Macroeconomia e mercado

Notícias

Por que a cana está perdendo de goleada dos grãos?

Enquanto a produtividade agrícola de culturas como soja e milho deu salto exponencial nas últimas décadas, a produtividade da cultura canavieira no Brasil não apenas estagnou, como retrocedeu.

Quais seriam os motivos? As dificuldades financeiras? A necessidade de mecanizar as operações agrícolas rapidamente? O clima tem castigado a cultura nos últimos anos?

Estes são fatores que têm influenciado bastante nos resultados das safras de usinas e produtores de cana, mas não podem servir de moletas para o setor. “Acima de tudo acredito que temos de tomar cuidado para fazer bem aquilo a que nos propusemos. E isso, em alguns momentos, está faltando”, salienta Rogério Augusto Soares, gerente de Planejamento Agrícola da Bunge.

Segundo ele, quando o produtor for plantar cana, deve tomar cuidado para não adotar em determinada área uma variedade que brota mal no plantio, ou nasce mal, ou perfilha mal. Isto já defini o futuro da lavoura. Se decidir plantar numa área mal preparada, mal corrigida, também já defino o futuro. Muitas vezes se comete erros cruciais, que comprometem a produtividade de determinada área por anos. “Acredito que está faltando usarmos mais a agronomia.”

Para Rogério, pode-se pegar o exemplo de outras culturas. “Muitas vezes não acreditamos na tecnologia que está aí. Um exemplo é variedade. Dizemos que não temos variedades boas, mas vemos resultados excepcionais em alguns locais onde o pessoal está fazendo a coisa certa, com as variedades novas que estão aí. Que já foram selecionadas considerando o sistema de mecanização”, dispara. Segundo ele, o setor é muito reticente em incorporar novas tecnologias, o que limita a possibilidade de se tirar o máximo do que a cana pode oferecer em termos de produtividade. (Cana Online 15/07/2015)

 

Açúcar: Futuros respeitam resistência e podem passar por correção

Sustentados pelo El Niño e pelo câmbio no Brasil, os futuros de açúcar demerara deram sequência ontem aos ganhos na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As cotações, entretanto, não tiveram fôlego para romper a resistência de 12,69 cents/lb, o que pode provocar alguma correção, mesmo que fraca, no pregão de hoje.

Pelos gráficos, o mercado inicia o dia com suporte nos psicológicos 12,50 cents/lb. Acima do atual teto, há uma resistência em 12,80 cents/lb, máxima de ontem.

Entre participantes, já há quem projete preços novamente no terreno de 13 cents/lb, dados os recentes fatores altistas. A concretização desse movimento, contudo, dependerá da oscilação do dólar, que terminou ontem em R$ 3,1380 (+0,16%), e das condições climáticas no Centro-Sul do Brasil.

Boletim atualizado da Climatempo informa que até 21 de julho as chuvas perderão força nas principais áreas produtoras do País. Em São Paulo, as precipitações devem se concentrar no sul do Estado, enquanto em Minas Gerais e Goiás os volumes serão pouco significativos para provocar algum atraso na colheita de cana. Os maiores acumulados deverão ser observados apenas no Paraná, onde algumas áreas do interior poderão receber até 120 mm.

Outubro subiu 8 pontos (0,64%) e encerrou a terça-feira em 12,64 cents/lb, com máxima no dia de 12,80 cents/lb (mais 24 pontos) e mínima de 12,55 cents/lb (menos 1 ponto). Março avançou 9 pontos (0,65%) e terminou em 13,89 cents/lb. O spread outubro/março variou de 124 para 125 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 38 para 49 na semana encerrada na última quarta-feira (8), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 3 de agosto.

Foi agendado o carregamento de 1,60 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,06 milhão de t, ou 66% do total. Paranaguá responderá por 24% (380,50 mil t); Recife, por 5% (81 mil t); e Maceió, também por 5% (77,28 mil t).

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 48,52/saca, alta de 0,06% ante sexta. Em dólar, o índice ficou em US$ 15,46/saca (-0,13%). (Cana Oeste 15/07/2015)

 

UNICA passa a integrar a Aliança Global de Combustíveis Renováveis

A Aliança Global de Combustíveis Renováveis (Global Renewable Fuels Alliance - GRFA) anuncia a entrada da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) como novo membro do projeto que tem como objetivo promover o uso de combustíveis renováveis pelo mundo.

