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Chuva em SP limita moagem e preço do açúcar volta a subir

Os preços do açúcar cristal voltaram a subir no mercado spot paulista, após quatro semanas em movimento de baixa.

Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas que ocorreram em algumas regiões de São Paulo na semana passada interromperam a colheita e a moagem da cana-de-açúcar, limitando a oferta de açúcar. Assim, mesmo com a demanda sem sinais de aquecimento, representantes das usinas elevaram os valores de venda do cristal.

Na segunda-feira, 13, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, mercado paulista, cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 48,49/saca de 50 kg, alta de 2% em relação à segunda-feira anterior. (Cepea / Esalq 14/07/2015)

 

Safra chuvosa sinaliza moagem abaixo do previsto

Região não tem tradição de entrar a safra no mês de dezembro.

As diversas projeções de oferta de cana-de-açúcar na safra 2015/16 apontam para entre 590 e 617 milhões de toneladas na região Centro-Sul. Mas as chuvas atropelaram essas previsões.

Embora esperadas, as chuvas chegaram acima do esperado principalmente em maio. Foi o suficiente para frear o ritmo de corte-carregamento e transporte (CCT) então acelerado nas unidades da região.

Para se ter idéia, apenas em Ribeirão Preto, onde os canaviais atendem algumas das principais usinas paulistas, a incidência pluviométrica alcançou 111 mililitros em maio, conforme medição no Centro de Cana IAC.

Especialistas do setor avaliam para o Portal JornalCana os impactos das condições climáticas na 15/16. Em uma posição eles concordam em unanimidade: vai sobrar cana bisada para 2016. (Jornal Cana 14/07/2015)

 

Para viabilizar projetos de bioeletricidade o valor mínimo deve ser de R$ 330,00 por MWh

“Entendemos que hoje o patamar ideal de preço para a energia da biomassa da cana, que viabilize boa parte dos projetos de bioeletricidade das usinas do país, é de no mínimo R$ 330,00 por MWh. Para estimular a bioeletricidade, falta uma visão de longo prazo e a valorização das vantagens de menor investimento e perdas em transmissão.

Apesar dos avanços já verificados nas políticas voltadas à eletricidade advinda da biomassa, a maioria das empresas sucroenergéticas não tem interesse em participar dos certames de energia.

No Leilão A-5, que ocorreu no final de abril, poucos projetos de energia de biomassa participaram. A tarifa girou em torno de R$ 278,50 por MWh. Mas entendemos que este é um nível de tarifa que começa a fazer sentido para a expansão da cogeração no setor sucroenérgetico.

Caso nos próximos leilões de energia térmica sejam definidos valores-teto em torno de R$ 300 por MWh é esperado que aumente a viabilidade de novos projetos de energia de biomassa.” Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria. (Cana Online 14/07/2015)

 

Preço do etanol sobe no mercado paulista (hidratado +4%, anidro +0,72%)

Na última semana, os preços dos etanóis, principalmente do hidratado, subiram no mercado paulista.

Pesquisadores do Cepea indicam que o impulso veio da menor oferta, tendo em vista que o número de negócios diminuiu pontualmente. As chuvas ocorridas em importantes regiões produtoras interromperam as atividades de moagem, reduzindo o volume ofertado.

Mesmo com a entrada de produto do estado de Mato Grosso do Sul em volumes expressivos, os valores não foram pressionados em SP. Entre 6 e 10 de julho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,2292/litro (sem impostos), alta de 4% em relação à semana anterior. Para o anidro, o Indicador Cepea/Esalq fechou a R$ 1,3652/l (sem impostos), aumento de 0,72% frente ao anterior. (Cepea / Esalq 14/07/2015)

 

Uso de grãos em terminal açucareiro pode gerar conflito logístico em 2017

Por uma estratégia de mercado, terminais açucareiros do Sudeste têm utilizado a capacidade ociosa para escoamento de granéis sólidos. No entanto, uma possível alta na demanda de exportação de açúcar pode causar um conflito logístico com o retorno do uso desta infraestrutura pelo setor sucroenergético. 

A provável pergunta é: por onde serão enviados os grãos? E a possível resposta, pelos portos do Arco Norte, porém, conforme publicado pelo DCI, os investimentos naquela região só devem trazer o retorno esperado a partir de 2018 e, nas projeções da São Martinho, o aumento no volume de exportações açucareiras é previsto para meados de 2017. 

Cenário

"Você tem alguns terminais como o do Paraná, por exemplo, que hoje dividem a carga entre soja e açúcar. Estamos camuflando a capacidade portuária instalada ao utilizarmos o mesmo terminal para dois tipos de produto", afirma o diretor comercial e de logística do Grupo São Martinho, Helder Gosling.

Segundo o executivo, isso vem acontecendo nos últimos dois anos e meio, desde que a moagem de açúcar ficou praticamente "estagnada", em função da crise entre as usinas do setor. 

