Macroeconomia e mercado

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Sem moer, Usina Maringá vira assentamento de sem-terra

Em Araraquara, SP, a Usina Maringá está a mais de um ano sem moer, encerrou suas atividades deixando centenas de funcionários desempregados e sem receber. Possui uma dívida que gira em torno de R$ 1 bilhão somente com o governo, fora os demais credores, entre eles fornecedores de cana, a maioria tem várias safras para receber.

Funcionários, que por anos (alguns por décadas) moravam na colônia da Usina tiveram água e luz cortados, como forma de pressão para desocuparem as casas. Se a colônia ficou às moscas, parte das terras da usina foi invadida por ex-funcionários que, com o apoio do ‘Movimento dos Sem Terra’, formaram um enorme acampamento onde cerca de 400 famílias moram sem as condições básicas de saúde e higiene, como água encanada, energia elétrica, rede de esgoto.

Em 15 anos, o Ministério Público do Trabalho registrou quase 50 inquéritos contra a usina Maringá. Em um deles, a empresa foi condenada a pagar cheques sem fundo dados para rescisão trabalhista. A Justiça também determinou o bloqueio imediato e total dos bens da usina e de seus sócios, visando garantir o pagamento de verbas rescisórias de funcionários. Mas muitos continuam sem receber.

Na safra passada, já sem moer, ex-funcionários reclamaram de que equipamentos da Maringá, que deveriam ser vendidos para abater o pagamento das dívidas, seguiram para a Usina Santa Rita, outra unidade do Grupo Diné, localizada em Santa Rita do Passo Quatro, SP. Nesta safra, a Santa Rita também deixou de moer.

Não dá para responsabilizar apenas a crise que se abate sobre o setor pelo fechamento das unidades do Grupo Diné, a situação já é precária há muitos anos, mesmo antes de 2008. Para muitos, o encerramento das duas unidades, demorou. Mesmo assim, é lamentável, representa uma baixa de cerca de seis mil vagas de trabalho e menos geração de renda nas regiões de Araraquara e Santa Rita. (Cana Online 28/07/2015)

 

Turbulência na China renova viés de queda na ICE

Os futuros de açúcar demerara até tentaram ensaiar uma recuperação ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), mas não conseguiram sustentar os ganhos devido ao dólar ainda fortalecido ante o real. Os preços fecharam o dia perto da estabilidade e têm agora o viés de queda renovado em razão das turbulências enfrentadas pela China.

Nesta segunda-feira, a Bolsa de Xangai sofreu o maior tombo desde 2007, com o Índice Xangai Composto recuando 8,5%. Os temores são de que as autoridades em Pequim estejam retirando recentes medidas de apoio aos mercados locais. A tendência de baixa nos preços das commodities e por novos dados fracos da indústria da China também pressionaram.

No Brasil, houve reflexos. O dólar se manteve firme ante o real durante todo dia e acabou terminando em leve alta. A divisa fechou em R$ 3,3610 (+0,36%), maior marca desde 28 de março de 2003.

Esse câmbio, aliás, é apontado pelo Rabobank como um dos fatores a manter os futuros do açúcar pressionados também no terceiro trimestre de 2015. Aumento sazonal da oferta, demanda limitada em países como China e Indonésia e comercialização de estoques pela Tailândia também devem fazer com que os preços registrem média de 11,30 cents/lb no período. Segundo a instituição, uma recuperação pode ser observada no fim do ano devido a questões climáticas, como El Niño. Mesmo assim, o preço médio estimado pelo Rabobank para os meses de outubro, novembro e dezembro é de 12,60 cents/lb.

Do lado altista, o mercado atenta para chuvas durante o fim de semana em áreas produtoras de São Paulo. Os relatos, porém, dão conta de que as precipitações não foram fortes o suficiente para provocar grandes atrasos nos trabalhos de colheita, como ocorrido na primeira quinzena do mês. Para os próximos dias, a previsão é de tempo aberto em todo o Estado.

Nos gráficos, nenhuma alteração: suporte em 11,10 cents/lb e resistência nos 11,50 cents/lb.

Ontem, outubro fechou estável, em 11,24 cents/lb, com máxima no dia de 11,42 cents/lb (mais 18 pontos) e mínima de 11,17 cents/lb (menos 7 pontos). Março recuou 6 pontos (0,48%) e terminou em 12,51 cents/lb. O spread outubro/março variou de 133 para 127 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 47,49/saca, baixa de 0,25% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,13/saca (-0,63%).

Conforme o centro de estudos, mesmo com a menor oferta nesta safra, os preços do cristal continuam a se enfraquecer no mercado paulista. "Representantes de usinas cederam nos valores pedidos, na tentativa de estimular a demanda que tem estado retraída. Além disso, a queda nos preços internacionais também influenciam os recuos domésticos", destacou o Cepea, em nota.

Quanto às paridades, de 20 a 24 de julho a remuneração com as vendas de açúcar no spot paulista foi 8,84% superior à obtida com as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 48,01/saca, as cotações do contrato outubro equivaleriam a R$ 44,11/saca. (Agência Estado 28/07/2015)

 

Consumo de mudas é 40% maior no plantio mecanizado de cana, mostra pesquisa Udop

A pesquisa de produtividade agrícola da safra 2014/15 realizada pela Udop nos meses de abril e maio deste ano trouxe números preocupantes quando o assunto é plantio de cana-de-açúcar, isso porque, segundo as usinas participantes, que representam cerca de 15% de toda acana produzida no País, as usinas perceberam um aumento de cerca de 40% no consumo de mudas para áreas plantadas mecanicamente, no comparativo com o plantio manual.

