e de produção de etanol celulósico nas usinas (Cana Online 08/07/2015)

 

Delfim: País precisa investir mais em energia renovável

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto destacou que o mundo já "caminha na direção certa" de substituir combustíveis fósseis por renováveis. De acordo com ele, o incremento de produção biocombustíveis hoje já supera o de não renováveis. "Etanol e biodiesel são os únicos que conseguem competir com os fósseis em transmissão de carga", exemplificou ele, durante plenária no Ethanol Summit 2015, em São Paulo.

Ainda assim, atualmente as fontes de energia renováveis respondem por apenas 22,8% da matriz mundial, ao passo que as não renováveis, basicamente petróleo, por 77,2%, afirmou.

Conforme o ex-ministro, o Brasil precisa dar mais ênfase ao investimento em energia renovável para alcançar um crescimento robusto de sua economia. Além disso, acrescentou, o País necessita também "agir em educação e saúde", em capital privado, investir em tecnologia e fortalecer a exportação. "Temos, sim, condições de recuperar um ritmo de crescimento se soubermos corrigir nossos erros." (Agência Estado 08/07/2015)