Dados compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que a produção açucareira do Centro-Sul passou de 34,09 milhões de toneladas na safra 2012/2013 para 31,98 milhões em 2014/2015. Em contrapartida, o etanol total (anidro e hidratado) saiu de 21,36 bilhões de litros para 26,14 bilhões no mesmo período avaliado. 

Questionado sobre o assunto, o secretário de Logística e Transportes de São Paulo, Duarte Nogueira, disse ao DCI que a redução nos embarques ocasionou um aumento de ociosidade nos terminais que, para conseguirem receita, foram levados a buscarem outras fontes. "Os terminais estão fazendo escolhas por uma questão de rentabilidade e manutenção das suas atividades", acrescenta.

Saída

Na avaliação do executivo da São Martinho, o consumo mundial de açúcar cresce, anualmente, em torno de três milhões de toneladas. Para ele, mesmo que haja um avanço nas produções de países como a Índia e Tailândia, daqui a dois anos o mercado internacional tende a depender substancialmente da commodity brasileira. No primeiro semestre de 2015, o País avançou em 2,2% no volume embarcado, para 10,33 milhões de toneladas. Entretanto, de acordo com levantamento do Ministério da Agricultura, a receita de exportação caiu 10,5%, para US$ 3,54 milhões, contra o mesmo período do ano passado.

Diante de um possível conflito logístico em 2017, a saída para o escoamento da oleaginosa ficaria entre os portos do Arco Norte - como os paraenses Santarém e Miritituba; e Itaqui, no Maranhão - cujas melhorias fazem parte do aporte de R$ 198,4 bilhões da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL).

"Esperamos que os projetos do corredor Norte e Nordeste saiam de um jeito de que desafogue Santos, para que possamos acomodar as exportações de açúcar", diz Gosling, mas na avaliação do Movimento Pró-Logística, órgão regido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o efeito esperado para estes investimentos deve vir só daqui a 3 anos.

Gargalos

O plano de logística do governo federal não contemplou o sistema hidroviário, visto que "para desafogar o setor sucroenergético, qualquer projeto é bem vindo", enfatiza Gosling.

O secretário estadual de Transportes assinalou que o principal gargalo paulista é a interligação entre os modais, rodoviário e ferroviário, por exemplo. "A eficiência para fazer o tombamento de cargas de um para o outro é essencial para melhorar em produtividade", comenta.

Entre os anos de 2015 e 2018, estão previstos R$ 31 bilhões em investimentos na pasta de logística e transportes, pelo Plano Plurianual (PPA) do governo do estado. (DCI 14/07/2015)

 

Demanda dá suporte a preço do etanol hidratado ao longo da safra

A demanda aquecida tem dado suporte aos preços do etanol hidratado no mercado interno ao longo da safra 2015/16, iniciada em abril.

De acordo com relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) recebido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, nem mesmo o avanço da moagem de cana-de-açúcar e a maior destinação de matéria-prima para a produção do biocombustível têm conseguido fazer frente ao consumo em alta.

Na semana passada, o preço médio do produto foi de R$ 1,2292 por litro, acumulando perda de 3% na temporada. Em igual intervalo do ciclo 2014/15, porém, a desvalorização havia sido muito maior, de 10,5%. Os valores referem-se ao hidratado retirado nas usinas paulistas, sem impostos.

No caso do anidro, a sustentação vem do menor volume de produção no Centro-Sul, principal região produtora do País. Na última semana, o preço médio em São Paulo desse biocombustível, misturado em 27% à gasolina, foi de R$ 1,3652 por litro, aumento de 2% na parcial da safra. Há um ano, a variação havia sido negativa em 13,6%.

Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que as vendas totais de etanol para os mercados interno e externo atingiram 6,9 bilhões de litros no acumulado do ciclo 2015/16 até 1º de julho, 17% mais na comparação com os 5,9 bilhões de litros observados nos três primeiros meses da temporada anterior.

Só de hidratado foram comercializados 4,5 bilhões de litros (+44,5%). Em termos de produção, foram fabricados 5,72 bilhões de litros desse tipo de etanol, aumento de 17,6%. A demanda maior por hidratado é resultado direto da recomposição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, que encareceu esta. Além disso, houve redução da alíquota de ICMS incidente sobre o álcool em Minas Gerais, o que estimulou a demanda por lá.

O Estado possui a segunda maior frota do País. Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o hidratado é mais vantajoso que o combustível fóssil em Minas Gerais há 15 semanas. O mesmo vale para Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, que figuram como os maiores produtores nacionais.

Nos postos paulistas, por exemplo, o etanol equivale a 62,25% do preço da gasolina - a relação é favorável ao produto de cana-de-açúcar quando está abaixo de 70%. No início da safra 2015/16, contudo, o porcentual girava em torno de 65%. (Agência estado 14/07/2015)