"O Brasil é um país pioneiro na indústria global de biocombustíveis, reconhecido não só como um dos maiores produtores, mas também como um dos primeiros", declara Bliss Baker, representante do GRFA. "Temos a honra de receber a UNICA representando o maior país produtor de etanol para trabalhar nossas ações em conjunto, a fim de promover a indústria de renováveis no cenário mundial”.

A UNICA é a maior entidade brasileira que representa os produtores de açúcar, etanol e bioeletricidade da região Centro-Sul. Criada em 1997, a instituição foi resultado da fusão de diversas organizações setoriais do estado de São Paulo, após a desregulamentação do setor no País. Hoje, as mais de 120 associadas da UNICA respondem por mais de 50% de todo o etanol produzido no Brasil e 60% da produção global de açúcar.

“Como líder global na produção de etanol, a UNICA se orgulha de fazer parte da GRFA”, destaca Elizabeth Farina, presidente da entidade. “Estamos ansiosos para trabalhar com os membros de mais de 44 países produtores de biocombustíveis para promover coletivamente a ampliação do uso de combustíveis renováveis em todo o mundo, além de defender a necessidade de uma política pública sólida para este setor”, completa.

A Aliança Global de Combustíveis Renováveis é uma organização sem fins lucrativos, dedicada a promover políticas favoráveis aos biocombustíveis internacionalmente. Seus membros representam mais de 90% da produção global de biocombustíveis, contando com a participação de 45 países. Por meio do desenvolvimento de novas tecnologias e melhores práticas, os associados à GRFA estão comprometidos com a produção de combustíveis renováveis com o menor impacto possível ao meio ambiente. (Cana Oeste 15/07/2015)

 

Usinas de cana voltam a moer com arrendamento

Em meio à crise do setor sucroalcooleiro no Sudeste, com o fechamento de usinas e demissão de trabalhadores, Pernambuco contabiliza a reativação de dois parques industriais nesta safra 2015/2016. Uma delas é a usina Cruangi, localizada em Timbaúba, na Zona da Mata Norte, cuja produção foi suspensa em 2012. A unidade deverá retomar as atividades através de um contrato de arrendamento entre os proprietários e a Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana (Coaf). A Usina Pedrosa, do grupo Farias, inativa desde 2013, foi arrendada pela família Carneiro Leão e vai moer neste ano, com a expectativa de criação de 3 mil empregos na região da Mata Sul.

O modelo de cooperativismo adotado pela Cruangi é o mesmo da usina Pumaty na safra 2014/2015, quando foram investidos R$ 10 milhões pelos fornecedores de cana cooperados e produzidos 50 milhões de álcool hidratado, gerando o crédito de R$ 7 milhões de ICMS aos cofres do estado. À frente das negociações com a Cruangi, o presidente da Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco (ACF), Alexandre de Andrade Lima, disse que o contrato de arrendamento foi assinado e a usina se encontra em “apontamento”, preparando-se para a moagem, prevista para setembro.

A Cruangi está em processo de recuperação judicial. Quando paralisou as atividades, a usina tinha uma dívida de cerca de R$ 8 milhões só com os fornecedores de cana. Sem contar com o passivo trabalhista. Por isso, dependerá de autorização da Justiça para retomar as atividades. “A previsão é de iniciar a moagem em 15 de setembro. Nesta safra devemos moer 400 mil toneladas de cana e produzir 350 milhões de litros de etanol hidratado”, diz Lima. O investimento inicial foi de R$ 3,5 milhões para reativar o parque industrial.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha, confirma que o modelo usado para reativar a Usina Pedrosa, localizada em Cortês, será o arrendamento mercantil entre os grupos Farias e Gerson Carneiro Leão. Neste caso a usina suspendeu as atividades por estratégia de negócios do Grupo Farias. A expectativa para a safra 2015/2016 é de serem esmagadas 350 mil toneladas de cana. Segundo Cunha, o setor enfrenta dificuldades devido à baixa remuneração do etanol e do preço em queda do açúcar. (Diário de Pernambuco 15/07/2015)