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Açúcar: Dólar ofusca dados da safra e ICE permanece perto de 11,50 cents/lb

O relatório de safra divulgado ontem pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) veio dentro das expectativas e foi considerado altista pelo mercado. A apreciação do dólar ante o real, entretanto, ofuscou o suporte gerado pelos números. Tanto é que os futuros de demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) não conseguiram se afastar muito da resistência de 11,50 cents por libra-peso, patamar que deve continuar no radar dos participantes nesta sexta-feira.

Conforme a Unica, as chuvas em excesso na primeira quinzena de julho fizeram com que a moagem de cana no Centro-Sul caísse quase 30% no período, para 29,26 milhões de toneladas, levando junto a produção de açúcar, que recuou expressivos 43,45%, para 1,44 milhão de toneladas. No acumulado da safra 2015/16, a fabricação do alimento registra queda de aproximadamente 17%, com 10,70 milhões de toneladas.

De acordo com a entidade, os Estados mais afetados pelas precipitações em julho foram mesmo São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. E em virtude disso, a própria Unica já considera uma revisão para baixo de suas estimativas. "Caso o clima mais chuvoso persista nas próximas quinzenas, a dificuldade de operacionalização da colheita e a piora na qualidade da matéria-prima poderão levar a uma safra menor do que aquela inicialmente prevista, mesmo assumindo um período de moagem mais longo do que o normal", afirmou o diretor técnico Antonio de Pádua Rodrigues.

O relatório de ontem ainda apresentou outras informações construtivas para os futuros de demerara. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) continua inferior ao do ano passado e as usinas direcionam cada vez mais cana para fabricação de etanol. No acumulado de 2015/16, o mix em favor do biocombustível alcança 60,08%, a maior desde a safra 2008/09.

Todas essas informações, porém, não foram "páreo" para o dólar. A redução da meta fiscal para 2015 impulsionou a divisa ontem, que quase bateu em R$ 3,30, fechando em R$ 3,2910 (+1,98%), maior nível desde março.

A tendência é de que a moeda norte-americana continue fortalecida, de modo que os futuros têm pouco espaço para ir além dos 11,50 cents/lb. O patamar voltou a ser o suporte inicial, seguido pelos 11,35 cents/lb. Para cima, a primeira resistência aparece em 11,70 cents/lb.

Ontem, outubro subiu 13 pontos (1,14%) e encerrou em 11,51 cents/lb, com máxima no dia de 11,55 cents/lb (mais 17 pontos) e mínima de 11,35 cents/lb (menos 3 pontos). Março avançou 3 pontos (0,23%) e terminou em 12,83 cents/lb. O spread outubro/março variou de 142 para 132 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

A valorização mais consistente de outubro perante os demais contratos mostra que o mercado já precifica uma menor entrega contra esta tela, em virtude justamente da menor produção no Brasil para suprir a oferta de curto prazo.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quinta-feira em R$ 47,69/saca, baixa de 0,44% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,49/saca (-2,36%). (Agência Estado 24/07/2015)

 

Índia terá excedente de açúcar pelo 6º ano seguido, diz indústria

A Índia, o segundo produtor de açúcar do mundo depois do Brasil, provavelmente terá um excedente do adoçante pelo sexto ano consecutivo, apesar de chuvas irregulares em importantes áreas de produção, afirmou uma associação da indústria nesta sexta-feira.

O país asiático deve produzir 28 milhões de toneladas no ano 2015/16, que começa em 1º de outubro, em comparação com uma demanda de cerca de 25 milhões de toneladas, segundo previsão preliminar da associação de usinas da Índia.

Na atual temporada, o país deve produzir 28,3 milhões de toneladas de açúcar, afirmou a entidade.

A produção excedente poderia deprimir os preços locais e aumentar as perdas de usinas de açúcar, que lidam com endividamento, o que levou o país a manter as exportações para reduzir estoques.

A produção no Estado de Maharashtra poderia cair 7,6 por cento, para 9,7 milhões de toneladas, devido às chuvas escassas em áreas de cultivo de cana.

Na segunda maior região produtora de açúcar, o Estado do norte de Uttar Pradesh, a produção poderia aumentar 3,5 por cento, para 7,35 milhões toneladas. É provável que o país comece a nova temporada com um estoque de 10,2 milhões de toneladas. (Reuters 24/07/2015)

 

Cana Bis: pode sobrar cana “em pé” em 2015

A cana bisada poderá voltar a ocorrer no Centro-Sul nesta safra. Conheça os cuidados e as recomendações para tirar o melhor proveito deste fato.

As últimas pesquisas do Grupo IDEA, que acompanha a safra de cana, açúcar e etanol da região Centro-Sul do Brasil, mostraram que haverá um ganho médio de 4% na produtividade agrícola. Ao contrário dos últimos anos, o clima nesta safra se mostra mais chuvoso, sendo responsável por frequentes paralizações na moagem, principalmente no sul do Estado de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde a incidência de precipitação está sendo maior. Se mantidos, esses índices representarão um adicional de cerca de 20 milhões de toneladas de cana, que estarão disponíveis para serem moídas. A produção de cana do Centro Sul poderá atingir mais de 600 milhões de toneladas.

As boas médias de produtividade agrícola é resultado das condições climáticas favoráveis na maioria das regiões produtoras, mesmo nos canaviais em declínio ou que receberam menos tratos culturais.

O Centro-Sul possui cerca de 8 milhões de hectares com cana comercial destinada à moagem. Com o fechamento de várias usinas, as empresas vizinhas estão adquirindo e moendo a cana disponível, porém ocorrerão limitações físicas e climáticas para moer toda a cana, a não ser que a safra se estenda até os primeiros meses de 2016. Isto não é recomendável dado aos enormes problemas que acarreta principalmente à lavoura.

Muitos são os fatores que indicam uma provável sobra de cana sem cortar para a próxima safra, dentre os quais podemos destacar os seguintes:

• Início de safra chuvoso interferiu no ritmo de moagem, deixando de se industrializar ao redor de 30 milhões de toneladas de cana, lembrando que a capacidade de moagem média diária do Centro Sul gira em torno de 2,8 milhões de toneladas. As perdas são equivalentes a 11 dias perdidos de moagem.

• Atraso proposital do início de safra em pelo menos 50% das usinas, tendo em vista o baixo desenvolvimento da cana devido à seca de 2014,

• Aumento da produtividade agrícola média nas principais regiões canavieiras do Estado de São Paulo (Ribeirão Preto, Jaú, São José do Rio Preto e Piracicaba) em relação às médias estimadas e às médias registradas na safra anterior;

• Ótimo desenvolvimento da cana de ano, cana de inverno e da cana de final de safra, ao contrário de anos anteriores quando estes canaviais derrubaram as médias da safra.

• Por outro lado, ao contrário das últimas cinco safras, o clima projeta ser mais chuvoso devido ao fenômeno El Niño, sendo responsável por frequentes paralizações na moagem, principalmente no sul do estado de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde a incidência de precipitação está sendo maior. (Cana Online 24/07/2015)