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Se o cenário não mudar, o fornecedor de cana vai ser extinto

Esta é a opinião do engenheiro agrônomo Orivaldo Augusto Furlan. Ele diz e sei pai nunca viram uma crise como essa. E olha que sua família é tradicional no negócio. Produz cana-de-açúcar em Piracicaba desde 1908 e hoje cultiva cerca de 2.500 hectares no Oeste paulista, na região de Dracena.

O aumento dos custos é o que mais tem pesado para o produtor de cana, segundo ele. “Quatro anos atrás, 50% do valor final da cana eram pra tratos culturais, arrendamento e renovação. Já 30% eram gastos com CCT (corte, carregamento e transporte). Já 20% era a margem que tínhamos”, relata.

Hoje esse cenário mudou.

Os custos com o CCT cresceram muito. “Hoje representam de 50% a 55% do preço da cana. Isso comeu o nosso lucro. Um problema que fica mais complicado para quem está mais distante da usina”, lamenta. Por isso, segundo ele, foi necessário cortar os investimentos em adubação.

“Ou muda esse cenário ou não teremos condições de sobreviver. Se continuar assim, seremos obrigados a mudar de atividade”, confessa Furlan. (Cana Online 22/07/2015)

 

Centro-Sul pode deixar até triplo de cana em pé para processar ano que vem

As usinas do Centro-Sul do Brasil devem deixar volume maior de cana-de-açúcar da safra 2015/16 para ser processada apenas na próxima temporada, a chamada cana bisada. Representantes ouvidos pelo Broadcast relatam que as chuvas entre abril e julho e a perspectiva de fortalecimento do El Niño até o fim de 2015 tendem a atrasar a colheita, acarretando maior oferta de matéria-prima para o ano que vem. Para o sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, esse volume pode ser "o dobro ou até o triplo" na comparação com as 10 milhões de toneladas registradas na virada de 2014/15 para o atual ciclo.

Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, o El Niño provoca chuvas acima da média no Sul do Brasil e em partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Como a colheita de cana nessas áreas é cada vez mais mecanizada, as precipitações acabam por retardar ou mesmo interromper os trabalhos de campo, exatamente como já observado nesses primeiros meses da safra 2015/16, por causa da dificuldade de entrada das máquinas nos canaviais.

De acordo com o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, até 1º de julho as paralisações no Centro-Sul em razão das chuvas superavam em dois dias as computadas em igual intervalo do ano passado. Pode parecer pouco, mas um dia "perdido" na principal região produtora do País significa até 3 milhões de toneladas de cana que deixam de ser colhidas. Vale lembrar que essa parcial ainda não leva em conta as precipitações ocorridas no início de julho, quando usinas de São Paulo ficaram até três dias sem operar, enquanto em Mato Grosso do Sul algumas unidades passaram a primeira quinzena inteira sem processar.

Conforme Nastari, o El Niño deve se intensificar a partir de setembro e atingir seu pico no último trimestre do ano. "Mas os efeitos para o Centro-Sul permanecem incertos", ponderou o presidente da Datagro, que espera um volume de cana bisada de 14 milhões de toneladas. "Nossa projeção de moagem é de 591 milhões de toneladas. Isso indica que a disponibilidade de cana para ser moída é de 605 milhões de toneladas (no Centro-Sul)", explicou.

Pelo mais recente relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as unidades produtoras da região processaram 200,53 milhões de toneladas de cana até a segunda quinzena de junho, queda de 1,21% na comparação anual.

Preços

Mesmo com essas previsões, o setor ainda desconsidera uma recuperação firme das cotações futuras do açúcar demerara, negociado na Bolsa de Nova York. A avaliação é de que os estoques globais continuam amplos, de modo que nem mesmo a alocação maior de cana para fabricação de etanol no Centro-Sul poderá dar algum suporte aos preços.

"A curva (de preços) piorou muito e o mercado físico está muito parado", disse ao Broadcast o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa. Pelas suas simulações, o valor da commodity pode superar os 13 centavos de dólar por libra-peso até outubro, mas não ir muito além disso. Atualmente, o mercado trabalha abaixo dos 12 centavos de dólar por libra-peso.

