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“Indústria não está preparada para processar esse aumento no volume de palha”

O gerente industrial das unidades Santa Cândida e Paraíso, do Grupo Tonon, Antônio Carlos Viesser, afirma que, em sua maioria, as indústrias não estão preparadas para processar esse volume de impurezas vegetais (palha) que tem chego às unidades. “Isso se deve, primeiramente, ao aumento forçado da mecanização devido à antecipação da não queima da cana. Além disso, o momento financeiro em que vive o setor impossibilitou as usinas de investir em novos processos e melhorias em equipamentos”.

Ele conta que diversos foram os impactos na indústria, sendo o maior deles na moenda, pois, com o aumento da palha, se tem mais fibra, sendo a moenda um equipamento volumétrico calculado para processar fibra, acaba-se tendo duas vertentes, onde o volume de cana processado e a extração da moenda são menores.

Outros empecilhos são o aumento de torta de filtro e, por consequência, maiores perdas na torta; maiores desgastes com facas, martelos, pentes e camisas de moendas; maior consumo de eletrodo de chapisco; maiores desgastes com chaparia de esteira de cana e bagaço; desgastes prematuros de tubulações de caldeiras, dificuldades operacionais com sistema de lavagem de gases das caldeiras; aumento dos insumos na fábrica de açúcar; interferência da qualidade do açúcar em relação aos níveis de amido, cinzas e insolúveis no açúcar e problemas na fermentação relacionados à maior presença de ácido aconítico.

O gerente industrial afirma que, com esse cenário, as dificuldades são inúmeras, pois, para mitigar esses impactos, são necessários novos investimentos que, por hora, estão proibidos no setor. “No momento, cabe a cada empresa usar da criatividade para superar esses desafios”. (Cana Online 13/0/2015)

 

China deve ser o maior importador global de açúcar bruto em 2015/2016, diz Copersucar

A China provavelmente ultrapassará a Indonésia e se tornará o maior importador global de açúcar bruto em 2015/2016, devido à crescente demanda chinesa, disse o presidente da fornecedora brasileira Copersucar, Paulo Roberto Souza, nesta sexta-feira.

O executivo afirmou que a expectativa de uma forte demanda chinesa, quando a produção doméstica está limitada pela falta de chuvas, provavelmente elevará a importação de açúcar bruto pelo país para entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas em 2015/2016.

Falando nos bastidores de uma conferência sobre açúcar e etanol, organizada pela consultoria Datagro, Souza acrescentou em uma entrevista que ele não acredita que a fraca moeda rúpia limite as importações de açúcar bruto pela Indonésia.

Souza também afirmou que acredita que a demanda por etanol no Brasil deve crescer, devido ao aumento da competitividade em relação à gasolina nas bombas e defendeu a aplicação de políticas que favoreçam a produção do etanol.

O presidente da Copersucar afirmou que a nova capacidade de produção de açúcar e etanol no Brasil deve ser influenciada principalmente por aumentos na demanda por etanol.

Souza falou que, enquanto nos últimos anos a disponibilidade crescente de cana tenha encontrado crescimento na demanda por etanol, gargalos podem surgir devido a uma estagnação na capacidade produtiva, após o fechamento de algumas usinas nos últimos anos por grandes dívidas. (Reuters 13/07/2015)

 

Governo apresenta projeto da ferrovia que vai ligar o Rio ao Espírito Santo

O governo do Estado apresenta nesta sexta-feira (10), numa audiência pública, o projeto da ferrovia que vai ligar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo (EF-118). No evento será apresentado em detalhes o projeto de engenharia de implantação da nova ferrovia, incluindo traçado detalhado, infraestrutura da obra, potencial logístico, integração com a malha ferroviária nacional e com os portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, e o potencial de geração de negócios.

As audiências são a última etapa a ser vencida para que o projeto da nova ferrovia seja encaminhado para apreciação do Tribunal de Contas da União (TCU) e, posteriormente, colocado em licitação pública pelo Governo Federal para concessão por meio de Parceria Público Privadas (PPP). O orçamento previsto para a construção da ferrovia é de R$ 7,6 bilhões.

A nova ferrovia Rio-Vitória faz parte do Programa de Infraestrutura e Logística (PIL), lançado pela presidente Dilma no mês passado, que prevê a concessão, por parte da União, de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos em todo o país. A EF-118 terá 577,8 km de extensão, sendo 169,2 Km no Espírito Santo e 404,6 Km no Rio de Janeiro, e interligará os complexos portuários dos dois estados. O projeto prevê a implantação de seis túneis, 171 viadutos rodoviários, 130 pontes ferroviárias, 117 passagens inferiores e 60 passagens de pedestres.

Segundo o secretário Estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, em um primeiro momento não estava previsto o transporte de passageiro na ferrovia, mas esse pedido será feito. “O governo federal desenhou esse projeto originalmente para ferrovia de carga, mas nós já temos notícia que na audiência pública de hoje será feita uma sugestão para que seja incluído o transporte de passageiro”, afirmou o secretário, ressaltando que entre os dois estados há várias cidades importantes como, por exemplo, Macaé e Campos.

Com potencial de carga de 100 milhões de toneladas por ano, EF-118 interligará a Região Metropolitana do Rio com Vila Velha, na grande Vitória.  A ferrovia se articulará com a futura EF-354 (Estrada de Ferro Transcontinental - ligação ao Peru), a partir de Campos dos Goytacazes, atravessando as regiões minerais e agrícolas de Minas Gerais e do Centro Oeste brasileiro, e possibilitando a conexão com os mercados europeu e asiático. Além disso, a nova ferrovia estará interligada com a rede da concessionária MRS, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo e Minas Gerais. E, no Espírito Santo, com a estrada de ferro Vitória-Minas.

A EF-118 atenderá a demanda da rede portuária dos dois estados, incluindo os portos de Sepetiba, Itaguaí, Macaé, Barra do Furado e Açu, no Rio de Janeiro, e os portos Central, Ubu, Tubarão e Vitória, no Espírito Santo e posicionará o Rio de Janeiro como a plataforma logística de classe mundial.

Ainda de acordo com o secretário, em um estudo inicial foi identificado que para implantar o transporte de passageiro será necessário empregar cerca de 3% a mais do valor previsto para o orçamento da ferrovia, que é de R$ 7,6 bilhões.

Segundo Osório, além de emprego a ferrovia vai gerar competitividade. “A nossa infraestrutura de logística é deficiente. Uma nova ferrovia, ligando os principais portos, vai fazer o Rio muito competitivo. E não são apenas os empregos na obra, são os empregos que vão ser gerados após a obra”, afirmou o secretário. (G1 13/07/2015)