O plantio das unidades pesquisadas é 62% mecanizado e 15% semi-mecanizado. "Os dados da pesquisa demonstram que manualmente as usinas pesquisadas usam em média de 10 a 15 toneladas de cana (muda) por hectare, enquanto que no plantio mecânico foram necessárias de 15 a 20 toneladas de cana por hectare plantado", destacou o presidente executivo da UDOP, Antonio Cesar Salibe.

A pesquisa, respondida por dezenas de usinas localizadas em cinco estados brasileiros, já está em sua terceira amostra, tendo se consolidado como importante ferramenta para que as usinas participantes possam analisar como andam suas produtividades médias e se suas práticas agrícolas estão de acordo com a maioria das unidades participantes. Os resultados são disponibilizados apenas para as unidades que participaram da pesquisa.

No quesito plantio de cana, 84% das unidades disseram possuir viveiros de mudas, sendo 38% de Mudas Pré-Brotadas (MPB), com maior participação do sistema Plene desenvolvido pela Syngenta.

Das usinas que destacaram possuir viveiros de mudas, quase 70% não fazem o tratamento térmico destas mudas, o que, segundo Salibe, demonstra uma falta de preocupação com o raquitismo, que tem diminuído, consideravelmente, a produtividade dos canaviais.

Sobre o espaçamento utilizado no plantio de cana, 88% das usinas utilizam-se do espaçamento de 1,50 metro, contra apenas 10% utilizando-se do espaçamento combinado de 0,90 m X 1,50 m. Para 90% das usinas pesquisadas, a decisão pelo espaçamento esbarra nos entraves com as máquinas colhedoras.

Pesquisa 2015/16

A Udop realiza a pesquisa de produtividade agrícola anualmente. Sobre a safra 2015/16, a pesquisa deverá ser preenchida nos meses de abril e maio do próximo ano. A pesquisa é gratuita e aberta a todas as usinas interessadas. (Udop 28/07/2015)

 

Boletim do CTC constata maior propensão ao florescimento dos canaviais em 2015

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) divulgou nesta segunda-feira (27) o 6º Boletim Técnico CTC. O material enfatiza o florescimento das variedades de cana-de-açúcar, que traz prejuízos para os canaviais.

Segundo o boletim, em 2015 vem sendo verificada a ocorrência de florescimento em áreas de cana-de-açúcar em diversas regiões do Centro-Sul. Além disso, de modo geral, as condições meteorológicas nesta região do Brasil apresentaram temperaturas amenas e chuvas abundantes, ideais para a ocorrência de florescimento.

Para analisar esta situação de forma mais concreta e compará-la ao ano anterior, o CTC usou os dados de 10 estações meteorológicas automáticas controladas pelo Centro e pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) que representam diferentes ambientes climáticos do Centro-Sul.

De acordo com o levantamento, todas as localidades estudadas - com exceção de Rio Brilhante no Mato Grosso do Sul - apresentaram condições climáticas favoráveis ao florescimento neste ano de 2015. Esta condição é reforçada quando comparada com os dados de 2014, onde nas localidades com latitudes mais altas houve poucos dias subsequentes em condições para florescimento.

De modo geral, os dados analisados validam a percepção geral nas diferentes regiões produtoras do Centro-Sul sobre a possível ocorrência de florescimento nos canaviais em 2015, em especial em regiões que normalmente esta condição não costuma ser tão frequente nos anos anteriores. Como forma de evitar o florescimento, o CTC orienta o uso de variedades com baixa tendência de que esse fenômeno ocorra. (Udop 28/07/2015)

 

Preço interno do açúcar volta a cair

Os preços do açúcar cristal voltaram a se enfraquecer no mercado paulista, mesmo com a menor oferta brasileira nesta safra.

Na segunda-feira, 27, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, referente ao mercado paulista, fechou a R$ 47,49/saca de 50 kg, queda de 2,2% em relação à segunda anterior.

Segundo pesquisadores do Cepea, representantes de usinas cederam nos valores pedidos, na tentativa de estimular a demanda que tem estado retraída, agentes afirmam que as vendas para o consumidor final estão baixas. Além disso, a queda nos preços internacionais também influenciam os recuos domésticos. (Cepea / Esalq 28/07/2015)

 

Hidratado segue em desvalorização em SP (-1,6%)

Os preços do etanol hidratado seguiram em queda na última semana no mercado paulista.

Entre 20 e 24 de julho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,1926/litro (sem impostos), baixa de 1,6% em relação à semana anterior.

Pesquisadores do Cepea indicam que, além do avanço da moagem em São Paulo, a maior entrada do produto de outros estados, com destaque para Mato Grosso do Sul, reforçou a pressão sobre as cotações.

Do lado da demanda, parte das distribuidoras consultadas pelo Cepea postergou as compras, na expectativa de novos recuos nos próximos dias. Já o Indicador do anidro permaneceu estável em igual comparativo, fechando a R$ 1,3711/l (sem impostos). (Cepea / Esalq 28/07/2015)