"Só devemos ter recuperação (de preços) a partir de 2016", disse o diretor da Archer. "No ano que vem devemos ter um ciclo de déficit (de açúcar)", acrescentou Nastari, da Datagro, referindo-se a um fator de suporte para as cotações. A Datagro prevê déficit de 1,43 milhão de toneladas na temporada global 2015/16, que se inicia em 1º de outubro, o primeiro após quatro anos de superávit. (Cana Online 22/07/2015)

 

Açúcar: Futuros na ICE encontram resistência em 11,50 cents/lb

Os futuros de açúcar demerara voltaram a cair ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e agora já acumulam cinco pregões consecutivos de perdas. Durante o dia, os preços até passaram pela correção prevista por participantes, mas não conseguiram se sustentar acima dos 11,50 cents por libra-peso, resistência que se mostra bem firme para o mercado.

Sem grandes novidades nos fundamentos, as cotações começam a oscilar mais ao sabor de indicadores gráficos. Para além do teto de 11,50 cents/lb, há outro em torno de 11,70 cents/lb - a máxima de ontem foi em 11,72 cents/lb. Para baixo, nenhuma alteração: suporte inicial em 11,35 cents/lb e, depois, em 11,10 cents/lb.

O fato é que, por ora, há pouco espaço para ganhos expressivos na ICE Futures US. Dólar fortalecido, tempo aberto no Centro-Sul do Brasil e demanda enfraquecida pressionam as cotações. Para analistas, uma recuperação de preços só deve ser observada no ano que vem, quando o mundo, possivelmente, entrará em um ciclo de déficit. A Datagro, por exemplo, estima demanda 1,43 milhão de toneladas maior que a oferta na temporada global 2015/16, que se inicia em outubro.

Ontem, outubro caiu 2 pontos (0,17%) e encerrou em 11,42 cents/lb, com máxima no dia de 11,72 cents/lb (mais 28 pontos) e mínima de 11,38 cents/lb (menos 6 pontos). Março também recuou 2 pontos (0,15%) e terminou em 12,90 cents/lb. O spread outubro/março permanece em 148 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar diminuiu de 49 para 44 na semana encerrada na quarta-feira da semana passada (15), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 9 de agosto.

Foi agendado o carregamento de 1,55 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,07 milhão de t, ou 69% do total. Paranaguá responderá por 25% (392,10 mil t); Maceió, por 4% (67,06 mil t); e Recife, por 2% (21 mil t).

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 48,36/saca, baixa de 0,31% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 15,27/saca (+0,66%). 9Agência Estado 22/07/2015)

 

Irã volta ao mercado de açúcar bruto e compra 150 mil t do Brasil, dizem fontes

O Irã comprou pelo menos 150 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil nas últimas semanas, depois de passar meses longe do mercado, e está pronto para aumentar as aquisições externas nos próximos meses, disseram fontes do mercado nesta quarta-feira.

O Irã, um dos maiores importadores globais de açúcar bruto, não havia feito compras no segundo trimestre deste ano.

A estatal GTC comprou três carregamentos de açúcar do Brasil nas últimas duas semanas, disseram as fontes.

Dados de rastreamento de navios mostram pelo menos uma embarcação carregando açúcar no porto de Santos (SP) com destino para o Irã. (Reuters 22/07/2015)

 

EUA avalia incentivo para etanol 2G

A Comissão de Finanças do Senado dos Estados Unidos recebeu oficialmente na terça­feira (21/07) projeto que estende benefícios tributários para o etanol celulósico e para o biodiesel.

Os incentivos de impostos estão em projeto do senador Chuck Grassley, do Estado de Iowa. A extensão de benefícios fiscais, segundo a proposta, visa incentivar a produção de etanol celulósico e de biodiesel nos EUA.

Instituições ligadas a combustíveis renováveis, como a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), dão total apoio ao projeto do senador. (Jornal Cana 22/07/2015)